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	<title>Jogo de Área &#187; Holanda</title>
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	<description>Artigos de opinião e Análise desportiva</description>
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		<title>Ruud Gullit, o futebolista total</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 11:15:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Lourenço Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Holanda]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[A história do futebol teima em cultivar o seu pequeno grupo de injustiçados. Numa das equipas mais completas que já viram a luz do dia brilhavam uma série de jogadores inigualáveis. Hoje é fácil pegar num artigo e ler sobre o senhorial Baresi, o gentleman Maldini ou a &#8220;bailarina&#8221; van Basten. Mas quem se lembra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A história do futebol teima em cultivar o seu pequeno grupo de injustiçados. Numa das equipas mais completas que já viram a luz do dia brilhavam uma série de jogadores inigualáveis. Hoje é fácil pegar num artigo e ler sobre o senhorial Baresi, o gentleman Maldini ou a &#8220;bailarina&#8221; van Basten. Mas quem se lembra bem daquele motor inesquecível que foi o AC Milan de Arrigo Sacchi, sabe que havia um único homem capaz de fazer toda a máquina funcionar: o genial gigante holandês Ruud Gullit.</p>
<p>Durante anos, os adeptos rossoneros cultivavam o hábito de ir quinzenalmente apoiar a equipa com uma peruca de cor negra repleta de rastas. Um fenómeno de popularidade que diz bem do impacto que Ruud Gullit teve na sua época como estrela milanista. Hoje só se fala da notável defesa montada por Sacchi ou do genial Marco van Basten. Poucos se lembram do papel chave que tinha Gullit na máquina milanesa. Era verdadeiramente a alma da equipa. A alma, o corpo, a força, o carisma&#8230; Gullit era tudo num só jogador. Provavelmente um dos elementos mais completos da história do futebol, foi o primeiro jogador livre em campo, capaz de se desmultiplicar em vários papéis no decorrer do jogo sem baixar de rendimento. Ainda hoje é impossível determinar qual era a sua posição. Avançado? Foi certamente um goleador nato e tinha sempre os olhos postos na baliza. Falso avançado? A sua mobilidade para jogar atrás do ponta de lança permitia-lhe um maior controlo sob o jogo e isso sempre se fez notar. Médio criativo? Deram-lhe a mítica camisola 10 quando chegou a S. Siro para ser o novo regista do Milan, mas a sua força sobre-humana rapidamente o tornou maior do que o papel no terreno que lhe tinham dado. Médio box-to-box? Foi o percursor europeu de um tipo de jogador muito popular nas ilhas britânicas, mas que nunca tinha vingado no continente. Até surgir Gullit os jogadores eram muito mais estáticos. Podiam ser rápidos e habilidosos mas nunca mudavam a sua posição no terreno. Desde Johan Cruyff que não se via um jogador tão solto e livre como o holandês. Gullit era a antítese do futebol de Platini, muito mais cerebral, e Maradona, que jogava com base em explosões pontuais. Gullit era um atleta em combustão permanente!</p>
<p><img class="attachment wp-att-3104 alignleft" style="margin-top: 2px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/rudd-gullit-milan.jpg" alt="Ruud Gullit" width="300" height="196" align="left" title="Ruud Gullit, o futebolista total" />Começou a carreira muito novo no Harleem aos 16 anos e rapidamente deu o salto para o Feyennord &#8211; onde jogou uma época ao lado de Cruyff &#8211; mas foi no PSV que rapidamente se destacou, tornando-se num fenómeno de popularidade na Holanda, muito antes de van Bastan, Rijkaard e companhia. A sua origem caribenha (o pai era um emigrante do Suriname, antiga colónia holandesa) notava-se nos traços mas também na alegria de jogar. Era um elemento em constante sintonia com o público, divertido e provocador, o primeiro de uma escola de pensadores em campo. Na Holanda era um entre muitos, mas quando chegou em 1987 a Itália rapidamente fez furor. Hoje em dia é difícil perceber o impacto que causou, mas ele foi o verdadeiro elemento revolucionário do mítico AC Milan ofensivo de Sacchi. Nas primeiras jornadas, Sacchi apostou em colocar Gullit atrás da dupla van Basten &amp; Virdis, mas a lesão do primeiro deu mais liberdade ao poderoso número 10. O holandês liderou a equipa à conquista do primeiro Scudetto em nove anos, com vários golos e assistências decisivas. A ausência do popular van Basten fez dele a figura da equipa e o líder do balneário. O seu impacto foi tal que, mesmo estando o Milan fora da Europa, acabou por ganhar o Ballon D´Or de 1987 à frente de Butrageño, o patrão da Quinta del Buitre, e Paulo Futre que acabara de se sagrar campeão europeu com o FC Porto.</p>
<p>O sucesso retumbante de Gullit foi apenas a primeira etapa na sua inesquecível carreira. No final do ano, a Holanda deslocou-se à RF Alemanha para disputar o Europeu. Era a primeira vez desde 1978 que os holandeses estavam numa prova internacional e não eram os favoritos. Ao lado de van Basten, já recuperado, Rijkaard, Koeman, Kift e Muhren, o gigante holandês liderou a selecção das tulipas treinada pelo mítico Rinus Mitchels. Na fase de grupos venceu Irlanda e Inglaterra, tendo perdido apenas com a favorita URSS. Nas meias finais, duelo com a equipa da casa, a super-favorita Alemanha. Gullit foi o patrão holandês do principio ao fim e desenhou o triunfo confirmado pelo génio de van Basten. Na grande final, num jogo de novo contra a União Soviética, os holandeses tinham o público contra si e poucos apostavam que a equipa pudesse bater Belanov e companhia. Aos 39 minutos o holandês utilizou todo o seu engenho para enganar a defesa e apontar o golo inaugural. Mais uma vez ficou ofuscado pelo golo genial de van Basten, mas quem acabou por erguer o único troféu até hoje conquistado pela selecção laranja foi mesmo o mágico número 10. Era o consagrar de um ano que ainda se iria tornar mais brilhante. Apesar de perder o campeonato para o Napoli de Maradona, Gullit voltou a liderar a equipa na Europa, e na final contra o Steaua apontou dois dos 4 golos com que os holandeses venceram o encontro. Antes tinha ficado uma inesquecível vitória por 5-0 contra o Real Madrid. Um troféu que a equipa manteria no ano seguinte, às custas do Benfica. Na época seguinte uma lesão grave no joelho manteve-o quase sempre afastado dos relvados, e quando chegou o Mundial de Itália a sua condição física estava longe de ser a melhor. A Holanda ressentiu-se e não passou dos oitavos de final.</p>
<p>A arrancar os anos 90, Gullit continuava a ser uma das grandes estrelas mundiais. Em Itália logrou mais dois Scudettos pelo AC Milan em 1992 e 1993, mas a derrota nas meias finais da Champions de 1991 contra o Olympique Marseille e a chegada ao banco de Fabio Capello começaram a mexer com a carreira do holandês. O novo técnico preferia outro estilo de jogadores e Gullit passou a maior parte do tempo no banco. No entanto, ainda tinha futebol nas pernas como provou no excelente Euro 92, onde levou a Holanda até ás meias finais. Na época seguinte o Milan chegou de novo à final da Champions mas Gullit nem foi convocado. Era o transbordar do copo de água. No final do jogou anunciou ter assinado surpreendentemente com a Sampdoria. Em Genova passou dois anos notáveis ao lado de Mancini cotando-se como um dos melhores do Mundo, precisamente quando outros grandes da sua época áurea, Maradona e van Basten, caíam em desgraça.</p>
<p>Em 1995 saiu do Calcio, onde actuava há já oito anos, para tentar a sua sorte no Chelsea. A equipa londrina vivia então na metade baixa da tabela da Premier e coube ao holandês lançar a base de um projecto que se viria a revelar ganhador. Na época em que os melhores jogadores do Mundo começavam a chegar a Inglaterra (Klinsmman, Ginola, Cantona, Kanchelskis, Asprilla, Bergkamp, Zola entre outros), o veterano mantinha o seu nível bem alto. A saída de Glenn Hoddle abriu-lhe as portas do banco como técnico principal, e levou-o a dar o primeiro titulo em décadas ao Chelsea, a FA Cup de 1997. Foi o primeiro técnico não britânico a lograr o feito e logo no seu primeiro ano como treinador. No entanto, a promissora carreira como técnico não resultou como esperado. Despedido no ano seguinte por divergências com a direcção, as passagens por Newcastle e Feyenoord não foram bem sucedidas. Depois de anos parado tentou relançar a carreira nos L.A. Galaxy, mas também aí não teve sucesso. O seu nome e imagem, contudo, já eram e para sempre serão imortais.</p>
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		<title>De Guzmán &#8211; Do Plátano para a Tulipa</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Mar 2008 22:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Zamith</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[Entre territórios canadianos e holandeses, um nome tem sido tema de conversa frequente. Falo de Jonathan de Guzmán, a mais recente «coqueluche» dos fanáticos adeptos do Feyenoord Rotterdam, um dos principais emblemas da Eredivisie (1ª Liga Holandesa). No entanto, e quando se fala em De Guzmán, a discussão vai muito para além do futebol praticado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre territórios canadianos e holandeses, um nome tem sido tema de conversa frequente. Falo de Jonathan de Guzmán, a mais recente «coqueluche» dos fanáticos adeptos do Feyenoord Rotterdam, um dos principais emblemas da Eredivisie (1ª Liga Holandesa). No entanto, e quando se fala em De Guzmán, a discussão vai muito para além do futebol praticado por este jovem prodígio &#8211; já perceberemos porquê!</p>
<p>Com 20 anos apenas, De Guzmán estreou-se como sénior pelo Feyenoord na época de 2005/06, causando de imediato um enorme fulgor no entusiasta futebol dos Países Baixos. As prestações do jovem jogador foram de tal forma convincentes que chegada a pausa de Inverno, a prestigiada revista holandesa &#8220;Sportsweek&#8221; classificou-o como o 3º melhor jogador do campeonato, à frente dos artilheiros Kuyt e Huntelaar, ambos com prestações igualmente geniais.</p>
<p><img src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2008/03/deguzman.jpg" alt="De Guzmán   Do Plátano para a Tulipa" hspace="5" width="300" height="191" align="left" title="De Guzmán   Do Plátano para a Tulipa" />Contudo, o futebol de De Guzmán iniciou-se bem longe do país das tulipas. Nascido no Canadá, na pequena cidade de Scarborough, Ontario, Jonathan e os seus irmãos sempre foram incentivados à prática do desporto. Com capacidades inatas para o futebol, Jonathan e o seu irmão Julian iniciaram a formação no clube da sua cidade. Seis anos mais velho, Julian sempre serviu de apoio para o irmão mais novo, mas ao atingir os 16 anos de idade viu chegar às suas mãos uma tentadora proposta da Europa. A possibilidade de integrar a escola de formação do Olympique Marseille era tremendamente aliciante, e Julian não lhe resistiu. Ficou no entanto a promessa de um dia encontrar o seu irmão em relvados europeus. Dois anos mais tarde, e bem mais cedo do que imaginaria &#8211; com 12 anos apenas &#8211; Jonathan foi examinado por um olheiro holandês que o tentou levar para as «escolinhas» do Feyenoord. Apesar da renitência dos seus pais, o jovem acabou por se mudar para Roterdão onde iniciou uma nova etapa da sua carreira. A evolução foi extremamente favorável, com destaque para uma temporada enquanto juvenil em que Jon alcançou a marca dos 18 golos, sagrando-se o artilheiro do campeonato. No dia em que completava 18 anos de idade &#8211; idade necessária para a passagem a sénior &#8211; Jonathan estreou-se pelo mítico clube de Roterdão, deixando adeptos e imprensa a salivar com o seu potencial.</p>
<p>De Guzmán é o clássico médio de construção ofensiva, que não raramente é visto perto da área a utilizar o seu forte pé direito. Dono de uma tremenda mobilidade, o jogo do Feyenoord passa literalmente todo pelos seus pés, de onde habitualmente saem fabulosos passes de rotura ou aberturas em profundidade, em uso perfeito da sua boa visão de jogo. Onde realmente gosta de actuar é descaído ligeiramente para o lado direito, jogando num dos dois vértices ofensivos do triângulo do meio-campo. Igualmente, é regularmente utilizado como falso ponta de lança, dada a facilidade de finalização quer utilizando o pé, quer pelo seu forte jogo de cabeça (1.73m).  Desde a sua estreia (Setembro de 2005), Jonathan acumulou 87 presenças, com uma fantástica marca de 19 golos e diversas assistências para golo. Esta temporada soma já 8 tentos, sendo apenas batido pelo seu colega de equipa Roy Makaay (13 golos). A sua acutilância e maturidade fazem dele um elemento preponderante na manobra ofensiva da equipa, e o seu futuro terá sido já resguardado pelo Feyenoord, com a renovação de contrato até 2010.</p>
<p>Apesar de canadiano &#8220;de gema&#8221;, o que é facto é que o seu potencial lhe deu a possibilidade de almejar outros voos, e apesar da enorme controvérsia da decisão, em finais de 2007 Jon apelou à cidadania holandesa, algo que rapidamente lhe foi concedido em Fevereiro de 2008. No Canadá, Guzmán é visto como um &#8220;Judas&#8221; para alguns; outros são mais compreensivos perante o bater de asas do seu mais recente craque. O desgosto é justificado, isto depois de um episódio semelhante ter sucedido com Owen Hargreaves, na altura optando pela selecção inglesa. Apesar de tudo, o país que o formou desde os 12 anos de idade tem-no como um filho pródigo, e Van Basten não tardou em convocá-lo para um particular a disputar durante este mês. Será a tão ansiada estreia de Jonathan de Guzmán pela «laranja mecânica»: um novo artista na terra dos pôlderes.</p>
<p align="center"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=fee_33eVIXo"><img src="http://img.youtube.com/vi/fee_33eVIXo/default.jpg" width="130" height="97" border title="De Guzmán   Do Plátano para a Tulipa" alt="De Guzmán   Do Plátano para a Tulipa" /></a></p>
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