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	<title>Jogo de Área &#187; Brasil</title>
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	<description>Artigos de opinião e Análise desportiva</description>
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		<title>Cosmos de Pelé abre busca a novas estrelas</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Feb 2011 17:56:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diogo P.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cerca de 100 jovens brasileiros encontram-se no Itu Spa Sport, em São Paulo. Disputam o legado de fama deixado pelo Rei, onde o seu brilho já distante chama pelo despontar de novas estrelas.
Treinadores do distante soccer norte-americano aguardam para observarem momentos do mais genuíno, técnico e descontraído estilo de futebol do mundo. E exportador, também. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cerca de 100 jovens brasileiros encontram-se no Itu Spa Sport, em São Paulo. Disputam o legado de fama deixado pelo Rei, onde o seu brilho já distante chama pelo despontar de novas estrelas.</p>
<p>Treinadores do distante soccer norte-americano aguardam para observarem momentos do mais genuíno, técnico e descontraído estilo de futebol do mundo. E exportador, também. O futuro, não só futebolístico como igualmente académico, é disputado por todos os moleques que pisam hoje o relvado, cheios de ambição em seguir o caminho que outrora o Rei Pelé desbravou.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3575 alignleft" style="margin-right: 10px; margin-top: 3px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2011/02/pele-197x-new-york-cosmos.jpg" alt="Pelé" width="280" height="177" align="left" title="Cosmos de Pelé abre busca a novas estrelas" />A iniciativa, promovida pela empresa 2SV, já apresentou resultados no primeiro semestre de 2010, onde 45 jovens brasileiros usufruíram de bolsas de estudo fruto do seu desempenho sob os olhares atentos de treinadores norte-americanos. A oportunidade de aliar os estudos com o desporto é aliciante para qualquer jovem, onde o seu talento lhe pode abrir portas e reduzir despesas, a troco de emigrarem para os EUA, onde serão acolhidos por uma das 15 universidades que marcam presença na sessão com o intuito de recrutar jovens potenciais. Apesar de assimilar objectivos primordiais de desenvolvimento académico e linguístico (sim, a aprendizagem de inglês é fulcral), a maioria dos jovens encara esta ocasião como uma enorme oportunidade de “atacar” uma carreira de jogador profissional.</p>
<p>A proliferação de jogadores canarinhos no estrangeiro constituiu-se como algo banal. Portugal lidera, por razões óbvias. Em Setembro, com a Liga a dar os primeiros pontapés, eram 143 os jogadores que tratavam a bola com ginga e sotaque. Dos 204 jogadores contratados no mercado de transferências de Verão, 81 são originários de Terras de Vera-Cruz, quase 40% da importação futebolística do nosso campeonato. Quanto aos EUA, contabilizaram na última época 16 brasileiros na Major League Soccer, todos no encalço do legado deixado por Pelé.</p>
<p>Decorria o ano de 1975 quando o New York Cosmos retira o Rei da sua reforma de dois anos numa áurea tentativa de incutir ao futebol nos EUA o título que já na Europa usufruía e que até Pelé juntava ao seu nome – desporto Rei. Cinco anos após o início das competições oficiais, o soccer nunca tinha conseguido verdadeiramente angariar interesse suficiente e o consequente público para sustentar a sua existência. Mas com Pelé tudo viria a mudar. A notícia da sua contratação foi estrondosa e com efeitos imediatos. A equipa de Nova Iorque (que antes era obrigada a distribuir bilhetes junto com a compra de um hambúrguer no Burguer King) viu a afluência aos seus jogos aumentar desmesuradamente, até ao ponto de ter que bloquear os acessos ao estádio em dias de jogo, que então apenas albergava 22,500 pessoas. Na despedida oficial de Pelé, eram já 77,000 pessoas extasiadas por assistirem aos últimos pedaços de magia do Rei.</p>
<p>Os jovens que disputam as scholarships norte-americanas representam uma nova aposta dos EUA no rejuvenescimento do seu soccer, onde o incremento tanto de qualidade como de popularidade parece ser uma obsessão. Mas desencantar outro Pelé será, com certeza, uma tarefa utópica.</p>
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		<title>Robinho &#8211; Yes, he can!</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 20:23:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[Robinho está de volta ao Santos, após quase cinco anos na Europa, com o estigma do fracasso. Afinal, para quem assegurava que seria o melhor jogador do mundo, as passagens sem brilho por Real Madrid e Manchester City, apesar dos dois títulos nacionais no time merengue, foram decepcionantes e deixaram a sensação de que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Robinho está de volta ao Santos, após quase cinco anos na Europa, com o estigma do fracasso. Afinal, para quem assegurava que seria o melhor jogador do mundo, as passagens sem brilho por Real Madrid e Manchester City, apesar dos dois títulos nacionais no time merengue, foram decepcionantes e deixaram a sensação de que o ex-menino da Vila exagerara em suas pretensões quando saiu do Brasil.</p>
<p>Mais do que isso, a postura pouco profissional e a forma descompromissada com que conduziu sua carreira “queimaram” sua imagem, a ponto da tão sonhada transferência para o Barcelona ter sido brecada, segundo fontes de dentro do clube, por Xavi e Puyol, líderes do elenco blaugrana, que não queriam um jogador problemático e de altíssimo salário para conturbar o ambiente.</p>
<p>O cenário, inegavelmente, não é dos mais animadores. No entanto, por mais paradoxal que possa parecer, é neste período de ocaso na carreira que o brasileiro tem as maiores chances de pegar um “atalho” e chegar ao topo do planeta bola faturando os principais prêmios individuais.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3340 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2010/01/robinho-volta-santos.jpg" alt="Robinho, Santos" width="291" height="218" align="left" title="Robinho   Yes, he can!" />Pode parecer loucura deste que escreve, mas a linha de raciocínio tem a sua lógica. Vejamos:</p>
<p>Jogando regularmente e contando com o carinho de todos no clube que o revelou e ainda o tem como ídolo pelos títulos brasileiros de 2002 e 2004, o atacante pode ganhar a motivação que vinha faltando nos últimos tempos. E considerando o ritmo cadenciado e o nível técnico mais modesto do futebol jogado no Brasil, suas chances de se destacar são enormes.</p>
<p>Em forma e com ritmo de jogo, certamente Dunga não vai deixá-lo de fora da lista para o Mundial e, muito provavelmente, ele será o titular. Nos jogos, a tendência é que seja menos marcado do que Kaká e Luís Fabiano, os jogadores que fazem a diferença em equipe bem montada, mas que sofre em muitas partidas pelo estilo previsível, baseado em jogadas de bola parada e contragolpes. Robinho pode dar o “toque brasileiro”, com sua capacidade de improviso e habilidade acima da média, e desmontar os fortes esquemas defensivos que o time canarinho enfrentará.</p>
<p>Além disso, Robinho vai à África do Sul “mordido” pelas críticas (a grande maioria bem justas) e tentará esfregar seu talento e capacidade de superação no rosto de seus detratores. Neste cenário, atletas costumam tirar forças do fundo da alma para vencer e dar a volta na própria história. Além disso, ele chegará menos cansado, sem o esgotamento da cada vez mais estafante temporada europeia, já que não vinha atuando regularmente pelo City e passará por um período de recondicionamento no Santos.</p>
<p>Por fim, o seu grande trunfo: ano de Mundial é especialíssimo. Qualquer jogador, em sete jogos, pode se eternizar se arrebentar pelo time campeão. E as últimas premiações deixaram claro que o melhor da Copa, independente do desempenho no clube, é sempre o destaque do ano.</p>
<p>Aí está a chance de Robinho. Com 26 anos, pode-se dizer que efetivamente é sua última oportunidade. Um brilho efêmero, mas no momento certo, pode driblar a dura realidade e realizar o sonho que parecia inatingível.</p>
<p>A receita? Deixar de lado o agito da vida noturna, se concentrar no trabalho até Junho, exigir menos regalias em Santos e, principalmente, acreditar que tudo que foi descrito acima não é apenas um devaneio deste colunista.</p>
<p>Sim, você pode, Robinho!</p>
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		<title>O Povo no Poder</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Dec 2009 12:47:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[2009 foi o ano em que os times mais populares do Brasil dominaram o cenário futebolístico do país com autoridade e fizeram a festa de suas imensas torcidas com títulos e ótimas performances. Comandados pelos repatriados Adriano e Ronaldo, Flamengo e Corinthians protagonizaram os principais torneios nacionais e ainda levaram as taças regionais para suas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>2009 foi o ano em que os times mais populares do Brasil dominaram o cenário futebolístico do país com autoridade e fizeram a festa de suas imensas torcidas com títulos e ótimas performances. Comandados pelos repatriados Adriano e Ronaldo, Flamengo e Corinthians protagonizaram os principais torneios nacionais e ainda levaram as taças regionais para suas repletas salas de troféus.</p>
<p>O primeiro semestre foi perfeito para os corintianos. A partir da entrada de Ronaldo, o principal reforço da temporada, no empate em 1 a 1 contra o Palmeiras, o alvinegro paulista, com a base do time que foi campeão da segunda divisão no ano anterior, se acertou atuando no 4-2-3-1 que deu liberdade ao Fenômeno e fluência às ações ofensivas sem comprometer o sistema defensivo e atropelou seus adversários no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil faturando as duas taças com direito a golaços de Ronaldo nas finais contra Santos e Internacional. As estratégias de marketing e as contratações pontuais foram cirúrgicas e o Corinthians sobrou em terras brasileiras.</p>
<p>Porém, na segunda metade do ano, a desmotivação pelas poucas aspirações no Campeonato Brasileiro, já que a meta de garantir vaga na Libertadores tinha sido alcançada, e, principalmente, as ausências de André Santos e Cristian, negociados ao Fenerbahçe, e Douglas, que foi jogar no Al Wasl, fizeram com que o time comandado pelo técnico Mano Menezes caísse demais de produção e fizesse uma campanha não mais que razoável na principal competição nacional. A reposição no elenco não foi à altura e a queda técnica foi vertiginosa, com o time amargando tropeços constrangedores, como na derrota em casa para o rebaixado Náutico por 3 a 2 pela 36ª rodada.</p>
<p>Já o Flamengo seguiu o caminho inverso. Apesar das desconfianças e de jogos pouco convincentes sob o comando do técnico Cuca, o time carioca superou mais uma vez o Botafogo e conquistou seu quinto tricampeonato estadual. Mas a eliminação nas quartas-de-final da Copa do Brasil para o Internacional, a aposentadoria de Fábio Luciano e a saída de Ibson minaram as forças de um elenco que já não era tão qualificado, mesmo com a chegada de Adriano em maio, e uma crise política por conta da chegada de Petkovic, o sérvio de 37 anos que retornava ao clube em um acerto para o pagamento de uma dívida trabalhista, custou o emprego de Cuca e a saída do vice-presidente de futebol Kléber Leite.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3307 alignleft" style="margin-top:3px;margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/12/adriano-flamengo.jpg" alt="Adriano" width="280" height="189" align="left" title="O Povo no Poder" />Com a chegada de Marcos Braz para comandar o futebol, a efetivação do auxiliar técnico Andrade como treinador e a contratação de Álvaro e Maldonado logo após a saída do atacante Emerson para o Al-Ain e a séria contusão no ombro de Kléberson em amistoso pela seleção brasileira, a equipe rubro-negra se reinventou. O time que atuou por dois anos no 3-5-2 para liberar os ofensivos alas Léo Moura e Juan foi remontado em um 4-2-3-1 que foi ensaiado num empate sem gols contra o Internacional no alagado Estádio Beira-Rio e encaixou definitivamente nas vitórias sobre os favoritos Palmeiras e São Paulo. Com Adriano, artilheiro do campeonato ao lado de Diego Tardelli com 19 gols, definindo as partidas e o redivivo Petkovic desequilibrando com a bola rolando ou parada, o Flamengo fez a melhor campanha do returno e, numa arrancada espetacular, conquistou pela sexta vez o título que não era seu desde 1992 e acabou com a hegemonia do tri/hexa São Paulo.</p>
<p>É possível dizer que o ano foi mais vermelho e preto pela conquista da hegemonia doméstica pelo 31º título estadual e a maior dificuldade do Brasileiro mais equilibrado da era dos pontos corridos. Mas também não é nenhum absurdo apontar o futebol praticado pelo alvinegro no primeiro semestre como o melhor apresentado no país ao longo da temporada. Nos duelos entre os gigantes, vantagem do Flamengo, que venceu as duas partidas. No turno, 1 a 0 com gol de Adriano e ausência de Ronaldo no Maracanã; no jogo de volta em Campinas, 2 a 0 para os rubro-negros, agora com o Fenômeno, flamenguista confesso, em campo por 25 minutos até sentir uma contusão na coxa e o Imperador de fora. Mas a pouca importância dada ao Brasileirão pelo Corinthians descaracterizou os encontros entre os principais times do país em 2009.</p>
<p>O tira-teima entre os dois grandes ídolos e goleadores fica para o ano que vem. Quem sabe num confronto épico e histórico pela Taça Libertadores? O time paulista entra na competição mais pressionado pelo centenário do clube e por ser o único gigante de São Paulo que não venceu o torneio continental, o que transforma o desejo natural numa angustiante obsessão. A responsabilidade do Flamengo também será grande, pela empolgação do torcedor e os investimentos na manutenção dos principais jogadores pela nova diretoria, agora liderada pela presidente Patrícia Amorim, a primeira mulher a comandar o clube.</p>
<p>Os desafios são enormes, mas a identificação com a massa que empurra e fascina nas arquibancadas lotadas torna tudo mais possível para quem ganha na bola e também no berro de um povo apaixonado e sempre sedento de glórias que compensem as tantas agruras do cotidiano brasileiro.</p>
<p><em>[O colunista volta em 2010. Ficam os votos de um Natal em paz e ótimo réveillon para todos. Até a volta!]</em></p>
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		<title>Brasileirão 2009: emoção e equilíbrio que confundem</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 11:05:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Qual competição disputada na fórmula dos pontos corridos com 20 clubes é capaz de chegar à penúltima rodada com seis equipes ainda com chances matemáticas de conquistar o título e apenas uma já]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qual competição disputada na fórmula dos pontos corridos com 20 clubes é capaz de chegar à penúltima rodada com seis equipes ainda com chances matemáticas de conquistar o título e apenas uma já matematicamente rebaixada?</p>
<p>O campeonato brasileiro deste ano é a resposta. Em sua edição mais equilibrada desde que houve a mudança no regulamento em 2003, a disputa é tão parelha que a diferença entre o líder São Paulo e o sexto colocado, Cruzeiro, é de apenas seis pontos. E do time mineiro para o Botafogo, o 16º e primeiro fora da zona de rebaixamento, é de míseros 12 pontos dentro de um contexto de 36 rodadas.</p>
<p>Os números são reflexo do que acontece nos gramados. A possibilidade de uma equipe na zona de rebaixamento superar o líder do campeonato de forma inapelável, como aconteceu na 29ª rodada, com o Náutico vencendo o Palmeiras por 3 a 0 em Recife e mais recentemente com o Botafogo batendo o São Paulo por 3 a 2 no Engenhão, de fato, deixa tudo muito mais emocionante e imprevisível. Mas não é garantia de espetáculo.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3252 alignleft" style="margin-top: 3px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/ronaldo-corinthians.jpg" alt="Ronaldo" width="280" height="185" align="left" title="Brasileirão 2009: emoção e equilíbrio que confundem " />Ainda que jogadores do nível de Ronaldo, Adriano, Fred, Vágner Love e Ricardinho tenham retornado ao país e feito com que suas equipes ganhassem em técnica, nenhum time conseguiu fascinar seu torcedor e as partidas memoráveis até agora, como, por exemplo, a vitória do Flamengo por 3 a 1 sobre o Atlético-MG e a virada do Fluminense para cima do Cruzeiro por 3 a 2, ambas no Mineirão, empolgaram muito mais pela intensidade e importância das partidas do que pelo brilho coletivo ou individual.</p>
<p>O próprio tricolor paulista, que está no topo da tabela, um ponto à frente do Flamengo, parece mais frágil do que nas três conquistas anteriores e, independente do que ocorra nos próximos dez dias, o vencedor será o de pior aproveitamento da era dos pontos corridos. Se o time são-paulino, hoje comandado por Ricardo Gomes, ex-Bordeaux, Monaco e PSG, vencer as partidas que lhe restam, conquistará apenas 63% dos pontos disputados.</p>
<p>Ao perceber times considerados virtualmente rebaixados, como o Fluminense, ou totalmente alijados da briga pela taça, como o Internacional, ressurgirem das cinzas e voltarem à luta, muitos torcedores, jornalistas, jogadores e treinadores se empolgam e dizem que a competição é a mais disputada e, portanto, a melhor do mundo.</p>
<p>Não é e não há como ser. Por conta do êxodo, até jogadores medianos saem do país para tentar a vida na Europa ou são seduzidos pelo dinheiro dos Emirados Árabes ou do Qatar.  De fato, a possibilidade de testemunhar um duelo entre Ronaldo, que liderou o Corinthians na conquista da Copa do Brasil, e Adriano, artilheiro absoluto com 18 gols e um dos destaques do campeonato, no Corinthians x Flamengo em Campinas na próxima rodada, indica um enorme progresso em relação a outros anos, mas a questão econômica motiva e justifica a diferença de talento: os grandes craques, no auge de suas carreiras, estão onde pagam mais e oferecem melhores condições. Não é o caso do Brasil, ainda.</p>
<p>Até porque a questão envolve um conceito que existe desde os primórdios do esporte bretão: os campeonatos devem premiar os melhores e o grande campeão e uma ou outra equipe marcante é que devem ser eternizadas. E não o “achatamento” e a insanidade de uma competição com 90% das equipes mostrando um futebol nivelado por baixo, mesmo com alguns bons destaques individuais, como Diego Tardelli do Atlético-MG, e gratas revelações, como o meia Giuliano do Internacional.</p>
<p>Por isso, o corações dos torcedores das equipes ainda lutando por algum objetivo e dos muitos apaixonados pelo futebol no país cinco vezes campeão mundial ainda vão bater forte até o dia 6 de Dezembro e jogos de tirar o fôlego virão cercados de polêmica, por conta de arbitragens infelizes e decisões sem critérios dos tribunais de justiça desportiva, e saturadas de dramaticidade.</p>
<p>Mas a tensão e a incerteza que aquecem as veias não podem embotar a visão: o campeonato que é, sim, histórico e inesquecível, definitivamente, não encanta as retinas.</p>
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		<title>Coutinho, mais uma estrela do lado de lá!</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 11:48:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil, esse imenso viveiro de craques, onde os jogadores florescem mais rápido que as próprias flores. Sempre com mais um craque a descobrir, uma tentação flamejante para os endinheirados clubes europeus andarem de cabeça à roda entontecidos por mais uma descoberta digna de realce!
E seja baiano, paulista, ou gaúcho&#8230; Philippe Coutinho, por acaso, até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil, esse imenso viveiro de craques, onde os jogadores florescem mais rápido que as próprias flores. Sempre com mais um craque a descobrir, uma tentação flamejante para os endinheirados clubes europeus andarem de cabeça à roda entontecidos por mais uma descoberta digna de realce!</p>
<p>E seja baiano, paulista, ou gaúcho&#8230; Philippe Coutinho, por acaso, até é carioca, nado e criado na cidade maravilhosa, o impressionante Rio de Janeiro, onde uma infinidade de beleza convive com uma dolorosa marginalidade&#8230; e onde a arte às vezes ajuda a esconder dolorosas realidades! E a arte do jovem Philippe, comandando todo o jogo vascaíno não deixa nada nem ninguém indiferente&#8230;inebriante, sedutora e ao mesmo tempo objectiva e concreta, numa simbiose perfeita de malícia carioca e assertividade europeia.</p>
<p>Nascido em 1992, desde cedo que ingressou nas escolinhas do clube dos portugueses do Rio, e a partir daí ganhou uma inseparável companhia: a camisola 10 com que pega no jogo e pinta um quadro de garridas cores&#8230; e essa magia, com a bola colada aos pés, simplesmente já lhe trouxe um contrato que entrará em vigor assim que faça dezoito anos, com o Inter de Milão. Para o ano, o jovem Coutinho será orientado por Il Speciale. E Mourinho, terá uma tarefa primordial: domar um talento absoluto, fazendo-o absorver o tacticismo pleno de insolência dos italianos e criar a mescla da competitividade com o gosto de jogar à bola &#8211; dura privação para estrelas como Adriano e até Ronaldinho!</p>
<p><img class="attachment wp-att-3034 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/Philippe-Coutinho-vasco.jpg" alt="Philippe Coutinho" width="300" height="218" align="left" title="Coutinho, mais uma estrela do lado de lá!" />Por ora, na Série B brasileira, ao lado de outras promessas como Alan Kardec ou Alex Teixeira, vem ajudando o clube do navegador a retornar ao seu verdadeiro lugar, ao lado dos campeões, numa equipa plena de juventude, onde Carlos Alberto &#8211; o Feijão que Mourinho pretendeu tornar no Porto jogador de topo mundial &#8211; é cabeça de cartaz. Mas acerca de Coutinho, já que é sobre ele que este artigo versa, poderemos dizer que apesar da sua juventude, a sua carreira já conta com algumas célebres histórias&#8230; o autêntico nó cego com que brindou Materazzi num jogo particular contra o Inter, ou o vermelho com que foi admoestado por excesso de pormenores artísticos, levando o árbitro a concluir que estava a humilhar a equipa adversária que era o ABC, num jogo a contar para o Cariocão! Mas, foi conta o Duque de Caxias que o fenómeno despontou. Apesar do empate a zero, os alvinegros do Rio estrearam um neném que encantou, despoletando de imediato a cobiça dos melhores clubes europeus e a certeza de estarmos perante alguém que tem o mundo do futebol a seus pés!</p>
<p>Todavia, ainda nem tudo será um mar de rosas&#8230; atendendo à sua idade, ainda não possui envergadura física para suportar um jogo contra homens feitos. Mas ainda assim procura dar-lhes luta! Aquele célebre jogo com o Paraná é a prova eloquente disso: com a exigente torcida vascaína já a vaiar os atletas, Coutinho inventou um passe de génio que isolou Robinho para este fazer o golo da vitória. E quando já se preparava para sair em ombros, provou a sua imaturidade, cometendo duas faltas infantis que lhe causaram a expulsão e fazendo a equipa sofrer mais que o devido para almejar a vitória!</p>
<p>Mas, as estrelas funcionam, por vezes, assim. De impulsos&#8230; do insondável clic que tanto pode comprometer a equipa, mas que na maior parte das vezes lhe garante a vitória. Philippe Coutinho, para descobrir a partir do próximo ano no exigente mundo do Calcio.</p>
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		<title>Brasil à procura do camisa 6</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 14:45:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na seleção brasileira campeã da Copa América 2007, primeira colocada nas Eliminatórias sul-americanas e bicampeã da Copa das Confederações, o técnico Dunga, embora não garanta o que o grupo esteja fechado para o Mundial da África do Sul, já tem 90% do time titular, esquema tático e boa parte dos 23 nomes definidos, depois de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na seleção brasileira campeã da Copa América 2007, primeira colocada nas Eliminatórias sul-americanas e bicampeã da Copa das Confederações, o técnico Dunga, embora não garanta o que o grupo esteja fechado para o Mundial da África do Sul, já tem 90% do time titular, esquema tático e boa parte dos 23 nomes definidos, depois de quase três anos de trabalho.</p>
<p>No entanto, em uma posição o novato treinador ainda não conseguiu encontrar sequer o titular depois de várias experiências: a lateral-esquerda. A pouco mais de oito meses da estreia na Copa, nem André Santos, ex-Corinthians e agora Fenerbahçe, que jogou as partidas mais importantes no ano de afirmação da equipe, está garantido.</p>
<p>Marcelo (Real Madrid), Kléber (Internacional) Filipe Luís (La Coruña), Gilberto (Cruzeiro), Adriano (Sevilla) e Juan (Flamengo) foram os outros jogadores testados por Dunga. Até Alex, meia que jogou no Internacional e hoje está no Spartak Moscow, foi experimentado na posição no empate sem gols contra a Venezuela na última partida pelas Eliminatórias. E o fato é que a safra não é das melhores e ninguém convenceu.</p>
<p>A verdade é que depois da saída de Roberto Carlos, campeão mundial na Ásia há sete anos, mas execrado pela participação discreta na Copa de 2006, ninguém conseguiu corresponder plenamente às expectativas da comissão técnica, dos jornalistas e da torcida brasileira.</p>
<p>A dificuldade de encontrar a melhor solução reside também na questão tática. Dunga arma a seleção em um 4-2-3-1, esquema no qual os laterais precisam marcar primeiro para depois sair e fazer dupla com os meias abertos pelos lados. E a grande maioria dos principais candidatos atua no meio-campo de suas equipes na Europa ou como alas, em um esquema com três zagueiros, nos times brasileiros. A adaptação é complicada.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3029 alignleft" style="margin-right: 12px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/brasil-ronaldinho-ronaldo-roberto-carlos.jpg" alt="Brasil" width="300" height="181" align="left" title="Brasil à procura do camisa 6" />Com Daniel Alves voando no Barcelona e nos treinamentos da seleção, Dunga experimentou colocá-lo na posição para não ficar com o baiano na reserva de Maicon na direita e ninguém plenamente confiável do lado oposto. Na disputada semifinal da Copa das Confederações contra a África do Sul, então comandada por Joel Santana, Dani entrou na vaga de André Santos e decidiu a partida em uma cobrança de falta. A eficiência nas bolas paradas é outro ponto que conta a favor do jogador do time catalão, que pode entrar também no lado direito do meio-campo. Mas Dunga dá a entender que não pretende fazer improvisações no time titular e pelo menos um lateral-esquerdo de ofício será chamado.</p>
<p>Na convocação para os amistosos contra Inglaterra e Omã em novembro, surgiu uma luz no fim do túnel: Fábio Aurélio, que joga no Liverpool e é citado pelos principais comentaristas do país como o nome mais indicado, por combinar melhor a força de marcação e eficiência no apoio, teve sua primeira chance com Dunga. O lateral de 30 anos terá sua grande chance de justificar os pedidos dos brasileiros que acompanham o campeonato inglês e conhecem sua regularidade, mesmo com algumas contusões atrapalhando sua trajetória nos Reds. Michel Bastos, do Lyon, também foi chamado, mas sua perfeita adaptação ao meio-campo francês, e pelo lado direito, praticamente inviabiliza sua escalação.</p>
<p>Seja como for, a busca deve durar até a convocação definitiva em 2010 e Dunga espera que a camisa que nas últimas décadas foi vestida por nomes como Júnior, Branco e Roberto Carlos tenha um dono que a dignifique e não transforme o setor esquerdo no mais frágil da seleção que aparece, mais uma vez, como uma das grandes favoritas ao título mundial.</p>
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		<title>Paulo Henrique: um Ganso para juntar a um Pato</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 20:35:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cantera]]></category>
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		<description><![CDATA[Em Milão, a cidade da alta costura, das criações ousadas, da fantasia e do futebol olha-se para todos os imensos talentos que deambulam por esse mundo fora, em todas as áreas; sejam eles modelos, actores, ou]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em Milão, a cidade da alta costura, das criações ousadas, da fantasia e do futebol olha-se para todos os imensos talentos que deambulam por esse mundo fora, em todas as áreas; sejam eles modelos, actores, ou futebolistas. Ora, qual o melhor filão para explorar nos domínios do <em>beautiful game</em>? Sem dúvida, o Brasil com os seus craques de rua, plenos de uma técnica burlesca que incendeia qualquer empedernido coração e deixa boquiaberto qualquer céptico da nobre arte&#8230;</p>
<p>Ora, o Milan que já tem duas das maiores estrelas da actualidade do futebol canarinho, pretende contar com outra&#8230; depois de Ronaldinho e de Pato, outra ave promete arribar em San Siro. É ele Paulo Henrique &#8220;Ganso&#8221;, que se notabilizou no último Mundial Sub-20 disputado no Egipto e foi considerado o melhor jogador do Santos no Brasileirão 2009. Nascido em 1989, este jovem de vinte anos foi descoberto por Giovanni, antiga estrela do Barcelona e que, pasme-se, foi rejeitado no Vitória de Bernardino Pedroto, que o levou em 2005 a treinar à experiência à Vila Belmiro, reduto do Peixe e forja de nomes como Robinho, Neymar, Diego e o maior de todos&#8230; sim, esse mesmo: Edson Arantes do Nascimento, vulgo Pelé!</p>
<p>Desde logo, o seu talento convenceu tudo e todos. Actuando a número dez, naquela posição dos predestinados e ocupando aquele espaço do campo que Pelé calcorreou, foi Emerson Leão que lhe deu a oportunidade de sentir o calor da torcida num jogo da equipa principal&#8230; corria o dia de 17 de Fevereiro de 2008 e o adversário que ficará na história, por ter apadrinhado a estreia de Paulo Henrique Ganso, foi o Rio Preto. Apesar da estreia ter corrido bem, devido à sua juventude, apenas seria utilizado em três partidas nessa temporada. Leão não queria queimar etapas na formação de um jovem que tanto prometia.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2959 alignleft" style="margin-top: 3px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/10/paulo-henrique-brasil-sub20.jpg" alt="Paulo Henrique" width="300" height="198" align="left" title="Paulo Henrique: um Ganso para juntar a um Pato" />O ano de 2009 seria o ano em que o Ganso voaria&#8230; aproveitando o mau momento de forma do anterior titular, Lúcio Flávio, e assumiria a titularidade no Paulistão 2009, para fascinar tudo e todos, encantando o Brasil com o seu futebol objectivo, incisivo mas pontilhado com lampejos de técnica, dignos dos predestinados. Confirmaria todos estes predicados no Brasileirão 2009, onde, apesar das más exibições e resultados desapontantes da equipa do Peixe, brilharia a grande altura&#8230; a sua visão de jogo tornou-se algo de distinto, algo que Vagner Mancini, actual técnico santista, realçou afirmando que o jovem vê o que mais ninguém vê, algo que levou a que os homens da Vila Belmiro passassem a imprimir maior velocidade no seu jogo ofensivo e concomitantemente começassem a recuperar posições na tabela classificativa. Ademais, aquele célebre jogo em que o Santos venceu o Corinthians por três bolas a uma convenceu os mais cépticos&#8230; Paulo Henrique apontaria dois golos e aplicaria uma miríade de passes de ruptura e dribles que deixaram os defesas do Timão de olhos em bico!</p>
<p>Quase obrigatoriamente, Paulo Henrique veria o seu nome entre os eleitos para o Mundial Sub20 que decorreu no Egipto. Ao lado de jovens de um talento inebriante como o cruzmaltino Alex Teixeira, ou o temível goleador Alan Kardec, o Ganso não deixou os seus créditos por mão alheias. A coordenar o jogo ofensivo da canarinha bebé municiou o ataque mais letal da competição, que só sucumbiu perante o surpreendente tacticimo ganês e no inefável desempate na marcação de grandes penalidades!</p>
<p>Entretanto, lá longe, na cidade de Santos, discutia-se a Gansodependência e reconhecia-se que naquelas semanas, o futebol alvinegro perdera, simultaneamente, objectividade e fantasia, rapidez e acutilância&#8230; e agora poderá, definitivamente, perder esses atributos, já que Leonardo, treinador do Milan, quer levá-lo já para Milanello de modo a esculpir o jogador, para no futuro, no ataque rossoneri pontificar uma dupla de aves. O Ganso voando no meio campo, para o Pato poder facturar. O futuro do escrete e do Milan, nos pés de dois craques do país do samba.</p>
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		<title>Ronaldinho: A hora de voltar</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 16:14:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[Sete de Março de 2006. Ao ver o camisa dez do Barcelona simplesmente atropelar a sólida defesa do Chelsea no golaço que abriu o placar no Camp Nou (empate em 1 a 1 pela Liga dos Campeões), este que escreve se pegou pensando seriamente na hipótese de estar testemunhando a história do novo maior jogador [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sete de Março de 2006. Ao ver o camisa dez do Barcelona simplesmente atropelar a sólida defesa do Chelsea no golaço que abriu o placar no Camp Nou (empate em 1 a 1 pela Liga dos Campeões), este que escreve se pegou pensando seriamente na hipótese de estar testemunhando a história do novo maior jogador de todos os tempos sendo escrita.</p>
<p>A fase de Ronaldinho era estupenda e o raciocínio muito simples: faltava ao craque um momento mágico na seleção, que poderia vir na Copa da Alemanha. Poucas vezes na história dos mundiais as esperanças de espetáculo se concentraram tanto em um único jogador. Se ele correspondesse e, de fato, desequilibrasse a favor do Brasil na conquista do hexa, o gaúcho ganharia sua terceira Bola de Ouro, como Ronaldo e Zidane, e seria bicampeão do mundo protagonizando uma das conquistas. Feitos maiores do que os de Maradona e semelhantes aos de Garrincha. Sendo bem criterioso, também seriam iguais aos de Pelé, que praticamente não jogou em 1962.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2824 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/09/ronaldinho-barcelona.jpg" alt="Ronaldinho" width="300" height="198" align="left" title="Ronaldinho: A hora de voltar" />Naquela tarde de devaneios, é óbvio que o colunista não desconsiderou a possibilidade de tudo aquilo dar errado, do “oba-oba” atrapalhar a seleção brasileira e Ronaldinho falhar no instante decisivo. Mas nem no mais terrível pesadelo, projetando o pior dos mundos, foi possível imaginar que, apenas três anos depois, Ronaldinho estaria tão decadente e desnorteado, se arrastando pelos campos neste início de temporada do Milan, refúgio do brasileiro após uma série de insucessos em Barcelona. O menino que chamou a atenção no título mundial sub-17 em 1997, encantou em seus primeiros toques na bola que terminaram em gol antológico na estreia pela seleção principal contra a Venezuela dois anos depois, ganhou o mundo em 2002 e chegou ao ápice individual de 2004 a meados de 2006 pelo time catalão hoje é uma mera caricatura envelhecida de quem parece viver a fase final de sua carreira. Aos 29 anos&#8230;</p>
<p>Observar Ronaldinho caminhando perdido pelos gramados europeus com apenas alguns espasmos da genialidade que ficou em algum estádio espanhol desperta um misto de dó, revolta e perplexidade. Mais que isso, a pergunta que martela na cabeça é simples e direta: por quê?</p>
<p>A questão é física, mas também técnica e psicológica: pelo centro ou pela esquerda, no meio-campo ou no ataque, a agilidade e a confiança dos tempos áureos são passado. Antes ele dominava girando sobre o marcador e arrancando logo em seguida. Hoje para a bola, protege e, inseguro, quase sempre toca para trás. Um pivô inútil que só consegue algum lampejo diante de marcações mais frouxas. A performance na goleada sofrida para a Internazionale de José Mourinho por 4 a 0 no dérbi de Milão foi constrangedora e desanimou até os fãs mais pacientes. Seleção e Copa do Mundo na África do Sul se transformaram em planos muito distantes, quase esquecidos.</p>
<p>A constatação é cruel: não há mais como jogar em alto nível nos principais clubes do mundo. O hesitante Milan do técnico Leonardo é o 11º colocado do Calcio e Ronaldinho sequer é titular absoluto de uma equipe que perdeu seu maior craque. Os que esperavam que o camisa 80 assumisse a responsabilidade de substituir Kaká e comandasse o time rossonero já desistiram e vaiam o talento que parece ter escorrido de vez pelo ralo com o fiasco verde e amarelo há três anos.</p>
<p>Portanto, é chegada a hora de assumir que o sonho acabou e seguir o exemplo do homônimo dentuço, que percebeu a impossibilidade de reviver sua fase dourada e voltou ao seu país, de futebol empobrecido pela indigência econômica dos clubes, para sobrar com sua técnica acima da média que nem a péssima forma física consegue juntá-la à vala comum.</p>
<p>A idéia da aposentadoria precoce aventada na Itália até pode representar um ponto final mais digno em trajetória tão bela quanto inconstante. No entanto, a paixão instantânea de torcidas carentes de ídolos e todo o movimento de mídia e cifrões por conta da chegada de uma estrela rediviva podem recolocar o brilho nos olhos de outro Ronaldo que agora só pode ser gigante inserido no contexto de um futebol nanico.</p>
<p>O estranho paradoxo de ter humildade para ser um popstar no Brasil é o que restou a Ronaldinho Gaúcho, o projeto de gênio que não vingou.</p>
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		<title>A Hora e a Vez de Diego</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 10:11:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[Ao ser campeão brasileiro pelo Santos com apenas 17 anos em 2002, Diego ganhou status de craque de forma prematura e queimou etapas rápido demais. Depois do insucesso na passagem por Portugal, sua primeira experiência internacional, o meia se adaptou ao futebol europeu atuando na Alemanha e agora parece pronto para brilhar na Itália com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao ser campeão brasileiro pelo Santos com apenas 17 anos em 2002, Diego ganhou status de craque de forma prematura e queimou etapas rápido demais. Depois do insucesso na passagem por Portugal, sua primeira experiência internacional, o meia se adaptou ao futebol europeu atuando na Alemanha e agora parece pronto para brilhar na Itália com um futebol tão belo quanto objetivo, que vem fazendo a diferença nas primeiras rodadas do Calcio.</p>
<p>O menino que, junto com Robinho, encantou o Brasil no segundo semestre do ano em que a seleção se sagrou pentacampeão mundial sempre se destacou pela personalidade e a técnica apuradíssima, apesar do preciosismo natural para sua idade. Assim como era compreensível uma trajetória repleta de altos e baixos de um talento tão precoce. O primeiro revés veio com a eliminação brasileira no torneio pré-olímpico em 2004. Diego e Robinho se transformaram nos bodes expiatórios de uma seleção desorganizada por conta das brincadeiras que já aconteciam em Santos, mas não eram criticadas porque os resultados apareciam.</p>
<p>A saída para o Porto no mesmo ano pouco contribuiu para a carreira do meia, que aprendeu a enfrentar marcações mais cerradas no Werder Bremen, mas não conseguiu decolar em uma equipe que não soube se impor na Bundesliga, não deu sorte nos cruzamentos da Liga dos Campeões e perdeu a final da Copa da UEFA (agora Liga Europa), sem Diego na decisão, para o Shakhtar Donestk. A derrota na competição continental foi a senha para buscar uma camisa mais pesada e decolar no Velho Continente.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2670 alignleft" style="margin-right: 10px; margin-top:5px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/09/diego-juventus.jpg" alt="Diego" width="300" height="210" align="left" title="A Hora e a Vez de Diego" />Com fome de taças e buscando renovar elenco envelhecido, a Juve surgiu como a melhor opção para Diego. E o camisa 28 não vem decepcionando os Bianconeri. Na estreia oficial contra o Chievo, assistência em cobrança de falta para o gol único da partida, marcado por Iaquinta. No Estádio Olímpico, show contra a Roma no triunfo por 3 a 1, com dois gols e fantástica atuação que encantou e empolgou os tifosi. As comparações com Zico e Maradona da sempre exagerada imprensa italiana podem atrapalhar pelos elogios, mas também pelo aumento das cobranças e a vigilância dos adversários. E a forma de jogar do time juventino também não ajuda muito: se o esquema tático armado por Ciro Ferrara dá a liberdade que Diego necessita para brilhar, o time não precisa ficar engessado num sistema imutável que centraliza tudo em seu meia de ligação.</p>
<p>O problema no meio-campo juventino é que do trio de volantes que trabalha atrás do “trequartista”, o que se projeta mais à frente por característica é Felipe Melo, exatamente o que joga plantado à frente da zaga. Marchisio e Tiago até apoiam pelos lados, mas sem tanto furor e eficiência. Isso complica a movimentação quando Diego recua para fugir da marcação e armar as jogadas. A dificuldade aumenta com a pouca mobilidade de Iaquinta e Amauri, homens de área que afunilam esperando os lançamentos. Ferrara vai buscando alternativas com as entradas de Camoranesi no meio e Trezeguet e Del Piero no ataque.</p>
<p>Enquanto o treinador tateia atrás da melhor formação, Diego vai fazendo a diferença e se transformando num nome que Dunga deve olhar com carinho para a suplência de Kaká, mesmo faltando ao ex-santista uma grande exibição com a camisa verde e amarela. Em Turim, ele vem sendo corpo e alma de um time que já vem forte para a luta pelo scudetto.</p>
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		<title>Pelé: De Bilé a Deus</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 15:13:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Lourenço Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Conta-se que uma vez um reputado jornalista do L´Equipe, de visita ao Rio de Janeiro, viu-se confrontado com a pergunta de quem era, para ele, o melhor jogador do mundo. O homem sorriu e respondeu &#8220;Edson Arantes do Nascimento&#8221;. O brasileiro que lhe fez a pergunta ficou com ar de espanto e não evitou o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conta-se que uma vez um reputado jornalista do L´Equipe, de visita ao Rio de Janeiro, viu-se confrontado com a pergunta de quem era, para ele, o melhor jogador do mundo. O homem sorriu e respondeu &#8220;Edson Arantes do Nascimento&#8221;. O brasileiro que lhe fez a pergunta ficou com ar de espanto e não evitou o comentário &#8220;Pô, você nunca viu jogar Pelé?&#8221;. Independentemente de nomes, apelidos, alcunhas e títulos, o mundo do futebol conheceu vários craques e lendas, mas nunca nenhum jogador chegou tão longe, tão perto da eternidade, do que um rapaz que não gostava que lhe chamassem Edson.. A história imortalizou-o com outro nome, mas no meio de tanta genialidade, que importam os nomes?</p>
<p>A história é feita de episódios curiosos. Como o de Dondinho, jogador fracassado que se dedicou a treinar a equipa onde o filho e os amigos jogavam. Ou o dia em que, então um rapazinho com saudades de casa, se preparava para sair a meio da madrugada do lar do Santos, onde vivia, e abandonar o sonho de ser futebol. Foi apanhado pelo porteiro e voltou atrás, engolindo as saudades e lançando as bases para a era mais memorável de todo o futebol brasileiro. Fez toda a sua carreira desportiva de elite no Santos, clube que o acolheu quando ainda era um miúdo de bairro. Foi o primeiro a perceber o potencial mediático da liga americana e durante alguns anos actuou no New York Cosmos. Teve dezenas de jogos de despedidas e recebeu múltiplos galardões como o maior futebolista da história. No Brasil chamam-lhe Rei, para muitos é o Deus do Futebol. Títulos ou episódios, marcos históricos ou galardões. Tudo isso se torna redutor quando o tema em questão se chama Pelé.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2619 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/08/pele-goodbye.jpg" alt="Pelé" width="300" height="183" align="left" title="Pelé: De Bilé a Deus" />Avaliar a marca na história de Pelé não se faz apenas pelos três Mundiais que conquistou. Ou pelas vitórias conseguidas pelo Santos no Brasil, América Latina e nas Taças Intercontinentais. A marca de um génio capaz de dominar o jogo do primeiro ao último segundo com a sua capacidade física (apesar da sua pequena estatura, 1m70) e garra. Falar de Pelé é falar de poesia, de drama, de tragédia ou épica. Dos dribles fantásticos capazes de eclipsar o próprio Garrincha, rei do regate. Dos seus saltos nas alturas, onde era capaz de ir buscar bolas impossíveis e torná-las em golo. Dos seus malabarismos diante dos guarda-redes. Ou do seu pontapé, forte, seco, colocado, indefensável. Falar do futebol de Pelé é redutor porque Pelé é o próprio futebol. Aos 17 anos sagrou-se campeão do Mundo na Suécia, marcando dois golos na final numa equipa onde não estava previsto que fosse titular. E chorou. Como o menino que era. Doze anos depois era o homem na plenitude máxima das suas potencialidades que fez gato sapato de cada equipa que se passava diante do escrete canarinho. Do guardião checo, impressionado pela ousadia de Pelé em rematar atrás da linha do meio campo. Do &#8220;portero&#8221; uruguaio que caiu no drible do melhor golo do mundo que não o foi. Ou da defesa italiana que ainda hoje tenta entender como foi possível ao craque brasileiro rasgar por completo uma equipa impenetrável. Falar de Pelé é falar do Santos e do melhor período do futebol do Brasil, da forma como esmagou o Benfica do amigo Eusébio. Ou o AC Milan de Rivera. Falar de Pelé é falar de magia em estado puro. É falar de futebol!</p>
<p>Pelé começou a jogar no Santos como falso ponta de lança. Explodiu aos 15 anos na equipa titular e com um golo. A primeira vitima de Pelé chamou-se Cubatão. A primeira de tantas outras (1283 golos oficiais em 1367 jogos disputados) que se habituaram a ter de conformar-se com cair de pé perante a armada santista do Rei. Aos 17 anos fez parte da equipa mágica do Brasil que conquistou o primeiro mundial, oito anos depois do &#8220;Maracanazo&#8221;, apesar da polémica convocatória e da lesão que arrastou no início do torneio. Quatro anos depois já era o melhor jogador do mundo, liderando o Santos à conquista de múltiplos campeonatos paulistas e torneios Rio-Sao Paulo, as grandes competições brasileiras da época.</p>
<p>As vitórias nas primeiras edições da Copa dos Libertadores levou o Santos a disputar a Taça Intercontinental onde derrotaria tanto o Benfica como o AC Milan, consagrando um homem que no entanto teve de sofrer na pele as lesões que quase o afastaram do Mundial de Chile 62 (só jogou os dois primeiros jogos) e que o destroçaram no Inglaterra 66 (com a implacável marcação dos defesas búlgaros e portugueses a deixarem o craque K.O.) mas que mesmo assim não minimizaram a lenda. Apesar disso este foi o seu período áureo no Santos, onde militavam os melhores jogadores brasileiros da época. Uma equipa de sonho que explorou o melhor momento de forma de um Pelé cada vez mais decisivo e goleador.</p>
<p>Durante os anos 60 resistiu-se sempre saltar para a Europa, como tantos sul-americanos, e quando chegou o Mundial de 70, então com 29 anos, para muitos era uma estrela em queda livre. Surpreendendo mais de meio mundo, o homem que meses antes estava fora da selecção, liderou a melhor equipa que alguma vez pisou um relvado a conseguir o seu mais brilhante triunfo. No final, em ombros no Azteca, percebeu que tinha logrado a perfeição e farto de tantas digressões e provas secundárias onde alinhava para que o Santos cobrasse o cachet,  começou a preparar a sua saída em alta. Primeiro deixou o escrete pela segunda vez (em 1966 tinha-se retirado e esteve três anos sem jogar pelo Brasil) e quatro anos depois o clube da sua vida. A imagem de Pelé aproveitou o filão televisivo, o potencial mercado norte-americano e o delírio que desatava no Brasil a sua presença. Ao contrário dos seus geniais colegas de equipa (Nilton Santos, Didi, Vavá, Zagallo, Garrincha, Tostão, Gerson, Rivelino, Jairzinho), Pelé soube manter-se sempre na crista da onda e imortalizou a sua imagem mesmo diante daqueles que nunca o viram jogar, de tal forma que até Romário disse um dia que o futebol devia levar o seu nome..</p>
<p>Tornou-se no primeiro ícone futebolistico mundial. E mais do que Rei, tornou-se em Deus. Um Deus que antes foi um rapazinho de lágrimas nos olhos. O mesmo rapazinho de sotaque mineiro que, quando era pequeno e acompanhava o pai Dondinho aos treinos, ao chamar pelo guarda-redes da equipa e amigo do pai que se chamava Bilé pronunciava mal o nome e acabava por ditar a sentença que marcaria o futuro do jogo&#8230; Pelé.</p>
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		<title>Ramires, a melhor aposta do Benfica</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 23:07:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em qualquer negociação ou relação comercial, existe a melhor hora de vender e o momento certo de comprar. Para achar a exata medida, é preciso ter experiência, sensibilidade e, é claro, um pouco de sorte. Difícil precisar o mérito dos dirigentes do Benfica na contratação de Ramires junto ao Cruzeiro. Mas é inegável que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em qualquer negociação ou relação comercial, existe a melhor hora de vender e o momento certo de comprar. Para achar a exata medida, é preciso ter experiência, sensibilidade e, é claro, um pouco de sorte. Difícil precisar o mérito dos dirigentes do Benfica na contratação de Ramires junto ao Cruzeiro. Mas é inegável que o negócio foi fechado na hora exata para que os valores não fossem inflacionados pela valorização do ótimo volante brasileiro.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2536 alignleft" style="margin-right: 10px; margin-top: 3px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/07/ramires_brasil.jpg" alt="Ramires" width="300" height="208" align="left" title="Ramires, a melhor aposta do Benfica" />Ramires, carioca revelado pelo Joinville, foi contratado pelo clube mineiro em 2007 e estourou no ano seguinte, sob o comando do técnico Adílson Batista, que soube trabalhar sua versatilidade e potencializar seu talento. O dinâmico volante, que marca, sabe sair para o jogo e tem ótima presença ofensiva, voltou da seleção que trouxe a medalha de bronze das Olimpíadas de Pequim e virou meia, fazendo um fantástico campeonato brasileiro em 2008, o que fez com que ganhasse visibilidade e prêmios individuais. Em 2009, os gols, as boas atuações na Taça Libertadores e a conquista do campeonato estadual fizeram com que o técnico Dunga se rendesse ao talento de Ramires e o convocasse para os jogos das Eliminatórias e a Copa das Confederações. Nesse momento é que o timing do clube português foi perfeito. No dia em que o treinador da CBF anunciou o nome do camisa 8 cruzeirense entre os vinte e três convocados, o Benfica divulgou a sua contratação por 7,5 milhões de euros. O time mineiro revelou que também recebeu proposta do CSKA Moscou, da Rússia, dirigido por Zico.</p>
<p>Se tivessem esperado um pouco mais, muito provavelmente o Benfica esbarraria na enorme valorização do jogador, que virou titular da seleção, que viveu um mês de Junho mágico, com a conquista da liderança das Eliminatórias sul-americanas e do título do torneio realizado na África do Sul. Apesar do desempenho um tanto irregular, Ramires mostrou personalidade e bom entendimento com Kaká, Robinho e Luís Fabiano no ataque brasileiro.</p>
<p>No retorno ao Cruzeiro, Ramires pareceu um tanto disperso e decepcionou a torcida do time celeste com atuações não mais que razoáveis nas finais da Libertadores contra o Estudiantes, sendo superado pelo craque Verón no duelo derradeiro no Mineirão. Mas o título dos argentinos e a saída “pelos fundos” do clube brasileiro não desqualificam o meiocampista.</p>
<p>Muito menos o tiro certeiro do Benfica, que ganha um belo reforço cujos valores nem oneraram tanto os cofres dos encarnados, o que é fundamental em tempos de crise. Em uma equipe competitiva montada pelo agora dirigente Rui Costa, o novo camisa 8, junto com reforços como o atacante argentino Saviola, pode fazer a diferença e ajudar o clube português a reconquistar a hegemonia nacional e voltar a sonhar com títulos internacionais.</p>
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		<title>Leonardo&#8230; A Grande Aventura!</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 14:29:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[De Leonardo, as primeiras luzes chegaram-me em 94, no Mundial que quebrou o jejum canarinho mas em que o, então, lateral esquerdo, após se revelar pelas melhores razões &#8211; técnica sublime, bom poder de colocação, e um pé esquerdo com olhos &#8211; deixou-se enredar por um erro, próprio de um ser humano&#8230; e ficou marcado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De Leonardo, as primeiras luzes chegaram-me em 94, no Mundial que quebrou o jejum canarinho mas em que o, então, lateral esquerdo, após se revelar pelas melhores razões &#8211; técnica sublime, bom poder de colocação, e um pé esquerdo com olhos &#8211; deixou-se enredar por um erro, próprio de um ser humano&#8230; e ficou marcado pela bárbara agressão a Tab Ramos, que lhe custou um prematuro adeus à campanha vitoriosa do escrete!</p>
<p>Mas a qualidade ficou presente e o salto para a Europa foi conseguido. Daquela inolvidável equipa do São Paulo, campeã intercontinental, onde pontificavam, além dele, Zetti, Muller, entre outros, chegava a aventura europeia&#8230; Aí quer no Milan, quer no Paris Saint Germain demonstrou que o infeliz acaso ocorrido nos Estados Unidos, fora um mero incidente. Um acaso próprio da imanência do ser humano, que por o ser, por vezes se descontrola. Mas, além do gentleman revelou-se sem dúvida um digno percussor da boa escola brasileira e afirmou-se com uma facilidade indiscutível.</p>
<p>Além do mais, no balneário revelava-se um líder, um homem de confiança para todos os treinadores que tiveram a possibilidade de o orientar e nele confiar. Após essa profícua aventura europeia e a natural retirada surge-lhe, agora, uma das grandes oportunidades da sua vida, estrear-se como treinador no Milan que tantas glórias lhe possibilitou&#8230; após director técnico, agora a aventura vai ser no banco de suplentes, e numa, teme-se, dolorosa época de transição. Assim, vai encontrar uma equipa sem vozes de referência e sem um líder natural &#8211; e como eles nas grandes equipas fazem falta, para ensinar os mais jovens a saborearem o gosto da vitória, para assimilarem essa cultura!</p>
<p><img class="attachment wp-att-2501 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/07/leonardo_psg_milan.jpg" alt="Leonardo" width="300" height="203" align="left" title="Leonardo... A Grande Aventura!" />Assim Maldini, esse monstro que varria a ala esquerda ou a zaga, e que, ele próprio, era tão importante como o emblema do clube, já lá não mora; a voz de suporte de Ancelotti e de outros tantos técnicos já lá não mora; e quão difícil vai ser, alguém, ocupar aquele lugar! Kaká, a grande estrela do plantel, deixou-se seduzir pelos milhões merengues e partiu. Deixou uma equipa órfã de talentos, principalmente quando as outras duas mega estrelas da companhia enfrentam um óbvio ocaso: Beckham, pela própria idade e pelo stylish lifestyle e Ronaldinho por se ter deixado enredar pelas teias que envolvem ou envolveram outras estrelas de Terras de Vera Cruz, tais como no passado o malogrado Mané Garrincha e agora Adriano: a falta de profissionalismo, o descontrolo, as más influências&#8230; e como os antigos Becks e Dinho irão fazer falta a Leonardo de modo a possibilitar a sua epopeia a ter êxito. Ademais, Pirlo partiu, inacreditavelmente foi posto na lista de transferências, e o Atlético Madrid seduziu-o. Irá ser colchonero a partir de 2009/2010, e a falta do regista transalpino poderá fazer-se sentir, a qualidade das transições ofensivas ressentir-se-ão e a qualidade de cobranças de bolas paradas diminuirão consideravelmente!</p>
<p>Resta ao neófito técnico fazer de Pato o símbolo de uma nova geração. Qualidades estão insertas, explicita e implicitamente, no corpo do brasileiro, mas terá ele capacidade psicológica para arcar com tamanha pressão ou será um mero Atlas a carregar o mundo nos seus ombros? Para já em matéria de rejuvenescimento da equipa só malogros: a rábula dentária de Cissokho e as tentativas falhadas de seduzir, respectivamente, Sevilha e Wolfsburg no intuito de resgatarem Luis Fabiano ou Dzeko&#8230; longe vão os tempos que os rossoneri contratavam quem queriam e como queriam! Na equipa que mais venceu nos últimos vinte anos venceu na Europa, um segundo lugar é o primeiro dos últimos, e Mourinho que lidera o arqui-rival Inter este ano vai querer cimentar o estatuto conquistado na pretérita época, olhando para a taça das orelhas grandes, ou seja a Champions&#8230; Leonardo enfrenta um Inter fortalecido com uma equipa debilitada!</p>
<p>Assim, o brasileiro arrisca-se a entrar num túnel em que não se vislumbra a luz da saída&#8230; terá bússola para não perder o Norte ou ver-se-à enredado nos seus próprios passos e esta aventura será um simples presente envenado? As próximas semanas em matéria de contratações e as jornadas iniciais da Serie A do calcio poderão ajudar a responder. Os tiffosi aguçam o espírito e a curiosidade!</p>
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		<title>Denilson &#8211; A Queda de um Talento</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 11:38:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[Lembro-me de ter visto Denilson há mais de doze anos. No momento, achei que o futebol pudesse voltar aos sonhos do antigamente, ao ficar iludido com os passos de dançarino qual bailarino do Lago dos Cisnes.
A verdade é que o brasileiro, natural de Diadema, onde nasceu em 1977 ficará para sempre como alguém que fez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembro-me de ter visto Denilson há mais de doze anos. No momento, achei que o futebol pudesse voltar aos sonhos do antigamente, ao ficar iludido com os passos de dançarino qual bailarino do Lago dos Cisnes.</p>
<p>A verdade é que o brasileiro, natural de Diadema, onde nasceu em 1977 ficará para sempre como alguém que fez bluff perante o <em>beautiful game</em>&#8230; e os deuses castigadores não costumam ser benevolentes com isso. Como dizia no início, foi há doze anos, numa Copa América, disputada na Colômbia. Os focos de iluminação, as peças enviadas por mail, nova e surpreendente tecnologia na época, tinham todas um elemento comum: Ronaldo, por essas alturas convertido em Fenómeno, em Super Herói com Superes Poderes! Mas desde aquele primeiro jogo em que o Brasil bateu a Costa Rica por 5-0, a minha atenção perdeu-se da então estrela culé&#8230; era um menino que se havia estreado no ano anterior pela canarinha e que era o ai jesus dos adeptos do Morumbi, onde vestia as cores do São Paulo, que prendia as atenções a qualquer um que a que o jogo encanta.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2269 alignleft" style="margin-top: 5px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/06/denilson-brasil-betis.jpg" alt="Denilson   A Queda de um Talento" width="300" height="205" align="left" title="Denilson   A Queda de um Talento" />Com uma técnica de fazer corar o mais intrépido dos defesas, o seu um contra um não deixa ninguém indiferente&#8230; sempre em progressão, com a bola colada ao pé esquerdo fazia tudo ser possível, e lembrava, para quem viu jogar &#8211; eu não, infelizmente&#8230; &#8211; esse monstro, Garrincha, quem mais. E essa onda de expectativa pelo moleque que praticava esse futebol de rua que se aprende no Brasil crescia. A imprensa e a nóvel internet tratavam de divulgar um fora de série que a Europa ainda conhecia mal, mas que tinha encontro com o destino marcado para os estádios de França durante o Mundial 98. E Denilson não fracassou, foi brilhante, mesmo não sendo um titular indiscutível, ajudou a desequilibrar muitos jogos, não obstante o escrete ter estrondosamente tombado na final, naquela final em que Ronaldo mostrou que era tão humano como qualquer outro&#8230; mas os interesses comerciais sobrepuseram-se e de escrete e de fenómeno só uma caricatura.</p>
<p>Após esta apresentação ao mundo, Lopera, presidente do Betis, enamorou-se por ele e num desvario digno do mais sublime dos apaixonados resgatou-o das mãos do São Paulo e fez dele a transferência mais cara da história do futebol mundial, até então&#8230; foram trinta e dois os milhões de euros pagos para poder contar com o mágico! Mas na Andaluzia, a chama de Denilson começou a extinguir-se. Não obstante a onda de entusiasmo que gerou na equipa bética, a verdade é que os verdiblancos nunca conseguiram ser equipa que catapultasse o talento para níveis estratosféricos&#8230; se Ronaldo teve o United, se Messi tem o Barcelona, se Kaká (outro sampaulista) teve o Milan, Denilson nunca teve uma estrutura que fizesse dele um Deus da Bola, e no seu curriculum, logo no ano seguinte à chegada constaria uma decida de divisão. O jogador mais caro do mundo a actuar na Liga Adelante espanhola, surrealista, e por isso concomitante retorno ao Brasil para actuar por empréstimo no Flamengo!</p>
<p>Nem mesmo a imediata subida fizeram dele o que se esperava, e as lesões não o largavam, aquele maldito joelho tantas vezes massacrado por laterais e centrais incapazes de compreender o belo futebol&#8230; destruidores vis do mais fantástico espectáculo à face terrestre!! Mas Espanha não era para ele, e nem mesmo a ida ao Mundial da Coreia o tornaria novamente num ídolo. Jogaria em cinco dos sete jogos dessa campanha, sempre como suplente e sempre entrando na segunda parte, mas sem a magia de 1998, sem o glamour dos predestinados&#8230; mas, ressalve-se, trazendo a medalha de pentacampeão mundial no bolso.</p>
<p>Na Europa só em 2005 haveria de ganhar um título, uma singela Copa del Rey seria o único título de quem dizia querer ganhar o mundo em Espanha. Até lá jogos e jogos de verdiblanco sem títulos, nem honra&#8230; e a tentativa de experimentar um novo campeonato: o francês no Bordeaux. Se em Espanha as coisas correram mal, muito pior correriam em França. Sem jogar, sem constituir opção, haveria de ser dispensado logo no ano imediato. Aquele maldito joelho tantas vezes massacrado começava a não aguentar o esforço e a dar de si após tanta pancada sofrida. E, imediatamente, veio a dispensa&#8230; a partir daí uma espiral de fracasso: Al Nassr (Arábia Saudita), Dallas (EUA) onde tentou imitar Beckham como estrela com retorno comercial, mas sem êxito, e por fim o Palmeiras, sempre sem êxito! Tentou agora o regresso, um improvável e excêntrico regresso ingressando na Liga Vietnamita&#8230; sim, Vietname&#8230; o jogador mais caro do mundo, com a técnica mas exquisita, como diriam nuestros hermanos, a jogar no Xi Mang Hai Phong, nos confins da Ásia! Apesar disso loucura na estreia, um golo fabuloso de livre, pois quem sabe nunca há-de esquecer&#8230; intervalo e Denilson não regressa!</p>
<p>Sabe-se hoje que não mais jogará no Vietname, tendo contrato por objectivos, embolsou doze mil euros por aquela meia parte e irá á sua vida&#8230; para sempre, ou para despontar num qualquer campeonato exótico e sempre com a ideia que podia ter ido mais além, muito mais além, tivesse ele assim pretendido. Mas estas histórias românticas de artistas brasileiros hão-de, para sempre, existir no mundo do futebol, pois sem elas uma parte da sua idiossincrasia não existiria!</p>
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		<title>O Eterno Clássico do Futebol Mundial</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 09:42:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís António Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Brasil e Itália são as duas selecções com mais títulos conquistados na história dos Mundiais de futebol (5 para o Brasil, 4 para Itália). Aliás, juntas têm mais títulos do que todas as outras selecções.
Jogos decisivos
Já jogaram entre si 13 vezes, com 6 vitórias para a “canarinha”, 5 para a squadra azzurra e 2 empates. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Brasil e Itália são as duas selecções com mais títulos conquistados na história dos Mundiais de futebol (5 para o Brasil, 4 para Itália). Aliás, juntas têm mais títulos do que todas as outras selecções.</p>
<p><strong>Jogos decisivos</strong><br />
Já jogaram entre si 13 vezes, com 6 vitórias para a “canarinha”, 5 para a <em>squadra azzurra</em> e 2 empates. Apesar de sempre terem possuído, ao longo da sua história, jogadores de grande técnica e carisma, sempre tiveram também estilos de jogo completamente diferentes uma da outra. O Brasil um futebol mais ofensivo e livre de amarras tácticas, a Itália um futebol mais cínico e de contenção. Já por duas vezes discutiram a final de um Campeonato do Mundo: em 1970, no México, com uma das melhores (para muitos, “a melhor”) selecção brasileira de sempre (Pelé, Jairzinho, Tostão, Gerson) a derrotar a Itália por 4-1 – no final do jogo, o defesa italiano Tarcisio Burgnich diria a seguinte frase sobre “o rei”: &#8220;Eu disse para mim mesmo antes do jogo: ele é feito de pele e ossos como qualquer um – mas estava errado.&#8221;; e em 1994, nos EUA, com Roberto Baggio a falhar o famoso penalti que deu ao Brasil a vitória numa das mais desinteressantes finais de sempre de um Mundial.</p>
<p>Há, no entanto, um jogo entre o Brasil e a Itália que ultrapassa todos os outros em termos de simbolismo: o jogo que disputaram no Mundial de Espanha em 1982. Um jogo que teve até direito a uma magnífica peça de teatro, escrita pelo italiano David Enia, e que chegou a ser encenada em Portugal em 2004 pelos Artistas Unidos. Se eu tivesse de escolher uma só partida para descrever as características de cada uma dessas selecções seria precisamente esse mítico Itália-Brasil 3-2 que, para os brasileiros, ficou conhecido como “a tragédia de Sarriá”. Siarrá era, na altura, o estádio do Espanyol, mas foi demolido em 1997, por dívidas do clube, que teve de o vender os terrenos a uma empresa de construção.</p>
<p><strong>O Mundial de 1982</strong><br />
O Brasil, treinado por Telé Santana, chegou a esse mundial na condição de super-favorito. Tinha aquela que, ainda hoje, é considerada a melhor selecção “canarinha” pós-Pelé, com um grupo de artistas que fazia as delícias de qualquer fã do futebol-espectáculo, composto por Zico, Sócrates, Falcão Cerezo e Éder, todos eles no auge da sua forma. Durante a primeira fase do torneio derrotaram a União Soviética por 2-1, a Escócia por 4-1 e a Nova Zelândia por 4-0. Mais do que derrotarem os adversários, os brasileiros encantavam e faziam jus à sua condição de favoritos, com jogadas de antologia e golos para todos os gostos. Podiam até dar-se ao luxo de ter um guarda-redes vulgar (Waldir Perez) e um ponta-de-lança também medíocre (Serginho, que anos mais tarde jogaria no Marítimo), que a técnica de Zico e Sócrates, os balázios de Éder e o pulmão de Falcão que, como escreveu David Enia na sua peça, era um jogador que parecia estar em todo o lado sem nunca dar sinais de cansaço ou esforço, resolvia tudo.</p>
<p>Muito diferente foi a qualificação da Itália para a segunda fase da prova. Empate a zero com a Polónia e a um golo com Peru e Camarões, a Itália qualificou-se para a segunda fase apenas por ter marcado mais um golo do que os Camarões. Para a própria imprensa do país, a trajectória da selecção constituía uma vergonha e as expectativas para a segunda fase eram baixíssimas. Mesmo que tivesse estrelas como Dino Zoff, António Cabrini, Cláudio Gentille, Marco Tardelli, Bruno Conti e Paolo Rossi.</p>
<p><strong><img class="attachment wp-att-2264 alignleft" style="margin-right: 8px; margin-top: 5px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/06/mundial82-brasil-italia-pele-socrates-paolo-rossi.jpg" alt="O Eterno Clássico do Futebol Mundial" width="300" height="195" align="left" title="O Eterno Clássico do Futebol Mundial" />A “tragédia de Sarriá”</strong><br />
Nesse mundial não houve oitavos nem quartos-de-final, mas sim uma segunda fase de grupos, cada um com três selecções e em que apenas a primeira classificada seguia para as meias-finais. O grupo da morte seria precisamente composto por Brasil, Itália e Argentina. Depois de a Itália vencer a selecção de Maradona por 2-1, foi o Brasil a derrotar os seus grandes rivais sul-americanos por 3-1. Ou seja: para o Brasil, bastava um empate no jogo com a Itália para se qualificar. Mas quem conhece a História (principalmente a história da perda do Mundial de 1950) sabe que não há nada pior para uma selecção brasileira (principalmente, quando se trata de uma selecção que não sabe jogar à defesa) do que só precisar de um empate. Foi nesse jogo que, para os italianos, nasceu a lenda de Paolo Rossi como seu bambino d&#8217;oro. Rossi tinha sido seleccionado para esse Mundial de forma absolutamente inesperada. Tinha estado quase dois anos impedido de jogar, após um escândalo conhecido como Totonero, quase tão grande como o calciocaos. Numa altura em que já jogava na Juventus, Rossi tinha sido acusado de estar envolvido num resultado combinado entre o Perugia (o seu antigo clube) e o Avellino da época anterior. Rossi declarou-se sempre inocente dessa acusação, preferindo até cumprir a totalidade do castigo do que admitir uma suposta culpa e ver assim reduzida a sua pena. Para a maioria dos tiffosi, a titularidade de Rossi tratava-se apenas de um capricho do seleccionador Enzo Bearzot. E os primeiros jogos nesse Mundial pareciam dar razão aos adeptos. Rossi mal se via em campo, tão discretas foram as suas primeiras prestações nesse Mundial. Parecia um jogador a menos, um homem invisível. Mas, tal como David Enia escreve na sua peça, “como é que se marca um jogador que parece invisível?”. E foi isso mesmo que os defesas brasileiros terão pensado quando viram Paolo Rossi corresponder com um cabeceamento perfeito ao cruzamento de Antonio Cabrini, aos 5 minutos, para abrir o marcador. Nada de alarmante, terão pensado os brasileiros, que já haviam dado a reviravolta ao resultado nos jogos contra a União Soviética e a Escócia. E assim, parecia ser quando, aos 12 minutos, após uma abertura de Zico, o capitão Sócrates coloca a bola no único espaço existente entre o corpo de Zoff e o poste esquerdo da baliza e empata. Só que aos 25 minutos, após um mau passe de Cerezo interceptado por Paolo Rossi (“como é que se marca um jogador que parece invisível?”), a Itália volta a adiantar-se no marcador. A tarde de 5 de Julho já era quente, mas as emoções em campo ferviam ainda mais. Na segunda parte, com o Brasil sempre a carregar, a Itália a defender-se não com um autocarro mas com um muro e o defesa Gentille a marcar Zico com tanto empenho que até lhe rasga a camisola, a canarinha chega ao empate, aos 68 minutos, com um remate de fora da área de Falcão. A manifestação de alegria deste grande jogador (considerado o segundo melhor do Mundial pela FIFA, apenas atrás de Paolo Rossi) ao comemorar o grande golo que marcou é um dos momentos mais vibrantes desse Mundial. Agora, sim, a ordem natural das coisas parecia estar a impor-se. Mas 6 minutos mais tarde, após um lance confuso na área brasileira, a bola sobra para novamente para Paolo Rossi (“como é que se marca um jogador que parece invisível?”) que faz o 3-2 e tira aos brasileiros aquilo que lhes parecia estar destinado.</p>
<p><strong>O significado da vitória</strong><br />
No final do jogo, Sócrates disse o que muita gente pensou sobre o significado da vitória do pragmatismo italiano sobre a magia brasileira: “Foi mau para nós, mas pior para o futebol”. Tal como a selecção húngara de Puskas em 54 e a “laranja mecânica” de Cruyff em 74, o Brasil de 1982 ficou na história por não ter ganho. Só que, às vezes, a grandeza de um vencido é tão marcante que nem a derrota o impede de ficar na memória de todos. Lembro-me de há uns anos Bebeto e Dunga criticarem o facto de se falar tanto na selecção brasileira de 1982 em detrimento da “sua selecção” campeã em 94. Pelos vistos, ainda ninguém tinha lhes explicado que a memória dos adeptos não é feita só de resultados, mas também de sensações. E nenhum adepto que tenha visto a selecção brasileira de 82 lhe conseguiu ficar indiferente. O mesmo já não se pode dizer da selecção de 94.</p>
<p>Para os italianos esse encontro foi muito mais do que um jogo de futebol, foi um evento histórico. Foi o dia em que derrotaram uma selecção que a própria imprensa italiana designava de “extraterrestres”. Claro que ainda havia o jogo das meias-finais (em que a Itália derrotaria a Polónia por 2-0) e depois o da final (vitória sobre a RFA por 3-1), mas a prova de fogo, a verdadeira quimera já tinha sido ultrapassada. Em 2002, Paolo Rossi lançou uma autobiografia intitulada “Fiz o Brasil chorar”. E em 1982, no dia seguinte ao jogo com o Brasil, a Gazetta dello Sport, fez manchete com uma frase que explicava de forma perfeita o significado que teve para a Itália derrotar essa selecção de “extraterrestres”: “O BRASIL SOMOS NÓS!”</p>
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		<title>Kaká e Real Madrid &#8211; E o noivado virou casório</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 09:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Enfim, chegou o dia da confirmação da contratação de Kaká pelo Real Madrid. Depois de um namoro, ainda que velado, de dois anos, a crise financeira que abalou o Milan e a volta de Florentino Pérez com sua sede de craques à presidência do Real Madrid criaram o cenário perfeito para que o negócio se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enfim, chegou o dia da confirmação da contratação de Kaká pelo Real Madrid. Depois de um namoro, ainda que velado, de dois anos, a crise financeira que abalou o Milan e a volta de Florentino Pérez com sua sede de craques à presidência do Real Madrid criaram o cenário perfeito para que o negócio se concretizasse.</p>
<p>Prever o que o melhor do mundo de 2007 poderá fazer em Madrid é difícil, até porque será um trabalho iniciado praticamente do zero. Com Manuel Pellegrini no comando técnico e muito dinheiro para gastar – estima-se que Kaká tenha custado 65 milhões de euros e os cofres do clube ainda teriam inacreditáveis 235 milhões para reforçar o elenco -, o clube merengue ainda deve movimentar muito o mercado. A impressão é que a chegada de Kaká está sendo utilizada pelo Real para mostrar força e estimular os outros prováveis reforços a verem com bons olhos uma mudança de ares.</p>
<p>Para voltar a ser um gigante capaz de desafiar o Barcelona e os grandes ingleses na Liga dos Campeões, é importante que o Real se preocupe mais com a formação de uma equipe do que com ações de marketing. Ao invés do time “galáctico” que tinha Zidane, mas também Pavón e Ronaldo com o “contraponto” Michel Salgado, a diretoria deve investir em um grupo equilibrado, com boas opções em campo e na reserva, além do senso coletivo que faz com que o talento individual decida as partidas.</p>
<p>Fundamental também será criar um ambiente positivo, com um mínimo de união dentro do profissionalismo europeu, avesso às “famílias” tipicamente brasileiras. O racha costumeiro entre espanhóis e estrangeiros e/ou jogadores formados em casa e reforços, sempre comandado por “Raúl Madrid”, não pode se repetir, pois mina as forças do elenco ao longo do tempo. Aproveitar o bom momento do futebol espanhol e contratar jogadores do próprio país também pode ser boa saída para Florentino.</p>
<p>O anúncio com toda pompa e circunstância é justo. Kaká é um jogador capaz de fazer uma equipe crescer com o talento e  a conduta profissional exemplar que estimulam seus companheiros. Os torcedores rossoneri terão muito a lamentar e com que se preocupar em relação ao futuro do Milan, o que mostra que o Real agiu certo ao buscar o brasileiro que tem tudo para fazer história em um clube que sempre faz o futebol mais bonito quando está no topo da Europa e do planeta.</p>
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		<title>Taison, o menino guerreiro da Beira-Rio</title>
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		<pubDate>Wed, 27 May 2009 16:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cantera]]></category>
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		<description><![CDATA[O nome, apesar da grafia “abrasileirada”, é uma reverência a Mike Tyson, fenômeno do boxe no final dos anos 1980. Mas se Taison, o novo camisa sete do Internacional, não segue o ídolo dos ringues na violência dos golpes nem na facilidade de se meter em encrencas, em campo o atacante de 21 anos demonstra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O nome, apesar da grafia “abrasileirada”, é uma reverência a Mike Tyson, fenômeno do boxe no final dos anos 1980. Mas se Taison, o novo camisa sete do Internacional, não segue o ídolo dos ringues na violência dos golpes nem na facilidade de se meter em encrencas, em campo o atacante de 21 anos demonstra vontade de vencer e a mesma “fúria” quando parte para cima dos defensores adversários.</p>
<p>Na virada do ano, o clube gaúcho negociou Alex, um dos destaques do time comandado pelo técnico Tite na conquista da Copa Sul-Americana, para o Spartak Moskow com a certeza de que teria a reposição pronta para formar a dupla de ataque com Nilmar.  É a política do Inter de vender um craque para faturar e substituir por um garoto promissor. Foi assim em 2006, na negociação de Rafael Sóbis que abriu espaço para um tal Alexandre Pato.</p>
<p>Mesmo marcando apenas dois gols no ano passado, Taison mostrou qualidades e, beneficiado pela prioridade que o clube deu à competição continental a partir das semifinais, acabou se tornando o jogador mais utilizado do elenco no campeonato brasileiro, com 30 participações, sendo dez jogos completos.</p>
<p>A trajetória do jovem atacante comprova a sua determinação, além do competente trabalho do clube nas divisões de base: Taison demorou a chamar a atenção porque lhe faltava força física. O menino de origem humilde precisava de músculos na proporção correta para poder se destacar. O trabalho de Élio Carravetta, coordenador de preparação física, foi preciso e Taison logo estava com o corpo preparado para o duelo com vigorosos zagueiros. A cabeça já estava pronta desde sempre, por conta da boa educação da mãe, dona Rosângela, que criou outros nove filhos na periferia de Pelotas.</p>
<p>Faltavam as conclusões, deficiência do meia-atacante. E novamente a visão do clube foi fundamental, com o olhar diferenciado do técnico Tite, que, ao contrário de seus antecessores, viu potencial no menino, e participação direta de Fernando de Carvalho, presidente colorado na conquista da Libertadores e do Mundial Interclubes de 2006. Fernando percebeu que o garoto era afoito diante do goleiro e exigiu no final de 2008 que ele fizesse treinamentos específicos. O progresso foi tão significativo que o dirigente, eufórico, apostou, em tom de desafio, que Taison não faria vinte gols na temporada seguinte jogando como titular.</p>
<p>O Taison de hoje se mexe bem pelos lados do campo, especialmente pela esquerda, é disciplinado taticamente, raçudo e joga com incríveis velocidade e verticalidade nas arrancadas em diagonal ou buscando o  fundo. Além disso, mostra ótimo entendimento com Nilmar e o meia argentino D’Alessandro e progride a cada jogo nas conclusões, com técnica e ótimo aproveitamento. Os números em 2009 impressionam: artilheiro do campeonato gaúcho com quinze gols e o que mais foi às redes, seis vezes, na Copa do Brasil. A última, importantíssima, na vitória sobre o Flamengo por 2 a 1, ao completar bela jogada de Nilmar pela esquerda e abrir o placar.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2103 alignleft" style="margin-left: 9px; margin-right: 9px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/internacional-taison-brasil.jpg" alt="Taison, o menino guerreiro da Beira Rio" width="290" height="183" align="left" title="Taison, o menino guerreiro da Beira Rio" />Alguns questionamentos quanto ao seu desempenho surgiram após as atuações discretas na vitória sobre o Corinthians por 1 a 0, na estreia do time no campeonato brasileiro, no Pacaembu, e no empate sem gols contra o Flamengo pelas quartas-de-final da Copa do Brasil no Maracanã. Mas logo foram esquecidas com as belas performances contra o Palmeiras e o próprio Flamengo no Beira-Rio. Faltava uma grande atuação longe de Porto Alegre. Faltava, pois ela veio no jogo seguinte, contra o Goiás no Serra Dourada. Taison entrou aos 11 do segundo tempo e além do gol da vitória por 1 a 0, o seu primeiro no Brasileirão e que alçou o time gaúcho à liderança isolada do campeonato, ainda brindou o público com grandes jogadas individuais e assistências para os companheiros.</p>
<p>Os 22 gols colocam Taison entre os artilheiros do Brasil na temporada. Em menos de seis meses, a aposta de Fernando Carvalho já está perdida, mas o ex-presidente sorri com o sucesso de seu pupilo.</p>
<p>Nilmar e Kléber foram convocados pelo técnico Dunga para a seleção brasileira que vai a Copa das Federações. Talvez para 2010 ainda seja cedo, mas se Taison fizer as escolhas corretas na carreira, será nome certo nas convocações depois da Copa na África do Sul. Basta manter a humildade de quem ainda nem tem veículo próprio e vai aos treinos de táxi e, dentro de campo, luta a cada partida pelas vitórias do seu time e pelo aprimoramento individual.</p>
<p>Com a calma e a maturidade de quem já é o pai da Maria Eduarda, de sete meses, mas também com o “sangue nos olhos” dos grandes campeões, como o pugilista homenageado por seus pais em seus melhores momentos, Taison tem tudo para vencer. Na carreira e na vida.</p>
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		<title>Garrincha &#8211; O Anjo de Pernas Tortas</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Apr 2009 13:46:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís António Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Nasceu numa favela, no seio de uma família com um pai alcoólico e 14 irmãos. Teve poliomielite e, devido a essa doença, sofreu um desvio na coluna que o deixou coxo para o resto a vida, com a perna direita 6 centímetros mais curta do que a outra. A alcunha de &#8220;Garrincha&#8221; veio do facto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nasceu numa favela, no seio de uma família com um pai alcoólico e 14 irmãos. Teve poliomielite e, devido a essa doença, sofreu um desvio na coluna que o deixou coxo para o resto a vida, com a perna direita 6 centímetros mais curta do que a outra. A alcunha de &#8220;Garrincha&#8221; veio do facto de se assemelhar a um pássaro tão frágil que bastava uma rabanada de vento para ser levado para longe. E foi assim a infância do melhor futebolista brasileiro de sempre, a seguir a Pelé.</p>
<p><strong>O ídolo do Botafogo e da selecção</strong><br />
Como todos os rapazes no Brasil, mesmo os coxos e franzinos, Manuel Francisco dos Santos, seu nome de registo, gostava de futebol e cedo começou a pedir aos irmãos e colegas para jogar com eles. No início todos lhe diziam para se ir embora, que um coxo como ele não servia para nada, muito menos para jogar à bola, mas quando alguém se atreve a colocá-lo na sua equipa, nos jogos de rua, o espanto é geral: o rapaz é um fenómeno. Um malabarista capaz de ultrapassar e humilhar todos os adversários que lhe tentam roubar a bola, como se fosse a coisa mais simples do mundo, até ao cruzamento final ou remate para golo. Apesar de ser também conhecido, entre os amigos e irmãos, como Mané (um nome que, no Brasil, se refere aos homens meio tolos ou ingénuos), com a bola nos pés ele é um génio.</p>
<p>Após ter jogado no Esporte Clube de Pau Grande, o rapaz, incentivado pelos irmãos e amigos que antes menosprezavam a sua habilidade para o futebol, vai fazer um teste ao Botafogo. O Vasco da Gama e o São Cristovão já o tinham rejeitado, por causa das pernas tortas e do desvio na coluna, mas o Botafogo não caiu no mesmo erro. Logo no primeiro treino em que esteve à experiência, Mané passou várias vezes pelo defesa Nílton Santos, jogador titular da selecção brasileira da época, colocando-lhe a bola entre as pernas. Para ele, fazer dribles aos profissionais que lhe apareciam à frente no Botafogo era exactamente o mesmo que aos colegas do Esporte Clube de Pau Grande. Seria, aliás, o próprio Nílson Santos a sugerir ao presidente do clube a contratação daquele rapaz desajeitado de 19 anos.</p>
<p>Depois de se tornar no maior ídolo do Botafogo e de ajudar o clube a vencer o Campeonato Carioca, em 1957, Mané começa a preparar a sua nova conquista: a selecção. Em 1958, um ano antes de começar o Mundial na Suécia, marca num jogo de preparação, disputado em Itália, um dos seus golos mais famosos ao serviço do Brasil: depois de fintar quatro adversários, incluindo o guarda-redes, fica com a baliza aberta para marcar. No entanto, talvez por achar que marcar assim seria demasiado fácil, espera que um outro adversário tente tirar-lhe a bola, para também o fintar e só depois acaba por rematar à baliza. Esta proeza valeu-lhe, no entanto, a perda da titularidade, pois o seleccionador Vicente Feola classificou esse lance como &#8220;irresponsável&#8221;. Talvez tivesse razão. Mas era também uma jogada que demonstrava de forma exemplar a natureza de Garrincha: jogar futebol pelo prazer de jogar, com uma despreocupação quase infantil em relação a questões tácticas ou ao nome dos adversários que enfrentava. Para ele o futebol era alegria e liberdade. Ou seja, por maior que fosse o seu talento, seria sempre um pesadelo para qualquer treinador que o orientasse. Já durante o Mundial, depois de ficar de fora nos dois primeiros jogos (tal como Pelé), vê um grupo de colegas fazer pressão junto do seleccionador para que ele e Pelé sejam titulares na terceira partida. E foi nesse jogo, em que o Brasil derrotou por 2-0 a União Soviética, que a lenda de Garrincha, autor dos dois passes para golo, nasceu para o mundo. Depois de, na meia-final, bater por 5-2 a França de Kopa e Fontaine, a equipa aplicaria o mesmo resultado na final, frente à selecção anfitriã, com Garrincha a destacar-se uma vez mais pelas jogadas que deram origem aos dois golos de Vavá. Foi o primeiro Mundial ganho pelo Brasil.</p>
<p><strong><a href="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/04/garrincha-brasil.jpg"><img class="size-medium wp-image-1746 alignleft" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" title="garrincha-brasil" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/04/garrincha-brasil-278x201.jpg" alt="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" width="278" height="201" /></a>O Mundial de Garrincha</strong><br />
Em 1962, o &#8220;anjo de pernas tortas&#8221;, como já era conhecido, chegou ao Mundial do Chile na mesma condição em que saíra da Suécia, 4 anos antes: como estrela maior, juntamente com Pelé, da selecção brasileira. No entanto, depois de Pelé sofrer uma lesão que o afastaria para o resto da competição, logo no segundo jogo, passou a ser Garrincha o líder da equipa. Um líder cuja influência, em termos de prestação individual na conquista de um Mundial, equipara-se à que Maradona teve para a Argentina no México 86. Foram de Garrincha as jogadas que deram origem aos golos de Amarildo (o substituto de Pelé) na vitória por 2-1 sobre a Espanha, na primeira fase. Nos quartos-de-final, marcou dois golos na vitória de 3 a 1 sobre a Inglaterra, com o outro golo do Brasil, marcado por Vavá, a ser conseguido após a recarga a um remate de Garrincha. Um episódio curioso neste jogo: durante a partida, um cão invadiu o campo e obrigou à sua interrupção. Depois de vários jogadores das duas equipas tentarem apanhá-lo, sem êxito, seria o avançado inglês Jimmy Greaves a conseguir segurá-lo. No entanto, como recompensa, viu o cão urinar-lhe em cima. Consta que Garrincha se divertiu tanto com a situação que acabou por ficar com o animal. Nas meias-finais, mais dois golos do &#8220;anjo de pernas tortas&#8221;, na vitória por 4-2 sobre a selecção anfitriã. Garrincha seria expulso no final dessa partida, depois de agredir um adversário que passara o jogo todo a agredi-lo. No entanto, o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, recorreu da expulsão e o jogador acabaria por receber a autorização da FIFA para disputar a final contra a Checoslováquia. Resultado: 3-1 para o Brasil. No final do torneio, Garrincha seria eleito o melhor jogador da prova. Ainda nesse ano, liderou o Botafogo na conquista de mais um Campeonato Carioca, batendo na final o Flamengo.</p>
<p>O ano de 1962 não acabaria sem antes ser realizado, por Joaquim Pedro de Andrade, um documentário sobre a vida de Garrincha, e cujo título traduzia na perfeição aquilo que o jogador representava na altura: &#8220;Garrincha &#8211; A Alegria do Povo&#8221;.</p>
<p><strong>O início da decadência</strong><br />
Em 1963 Garrincha parecia estar no topo do mundo, sendo mesmo disputado por dois dos maiores clubes italianos (Inter e Ac Milan). A transferência só não ocorreu porque o Botafogo não ficou satisfeito com as propostas feitas. No entanto, foi nesse ano que começaram a surgir os problemas no joelho do jogador, depois de ter actuado várias vezes pelo seu clube sem estar nas melhores condições físicas. Na altura, o Botafogo fazia várias excursões e uma coisa era o cachet que cobrava se jogasse com Garrincha, outra coisa (ou seja, metade) era o cachet que cobrava se &#8220;a alegria do povo&#8221; não jogasse. Uma prática que o Benfica também conheceu, nos tempos de Eusébio, e que também obrigou o &#8220;pantera negra&#8221; a jogar várias vezes lesionado. No ano seguinte, surgem as primeiras lutas de Garrincha com o seu clube. Devido à sua recusa em ir nalgumas excursões, foi multado em 50% do salário. As relações começaram a deteriorar-se de tal forma que Garrincha chega a ser chamado de &#8220;moleque&#8221; no próprio boletim do clube. Em 1966 dá-se a inevitável ruptura: o clube vende-o ao Corinthians, sem sequer avisar o jogador.</p>
<p>Mesmo assim, nesse ano, ele disputa o seu terceiro Mundial, em Inglaterra. É nessa competição (onde marca um golo na vitória sobre a Bulgária) que sofre a sua única derrota, em 60 jogos, com as cores da selecção brasileira, no encontro que opôs o Brasil à Hungria: 3-1 foi o resultado favorável aos magiares. Ficou, no entanto, um registo histórico. Como Pelé não jogou essa partida e Garrincha não participou no jogo em que a sua selecção perdeu com Portugal, a &#8220;canarinha&#8221; pode-se orgulhar de nunca ter perdido um único jogo no qual participassem aqueles que foram os seus dois maiores representantes.</p>
<p><strong>O fim da alegria</strong><br />
Depois de deixar o Corinthians, jogou ainda no Atlético Júnior (da Colômbia), no Flamengo, no Olaria e em vários clubes menores e amadores de outros países sul-americanos. Mas o &#8220;anjo de pernas tortas&#8221; já não era o mesmo. E se ainda era conhecido como &#8220;a alegria do povo&#8221;, era mais pelas memórias que o seu nome projectava do que pela capacidade de impor o seu futebol. Nas bancadas, já não era alegria que se sentia, mas angústia pela queda do mito que os espectadores viam a arrastar a sombra pelos relvados. Para além das lesões no joelho, agora havia outro mal a afectá-lo: o alcoolismo. O mesmo que o levou a ter o desastre de viação, em Abril de 1969, do qual resultaria a morte da mãe da sua segunda mulher. Em Dezembro de 1973 ainda foi realizado no Maracanã o jogo de despedida de Garrincha. Um jogo que colocou, frente a frente, a selecção do Brasil e uma outra da FIFA, composta principalmente por jogadores argentinos e uruguaios. Seria o último suspiro de dignidade de Garrincha, que saiu ovacionado a meio do jogo, em direcção ao túnel do estádio e do esquecimento público. Só voltaria a ser notícia em Janeiro de 1983, quando morreu, bêbedo e só, numa ruela do Rio de Janeiro, vítima de cirrose (tal como o seu pai). No velório, os familiares de Garrincha acusaram Vanderléia, a sua terceira mulher, de ter matado o antigo jogador e só não a conseguiram espancar devido à intervenção policial. Mas como é evidente, Garrincha foi apenas vítima de si mesmo. Do seu carácter ingénuo e do amor que sentia pelo futebol. Enquanto jogador, só se preocupava em desfrutar do prazer que sentia em jogar, negligenciando por completo o valor de mercado que o seu nome tinha e que Pelé, por exemplo, tão bem aproveitou. O final de Garrincha assemelhou-se bastante ao de George Best, não só pela forma com que os dois encaravam o futebol, mas também pela incapacidade de resistirem ao sexo feminino (Garrincha teve 14 filhos das 3 mulheres com quem viveu, e sabe Deus quantos mais teve de outras com quem se relacionou) e, claro, à bebida. Mas o destino do brasileiro foi ainda mais trágico. Best tinha consciência daquilo que era; Garrincha, não.</p>
<p>Tal como Carlos Drummond de Andrade escreveu após a sua morte, &#8220;se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irónico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=qx1jfndUXqk"><img src="http://img.youtube.com/vi/qx1jfndUXqk/default.jpg" width="130" height="97" border title="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" alt="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" /></a><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=FaVEexI8gfM"><img src="http://img.youtube.com/vi/FaVEexI8gfM/default.jpg" width="130" height="97" border title="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" alt="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" /></a><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=Tk2C4LUvaxc"><img src="http://img.youtube.com/vi/Tk2C4LUvaxc/default.jpg" width="130" height="97" border title="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" alt="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" /></a><br />
<span style="color: #888888;">A memória de Garrincha</span></p>
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		<title>Como um Imperador Perde o Reino&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 11:16:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
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		<description><![CDATA[Dizia-se dele ser o mais que potencial sucessor do Rei Pelé&#8230; e logo no primeiro jogo, provindo do Flamengo, demonstrou no Inter ao que podia vir: balázio à baliza de Casillas e o desconhecido, naquele jogo particular daquele Agosto quente, tornava-se um nome a reter: Adriano tinha tudo&#8230; arrogância, força, uma técnica acima de qualquer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dizia-se dele ser o mais que potencial sucessor do Rei Pelé&#8230; e logo no primeiro jogo, provindo do Flamengo, demonstrou no Inter ao que podia vir: balázio à baliza de Casillas e o desconhecido, naquele jogo particular daquele Agosto quente, tornava-se um nome a reter: Adriano tinha tudo&#8230; arrogância, força, uma técnica acima de qualquer suspeita!</p>
<p><img class="attachment wp-att-1772 alignleft" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/adriano-mourinho-inter.jpg" alt="Como um Imperador Perde o Reino..." align="left" title="Como um Imperador Perde o Reino..." />Apesar de ter cumprido o mais que necessário tirocínio por outras paragens haveria de regressar ao Inter e bem a tempo de construir um castelo de sonhos&#8230;de grandeza&#8230;de tocar com a mão o topo do mundo!</p>
<p>Mas como tantos outros compatriotas, a tentação foi mais forte&#8230; o mundo miserável em que nasceu e viveu fez com que se tornasse impossível lidar com a ostentação e a riqueza do novo mundo e como tantos outros começou a ceder a um mundo que não é digno de si&#8230; o álcool, as drogas, as múltiplas festas em que todas estas fatalidades se conjugam tornaram o homem num farrapo humano, quiçá desejando comparar-se à condição do memorável Mané Garrincha.</p>
<p>Teve sorte encontrar-se num clube que em Itália é conhecido pela sua dimensão humanitária e acima de tudo não deseja perder o homem, já que o atleta é uma mera cláusula sine qua non&#8230; e neste rumo não terá escapatória. Foi afortunado em comprovar as qualidades humanas de Il Speciale que aguentou todos os seus devaneios, todos os seus atrasos, todas as vezes que chegou embriagado aos treinos, todas as ressacas por acreditar no talento do jogador &#8211; ídolo de milhões de jovens, inclusive do filho de Mourinho &#8211; mas acima de tudo não quis dar a machadada final no frágil projecto de ser humano em que Adriano se tornou.</p>
<p>Encontra-se, após o jogo da semana transacta no Brasil, pela selecção, contra o Perú&#8230; já o deram como morto&#8230; já houve horas em que foi sequestrado&#8230;noutros momentos está em profunda crise psicológica por ter sido abandonado pelo namorada&#8230;ainda em outros em sumptuosas farras com narcotraficantes e transexuais&#8230; uma certeza, porém, mesmo que neste momento esteja em pleno estado de saúde: é necessário salvar o homem, que o atleta já está irreversivelmente perdido. E com tristeza, para quem viu aquelas assombrosas arrancadas, aqueles livres batidos com o pé esquerdo canhão, e quem conjecturou poder ver nele e em Ibra uma parelha de avançados inolvidável. Quisesse Adriano&#8230;</p>
<p><a href="http://www.deusesdabola.blogspot.com">in www.deusesdabola.blogspot.com</a></p>
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		<title>O Retorno de um novo Ronaldo</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2009 23:27:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[Era um clássico chato em Presidente Prudente, São Paulo. Mesmo com estádio lotado, Palmeiras e Corinthians sofriam com a tórrida tarde de verão e se atrapalhavam com as próprias limitações. Aos 16 minutos do segundo tempo, com o placar apontando 1 a 0 para o Palmeiras, as coisas começaram a mudar. Ao chamar Ronaldo, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era um clássico chato em Presidente Prudente, São Paulo. Mesmo com estádio lotado, Palmeiras e Corinthians sofriam com a tórrida tarde de verão e se atrapalhavam com as próprias limitações. Aos 16 minutos do segundo tempo, com o placar apontando 1 a 0 para o Palmeiras, as coisas começaram a mudar. Ao chamar Ronaldo, a grande contratação brasileira da temporada, para conversar, o treinador Mano Menezes já começou a agitar o clássico e a massa corintiana. E ao entrar em campo, três minutos depois, o Fenômeno, na segunda partida oficial após a volta ao Brasil, completou o serviço.</p>
<p><img class="attachment wp-att-1825" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/ronaldo.jpg" alt="O Retorno de um novo Ronaldo" width="280" height="178" align="left" title="O Retorno de um novo Ronaldo" />Na primeira jogada, um belo drible, mas o passe saiu errado. Na segunda, ele tenta o chute, é desarmado e pede falta. Aos 33, a coisa ficou séria: Ronaldo recebeu pela esquerda, cortou para dentro e mandou uma bomba no travessão. A vontade de seu camisa 9 acordou um Corinthians apático e sem criatividade que empurrou o Palmeiras para a sua defesa. Aos 42, linda jogada pela esquerda de Ronaldo, que cruzou para André Santos cabecear e o goleiro alviverde Bruno fazer boa defesa. A pressão alvinegra aumentou com a expulsão do lateral Fabinho Capixaba. E aos 47, veio o momento apoteótico: a cobrança de escanteio pela direita do meia Douglas passou por quase todos. Ela procurava Ronaldo. O golpe de cabeça foi perfeito e a comemoração digna de seu carisma e seu físico. Nem o alambrado resistiu. Impressiona a capacidade do Fenômeno de protagonizar lances que mais parecem fazer parte de um roteiro de filme, com toda a sua carga dramática e um timing inacreditável. Tinha que ser no lance derradeiro, entre a glória e o fracasso, o pesar e o delírio, o silêncio e o êxtase.</p>
<p>Em seu primeiro ato real no retorno ao país, Ronaldo, um craque polêmico pelo que faz fora das quatro linhas, mas um ídolo incontestável nos campos e fenômeno de marketing, colocou um clássico murcho, longe do Morumbi e nada memorável na história dos confrontos entre os arquirrivais paulistas. Daqui a décadas, muitos ainda lembrarão do “Dérbi de Presidente Prudente”. Ou melhor, de Ronaldo.</p>
<p>Se ainda não o fez, esqueça o atacante que encantou o planeta com arrancadas irresistíveis em direção à grande área, a penetração em diagonal vindo da esquerda, pedalando e batendo de canhota. Esse definitivamente não existe mais, mesmo que emagreça e leve a carreira mais a sério. No meio dos escombros dos problemas graves no joelho direito e do sobrepeso adquirido com o tempo, emergiu um Ronaldo diferente, mais oportunista, que dá menos toques na bola, chuta mais de longe e até é um bom cabeceador.</p>
<p>Para quem nem se lembrava mais do Ronaldo em campo, é só recordar alguns momentos marcantes de sua carreira nos últimos anos:</p>
<ul>
<li>Campeonato Espanhol, temporada 2004/05. Real Madrid 4X2 Barcelona -  No primeiro gol do clássico, com Vanderlei Luxemburgo no comando do time merengue, cruzamento de Beckham pela direita e cabeçada certeira de Ronaldo;</li>
<li>Copa do Mundo de 2006. Primeira fase. Brasil 4X1 Japão -  O Brasil perdia até os 46 do primeiro tempo, quando Ronaldinho cruzou, Cicinho ajeitou de cabeça e o Fenômeno empurrou para as redes também de cabeça, marcando o primeiro de seus três gols na Alemanha que garantiram a artilharia da História das Copas com 15 gols;</li>
<li>Campeonato Italiano, temporada 2006/07. Internazionale 2X1 Milan &#8211; O seu primeiro gol pelo time rossonero não evitou a derrota para seu maior rival, mas foi um belíssimo chute de fora da área que abriu o placar no San Siro;</li>
<li>Campeonato Italiano, temporada 2007/08. Milan 5&#215;2 Napoli &#8211; A estreia era de Pato, mas quem brilhou foi Ronaldo, que marcou dois gols. O segundo em bela cabeçada. Aliás, seu último gol em partidas oficiais antes do tento marcado em Presidente Prudente.</li>
</ul>
<p>Agora, com o joelho esquerdo também em frangalhos, a tendência é que essas novas características se acentuem ainda mais. Menos tempo em campo, um maior aproveitamento dos espaços e concentração total nas conclusões, inclusive no cabeceio, seu “ponto fraco”, para ser mais decisivo em poucas intervenções.</p>
<p>Esse é o &#8220;novo&#8221; centroavante Ronaldo Nazário. E é bom se acostumar com ele.</p>
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		<title>São Paulo &#8211; O Rei do Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 10:05:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao apito final do árbitro Jaílson Freitas no Estádio Bezerrão, em Brasília, a vitória sobre o Goiás por 1 a 0 consolidou o São Paulo como o único hexacampeonato nacional e também o primeiro a vencer três edições consecutivas do campeonato. O feito inédito vem apenas confirmar a superioridade do clube paulista nos últimos anos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao apito final do árbitro Jaílson Freitas no Estádio Bezerrão, em Brasília, a vitória sobre o Goiás por 1 a 0 consolidou o São Paulo como o único hexacampeonato nacional e também o primeiro a vencer três edições consecutivas do campeonato. O feito inédito vem apenas confirmar a superioridade do clube paulista nos últimos anos. A dinastia começou em 2005, com o terceiro título da Libertadores e a conquista do Mundial da FIFA sobre o Liverpool. Nas últimas três temporadas, se faltaram títulos internacionais, o Tricolor do Morumbi ultrapassou os demais em conquistas de campeonatos brasileiros e se tornou o clube mais vencedor do país.</p>
<p>Os motivos para a hegemonia são-paulina passam pelo campo de jogo, mas principalmente pela estrutura do clube.Muricy Ramalho, que comandou a equipe nas três conquistas, é hoje o melhor treinador do país e, a cada resultado negativo da seleção brasileira, a pressão para que ele substitua Dunga aumenta exponencialmente. Profissional sério e detalhista, tem como principal mérito trabalhar suas equipes intensamente até que o padrão de jogo seja assimilado por todos e a execução aconteça naturalmente. Seus times se caracterizaram por crescer na parte final do Brasileirão, arrancando para o título.</p>
<p>Em 2008, o São Paulo foi considerado alijado da disputa pela taça na primeira rodada do segundo turno, após a derrota para o Grêmio, então líder do campeonato e que abria onze pontos de vantagem sobre o Tricolor com o triunfo no confronto direto. Mas o inimaginável aconteceu: em uma reação espetacular, com doze vitórias e seis empates, a equipe de Muricy não só pulverizou a desvantagem como abriu três pontos sobre o mesmo Grêmio e apenas confirmou a conquista na última rodada. A virada ocorreu quando o treinador cobrou uma postura mais competitiva de seus comandados e acertou o time taticamente, com o avanço do ótimo volante Hernanes para jogar como um meia pela direita e a descoberta do jovem Jean como a solução para atuar à frente do trio de zaga no 3-5-2 utilizado pelo treinador. Sólido na defesa &#8211; comandada pelo goleiro-artilheiro Rogério Ceni, símbolo do clube e ídolo maior da torcida &#8211; e eficiente no ataque, com o atacante Borges marcando gols decisivos nas últimas partidas, o time, já acostumado com a fórmula de pontos corridos, voou em campo e atropelou seus oponentes.</p>
<p>Mas é fora das quatro linhas que o clube sobra em relação aos rivais, esbanjando competência e possibilitando aos seus profissionais tudo que eles precisam para exercerem seu ofício. São três Centros de Treinamento, sendo o principal localizado na Barra Funda, que é um dos mais modernos do país. É lá que os jogadores do futebol profissional realizam a maior parte de suas atividades e também onde está o REFFIS, o núcleo de Reabilitação Esportiva, Fisioterápica e Fisiológica, referência mundial na recuperação de atletas e que já serviu para o clube seduzir jogadores como Amoroso (ex-Udinese), Luizão (ex-La Coruña), Ricardo Oliveira (hoje no Zaragoza) e Adriano (Internazionale) para fazerem parte de seus elencos. O São Paulo ainda conta com o Morumbi, o maior estádio particular do Brasil, que gera receitas com shows, eventos e jogos de outros grandes clubes paulistas.</p>
<p>Além disso, a diretoria são-paulina, comandada pelo presidente Juvenal Juvêncio e o superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha, atua com firmeza e inteligência nos bastidores, fortalecendo a imagem do clube como o mais poderoso do país e não permitindo que o time seja prejudicado dentro de campo. A influência é tão grande que são frequentes as reclamações de favorecimento ao São Paulo por parte da arbitragem. Alguns protestos até procedem, mas não maculam o brilho das vitórias do Tricolor paulista.</p>
<p>Com um novo patrocinador, ainda não definido, que deve injetar cerca de 30 milhões de reais no clube em 2009, o São Paulo parte para mais uma tentativa de dominar o continente. Os reforços de Eduardo Costa (Grêmio, Bordeaux e Espanyol) e dos &#8220;cariocas&#8221; Wágner Diniz (Vasco), Renato Silva (Botafogo), Júnior César e Washington (ambos do Fluminense) qualificam ainda mais o elenco de Muricy para os desafios da próxima temporada, na qual o time do Morumbi defenderá seu reinado com a bem dosada mistura de razão e emoção que vem rendendo taças ao principal clube brasileiro e que, a cada ano, justifica ainda mais o verso de seu hino que diz: “Entre os grandes és o primeiro!”.</p>
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