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	<title>Jogo de Área &#187; SuperClássicos</title>
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	<description>Artigos de opinião e Análise desportiva</description>
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		<title>SuperClássicos: Boca Juniors x River Plate</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Aug 2008 15:15:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Devesas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Argentina]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Argentina, Buenos Aires. Se a América do Sul é sobretudo um continente de partida para muitos prodígios em direcção ao Velho Continente, é na estrondosa clivagem e rivalidade entre dois clubes locais que encontramos um dos maiores derbies do Mundo. O futebol pode não ser o mais vistoso, dado que com tanto orgulho em jogo frequentemente é gerado um calor apenas suplantado pela luz da paixão dos fãs, capaz de ofuscar qualquer amante de futebol, mas este é seguramente o desafio que estabelece os parâmetros de festa e cor para todos os derbies da América do Sul. Aterrador, claustrofóbico e intimidante… assim é a La Bombonera no <em>superclasico</em> Boca Juniores x River Plate.</p>
<p><img class="attachment wp-att-1797" style="margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/boca-juniors_river-plate_superclassico.jpg" alt="SuperClássicos: Boca Juniors x River Plate" width="280" height="201" align="left" title="SuperClássicos: Boca Juniors x River Plate" />Como nos conta o ditado sul americano, os Mexicanos descendem dos Aztecas mas os Argentinos descendem dos barcos. É nesta relação com o mar e a imigração que nasce o famoso bairro La Boca, onde o tango e o futebol alviceleste emergiram para conquistar o Mundo. Depois de um duro dia de trabalho nas docas, muitos emigrantes se reuniam para mais um jogo de futebol, uma prática que em conjunto com o crescimento do bairro, gerou dois clubes que conseguiriam transcender o desporto com a definição de dois extremos da experiência dos emigrantes: River Plate (fundado em 1901) e Boca Juniors (1905) nasceram ambos em La Boca e enfrentaram-se pela primeira vez num amigável em 1908, num descampado perto das docas.</p>
<p>Reza a História que os dois grandes clubes alvicelestes têm as mesmas raízes, isto é, a zona portuária de Buenos Aires, onde os responsáveis do Boca decidiram escolher as cores para o clube segundo a bandeira do próximo navio que passasse no porto. Foi um barco da Suécia, e assim adoptou o azul e amarelo (daí as inúmeras bandeiras suecas exibidas na Bombonera) enquanto que o rival River deve o seu nome ao facto de na altura da reunião de fundação do clube ter chegado à cidade um navio cujos contentores gigantes tinham escrito “River Plate”. Estavam dados os primeiros passos para os dois clubes mais recentes da então história do futebol argentino, mas foram ainda muitos os anos de sacrifício e instabilidade até que afirmação definitiva estivesse confirmada. Boca Juniors passou todo o ano de 1914 fora do bairro de La Boca, enquanto o River Plate deambulou pela cidade entre 1912 e 1915, até que em 1923 os seus responsáveis decidiram dar um novo rumo ao clube e assim passar o clube para outras zonas da cidade, o que mudou radicalmente o relacionamento com o bom rival Boca. Seria recolocado a norte, no bairro de Palermo até que face à sua rápida ascensão, mudava-se para o bairro rico de Nunez onde inauguraria o seu Estádio Monumental. Esta seria a gota de água na afirmação do River Plate face ao Boca Juniors, que reafirmou as suas raízes mais humildes ao abrir também o seu próprio estádio &#8211; La Bombonera – estávamos nos anos 40 quando o futebol argentino estava no auge da sua afirmação em todo o Mundo, e assim os dois clubes estabeleciam duas identidades bem distintas.</p>
<p>Nos  requintados subúrbios da capital, o River apostou em grandes contratações e assim ficariam apelidados como <em>milionários</em>, até porque os seus adeptos eram os imigrantes de sucesso, que viviam o sonho de abandonar o suor e o cheiro das docas para usufruir do conforto dos subúrbios.<em> </em>O Boca ficaria com a alcunha de <em>bosteros</em>, que deriva do facto do seu campo ter sido construído no espaço que outrora era de uma fábrica de azulejos que usava bosta como matéria principal. Esta é a equipa das “massas”, que lutam dia-a-dia pelo seu bem-estar e que encontram na paixão da solidariedade colectiva a sua maior arma.</p>
<p>Tudo em relação ao ambiente do River Plate nos dá uma sensação de espaço e grandeza, perto do seu estádio existem enormes parques com lagos gigantes, avenidas monstruosas e no interior do seu estádio existem corredores tão largos que parece que estamos no edifício das Nações Unidas, e uma pista de atletismo nos separa do relvado de tal forma que o relacionamento dos adeptos com os jogadores é um pouco como um diálogo numa mesa muito ampla, com os fãs a apreciar o jogo da forma mais cerebral e racional possível. É tudo isto que não encontramos quando nos deslocamos ao humilde bairro de La Boca, onde o clube com o mesmo nome tem os adeptos constantemente a gritar nas orelhas dos seus heróis, admirando o esforço e o carácter acima de tudo. Tudo no seu ambiente envolve a falta de espaço, as estreitas e íngremes ruas do bairro, com um estádio extremamente apertado, construído em estratos tal e qual uma caixa de chocolates, daí o nome Bombonera.</p>
<p>Em geral, a atmosfera num estádio Argentino é algo inconfundível. Se no Brasil o nível de barulho nas bancadas é dependente do que está a acontecer nos relvados, e se em Inglaterra os adeptos estão perto e sem barreiras face à acção, a forma como a modernização dos estádios dispôs os lugares nem sempre foi favorável a cânticos e grandes exaltações, mas na Argentina tudo é diferente. Apenas pura emoção, uma cativante e colectiva celebração constante ao som ensurdecedor dos tambores. A Bombonera pode não estar em perfeitas condições, mas é um estádio incrível! Todos cantam a mesma música, dos camarotes VIP até às bancadas, onde fica a mega claque “La 12″, a grande responsável pela sintonia dos adeptos. Como pode um estádio com cerca de 50 mil <em>xeneizes</em> seguir o mesmo ritmo, o mesmo grito? Todos sabem o que cantar no momento difícil, no fácil, na hora do golo, na hora da entrada em campo. A claque do Boca teve muitos conflitos localizados devido aos adeptos que não cantavam. Então, a famosa e temida “La 12” começou a espalhar integrantes por todos os sectores do estádio, e ai de quem não se manifestasse. Assim nasceu um dos ambientes mais ensurdecedores num estádio de futebol.</p>
<p>Outra realidade na Argentina é o respeito pelo passado e sobretudo pelas raízes, algo que é levado muito a sério. Como prova dessa mentalidade no que toca a exaltação das origens é o facto de nas últimas décadas, as camisolas do clube terem escrito atrás a palavra <em>xeneizes</em>, mais uma alcunha cujo significado é <em>Genovese</em> no dialecto de Génova, região de Itália de onde os fundadores do clube eram originários. É o clube do povo e sobretudo dos trabalhadores, e por isso tem incontestavelmente mais adeptos que o River Plate que contrapõe sempre com o facto de possuir mais títulos domésticos – 33 contra 22 do Boca – algo que é levado muito a sério quando confrontam os eternos rivais e exibem o nome: Club Atlético River Plate escritas no <em>scoreboard</em> do Monumental sempre com a mensagem : “O maior clube… de longe!”.</p>
<p>Não é difícil entender como o derby Boca x River é seguido tão de perto, não só em toda a América do Sul como em todo o Mundo. Primeiro, pela tradição histórica que a Argentina e o seu campeonato tem como inspiração para todo o continente, dado terem sido os Argentinos a solidificar o desporto-rei trazido pelos Britânicos. Segundo, pela forte componente social que tal confronto representa para o próprio país, e terceiro, pela dicotomia do ter e não ter, uma linha que é a génese do <em>superclasico</em> de Buenos Aires.</p>
<p><br/></p>
<p style="text-align: center;">
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		<title>SuperClássicos: FC Barcelona x Real Madrid</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 22:42:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Devesas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[SuperClássicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto o futebol a sério tarda a aparecer, o Jogo de Área lançou-se numa autêntica saga de artigos que no seu conjunto abordarão os grandes clássicos de sempre do futebol Mundial. Do Rio de Janeiro a Roma, de Moscovo ao México, via Teerão, Calcutá e Joanesburgo, examinámos o que faz destes 50 clássicos os mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enquanto o futebol a sério tarda a aparecer, o Jogo de Área lançou-se numa autêntica saga de artigos que no seu conjunto abordarão os grandes clássicos de sempre do futebol Mundial. Do Rio de Janeiro a Roma, de Moscovo ao México, via Teerão, Calcutá e Joanesburgo, examinámos o que faz destes 50 clássicos os mais antecipados, mais excitantes e os mais badalados do desporto rei. A inaugurar, o grande duelo que move paixões dentro e fora do país vizinho e que vai muito mais além que um simples derby, é sobretudo o embate entre duas regiões e emblemáticas cidades Europeias. O clássico dos clássicos: Barcelona x Real Madrid.</p>
<p><img class="attachment wp-att-1802" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/barcelona_real-madrid_puyol_raul-gonzalez.jpg" alt="SuperClássicos: FC Barcelona x Real Madrid" width="290" height="206" align="left" title="SuperClássicos: FC Barcelona x Real Madrid" />Um dia, o nosso bem conhecido Bobby Robson descreveu-o como o maior jogo entre clubes a nível Mundial, e a verdade é que é difícil de não concordar. Talvez não concordará quem não teve ainda o privilégio de sentir <em>in loco </em>este duelo entre &#8220;nações&#8221; em conflito e em luta pela liberdade contra a repressão. &#8220;Dizem que não podemos misturar desporto com política mas é completamente impossível entender Barcelona sem tudo isso.&#8221; afirma a antiga estrela <em>blaugrana</em> Hristo Stoichkov. Na verdade, as diferenças sociais ou rivalidades entre as duas maiores cidades são o argumento para o Barcelona frente ao R. Madrid representar uma &#8220;nação&#8221;- a catalã &#8211; face ao Estado. &#8220;Eu sentia-me como um general a liderar o exército Catalão&#8221; &#8211; reafirma Bobby Robson, treinador do Barça em 1996/97. É a liberdade e a democracia face ao casaco apertado do totalitarismo e autoritarismo, o povo Catalão contra a polícia centralista de Madrid que é a equipa do ditador General Franco. Assim, o suposto apoio ao Real leva a que o rival da Catalunha seja visto como a equipa dos guerreiros da liberdade, que combatem a rejeição, repressão e os árbitros alvos de chantagens. Esta é, pelo menos, a teoria. A realidade é, pois claro, muito diferente.</p>
<p><strong>O lado centralista do Real Madrid<br />
</strong>No início da Guerra Civil Espanhola em Agosto de 1936, o presidente do Barcelona Josep Sunyol i Garriga foi assassinado quando retornava de um jogo. Anualmente, uma delegação do Barça coloca flores na sua sepultura, criando assim um simbolismo poderoso e uma identificação com o anti-Franquismo ainda mais conscienciosa. Acredita-se que o momento de viragem na história do futebol espanhol &#8211; a transferência de Alfredo di Stefano para o Real &#8211; foi criteriosamente &#8220;arranjado&#8221; pelo ditador e que desde então, o Barcelona foi sempre alvo de calúnias e prejuízos. Este favorecimento do regime não era de surpreender, ainda mais se juntarmos a informação de que Santiago Barnabeu foi um apoiante da extrema-direita e lutou ao lado de Franco, apoiando o centralismo com mão de ferro. Madrid representava a nação e o estado Franquista, o que lhe valia um gigantesco contrato com a televisão do estado TVE. Barnabeu chegou mesmo a afirmar: &#8220;Não é verdade que eu detesto a Catalunha. Eu admiro a Catalunha&#8230; apesar dos Catalães.&#8221;</p>
<p><strong>O lado da oposição do Barcelona</strong><br />
Barcelona define-se de forma conscienciosa como a oposição, pois se houve um favor que o regime trouxe à região foi de lhes trazer um enorme senso de comunidade e identidade. Sempre que esta última era abafada, as vozes moviam-se para o futebol e os jogos em Camp Nou viravam sinónimo de reafirmação nacional: apenas Catalão poderia ser ali falado e as bandeiras catalãs mostradas! Quando Johan Cruiff desafiou o sistema ao chamar ao filho Jordi em honra ao santo padroeiro da Catalunha, instantaneamente se tornou num herói externo. No entanto, enquanto parece verdade que a divisão Catalunha/Espanha ainda se mantém, o Barcelona foi fundado por um emigrante Suíço e o Real teve como 1º presidente um catalão. Curioso.</p>
<p>Futebolisticamente, todo este fulgor entre as duas equipas é também traduzido em campo, sobretudo pela emoção que é emanada pelos espectadores. Uma vitória significa quase como um campeonato para todos os intervenientes. Os jogos muitas vezes resultam em grandes exibições e grandes indefinições no marcador, tal é a qualidade e o empenho dos protagonistas &#8211; recentemente, a &#8220;era&#8221; Figo foi plena deste amor-ódio tão evidente entre as duas formações, num misto de jogos espectaculares com uma enorme tensão entre os adeptos. São muitos os jogos e exibições memoráveis guardadas nos arquivos do sutebol, mas não será preciso recuar muito atrás para entrar num misto de espectáculo e explosão de emoções. Assim é o clássico dos clássicos, um embate onde o resultado vai muito além do balançar de redes.</p>
<p><br/>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=6r4_2uMpzKI"><img src="http://img.youtube.com/vi/6r4_2uMpzKI/default.jpg" width="130" height="97" border title="SuperClássicos: FC Barcelona x Real Madrid" alt="SuperClássicos: FC Barcelona x Real Madrid" /></a><br />
02.05.2009 &#8211; Data de um dos jogos mais memoráveis de sempre. Real Madrid 2-6 Barcelona</p>
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