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	<title>Jogo de Área &#187; Mundial 2010</title>
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	<description>Artigos de opinião e Análise desportiva</description>
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		<title>Portugal: afinal há esperança</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 12:54:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Z</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assumo que fui dos primeiros a duvidar das qualidades de Carlos Queirós para liderar a selecção nacional, especialmente numa fase tão importante como esta em que a equipa necessitava de uma forte remodelação na era pós-Scolari. O brasileiro envelheceu a equipa, e Queirós iniciava funções com a complicada tarefa de renovar a nossa selecção enquanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assumo que fui dos primeiros a duvidar das qualidades de Carlos Queirós para liderar a selecção nacional, especialmente numa fase tão importante como esta em que a equipa necessitava de uma forte remodelação na era pós-Scolari. O brasileiro envelheceu a equipa, e Queirós iniciava funções com a <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/seleccao/jesualdo-ferreira-fc-porto-seleccao-carlos-queiroz/1104642-1194.html" target="_blank">complicada tarefa</a> de renovar a nossa selecção enquanto simultaneamente garantia uma presença no Mundial da África do Sul.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3190 alignleft" style="margin-top:3px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/bosnia-portugal-raul-meireles.jpg" alt="Raul Meireles" width="280" height="196" align="left" title="Portugal: afinal há esperança" />Tal como a maioria dos portugueses, a comunicação social também não facilitou a vida ao aí recente seleccionador, e penso que aquela primeira partida de qualificação frente à Dinamarca, em que <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/seleccao/ranking-fifa-portugal-seleccao-mundial-2010/1104560-1194.html" target="_blank">Portugal</a> acabou por sair derrotado de forma surpreendente, acabou por marcar um arranque que até poderia ter sido excelente a julgar pela exibição das quinas.</p>
<p>Seguiram-se diversos empates, diversas exibições de fraca qualidade, mas que na realidade até eram acompanhadas pelos adversários mais directos &#8211; Suécia e Dinamarca nunca provaram merecer o Mundial muito mais do que <a href="http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1410688" target="_blank">Portugal</a>. E a realidade é que, quando todos nós já víamos o campeonato do mundo como uma miragem, a selecção portuguesa partiu para uma recta final brilhante, e que agora vê recompensada com a presença entre as 32 equipas finalistas, assim como um salto de 5 lugares no ranking da FIFA (estava no 10.º lugar).</p>
<p>Qual terá sido o segredo desta equipa? Fazendo as contas, o lote de atletas que encerrou a qualificação com uma brilhante vitória frente à Bósnia é precisamente o mesmo que anteriormente havia sido atacado pelos tais abutres que Eduardo identificou &#8211; apenas com a adição do &#8220;novo&#8221; português Liedson.</p>
<p>O segredo consistiu, a meu ver, na capacidade para unir um conjunto de atletas que ainda não se tinham visto como uma verdadeira equipa. Foram diversos jogos, outros tantos estágios, mas a palavra equipa foi algo que nunca fez parte do vocabulário português. Coube a <a href="http://www.ionline.pt/conteudo/33948-portugal-salta-quinto-no-ranking-fifa" target="_blank">Queirós</a> unir este lote que, na realidade, tinha tudo para vencer. E as recentes prestações de Bruno Alves, Pepe, Meireles ou Nani a isso o devem. O timing também foi o mais acertado. Em pleno zénite da actual época desportiva, este conjunto de atletas foi capaz de encarnar o espírito vencedor que Portugal ao longo dos anos vem provando, agarrando o Mundial de forma brilhante.</p>
<p>Faltará agora conhecer os adversários portugueses, e admito que pouco me importará o calibre (ou falta dele) das formações a defrontar. <a href="http://www.ionline.pt/conteudo/33707-portugal-tem-africa-do-sul-tatuada-na-pele" target="_blank">Portugal</a> terá essencialmente que manter este espírito ganhador que fez por encontrar nesta fase de maior aperto, e partir para o Mundial de peito aberto, com a certeza de que tem equipa e individualidades para fazer algo de especial.</p>
<p>Ao actual conjunto de jogadores, haverá ainda a adicionar a classe de Pedro Mendes, a magia do playmaker Danny, assim como a genialidade do capitão Cristiano Ronaldo. Mas a presença na África do Sul, essa, é já uma garantia.</p>
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		<title>Portugal x Bósnia &#8211; A hora do juízo final&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 08:22:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ponto prévio: tradicionalmente, Portugal nunca se deu bem com a antiga Jugoslávia. No confronto histórico com a antiga Federação, o saldo é nagativo. Com o desmembramento da República do Marechal Tito, esse fantasma desapareceu, mas a verdade é que as equipas balcânicas sempre foram consideradas perigosas.
A Croácia terá aparecido primeiro, com aquela inolvidável geração comandada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ponto prévio: tradicionalmente, <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/seleccao/seleccao-maisfutebol-portugal-queiroz-bosnia-mundial-2010/1096759-1194.html" target="_blank">Portugal</a> nunca se deu bem com a antiga Jugoslávia. No confronto histórico com a antiga Federação, o saldo é nagativo. Com o desmembramento da República do Marechal Tito, esse fantasma desapareceu, mas a verdade é que as equipas balcânicas sempre foram consideradas perigosas.</p>
<p>A Croácia terá aparecido primeiro, com aquela inolvidável geração comandada por Blazevic e que contava com homens como Ladic na baliza, Bilic a central, Boban e Prosinecki na área medular, Asanovic a playmaker e Suker ou Vlaovic na zona da finalização&#8230; equipa que teve o seu climax no Mundial 98 ao conquistar o terceiro lugar. Mas a antiga Jugoslávia também era a Sérvia, a consistente Sérvia, cliente assídua de Mundiais e Europeus, onde clubes como o Partizan ou o Estrela Vermelha monopolizavam títulos, e onde a formação de jovens valores era efectuada criteriosamente e monopolisticamente. Houvesse um jovem talento bósnio, esloveno, ou macedónio, e acabaria nesses colossos. E nem seria a Bósnia a lançar um grito de insurreição contra as potências futebolísticas reinantes&#8230; esse pertenceria à Eslovénia, que graças à geração de Zahovic, Pavlin e Acimovic conseguiria lançar bases para expandir o futebol nos Balcãs. As presenças no Euro 2000, com aquele sublime empate a três com a, então, Federação Jugoslava, e no Mundial 2002 foram coroas de glória de uma geração, que parece, agora, redescobrir os prazeres das aventuras internacionais.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2876 alignleft" style="margin-top:3px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/10/bosnia-pjanic.jpg" alt="Pjanic" width="300" height="190" align="left" title="Portugal x Bósnia   A hora do juízo final..." />E a Bósnia? A <a href="http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1409618" target="_blank">Bósnia</a>, essa acordou tarde&#8230; as feridas da guerra foram mais árduas de sanar. Sarajevo estava destruída, as preocupações não iam para o <a href="http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1409797" target="_blank">futebol</a>, e clubes históricos como o Velez Mostar penavam e cindiam-se entre os bósnios de origem muçulmana e os de origem croata. Os jovens, para poderem acalentar alguma esperança de singrarem no mundo do futebol, tinham de sair do país. Foi assim com <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/seleccao/dzeko-bosnia-portugal-cristiano-ronaldo-iol-maisfutebol/1102662-1194.html" target="_blank">Dzeko</a>, Misimovic, Muslimovic, entre outros, o que empobreceu o campeonato local, que actualmente é liderado pelo Borac, clube da martirizada Banja Luka, tristemente célebre pelos atentados fratricidas das guerras civis. Mas este clima de instabilidade que obrigava os jovens a partirem, contribuiu para o fortalecimento da selecção&#8230; homens como os já citados, aos que podemos acrescentar Ibisevic ou Pjanic, que meninos partiram, tornaram esta selecção que defontará <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/nota%C2%ADcias/portugal-bosnia-seleccao-ronaldo-queiroz-antevisao/1103141-5199.html" target="_blank">Portugal</a> um caso sério, um caso bicudo, atendendo ao futebol praticado!</p>
<p>Dotada de um forte espírito combativo, aliado a um intensíssimo fervor futebolístico que faz do estádio um inferno, a selecção bósnia não sabe jogar à defesa. Que o diga a Armada Invencível castelhana, que fechou a fase de grupos lá vencendo por cinco bolas a duas, mas teve de se aplicar&#8230; e, talvez esse resultado seja o melhor espelho do que <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/nota%C2%ADcias/alex-ferguson-manchester-united-carlos-queiroz-nani-cristiano-ronaldo-bosnia/1102846-5199.html" target="_blank">Portugal</a> pode encontrar! Efectivamente, a quadragésima segunda classificada do Ranking FIFA tem claramente tracção à frente, e não podia ser de outra forma, atendendo aos jogadores seleccionáveis que possui.</p>
<p>Blazevic, um velho lobo do futebol, tem, tradicionalmente, optado por escalar a equipa em 3-5-2. Spahic, Nadarevic e Jahic são um trio de defesas que joga à frente do guardião Supic, actual guardião titular. São os que mais sofrem com uma equipa que só tem balanceamento atacante. Daí para a frente é que a equipa ganha alma. Com Muratovic a fazer a ligação entre a defesa e o meio campo, e com Rahimic e Salihovic a fecharem as alas, os génios criativos do meio campo soltam-se. São eles Pjanic, titular e sensação do Lyon, e <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/seleccao/misimovic-bosnia-portugal-mundial-iol-maisfutebol/1102803-1194.html" target="_blank">Misimovic</a>, um dos mais cintilantes playmakers da Bundesliga, e que por jogar no mesmo clube que <a href="http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1405809" target="_blank">Dzeko</a> &#8211; Wolfsburg &#8211; entende-se com ele de olhos fechados. Ainda tendo, na mesma linha avançada, Ibisevic, jogador do Hoffenheim, e que em Janeiro, quando sofreu uma lesão ligamentar, era o melhor marcador de todos os campeonatos europeus. Mas ainda existem Muslimovic &#8211; avançado do PAOK, &#8211; Bajramovic &#8211; que nasceu na Alemanha e tem feito a sua carreira na Bundesliga, chegando mesmo a actuar no Schalkeo4, &#8211; o lateral Sasa Papac &#8211; colega de Pedro Mendes nos Rangers &#8211; e mais alguns&#8230;</p>
<p>Uma <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/seleccao/seleccao-portugal-bosnia-bruno-alves-maisfutebol/1102708-1194.html" target="_blank">selecção</a> que pretende agora despontar e tudo fará para causar dissabores a <a href="http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1405810" target="_blank">Portugal</a>. Há que defender bem, recuperando a bola o mais longe possível da área lusitana, de modo a estar em maiores condições de causar dissabores aos bósnios. Mas com cuidado, que isto não vai ser uma brincadeira!</p>
<p><em>P.S. Artigo com a generosa colaboração e informação do meu amigo Fábio Faria&#8230;</em></p>
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		<title>Mundial 2010: Um Portugal distinto&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 23:10:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Z</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A selecção que disputou esta dupla jornada frente a Hungria e Malta, e que no final acabou por &#8220;salvar&#8221; as contas portuguesas, apresentou-se com um carácter francamente distinto de toda a restante qualificação. E foi precisamente essa nova postura a permitir os tão almejados 6 pontos que, com o empurrão dos &#8220;amigos&#8221; dinamarqueses leva agora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <a href="http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1405171" target="_blank">selecção</a> que disputou esta dupla jornada frente a Hungria e Malta, e que no final acabou por &#8220;salvar&#8221; as contas portuguesas, apresentou-se com um carácter francamente distinto de toda a restante qualificação. E foi precisamente essa nova postura a permitir os tão almejados 6 pontos que, com o empurrão dos &#8220;amigos&#8221; dinamarqueses leva agora Portugal para o <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/made-in/manuel-jose-angola-portugal-mundial-irlanda-mundial-2010/1095815-1504.html" target="_blank">play-off</a>.</p>
<p>Mas o que realmente importa neste momento será retirar as ilações de um percurso que teve bem mais de adverso do que de tranquilo. Com um primeiro objectivo de mudança e renovação &#8211; depois de um gradual envelhecimento da nossa <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/seleccao-portugal-malta-mundial-2010-mundial-futebol/1095785-4062.html" target="_blank">selecção</a> conduzido pelo seu antecessor Scolari, diga-se de boa verdade &#8211; o então novo seleccionador nacional trazia consigo a já super-gasta bandeira do título no Mundial de Sub-20, algo que por si só pouco quereria dizer do potencial sucesso ao leme das quinas. E apesar de um início prometedor, a derrota frente a dinamarqueses em Alvalade acabou por marcar uma equipa jovem e com muitos novos elementos, equipa que só haveria de se levantar bem perto do final.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2853 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/10/portugal-malta-meireles-simao-veloso.jpg" alt="Raul Meireles, Simão, Miguel Veloso" width="300" height="191" align="left" title="Mundial 2010: Um Portugal distinto..." />As oportunidades para moralizar os atletas e encetar uma recuperação foram várias, e foi necessário o sofrimento do costume e as pressões dos vários quadrantes para que esta equipa se reencontrasse e partisse para uma recta final de bom nível. Liedson, fora de casa, e Pedro Mendes, nas partidas caseiras, foram dois dos elementos que mais se evidenciaram trazendo à equipa portuguesa experiência, estabilidade e ajudando a alcançar a confiança tão importante numa prova desta natureza. Já Queiroz, incapaz de criar um núcleo forte e com enormes dificuldades em encontrar um onze base, parece ter ganho novo alento depois da visita à Hungria. A opção por Mendes no miolo &#8211; mesmo que sendo uma solução para a ausência de Pepe &#8211; nunca teria sido uma realidade numa fase mais prematura da qualificação, e a colocação de Veloso na esquerda permitiu fortalecer o meio-campo da equipa concedendo-lhe ainda um carácter mais cerebral na condução de jogo pelo lado esquerdo. Até no que diz respeito ao contacto com a imprensa o seleccionador nacional foi capaz de encontrar algum equilíbrio, transmitindo ao seu grupo de trabalho que só com objectivos bem claros seria possível chegar a bom porto.</p>
<p>Faltará claramente uma última e final batalha, cuja abordagem mais do que qualquer outra coisa será determinante para um desfecho positivo. Só um Portugal lutador foi capaz de virar um destino que já se traçava totalmente negro, e caberá à mesma equipa garantir uma presença no mundial da África do Sul, algo que a ser alcançado deverá ser festejado como se de um título se tratasse. Esperamos que assim o seja.</p>
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		<title>Pedro Mendes, o estratega discreto</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 10:14:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lembro-me de Pedro Mendes, desde os tempos em que nas camadas jovens do Vitória já se evidenciava dos demais. Mesmo actuando, ao lado de outros jovens com uma valia muito acima da média, tais como Rego, Lima, ou Nuno Mendes, o talento daquele jovem nascido em 26 de Fevereiro de 1979, em Moreira de Cónegos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembro-me de <a href="http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1404942" target="_blank">Pedro Mendes</a>, desde os tempos em que nas camadas jovens do Vitória já se evidenciava dos demais. Mesmo actuando, ao lado de outros jovens com uma valia muito acima da média, tais como Rego, Lima, ou Nuno Mendes, o talento daquele jovem nascido em 26 de Fevereiro de 1979, em Moreira de Cónegos, sobressaia. A sua sublime visão de jogo, entrecortada com a capacidade de fazer passes teleguiados que saciavam a gula dos avançados, desde cedo lhe pareciam augurar aquele caminho que os predestinados trilham.</p>
<p>Todavia, nem tudo seria fácil na sua carreira. Apesar do seu talento no meio campo ser algo de notório, onde desde cedo se vislumbrava que poderia ser um <em>box-to-box</em> de nível europeu, teria de suportar um empréstimo ao extinto Felgueiras. Aí, numa equipa que contava com Khadim (seria guarda-redes do Boavista), e com os, também, vitorianos Meira, Lixa e treinados por Diamantino Miranda, cedo se percebeu que a pedra valiosa podia-se transformar em diamante&#8230; com efeito, a passagem pelos escalões inferiores do futebol português conferiram-lhe uma entourage física que lhe passaram a permitir correr quilómetros. Algo que lhe faltava era então ganho, numa época brilhante, onde o Felgueiras falharia a subida nos últimos jogos.</p>
<p>Após essa época, haveria de regressar a Guimarães, onde na sua primeira época completa, não haveria de brilhar&#8230; muito menos jogar! Mas, na época seguinte, em 1998-1999 começaria a refulgir. O Vitória treinado por Quinito, assumia a necessidade de uma renovação e nada melhor que apostar nos jovens vitorianos e vimaranenses que haviam sido fabricados na Unidade. A equipa que na primeira jornada jogaria em Setúbal já era o espelho dessa ambição; jovens como Meira, Rego, Lixa, Jairson, Lima ou <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/sobe/sobe-pedro-mendes-seleccao/1094874-1497.html" target="_blank">Pedro Mendes</a> nesse primeiro jogo, apesar do empate, encantaram, com um futebol desinibido e atraente não fosse Quinito o último dos românticos! Mas, a época acabaria mal. Desaguizados entre Quinito e Pimenta Machado e concomitante chicotada; a abrupta rescisão de Fernando Meira, iludido por Vale e Azevedo; e uma quebra súbita da jovem equipa destruíram uma temporada que prometia ser brilhante.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2842 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/10/pedro-mendes.jpg" alt="Pedro Mendes" width="300" height="199" align="left" title="Pedro Mendes, o estratega discreto" />Na duas épocas seguintes, <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/pedro-mendes-seleccao-seleccao-nacional-portugal-malta-mundial/1095806-4062.html" target="_blank">Mendes</a> sofreria&#8230; primeiro com Autuori e posteriormente com Inácio haveria de ter de deixar a pele em campo para ganhar um lugar no onze principal. Todavia, haveria de o conseguir e seria parte numa das épocas em que o futebol vitoriano foi mais inebriante. Jogando em Felgueiras, por obras no Afonso Henriques, o Vitória da época 2002-2003 e treinado por Inácio era um prontuário de bom futebol. Utilizando um sistema inovador de 3-5-2 explanado a todo a largura do terreno, inúmeras sinfonias eclodiram por esses campos fora. Aliás, caso se pergunte a qualquer um dos milhares de adeptos vitorianos existentes, eles recitarão, sem se enganar, os nomes que compunham essa inolvidável equipa&#8230; eram tempo em que Pedro Mendes constituía sociedade com o actual Pequeno Mágico do futebol vitoriano, Nuno Assis, no sentido de fazer de Romeu um avançado de topo do futebol português. Sucediam-se os passes teleguiados, as tabelinhas de calcanhar, as penetrações impossíveis de sustentar, um futebol mágico que só não foi recompensado com uma ida às competições europeias, porque nesse ano o quarto lugar não foi contemplado com tal prémio.</p>
<p>Com futebol tão perfumado não haveriam de faltar pretendentes. Acabaria por assinar pelo Porto, onde por necessidades de Mourinho, que pretendia implantar o célebre 4-4-2 losango, acabaria por tornar o seu jogo mais discreto e táctico. À vertente técnica, Pedro Mendes passava a aliar a vertente táctica&#8230; uma leitura irrepreensível dos momentos de jogo, um mestre no jogo de compensações, e a honra de ser titular em Gelsenkirchen, sagrando-se campeão europeu, num meio campo composto por si, Costinha, Deco e Maniche. O vimaranense tocava o céu e fazia a Europa perder a cabeça pelas suas qualidades.</p>
<p>Sairia para Inglaterra, para o Tottenham. Nos <em>Spurs</em>, pela primeira vez, a sua estrela deixaria de refulgir com tanta intensidade. Os problemas de adaptação de quem nunca deixara de morar na sua cidade natal, bem com o futebol, excessivamente directo, para quem gostava de tocar a bola, acariciando-a antes de a deixar, triste, partir para outros pés, tornaram a sua estada em Londres triste. Em duas épocas faria, apenas, trinta jogos e sairia sem honra nem glória para o Portsmouth, onde daria novo fulgor à sua carreira. Aí, ao lado de homens como James, Defoe, Crouch ou Kranjcar haveria de tornar os Pompeys num clube temido na Old Albion, chegando mesmo a vencer uma FA Cup, perante o Cardiff City. Inolvidável, o momento em que Mendes com o cachecol de quem o fez homem &#8211; o Vitória &#8211; enrolado no braço, tocou a Taça desta competição centenária.</p>
<p>Saíria, no fim dessa época para a Escócia, para os Rangers, para os ajudar a esbater o que ameaçava já ser um crónico domínio do Celtic. Para viver o distinto ambiente do Old Firm quando católicos e protestantes se enfrentam num campo de futebol, e assumir-se como pedra vital no retorno dos Protestantes de Glasgow ao título. O médio centro, haveria de se tornar na pedra mais preciosa da zona medular dos Rangers, ajudando o almejado título a chegar. Na presente temporada, na Champions, a sua influência seria comprovada, a capitão da equipa. Todavia, existia uma pedra no sapato numa carreira tão preenchida. Após a estreia na selecção portuguesa pela mão de Agostinho Oliveira e algumas chamadas, Scolari houvera-o esquecido. Mesmo Queiroz que o chamara no início desta campanha, ameaçava olvidar a qualidade do vimaranense. Porém a lesão de Tiago abriu-lhe as portas para integrar o grupo nestes dois últimos jogos&#8230; e o castigo de Pepe garantiu-lhe a titularidade! E comprovou o quanto a merecia. Apesar de a sua discrição parecer que está afastado do jogo, há sempre um equilíbrio que é bem feito, uma recuperação astuta que permite iniciar um contra ataque, ou um passe de trinta metros que permite descompensar a desprevenida defesa contrária. Tudo pela calada da noite, não assumisse <a href="http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1404971" target="_blank">Mendes</a> um low-profile tão ao gosto british, não fosse lá que tivesse atingido a sua maioridade futebolística.</p>
<p>Frente à Hungria comprovou, que, talvez, seja o volante defensivo com melhor qualidade passe após Paulo Sousa&#8230; uma alternativa credível a Pepe no posto de pivot defensivo, agora que a África do Sul começa a sorrir para Portugal.</p>
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		<title>Portugal &#8211; Embirração Nórdica?</title>
		<link>http://www.jogodearea.com/2008/10/portugal-embirracao-nordica/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 00:50:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Z</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A tradição, positiva ou nem tanto, sempre teve um forte impacto mental nas várias equipas portuguesas de futebol que ao longo dos anos nos representaram. Como povo latino, de sangue quente, deixamo-nos facilmente levar pelas emoções, e tanto somos capazes de ultrapassar o que parece inalcançável, como somos batidos quando nada o parece prever.
Neste contexto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A tradição, positiva ou nem tanto, sempre teve um forte impacto mental nas várias equipas portuguesas de futebol que ao longo dos anos nos representaram. Como povo latino, de sangue quente, deixamo-nos facilmente levar pelas emoções, e tanto somos capazes de ultrapassar o que parece inalcançável, como somos batidos quando nada o parece prever.</p>
<p>Neste contexto, o Grupo 1 na qualificação para o Mundial 2010 trouxe-nos uma curiosidade: a presença de duas equipas escandinavas a fazer frente a Portugal, num total de 4 partidas. E o saldo é, para já, negativo. Naquela que era a primeira partida a doer, Portugal recebia a Dinamarca em Alvalade, sendo também um importante dia para o retornado Carlos Queirós. Em bom tom nacional, os pupilos lusos fizeram um bom primeiro tempo, criaram diversas ocasiões de golo, mas em suma não as concretizaram em número suficiente. Jogando confortavelmente ao sabor de um 1&#215;0, não foi preciso mais do que um bom <em>sprint</em> final para que os Dinamarqueses levassem os 3 pontos para casa. Normalmente teria sido apenas 1, mas o factor sorte também faz parte do futebol (para quem o procura), e o drama estendeu-se à perda de 3 pontos, criando desta forma um complicado confronto directo perante a turma de Morten Olsen.</p>
<p>O que me parece curioso, por vezes até bizarro, é a forma como o pássaro parece sempre estar bem mais das mãos Portuguesas que dos seus adversários. Futebol rendilhado, pressão alta, uma posse de bola que resulta em fortes percentagens de domínio em terreno adversário, e claro, inúmeras situações de golo. Porque será que a bola não entra? Não, não será inteiramente pela falta de um verdadeiro ponta de lança. É, essencialmente, pelo factor (des)concentração, pelo conforto da boa exibição e essencialmente pelo acreditar de que mais cedo ou mais tarde os golos acabarão por surgir. Afinal de contas, a equipa está a jogar bem e merece vencer. Falso! O futebol faz-se de vitórias, e se a bola não entra pouco importa agarrarmo-nos a vitórias morais.</p>
<p>Na dupla jornada que agora de avizinha, Portugal irá deslocar-se ao Estádio Rasunda, em Solna, para defrontar uma turma de enorme história em termos de selecções. A Suécia do séc. XXI ainda não revelou o fulgor de outros tempos, mas comparando-a com a vizinha Dinamarca vemos uma selecção cujo poder histórico lhe concede uma maior dose de favoritismo, especialmente jogando em casa. Previsivelmente, os Suecos irão apresentar-se num arrojado 3-5-2, o mesmo esquema utilizado frente à Hungria na sua última partida. Uma equipa bem longe do <em>kick and rush</em> de outros tempos, na qual o esquerdino Källström é o pivot ofensivo, distribuindo e pautando o jogo. O vetereno Larsson, ausente por lesão, é ainda um habitual titular no seu habitual estilo de falso avançado-esquerdo, mas mantendo inacto o seu faro pelas balizas contrárias. Contudo, o grande nome desta equipa é o de Ibrahimovic, a estrela que mais brilha de azul e amarelo. O futebol da turma escandinava é francamente tecnicista, e jogado na velocidade e constante troca de bola entre os vários elementos. Geralmente, Lars Lagerbäck povoa o meio-campo tentando ganhar poderio em termos de posse de bola, para posteriormente construir em regime de passe curto e rápidas desmarcações.</p>
<p>Só um Portugal de enorme empenho levará de vencida esta difícil equipa, que apoiada pelo seu público quererá continuar um percurso imaculado rumo ao Mundial de África do Sul. Com o regressado Ronaldo previsivelmente no onze titular, será Portugal um escravo do rendimento do seu filho mais pródigo?</p>
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		<title>Análise: Qualif. Mundial 2010 &gt; Portugal 2&#215;3 Dinamarca</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Sep 2008 22:34:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Z</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Mundial 2010]]></category>

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		<description><![CDATA[Terá servido de lição? Em Alvalade, a Selecção Portuguesa serviu-nos um prato do qual já estamos bem habituados a provar. Só que desta feita, a turma nórdica fê-lo com requintes de malvadez: 3 golos, todos eles marcados depois dos 84 minutos, &#8220;arrumaram&#8221; um Portugal que foi literalmente capaz do fantástico e do imperdoável.
Era a estreia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terá servido de lição? Em Alvalade, a Selecção Portuguesa serviu-nos um prato do qual já estamos bem habituados a provar. Só que desta feita, a turma nórdica fê-lo com requintes de malvadez: 3 golos, todos eles marcados depois dos 84 minutos, &#8220;arrumaram&#8221; um Portugal que foi literalmente capaz do fantástico e do imperdoável.</p>
<p>Era a estreia de Queirós a jogar em casa, e logo numa partida que só o menos atento pensaria ser acessível à equipa nacional. Antes pelo contrário, a Escandinávia trás-nos quase sempre equipas extremamente aguerridas, e que têm no músculo e no sentido táctico a estrutura do seu futebol já de há muitas décadas para cá. Contudo, o futebol evoluiu, e actualmente é possível ver elementos móveis e de algum primor técnico em equipas nórdicas, como Bendtner &#8211; o corpulento avançado do Arsenal &#8211; ou <span class="apreto12n">Rommedahl &#8211; Ajax de Amsterdão &#8211; que apareceram com o condão de revolucionar equipas há muito vistas como esforçadas e pouco mais&#8230;<br />
Na partida de hoje, Portugal conseguiu deixar um sabor de frustração que fez lembrar o recente Portugal x Alemanha a contar para o Euro 2008. Uma equipa que, a espaços, praticou um futebol memorável, sob a batuta de Deco, a profundidade de Bosingwa e Paulo Ferreira, e a irreverência de Nani. Insuficiente, no entanto, pois sempre que os Dinamarqueses se aproximavam de Quim as consequências eram marcantes: perigo, muito perigo. Níveis de desconcentração que haveriam de custar bem caro aos pupilos de Queirós.</span></p>
<p><img class="alignleft attachment wp-att-859" style="float: left; margin-left: 5px; margin-right: 5px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2008/09/3d6505a017d6ad04dc2bb3e9f49a9bac-getty-fbl-wc2010-portugal-denmark.jpg" alt="Análise: Qualif. Mundial 2010 > Portugal 2x3 Dinamarca" width="300" height="206" align="left" title="Análise: Qualif. Mundial 2010 > Portugal 2x3 Dinamarca" />Depois de um primeiro tempo aguerrido e onde o controlo português foi uma constante, Portugal encontrava-se na frente do marcador depois de uma triangulação perfeita entre Paulo Ferreira, Hugo Almeida e Nani, com este último apenas a encostar. Acreditava-se numa partida tranquila, num segundo tempo seguro e onde as evidências resultariam numa vitória segura. E foi aliás essa a sensação que todos teremos tido até bem perto do final, dado que Portugal &#8211; ao seu belo estilo &#8211; construía de forma brilhante e finalizava de forma desastrada, repartindo &#8220;louros&#8221; por Hugo Almeida e Nuno Gomes, dois elementos que teimosamente continuam a ser colocados em esquemas de 4-3-3, tornando o seu rendimento sofrível pela pouca &#8211; ou nula &#8211; capacidade de finalização. Em contrapartida, criativos não faltaram, e aos 73&#8242; foi Danny a fazer as delícias do público em Alvalade, com duas jogadas de cortar a respiração, que só o puro azar ou a &#8220;azelhice&#8221; de Nuno Gomes não permitiram terminar de vez com mais uma importante partida.</p>
<p>Até que, aos 84 minutos, a história começaria a construir-se. Um lance que como muitos outros beneficiou da permissividade nacional, e foi Bendtner a finalizar num remate de belo efeito, para a tranquilidade do defensor português. Quim poucas chances teve de salvar. No minuto seguinte, o <em>penalty</em> bem assinalado sobre Nuno Gomes ainda fez acreditar numa vitória em tom de suspiro, mas o pior estava para vir. Não apenas o pior, o terrível, já que Poulsen iria empatar num pontapé de canto, e Jensen fecharia as contas num remate que tanto teve de fortuna como de justeza. No futebol vencem aqueles que mais lutam, e os Dinamarqueses foram capazes de aguentar 80 minutos de um Portugal dominador, num misto de perfeição posicional e de uma pressão altíssima que só o génio de alguns Portugueses foi capaz de ultrapassar. Os minutos finais da partida revelaram-nos novamente o evidente: quem não marca acaba por sofrer, e pior, quem não marca e fica à espera do apito do árbitro, arrisca-se a sofrer a dobrar, como hoje vimos suceder.</p>
<p>Foi de facto um apartida atípica, cuja derrota pouco ou nada se deve a Queirós, que montou uma equipa constituída pelos melhores, pelos mais aptos, e cuja minha maior crítica se posiciona no centro da faixa ofensiva, onde a constante aposta em elementos sem capacidade para decidir acaba por quase sempre resultar em 20 lances de perigo, e 1 ou nenhum golo marcado. A dificuldade em formar pontas-de-lança é uma realidade que deverá ser tomada em conta, e a aposta em Hugo Almeida apenas servirá para engano próprio, dado que o figueirense vem acostumado a um esquema de 4-4-2, no qual as suas funções são francamente distintas. Nuno Gomes idem aspas, o Benfiquista sabe servir, sabe abrir espaços, mas nunca foi um finalizador. Resta aos criativos arcar também com a responsabilidade de dar o último toque &#8211; hoje foi Deco e Nani, outra vez será Cristiano Ronaldo, Simão ou Danny. Carlos Queirós saberá potenciar este momento, e aproveitar aquilo que também é importante para construir uma grande equipa: a capacidade para acreditar, e se erguer depois do fracasso.</p>
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