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	<title>Jogo de Área &#187; Memória</title>
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	<description>Artigos de opinião e Análise desportiva</description>
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		<title>Allan Simonsen, o primeiro dinamarquês voador</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 17:10:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Lourenço Pereira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Países Nórdicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes da explosão da Danish Dynamite nos anos 80 pela mãos de dois génios imensos de nome Michael Laudrup e Preben Elkjaer Larsen, já o futebol dinamarquês tinha tido um verdadeiro génio, um voador de primeiro]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes da explosão da Danish Dynamite nos anos 80 pela mãos de dois génios imensos de nome Michael Laudrup e Preben Elkjaer Larsen, já o futebol dinamarquês tinha tido um verdadeiro génio, um voador de primeiro nível que se tornou no primeiro atleta nórdico a conquistar um Ballon D´Or. Espelho de uma brilhante carreira ligada ao melhor do futebol disputado em Espanha e na Alemanha entre os anos 70 e prinicipios da década de 80. Os mais veteranos reconhecem o olhar sério, os mais novos surpreender-se-iam com a capacidade física e técnica apurada de um génio chamado Allan Simonsen.</p>
<p>Simonsen não era o protótipo do atleta nórdico. Relativamente baixo (não chegava ao 1.65m) e sem grande porte atlético, era mais uma gazela do que um desses ursos que davam o rosto pela poderosa selecção sueca, a mais destacada equipa do norte Europeu dos anos 70. Nascido em 1952 em Vejle, Simonsen demorou a explodir numa época onde para um jogador sair do país Natal era bem mais complexo do que se pode supor hoje em dia, neste meio cada vez mais globalizado. Foi no clube da terra, o Vejle FC, que em 1971, aos 19 anos, se tornou profissional. Simonsen jogava pela ala direita, mas várias vezes percorria todo o campo, como um nobre vagabundo de invulgar corte senhorial.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3094 alignleft" style="margin-right: 10px; margin-top: 3px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/Allan-Simonsen-barcelona.jpg" alt="Allan Simonsen" width="290" height="194" align="left" title="Allan Simonsen, o primeiro dinamarquês voador" />O seu impacto foi tal que quebrou todas as regras da época e com 20 anos assinou contrato com o poderoso Borussia Monchenladgbach da RF Alemanha. A equipa germânica queria colocar um travão na ascensão meteórica do Bayern Munchen de Beckambauer e Muller e juntou uma série de jovens jogadores talentosos que eram tudo o que os letais homens da Baviera não eram. Desse Borussia falou-se como os poetas do futebol alemão e nenhum deles atingiu tanto a genialidade como o dinamarquês. Durante três anos (1975 a 1977) o clube de Monchenladgbach venceu a Bundesliga, conquistando ainda uma taça. Para além disso exibiu-se em grande nas provas europeias vencendo em 1975 e 1979 a Taça UEFA. Em 1977, o extremo venceu o Ballon D´Or, diante de nomes ilustres como Keegan, Cruyff ou Beckhambauer. Era o consagrar definitivo do seu génio intemporal.</p>
<p>A vida corria bem a Simonsen até que em 1979, na ressaca de mais uma prova europeia ganha, o Barcelona apareceu e contratou-o para atacar o título espanhol, que há vários anos se lhe escapava. Ao seu lado a equipa catalã contava ainda com Hans Krankl, possante avançado austríaco, Bernd Schuster, médio irascível germânico, e os espanhóis Quini, Carrasco e Urruti. Simonsen encaixou que nem uma luva no belo futebol blaugrana mas os títulos acabaram por não chegar. Numa era dominada pelos clubes bascos (a Real Sociedad primeiro, e o Athletic Bilbao depois) o Barcelona ficou sempre às portas da glória, tendo de contentar-se com uma Taça do Rei, em 1981, e a Taça das Taças de 1982 onde Simonsen foi o herói do encontro com um golo e uma assistência.</p>
<p>No final da temporada seguinte, já com 29 anos, Simonsen foi forçado a abandonar o Camp Nou devido à chegada do astro argentino Diego Maradona. Numa época onde os planteis só podiam ter três estrangeiros, a direcção do clube catalão ainda tentou alterar a lei, e quando a possibilidade falhou propôs ao dinamarquês ficar no banco, à espera da lesão de um dos três estrangeiros. Simonsen recusou. Passou primeiro pela liga inglesa, ao jogar pelo Charlton Athletic, acabando então por voltar às origens, terminando a carreira no Vejle FC, tendo ainda logrado a participação nas espantosas campanhas da selecção do seu país no Euro 84 e Mundial 86, mas por essa altura já não era ele a estrela da companhia.</p>
<p>Simonsen deixou em 1989 os relvados e começou a carreira como treinador, orientando selecções de pequena dimensão como as Ilhas Faroe e o Luxemburgo, assim como vários clubes dinamarqueses. Ainda hoje é um ídolo no país natal e pode gabar-se de ter sido o único atleta a marcar golos nas três finais europeias (Taça dos Campeões, Taça das Taças e Taça UEFA) e ainda o único nórdico a triunfar no Ballon D´Or, algo que os compatriotas Michael Laudrup, Peter Schemeichel e Elkjaer Larsen, bem mais conhecidos do grande público, nunca lograram. Um verdadeiro génio, que o tempo não esquecerá.</p>
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		<title>Sérgio Conceição, um ganhador irreverente</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 00:06:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[FC Porto]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Surpresa das surpresas&#8230; o anúncio da retirada de Sérgio Conceição, ele que era um símbolo dos gregos do PAOK, deixou toda a gente estupefacta. Efectivamente, apesar do tentador convite provindo de Vryzas para assumir o cargo de director desportivo da equipa, ninguém esperaria que Conceição não chegasse ao fim da época, jogando, recalcitrando com os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Surpresa das surpresas&#8230; o anúncio da retirada de <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/sergio-conceicao-maisfutebol-paok-conceicao-carreira-futebol/1103138-4062.html" target="_blank">Sérgio Conceição</a>, ele que era um símbolo dos gregos do PAOK, deixou toda a gente estupefacta. Efectivamente, apesar do tentador convite provindo de Vryzas para assumir o cargo de director desportivo da equipa, ninguém esperaria que Conceição não chegasse ao fim da época, jogando, recalcitrando com os árbitros, enfrentando os adversários.</p>
<p>Lembro-me de o ter visto, pela primeira vez, há já muitos anos, numa memorável equipa do Felgueiras, treinada por Jorge Jesus, no único ano em que os durienses estiveram na I Liga. Corria o ano de 1995 e o jovem com vinte e um anos estreava-se no escalão máximo português, após passagens por Leça e Penafiel. O seu talento, em Felgueiras, refulgiria&#8230; numa equipa atrevida, que Jesus gostava de dizer que jogava como o Barcelona, não fosse pelo menos pelo equipamento azul-grenã, o extremo direito brilhava a grande altura na ala direita, que na altura era toda dele. Denotando grande disponibilidade física e um pulmão que lhe permitia durar o jogo todo destacar-se-ia a grande nível, e nem mesmo a quebra que a equipa experimentou, na segunda metade do campeonato, o que inviabilizou a manutenção, travou o deslumbramento do país futebolístico com o jovem médio.</p>
<p>Tanto que assim era que o Porto, pela mão de António Oliveira, vindo, directamente, da Selecção, tratou de o resgatar&#8230; e a entrada no Porto seria de dragão. Oliveira sempre foi o homem das apostas surpreendentes e arriscadas, e com <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/seleccao/sergio-conceicao-paok-federacao-madail-maisfutebol/1104747-1194.html" target="_blank">Sérgio</a> não seria diferente! A surpresa de lançar em Milão, às feras, um menino que no ano anterior calcorreava os humildes corredores do Machado de Matos foi total, mas juntamente, com os estreantes Zahovic, Artur, e um avançado brasileiro de nome Mário &#8211; Mário Jardel, para semos mais precisos &#8211; colocariam a Europa com a boca aberta de espanto. Uma vitória por três a dois em San Siro e Sérgio a apresentar o seu cartão de visita na Itália que passados uns anos trataria de o acolher!</p>
<p>E assim seria. Após tudo ganhar, internamente, no Porto onde ocupava todas as posições na banda direita, Itália resolveu acenar-lhe&#8230; logo a Lazio, por aqueles dias,uma séria contendora à ordem reinante dos tradicionais campeões. Cragnotti ambicionava um grande título e com <a href="http://www.maisfutebol.iol.pt/noticia.html?id=1103147&amp;div_id=1490&amp;psec_id=46" target="_blank">Sérgio</a> na direita, Nedved na esquerda, todos os sonhos seriam possíveis&#8230; e foram, na realidade! Logo no primeiro ano da sua aventura transalpina, uma inolvidável vitória na Taça das Taças frente a um Maiorca, que por essas alturas, encarnava a doutrina cuperista na sua máxima essência. Mas nem Cúper conseguiu dobrar uma Lazio que demonstrava tiques de colosso europeu! E essa vertigem ascendente, seria confirmada no ano seguinte com a conquista do scudetto, na última jornada, numa disputa digna de Hitchcock. Numa pugna tripartida, ao segundo, com Juventus e Inter!</p>
<p>Mas o mundo do futebol é algo de mutável, e de prescindível, Conceição passaria a vendável. Assinaria pelos gialloblu de Parma, onde se tornou o que foi em todos os clubes por onde passou: imprescindível! Mas antes dessa transferência, Sérgio viveu o momento mais alto da sua carreira no Euro 2000, jogando a lateral direito num jogo contra a Alemanha. Humberto Coelho, seleccionador da altura, apostou num surpreedente 3-5-2, e realizou um turn-over na equipa, tendo Sérgio a oportunidade, tantas vezes reclamada&#8230; e impossível até então por existir na equipa, por essas eras, o melhor jogador do mundo, chamado Luís Figo! Pois bem, Sérgio provou merecer o lugar com uma exibição, que quem assistiu jamais esquecerá. Um hat-trick perante uma atarantada Mannschaft que nesse dia demonstrou a necessidade de se renovar, e na despedida desse monstro sagrado de nome Lottar Mathaus brilhou um jovem humilde, mas empertigado, de Coimbra e cuja infância houvera sido dolorosa e sofrida, com a morte precoce dos progenitores!</p>
<p><img class="attachment wp-att-3174 alignleft" style="margin-top: 4px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/inter-sergio-conceicao-rui-costa.jpg" alt="Sérgio Conceição e Rui Costa" width="280" height="186" align="left" title="Sérgio Conceição, um ganhador irreverente" />A partir daí, necessidade de Sérgio ser titular da equipa. Assumiria a posição de lateral direito e a segurança das suas exibições despertaria a cobiça do Inter. Aí viveria na pele o momento negro do Inter, por esses dias em plena crise de resultados e de identidade&#8230; e nem mesmo realizando quarenta e dois jogos em duas épocas, ganharia um estatuto de imprescindível! A saída nas constantes renovações empreendidas, por esses dias, por Moratti era óbvia. Saíria sem honra nem glória regressando à Lazio, onde a curva descendente, teimosamente, continuava a subsistir! Sairia a meio da época, regressando ao Porto, a um Porto construído com laivos de grandeza por Mourinho e onde Sérgio desempenhou quase um papel de artista convidado. Não podendo actuar nas epopeias da Champions, por estar previamente inscrito pela Lazio, assistira da bancada à inolvidável conquista europeia, e insatisfeito com a pouca utilização, abandonaria o Porto para não mais voltar.</p>
<p>Por estes dias, selar-se-ia a sua despedida da selecção, após o famigerado jogo de Guimarães, que Portugal perdeu por três bolas a zero com a Espanha. Ao certo, porém, nunca ninguém soube o que ocorreu, mas a verdade é que a carreira internacional de Conceição findou aí, ficando arredado do Euro 2004. Após a saída do Porto e um período de indefinição, chegaria à Bélgica onde ajudaria o Standard a retomar o caminho do sucesso. Tornar-se-ia alma da equipa, o seu maior símbolo e daria asas ao seu tradicional mau feitio, agredindo um árbitro&#8230; mas, independentemente da suspensão que foi alvo, a honra de na época 2004/2005 ter sido considerado o melhor jogador do campeonato e simultaneamente ter ajudado a crescer jovens promissores como Defour ou Witsel.</p>
<p>Em 2007 sairia rumo à Arábia Saudita onde não aguentaria muito tempo! Voltaria à Europa, ao PAOK treinado por Fernando Santos. No ambiente frenético de Atenas, nada melhor para Sérgio se exprimir.Ttornar-se-ia o líder da equipa, mas também o seu elemento mais contestatário! Apesar das expulsões, dos recorrentes acessos de mau génio ajudaria a equipa a alcançar, pelas mãos do Engenheiro Fernando Santos, um inolvidável segundo lugar, e acima de tudo a certeza de ser um verdadeiro ídolo!</p>
<p>Resolve, agora, dar por finda uma carreira repleta de êxito, para se tornar director desportivo. Passados estes anos apetece questionar se valeram a pena todos os episódios, todas as guerras, todas as arrancadas, todos os cruzamentos milimétricos? E a resposta só pode ser uma: valeu para Sérgio, pela sua carreira e para todos que tiveram a felicidade de um dia ver toda a sua paixão ao jogo. Obrigado por isso&#8230; por nunca desvirtuar a essência do futebol que é o amor ao jogo.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/aBoIhHcJFug&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/aBoIhHcJFug&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object><br />
Sérgio Conceição no Euro 2000</p>
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		<title>Ruud Gullit, o futebolista total</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 11:15:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Lourenço Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A história do futebol teima em cultivar o seu pequeno grupo de injustiçados. Numa das equipas mais completas que já viram a luz do dia brilhavam uma série de jogadores inigualáveis. Hoje é fácil pegar num artigo e ler sobre o senhorial Baresi, o gentleman Maldini ou a &#8220;bailarina&#8221; van Basten. Mas quem se lembra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A história do futebol teima em cultivar o seu pequeno grupo de injustiçados. Numa das equipas mais completas que já viram a luz do dia brilhavam uma série de jogadores inigualáveis. Hoje é fácil pegar num artigo e ler sobre o senhorial Baresi, o gentleman Maldini ou a &#8220;bailarina&#8221; van Basten. Mas quem se lembra bem daquele motor inesquecível que foi o AC Milan de Arrigo Sacchi, sabe que havia um único homem capaz de fazer toda a máquina funcionar: o genial gigante holandês Ruud Gullit.</p>
<p>Durante anos, os adeptos rossoneros cultivavam o hábito de ir quinzenalmente apoiar a equipa com uma peruca de cor negra repleta de rastas. Um fenómeno de popularidade que diz bem do impacto que Ruud Gullit teve na sua época como estrela milanista. Hoje só se fala da notável defesa montada por Sacchi ou do genial Marco van Basten. Poucos se lembram do papel chave que tinha Gullit na máquina milanesa. Era verdadeiramente a alma da equipa. A alma, o corpo, a força, o carisma&#8230; Gullit era tudo num só jogador. Provavelmente um dos elementos mais completos da história do futebol, foi o primeiro jogador livre em campo, capaz de se desmultiplicar em vários papéis no decorrer do jogo sem baixar de rendimento. Ainda hoje é impossível determinar qual era a sua posição. Avançado? Foi certamente um goleador nato e tinha sempre os olhos postos na baliza. Falso avançado? A sua mobilidade para jogar atrás do ponta de lança permitia-lhe um maior controlo sob o jogo e isso sempre se fez notar. Médio criativo? Deram-lhe a mítica camisola 10 quando chegou a S. Siro para ser o novo regista do Milan, mas a sua força sobre-humana rapidamente o tornou maior do que o papel no terreno que lhe tinham dado. Médio box-to-box? Foi o percursor europeu de um tipo de jogador muito popular nas ilhas britânicas, mas que nunca tinha vingado no continente. Até surgir Gullit os jogadores eram muito mais estáticos. Podiam ser rápidos e habilidosos mas nunca mudavam a sua posição no terreno. Desde Johan Cruyff que não se via um jogador tão solto e livre como o holandês. Gullit era a antítese do futebol de Platini, muito mais cerebral, e Maradona, que jogava com base em explosões pontuais. Gullit era um atleta em combustão permanente!</p>
<p><img class="attachment wp-att-3104 alignleft" style="margin-top: 2px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/rudd-gullit-milan.jpg" alt="Ruud Gullit" width="300" height="196" align="left" title="Ruud Gullit, o futebolista total" />Começou a carreira muito novo no Harleem aos 16 anos e rapidamente deu o salto para o Feyennord &#8211; onde jogou uma época ao lado de Cruyff &#8211; mas foi no PSV que rapidamente se destacou, tornando-se num fenómeno de popularidade na Holanda, muito antes de van Bastan, Rijkaard e companhia. A sua origem caribenha (o pai era um emigrante do Suriname, antiga colónia holandesa) notava-se nos traços mas também na alegria de jogar. Era um elemento em constante sintonia com o público, divertido e provocador, o primeiro de uma escola de pensadores em campo. Na Holanda era um entre muitos, mas quando chegou em 1987 a Itália rapidamente fez furor. Hoje em dia é difícil perceber o impacto que causou, mas ele foi o verdadeiro elemento revolucionário do mítico AC Milan ofensivo de Sacchi. Nas primeiras jornadas, Sacchi apostou em colocar Gullit atrás da dupla van Basten &amp; Virdis, mas a lesão do primeiro deu mais liberdade ao poderoso número 10. O holandês liderou a equipa à conquista do primeiro Scudetto em nove anos, com vários golos e assistências decisivas. A ausência do popular van Basten fez dele a figura da equipa e o líder do balneário. O seu impacto foi tal que, mesmo estando o Milan fora da Europa, acabou por ganhar o Ballon D´Or de 1987 à frente de Butrageño, o patrão da Quinta del Buitre, e Paulo Futre que acabara de se sagrar campeão europeu com o FC Porto.</p>
<p>O sucesso retumbante de Gullit foi apenas a primeira etapa na sua inesquecível carreira. No final do ano, a Holanda deslocou-se à RF Alemanha para disputar o Europeu. Era a primeira vez desde 1978 que os holandeses estavam numa prova internacional e não eram os favoritos. Ao lado de van Basten, já recuperado, Rijkaard, Koeman, Kift e Muhren, o gigante holandês liderou a selecção das tulipas treinada pelo mítico Rinus Mitchels. Na fase de grupos venceu Irlanda e Inglaterra, tendo perdido apenas com a favorita URSS. Nas meias finais, duelo com a equipa da casa, a super-favorita Alemanha. Gullit foi o patrão holandês do principio ao fim e desenhou o triunfo confirmado pelo génio de van Basten. Na grande final, num jogo de novo contra a União Soviética, os holandeses tinham o público contra si e poucos apostavam que a equipa pudesse bater Belanov e companhia. Aos 39 minutos o holandês utilizou todo o seu engenho para enganar a defesa e apontar o golo inaugural. Mais uma vez ficou ofuscado pelo golo genial de van Basten, mas quem acabou por erguer o único troféu até hoje conquistado pela selecção laranja foi mesmo o mágico número 10. Era o consagrar de um ano que ainda se iria tornar mais brilhante. Apesar de perder o campeonato para o Napoli de Maradona, Gullit voltou a liderar a equipa na Europa, e na final contra o Steaua apontou dois dos 4 golos com que os holandeses venceram o encontro. Antes tinha ficado uma inesquecível vitória por 5-0 contra o Real Madrid. Um troféu que a equipa manteria no ano seguinte, às custas do Benfica. Na época seguinte uma lesão grave no joelho manteve-o quase sempre afastado dos relvados, e quando chegou o Mundial de Itália a sua condição física estava longe de ser a melhor. A Holanda ressentiu-se e não passou dos oitavos de final.</p>
<p>A arrancar os anos 90, Gullit continuava a ser uma das grandes estrelas mundiais. Em Itália logrou mais dois Scudettos pelo AC Milan em 1992 e 1993, mas a derrota nas meias finais da Champions de 1991 contra o Olympique Marseille e a chegada ao banco de Fabio Capello começaram a mexer com a carreira do holandês. O novo técnico preferia outro estilo de jogadores e Gullit passou a maior parte do tempo no banco. No entanto, ainda tinha futebol nas pernas como provou no excelente Euro 92, onde levou a Holanda até ás meias finais. Na época seguinte o Milan chegou de novo à final da Champions mas Gullit nem foi convocado. Era o transbordar do copo de água. No final do jogou anunciou ter assinado surpreendentemente com a Sampdoria. Em Genova passou dois anos notáveis ao lado de Mancini cotando-se como um dos melhores do Mundo, precisamente quando outros grandes da sua época áurea, Maradona e van Basten, caíam em desgraça.</p>
<p>Em 1995 saiu do Calcio, onde actuava há já oito anos, para tentar a sua sorte no Chelsea. A equipa londrina vivia então na metade baixa da tabela da Premier e coube ao holandês lançar a base de um projecto que se viria a revelar ganhador. Na época em que os melhores jogadores do Mundo começavam a chegar a Inglaterra (Klinsmman, Ginola, Cantona, Kanchelskis, Asprilla, Bergkamp, Zola entre outros), o veterano mantinha o seu nível bem alto. A saída de Glenn Hoddle abriu-lhe as portas do banco como técnico principal, e levou-o a dar o primeiro titulo em décadas ao Chelsea, a FA Cup de 1997. Foi o primeiro técnico não britânico a lograr o feito e logo no seu primeiro ano como treinador. No entanto, a promissora carreira como técnico não resultou como esperado. Despedido no ano seguinte por divergências com a direcção, as passagens por Newcastle e Feyenoord não foram bem sucedidas. Depois de anos parado tentou relançar a carreira nos L.A. Galaxy, mas também aí não teve sucesso. O seu nome e imagem, contudo, já eram e para sempre serão imortais.</p>
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		<title>O muro caiu há 20 anos&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 17:56:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A imagem interna deste artigo é tirada dos ultras do Dynamo de Dresden, outrora um dos maiores clubes da antiga República Democrática Alemã, hoje penando nos escalões secundários. Efectivamente, de há vinte anos para cá tudo mudou&#8230; o desporto, meio de afirmação para os alemães de Leste, tornou-se um símbolo de decadência, e clubes como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A imagem interna deste artigo é tirada dos ultras do Dynamo de Dresden, outrora um dos maiores clubes da antiga República Democrática Alemã, hoje penando nos escalões secundários. Efectivamente, de há vinte anos para cá tudo mudou&#8230; o desporto, meio de afirmação para os alemães de Leste, tornou-se um símbolo de decadência, e clubes como o Dresden, o Leipzig ou o Karl-Zeiss Jena deixaram de ter relevância no meio futebolístico europeu e até germânico!</p>
<p>Mas, até há vinte anos não era assim. Importará referir que o principal ideólogo da RDA, Manfred Ewald, detestava futebol, já que achava que era algo que não trazia resultados imediatos como meio de propaganda do regime; tal facto devia-se ao pouco trabalho científico nos treinos e à pouca relevância de intervenção de meios extra-científicos nos atletas &#8211; vulgo doping. No futebol, tal não era possível, já que, como todos sabemos, a bola é redonda e sendo colectivo, colidia com os propósitos de grandeza propagados pelos comunistas, que apenas pretendiam a colectivização política. No desporto, deveriam prevalecer os seus atletas dopados&#8230; mas como símbolos de propaganda!</p>
<p>Aliás, a comprovar tal facto, relembremos as 409 medalhas ganhas em Jogos Olímpicos pela RDA, em apenas cinco edições. Quantas ganhou Portugal em toda a sua história? Compare quem quiser! Mas sem dúvida que o desporto mais popular era e sempre foi o futebol&#8230; o desporto do povo na RDA, em Portugal, ou em qualquer parte da Europa. Na Oberliga (a competição criada pelo establishment político) a média e espectadores dos jogos cifrava-se em dez mil por partida; sendo que muitos alemães de leste, tinham o seu coração do outro lado do muro&#8230; Bayern, Estugarda ou Bremen sempre foram clubes de cariz nacional e não local.</p>
<p>A título de exemplo, o jogo do Dynamo de Dresden contra o Bayern foi visto na televisão por 58,4% de germânicos. O mítico e inolvidável derby das duas Alemanhas, no Mundial74 teve uma audiência de 70,7%. Quanto a jornais eram dois, exclusivamente, dedicados ao futebol. Nem um dos governos mais tiranos da humanidade conseguia colocar um freio em tanto amor. Assim, contra a vontade, teria de o aceitar e procurar retirar os máximos dividendos dessa união de conveniência!</p>
<p>Apesar deste aparente desprezo, o chefe da STASI &#8211; os Serviços Secretos da Alemanha Oriental &#8211; era um fanático do desporto-rei! Como dirigente dos Dynamos, os clubes ligados às forças de segurança e ao governo, principalmente ao Ministério do Interior, Mielke, de seu nome, transferiu a equipa do Dynamo de Dresden para Berlim, olvidando a vida dos jogadores, arruinando-a, já que os separou, sem dó nem piedade, das suas famílias&#8230; apenas ganhar era essencial! A partir daí, Mielke controlou a competição a seu bel-prazer, destinando o que iria suceder e como iria acontecer.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3133 alignleft" style="margin-top: 9px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/dynamo-dresden-ultras.jpg" alt="Dynamo Dresden" width="300" height="203" align="left" title="O muro caiu há 20 anos..." />De 1979 a 1988 o Dynamo de Berlim foi sempre campeão&#8230; nove vezes seguidas, lançando dolorosas suspeitas sobre a verdade desportiva. Algo que na RDA nem sequer se equacionava existir! Ademais, comprovou-se que durante esse período pelo menos três árbitros eram espiões da STASI, logo empregados de Mielke, bem como muitos jogadores. O mais famoso dos atletas a ser recrutado como espião, já que os jogadores também alinhavam nestes esquemas, terá sido Ulf Kirsten, que muitos se lembrarão por o ver actuar na Mannschaft reunificada, ou no Bayern Leverkusen, aquando do épico jogo com o Benfica, que findou empatado a quatro golos. E a influência arbitral dos empregados de Mielke era tanta que já fazia parte das regras jogadores que na jornada seguinte fossem actuar contra Dynamo acabassem expulsos no prélio anterior.</p>
<p>É célebre a grande penalidade apitada aos oitenta e cinco minutos, na última jornada da Oberliga1986, a favorecer o Dynamo no jogo contra o Lokomotiv Leipzig, e que deu o título aos primeiros. E que dizer, quando o Dynamo de Dresden celebrava em 1978 nos balneários o seu título da liga e Mielke entrou para anunciar solenemente que, desde então os campeonatos passariam a ser ganhos pelo Dynamo de Berlim. Sabem o resultado? O Dynamo berlinês arrebatou os dez títulos subsequentes!</p>
<p>O estádio do Dynamo, muito perto do Muro, só podia encher-se pela metade, a metade que estivesse mais distante do Muro! Na outra metade, polícias e militares vigiavam para que nada escapasse do controlo. E em jogos de competições europeias, os lugares eram, simplesmente, para membros do partido e do governo, que para melhorar as suas condições de vida os passavam no mercado negro&#8230; esclarecedor! Todavia, o controlo da competição não era o aspecto essencial para a STASI. Já que o futebol e os clubes procuravam fugir ao controlo de modo a manter os atletas satisfeitos (os jogadores tinham por hábito receber mais do que constava no contrato, recebiam prémios das empresas que financiavam os clubes e que para não levantar suspeitas eram depositados em bancos estrangeiros), sempre que existia alguma suspeita de algo que atentasse contra o sistema, existia uma severa punição. Mielke odiava traidores&#8230; e se estes fossem futebolistas, esse ódio crescia exponencialmente!</p>
<p>Em 1979, Lutz Eigendorf, o Beckenbauer do Leste, desertava a seguir a um jogo amigável da sua equipa, o Dynamo, contra o Kaiserslauten, na parte ocidental do país. Um documentário recente revela que Mielke mandou cinquenta espiões controlar todos os seus passos; e em 1983 Lutz falecia vítima de um estranho acidente numa estrada alemã, em plena recta e sem qualquer carro que lhe tenha importunado a marcha&#8230; no mínimo aterrador! Dois anos depois, dois jogadores da selecção foram encarcerados por se suspeitar que iam fugir, aquando duma partida internacional na Argentina. Os clubes da Oberliga tiveram a sua participação nas competições europeias vedada pelo próprio governo, de modo a impedir contactos com o capitalismo reinante na Europa desenvolvida e civilizada; todavia esta proibição acabou por ser levantada, e nos anos 70 &#8211; coincidindo com o famigerado programa de dopagem dos desportistas &#8211; teve alguns êxitos relevantes, a nível europeu. O Magdeburgo ganhou a Taça das Taças em 1974 ao Milan &#8211; tendo batido o Sporting, por alturas do 25 de Abril &#8211; e em 1987 o Lokomotiv de Leopzig perdeu a final da Taça UEFA contra o Ajax.</p>
<p>Quanto à selecção nacional, foi campeã olímpica de Montreal em 1976 (3 a 1 contra Polónia), e as equipas dos seus escalões jovens eram extremamente competitivas. Pelo contrário, a selecção principal apenas por uma vez se qualificou para um Mundial; o de 1974. Sim, na República Federal Alemã! E ironia das ironias, as duas Alemanhas emparceiraram no mesmo grupo. O embate sucedeu em Hamburgo, a 22 de Junho. O único confronto entre as duas Alemanhas que alguma vez se produziu na história. Os glamorosos Vogts, Breitner, Beckenbauer ou Muller, treinados por Helmut Schon (um desertor da RDA que habitualmente comprava ingressos e os vendia aos adeptos do outro lado do muro), tombavam por 1-0 contra os homens do lado de lá do muro. O golo, de Jurgen Sparwasser, o avançado do Magdeburgo que também desertaria no fim dos anos 80, foi o maior triunfo que os comunistas de Leste tiveram sobre a Europa capitalista e desenvolvida. Quando Erich Hamann desmarcou o número catorze, que fuzilou Sepp Maier, os membros do Politburo &#8211; parlamento da Alemanha de Leste &#8211; levantaram-se dos seus lugares, ainda que nada entendessem do jogo. No fim, uma vitória para a história, ainda que de efeitos práticos nada existisse&#8230; a RFA sagrar-se-ia campeã do mundo, para desespero da Laranja Mecânica, uma das melhores equipas da história do futebol moderno!</p>
<p>A Oberliga aguentaria dois anos após a Queda do Muro, até 1991, e as suas equipas, a partir daí, têm vagueado pelas divisões inferiores do futebol da Alemanha unificada, com presenças esporádicas na Bundesliga. Aqui destacam-se o Hansa Rostock e o Cottbus. Hoje, o Hansa Rostock, o Union de Berlín e o Energie Cottbus (a equipa da chanceler Angela Merkel), como já foi referido, empunham a bandeira da extinta RDA na Bundesliga 2, e os demais pulam pelas divisões subterrâneas do futebol alemão&#8230; até mesmo nos regionais! Todavia, alguns atletas nascidos na RDA fazem-nos lembrar que um dia esta existiu: Matthias Sammer, Jens Jeremies, Andreas Thom e o mais notável de todos, actualmente a actuar no Chelsea, Michael Ballack. Por estes dias, a ironia vive ao lado da realidade. O Dynamo de Berlim (que recuperou o seu nome dos tempos comunistas, mediante uma petição dos seus adeptos) é o clube que alberga no seu seio a extrema direita. Os seus poucos adeptos, são, maioritariamente, descendentes de governantes da antiga RDA, skinheads e demais elementos marginais da sociedade.</p>
<p>E pensar que o Muro só caiu há vinte anos, os blocos se esboroaram&#8230; e o futebol, tantas vezes retrato da sociedade vigente e que ajudou ao formentar do regime &#8211; ainda que de modo contrariado &#8211; não conseguiu evoluir, acompanhando o aparecimento de clubes, ainda da parte Ocidental, como o Wolfsburg, Hoffenheim, ou até o Hertha proveniente de Berlim Ocidental.</p>
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		<title>Carlos Manuel: Um golo de sonho</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 13:14:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís António Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Selecções Nacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa semana em que a selecção portuguesa vai ter dois jogos decisivos para chegar ao Mundial de 2010, na África do Sul, oportunidade para recordar um golo que há 24 anos nos permitiu alcançar uma qualificação que parecia inatingível.
O sonho do Bom Gigante
Foi a 16 de Outubro de 1985 que Carlos Manuel marcou o golo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa semana em que a selecção portuguesa vai ter dois jogos decisivos para chegar ao Mundial de 2010, na África do Sul, oportunidade para recordar um golo que há 24 anos nos permitiu alcançar uma qualificação que parecia inatingível.</p>
<p><strong>O sonho do Bom Gigante</strong><br />
Foi a 16 de Outubro de 1985 que Carlos Manuel marcou o golo que até hoje mais me fez vibrar em toda a minha vida. Foi no jogo decisivo de Portugal para se qualificar para o Mundial do México 86. À partida para a última jornada de qualificação, Portugal estava praticamente fora da corrida. Tinha de ganhar em casa da poderosa RFA (na altura a Alemanha ainda estava dividida pelo Muro de Berlim) e esperar que a Suécia perdesse com a Checoslováquia. As hipóteses de essa conjugação de resultados ocorrer era tão remota, que o nosso seleccionador, José Torres, antes da partida para Estugarda, até desabafou uma frase que, desde logo, ficou célebre: Deixem-me sonhar. A frase do Bom Gigante poderia até parecer derrotista, mas havia também um resquício de fé nesse desabafo que diz muito sobre aquilo que era Portugal na altura. Não só enquanto selecção, mas enquanto país. Um país que só podia sonhar e esperar que as coisas acontecessem por si.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2716 alignleft" style="margin-top: 4px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/09/carlos-manuel-portugal.jpg" alt="Carlos Manuel" width="300" height="213" align="left" title="Carlos Manuel: Um golo de sonho" />Mas a verdade é que naquele dia 16 de Outubro de 1985 as coisas aconteceram mesmo. A Suécia perdia com a Checoslováquia e Portugal entrava no Neckarstadion de Estugarda, onde três anos depois o Benfica perderia uma final da Taça dos Campeões Europeus por penalties contra o PSV Eindhoven, com uma pequena possibilidade de se qualificar. Era contra a RFA que íamos jogar, não era contra o Azerbaijão nem contra a Finlândia. Era contra a selecção vice-campeã mundial, treinada por Franz Beckenbauer, e com craques como Karlheinz Rummenigge, Peter Briegel, Pierre Littbarski, Thomas Allofs, Karlheinz Förster e o guarda-redes Toni Schumacher, um dos jogadores mais odiados e temidos no mundo &#8211; em França ficou mesmo à frente de Hitler numa votação para eleger o homem mais odiado de sempre por esse país, depois de quase ter assassinado Patrick Battiston em plena meia-final do Mundial de Espanha em 82. Mas se conseguíssemos ganhar à RFA, seria a primeira vez, desde o Mundial de 66, que estaríamos numa fase final. A primeira vez, em 20 anos, que o nosso hino seria transmitido em directo para todo o mundo, enquanto a câmara filmava em travelling o rosto dos nosso jogadores e nos fazia sentir um pouco mais orgulhosos por termos nascido neste país.</p>
<p><strong>Um remate para a História</strong><br />
Dizer que o jogo foi um sofrimento seria o mesmo que dizer que o Hamlet ou o Macbeth, daquele rapaz, o Shakespeare, até são peças um bocado dramáticas. A bola bateu no poste da nossa baliza, bateu na trave, o Bento fez defesas impossíveis, mas naquele minuto 53&#8230; quando o meu jogador preferido, do meu clube preferido, aquele a quem chamavam na altura Carlão, ou a locomotiva do Barreiro, pega na bola a meio-campo e começa a correr na direcção da baliza, naquele estilo de fuga para a frente, sozinho, mas decidido, e se liberta de um adversário no lado esquerdo do terreno, puxando a bola para o centro para a rematar ao ângulo superior direito da baliza alemã&#8230; parece que ainda estou a ver o Schumacher a olhar para a bola com a impotência de quem nada pode fazer. Um gigante alemão a olhar para uma bola rematada por um português e a sentir que não havia nada a fazer.</p>
<p>Não sei se vocês percebem o que é que isto significava na altura. Para mim, que tinha sete anos e do mundo apenas sabia que o futebol era a coisa mais importante que existia, aquilo já era muito mais do que um simples golo. Parece que ainda estou o ver o Jaime Pacheco a querer agarrar o Carlos Manuel, e Carlão a agitar os braços com aquela felicidade que não cabe no corpo. Parece que ainda estou a ver os jogadores alemães a discutirem uns com os outros durante o jogo. Eles há muito que já estavam qualificados, mas uma derrota em casa contra Portugal era absolutamente impensável para os germânicos.</p>
<p>Claro que no México acabámos por ter uma prestação horrível. E claro que, depois disso, Portugal cresceu muito como selecção, principalmente devido ao facto de ter jogadores a emigrarem para os principais campeonatos europeus. Vibrei com o golo do Rui Costa contra a Irlanda no jogo que nos apurou para o Euro de 96, vibrei com os golos com que virámos o resultado contra a Inglaterra no Euro 2000, principalmente o do Figo (a maneira como o guardião inglês, Seaman, ficou a olhar para a bola fez-me lembrar o Schumacher a olhar para o balázio do Carlos Manuel), e com todos os golos do Euro 2004 e do Mundial de 2006. Mas nunca mais voltei a sentir aquela felicidade, aquela transcendência, depois de um golo de Portugal. Talvez porque na altura tinha sete anos e ainda acreditava em super-heróis. É que, para mim, o golo do Carlos Manuel tinha sido um feito só ao alcance de um super-herói.</p>
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		<title>Pelé: De Bilé a Deus</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 15:13:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Lourenço Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Conta-se que uma vez um reputado jornalista do L´Equipe, de visita ao Rio de Janeiro, viu-se confrontado com a pergunta de quem era, para ele, o melhor jogador do mundo. O homem sorriu e respondeu &#8220;Edson Arantes do Nascimento&#8221;. O brasileiro que lhe fez a pergunta ficou com ar de espanto e não evitou o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conta-se que uma vez um reputado jornalista do L´Equipe, de visita ao Rio de Janeiro, viu-se confrontado com a pergunta de quem era, para ele, o melhor jogador do mundo. O homem sorriu e respondeu &#8220;Edson Arantes do Nascimento&#8221;. O brasileiro que lhe fez a pergunta ficou com ar de espanto e não evitou o comentário &#8220;Pô, você nunca viu jogar Pelé?&#8221;. Independentemente de nomes, apelidos, alcunhas e títulos, o mundo do futebol conheceu vários craques e lendas, mas nunca nenhum jogador chegou tão longe, tão perto da eternidade, do que um rapaz que não gostava que lhe chamassem Edson.. A história imortalizou-o com outro nome, mas no meio de tanta genialidade, que importam os nomes?</p>
<p>A história é feita de episódios curiosos. Como o de Dondinho, jogador fracassado que se dedicou a treinar a equipa onde o filho e os amigos jogavam. Ou o dia em que, então um rapazinho com saudades de casa, se preparava para sair a meio da madrugada do lar do Santos, onde vivia, e abandonar o sonho de ser futebol. Foi apanhado pelo porteiro e voltou atrás, engolindo as saudades e lançando as bases para a era mais memorável de todo o futebol brasileiro. Fez toda a sua carreira desportiva de elite no Santos, clube que o acolheu quando ainda era um miúdo de bairro. Foi o primeiro a perceber o potencial mediático da liga americana e durante alguns anos actuou no New York Cosmos. Teve dezenas de jogos de despedidas e recebeu múltiplos galardões como o maior futebolista da história. No Brasil chamam-lhe Rei, para muitos é o Deus do Futebol. Títulos ou episódios, marcos históricos ou galardões. Tudo isso se torna redutor quando o tema em questão se chama Pelé.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2619 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/08/pele-goodbye.jpg" alt="Pelé" width="300" height="183" align="left" title="Pelé: De Bilé a Deus" />Avaliar a marca na história de Pelé não se faz apenas pelos três Mundiais que conquistou. Ou pelas vitórias conseguidas pelo Santos no Brasil, América Latina e nas Taças Intercontinentais. A marca de um génio capaz de dominar o jogo do primeiro ao último segundo com a sua capacidade física (apesar da sua pequena estatura, 1m70) e garra. Falar de Pelé é falar de poesia, de drama, de tragédia ou épica. Dos dribles fantásticos capazes de eclipsar o próprio Garrincha, rei do regate. Dos seus saltos nas alturas, onde era capaz de ir buscar bolas impossíveis e torná-las em golo. Dos seus malabarismos diante dos guarda-redes. Ou do seu pontapé, forte, seco, colocado, indefensável. Falar do futebol de Pelé é redutor porque Pelé é o próprio futebol. Aos 17 anos sagrou-se campeão do Mundo na Suécia, marcando dois golos na final numa equipa onde não estava previsto que fosse titular. E chorou. Como o menino que era. Doze anos depois era o homem na plenitude máxima das suas potencialidades que fez gato sapato de cada equipa que se passava diante do escrete canarinho. Do guardião checo, impressionado pela ousadia de Pelé em rematar atrás da linha do meio campo. Do &#8220;portero&#8221; uruguaio que caiu no drible do melhor golo do mundo que não o foi. Ou da defesa italiana que ainda hoje tenta entender como foi possível ao craque brasileiro rasgar por completo uma equipa impenetrável. Falar de Pelé é falar do Santos e do melhor período do futebol do Brasil, da forma como esmagou o Benfica do amigo Eusébio. Ou o AC Milan de Rivera. Falar de Pelé é falar de magia em estado puro. É falar de futebol!</p>
<p>Pelé começou a jogar no Santos como falso ponta de lança. Explodiu aos 15 anos na equipa titular e com um golo. A primeira vitima de Pelé chamou-se Cubatão. A primeira de tantas outras (1283 golos oficiais em 1367 jogos disputados) que se habituaram a ter de conformar-se com cair de pé perante a armada santista do Rei. Aos 17 anos fez parte da equipa mágica do Brasil que conquistou o primeiro mundial, oito anos depois do &#8220;Maracanazo&#8221;, apesar da polémica convocatória e da lesão que arrastou no início do torneio. Quatro anos depois já era o melhor jogador do mundo, liderando o Santos à conquista de múltiplos campeonatos paulistas e torneios Rio-Sao Paulo, as grandes competições brasileiras da época.</p>
<p>As vitórias nas primeiras edições da Copa dos Libertadores levou o Santos a disputar a Taça Intercontinental onde derrotaria tanto o Benfica como o AC Milan, consagrando um homem que no entanto teve de sofrer na pele as lesões que quase o afastaram do Mundial de Chile 62 (só jogou os dois primeiros jogos) e que o destroçaram no Inglaterra 66 (com a implacável marcação dos defesas búlgaros e portugueses a deixarem o craque K.O.) mas que mesmo assim não minimizaram a lenda. Apesar disso este foi o seu período áureo no Santos, onde militavam os melhores jogadores brasileiros da época. Uma equipa de sonho que explorou o melhor momento de forma de um Pelé cada vez mais decisivo e goleador.</p>
<p>Durante os anos 60 resistiu-se sempre saltar para a Europa, como tantos sul-americanos, e quando chegou o Mundial de 70, então com 29 anos, para muitos era uma estrela em queda livre. Surpreendendo mais de meio mundo, o homem que meses antes estava fora da selecção, liderou a melhor equipa que alguma vez pisou um relvado a conseguir o seu mais brilhante triunfo. No final, em ombros no Azteca, percebeu que tinha logrado a perfeição e farto de tantas digressões e provas secundárias onde alinhava para que o Santos cobrasse o cachet,  começou a preparar a sua saída em alta. Primeiro deixou o escrete pela segunda vez (em 1966 tinha-se retirado e esteve três anos sem jogar pelo Brasil) e quatro anos depois o clube da sua vida. A imagem de Pelé aproveitou o filão televisivo, o potencial mercado norte-americano e o delírio que desatava no Brasil a sua presença. Ao contrário dos seus geniais colegas de equipa (Nilton Santos, Didi, Vavá, Zagallo, Garrincha, Tostão, Gerson, Rivelino, Jairzinho), Pelé soube manter-se sempre na crista da onda e imortalizou a sua imagem mesmo diante daqueles que nunca o viram jogar, de tal forma que até Romário disse um dia que o futebol devia levar o seu nome..</p>
<p>Tornou-se no primeiro ícone futebolistico mundial. E mais do que Rei, tornou-se em Deus. Um Deus que antes foi um rapazinho de lágrimas nos olhos. O mesmo rapazinho de sotaque mineiro que, quando era pequeno e acompanhava o pai Dondinho aos treinos, ao chamar pelo guarda-redes da equipa e amigo do pai que se chamava Bilé pronunciava mal o nome e acabava por ditar a sentença que marcaria o futuro do jogo&#8230; Pelé.</p>
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		<title>Obrigado Sir Bobby</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 09:37:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>

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		<description><![CDATA[Partiu um Deus da Bola. Morreu Bobby Robson, com setenta e seis anos. Confesso que o sabia doente, terrivelmente doente, mas um homem que houvera derrotado a doença várias vezes, poderia fazê-lo novamente. De jogador de futebol, tendo participado, inclusivamente, em dois campeonatos do mundo &#8211; 1958 e 1962 &#8211; a treinador de altíssimo nível, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Partiu um Deus da Bola. Morreu Bobby Robson, com setenta e seis anos. Confesso que o sabia doente, terrivelmente doente, mas um homem que houvera derrotado a doença várias vezes, poderia fazê-lo novamente. De jogador de futebol, tendo participado, inclusivamente, em dois campeonatos do mundo &#8211; 1958 e 1962 &#8211; a treinador de altíssimo nível, viveu uma carreira plena de êxito. A sua fleuma, tipicamente britânica, a sua extrema simpatia e o imenso conhecimento e amor ao jogo fizeram dele, alguém, admirado, mesmo por adversários&#8230;</p>
<p>Ademais era de um competência inexcedível&#8230; um vencedor nato por onde passou, à excepção de Portugal, onde sofreu a única chicotada da sua carreira. Sousa Cintra despediu-o, após o famigerado desastre de Salzburg e na véspera do brutal acidente de Cherbakov! Pinto da Costa é que não perdeu tempo, contratou-o, na ressaca da rescisão com Ivic, e garantiu um bi-campeonato (ainda, que, nessa última época, já a combater a doença, Inácio o tenha substituído no banco).</p>
<p>E daí o salto até Barcelona, onde o êxito permaneceria. Sempre a vencer, desta vez uma Taça das Taças frente ao Paris Saint Germain, e ao lado dele, sempre um jovem desconhecido em quem Sir Bobby via qualidades fora do comum para ser um team manager de primeiro nível&#8230; José Mourinho! Por fim, o apelo do coração, o regresso à casa onde se fizera homem, nos Magpies, onde tentaria atingir a glória que nunca o clube das Midlands houvera alcançado. Ficou perto, fez crescer o Newcastle, mas não obstante apuramentos para Champions, nada mais conseguiu.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2595 alignleft" style="margin-top: 3px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/08/bobby-robson_mourinho_barcelona.jpg" alt="Bobby Robson" width="300" height="196" align="left" title="Obrigado Sir Bobby" />Como suprema dor, na alma deste homem bom e que fazia da lealdade a sua divisa, os Mundiais em que orientou a Selecção dos Três Leões. Em 1986, a Mão de Deus, que ele diria ter sido a mão de um batoteiro roubou-lhe o sonho. E sofrer, aquele segundo golo, em que mais de meia equipa foi destroçada por Maradona rouba a moral a qualquer um. No Mundial90, a grande penalidade desperdiçada por Stuart Pearce e que colocaria a Engerland que comandava na final de um Mundial&#8230; vinte e quatro anos depois! Apresentando no Mundial de Futebol mais enfadonho de sempre, o projecto exibicional mais sedutor a par dos inolvidáveis Camarões, pois Robson não sabia jogar à defesa, e ademais, gostava de apostar: à matreirice de Shilton, Lineker, Barnes ou Beardsley &#8211; uma das suas grandes paixões como atleta e que haveria de treinar no Newcastele &#8211; juntou talentos pouco conhecidos, numa altura em que a Premier League não tinha o impacto mediático que hoje possui. David Platt, o primeiro médio britânico com perfil continental, foi construção de Sir Bobby.</p>
<p>E como esquecer, nesse Mundial, o duelo entre as equipas mais românticas da competição? Aqueles quartos de final, loucos, apaixonantes, com a equipa de Roger Milla, fizeram-nos perceber porque amamos este jogo. Deram a entender o porquê de fazermos deslocações para ver uma simples partida de futebol. A Robson, esse agradecimento. A certeza que permanecerá imortal nos corações de quem ama futebol, que será recordado por ter sido um Senhor bem grande, num mundo por vezes ambíguo&#8230; por nos ter acendido mais um pouco dessa chama que é o desporto rei, e que o seu exemplo há-de perdurar, pois premissas como o amor ao jogo e a força magnética que ele possui têm de permanecer em nós. E homens da estirpe de Robson, apenas, permitem cimentar esse amor! OBRIGADO SIR BOBBY&#8230; e onde estiveres, ajuda a que este imenso amor pelo beautiful game se perpetue em nós e nos vindouros, pois foram homens como tu que o tornaram no mais belo desporto do mundo!</p>
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		<title>Helmuth Duckadam &#8211; o Herói de Sevilha</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jul 2009 22:17:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís António Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Leste Europeu]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[É possível admirar para sempre um jogador que só tenhamos visto actuar uma vez? Sim, se esse jogador tiver defendido 4 penaltis do Barcelona numa final da Taça dos Campeões Europeus!
 Quatro defesas para a História
Foi a 7 de Maio de 1986 que Helmuth Duckadam, guarda-redes do Steaua de Bucareste, defendeu quatro penaltis do Barcelona [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É possível admirar para sempre um jogador que só tenhamos visto actuar uma vez? Sim, se esse jogador tiver defendido 4 penaltis do Barcelona numa final da Taça dos Campeões Europeus!</p>
<p><strong> Quatro defesas para a História</strong><br />
Foi a 7 de Maio de 1986 que Helmuth Duckadam, guarda-redes do Steaua de Bucareste, defendeu quatro penaltis do Barcelona e ajudou assim a equipa de Valentin Ceausescu (irmão do ditador Niculae, da Roménia) a vencer o todo-poderoso conjunto catalão. O jogo, disputado em Sevilha perante 55 mil espanhóis e nem uma sombra romena, tinha terminado com 0-0 no final dos 90 minutos. Idem aspas, após o prolongamento.</p>
<p>O deus até então desconhecido da baliza do Steaua (onde jogava também um tal de Laszlo Bölöni, como avançado) já havia feito as defesas impossíveis da prache frente a Schuster, Archibald e companhia, mas foi no desempate por penaltis que atingiu o estatuto mítico. Ainda me lembro do nome dos quatro jogadores do Barcelona que viram Duckadam negar-lhes o golo: Alexanco, Pedraza, Pichi Alonso e Marcos. O Steaua acabou por ganhar a Taça por 2-0, sendo Lăcătuş e Balint a converter os dois tentos da vitória.</p>
<p><strong><img class="attachment wp-att-2573 alignleft" style="margin-top: 4px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/07/duckadam2.jpg" alt="Helmuth Duckadam" width="300" height="198" align="left" title="Helmuth Duckadam   o Herói de Sevilha" />A lesão</strong><br />
O mais impressionante de tudo, no entanto, é que pouco tempo depois dessa inesquecível final, Duckadam, com apenas 27 anos, deixou de jogar futebol. Segundo parece, depois de sofrer uma trombose que deixou parcialmente paralisado o lado direito do seu corpo. Houve na altura especulações acerca do que o regime de Ceausescu lhe teria feito para o impedir de se transferir para uma equipa de um país ocidental. O Steaua de Bucareste não era uma equipa qualquer na altura, e não foi por acaso que ganhou essa final e que dois anos mais tarde alcançaria a meia-final da Taça dos Campeões (eliminado pelo Benfica) e em 1988/89 a final (derrota com o AC Milan). Era a equipa patrocinada pelo Ministério da Defesa romeno e naquele tempo era tão impensável ver um futebolista de um país comunista transferir-se para um clube ocidental como imaginar o Benfica alguma vez entrar em campo sem um único jogador português. Falou-se em vários clubes italianos, nomeadamente a Juventus, mas já se sabe como são estas coisas.</p>
<p>Às figuras míticas só as lendas fazem justiça. Na verdade (e não há nada como a verdade para nos surpreendermos) Duckadam já estava com dores antes da final de Sevilha. Mas não contou a ninguém, claro, para pelo menos poder fazer esse jogo e entrar para a História do futebol. Tinha uma artéria pulmonar demasiado ampla para o sangue fluir para outros vasos sanguíneos e foi esse afunilamento que lhe provocou a lesão e o impediu de continuar a carreira profissional.</p>
<p>Em 1989 ainda voltou a fazer uns jogos, num clube da segunda divisão romena, o modesto Vagonul Arad. Mas até isso torna ainda mais gloriosa aquela noite de 7 de Maio de 1986.</p>
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		<title>Greg Lemond: Renascer das cinzas</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jul 2009 13:07:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís António Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Modalidades]]></category>

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		<description><![CDATA[Dez anos antes de Lance Armostrong ter derrotado o cancro e vencido pela primeira vez a Volta à França em bicicleta, um outro americano cometeu uma proeza semelhante: vencer a maior prova velocipédica do mundo, depois de ter estado às portas da morte.
O acidente no auge da carreira
Em 96 edições, a Volta à França já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dez anos antes de Lance Armostrong ter derrotado o cancro e vencido pela primeira vez a Volta à França em bicicleta, um outro americano cometeu uma proeza semelhante: vencer a maior prova velocipédica do mundo, depois de ter estado às portas da morte.</p>
<p><strong>O acidente no auge da carreira</strong><br />
Em 96 edições, a Volta à França já teve grandes campeões, grandes momentos, grandes conquistas e grandes desilusões. Mas se tivesse de escolher uma edição só para explicar a grandeza da prova, seria a de 1989, ganha por Greg Lemond na última etapa. Um contra-relógio de 24 km, em que o ciclista americano teve de recuperar os 50 segundos que tinha de atraso em relação ao francês Laurent Fignon, acabando por vencer a prova pela mais curta diferença de sempre: 8 segundos. E se ainda hoje me lembro tão bem dessa etapa é porque acho que nunca vi no ciclismo uma manifestação de querer tão grande como a de Lemond nesse dia.</p>
<p>É preciso esclarecer vários coisas de antemão e a primeira é a seguinte: Lemond ganhou a prova sozinho. Ao contrário de quase todos os campeões desde sempre nesta competição, praticamente não tinha uma equipa a ajudá-lo. Corria pela ADR, uma equipa sem expressão no pelotão, enquanto Fignon corria pela Super U-Raleigh-Fiat (antiga Système U), dirigida por Cyrille Guimard. Mas há algo que torna a vitória de Lemond ainda mais impressionante: é que dois anos antes, o ciclista tinha estado entre a vida e a morte, após um acidente estúpido numa caçada na Califórnia, em que o próprio cunhado o atingiu acidentalmente no peito com uma bala. Isto ocorreu em Abril de 1987. Até essa altura, Lemond tinha disputado 3 Tours: em 1984, tendo-se classificado em 3.º lugar, uma prestação brilhante para qualquer debutante na prova. Em 1985, em que foi 2.º, e só não venceu porque corria na equipa de Bernard Hinault, a La Vie Claire e tinha a missão de ajudar o campeoníssimo francês a igualar Jacques Anquetil e Eddy Mercx na 5.ª vitória no Tour. E em 1986, em que se sagrou vencedor, à frente de Hinault, para irritação de muitos franceses, porque impediu o compatriota destes de se sagrar o recordista de vitórias na prova.</p>
<p>Aos 25 anos Lemond estava no auge da sua forma. Os americanos nunca tinham feito nada de relevante no ciclismo, mas agora era um americano que dominava a modalidade. E foi então que ocorreu o acidente. A descarga de chumbo nas costas deixou-o debilitado não só em termos físicos, mas também psicológicos, porque pensava que nunca mais iria poder correr.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2583 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/07/greg_lemond_.jpg" alt="Greg Lemond (1989) Tour de France" width="300" height="200" align="left" title="Greg Lemond: Renascer das cinzas" /><strong>Uma vitória de sonho</strong><br />
Mas há algo no espírito de competitividade dos grandes atletas, e que Lance Armstrong voltaria a provar uma década mais tarde, e que se revela nestes momentos: a vontade de se suplantarem a si mesmos ou àquilo a que parecem estar limitados. Para Lemond, voltar a poder correr dois anos mais tarde já foi uma grande vitória, mas para quem, como ele, amava tanto o Tour, correr significava sempre lutar pela vitória. Para quem se lembra, a Volta à França de 1989 foi aquela em que o português Acácio da Silva esteve de amarelo durante alguns dos primeiros dias da prova. Claro que, quando as etapas chegaram às montanhas, um sprinter como Acácio da Silva começou a perder gás e relevância. E aí começaram a impôr-se os grandes nomes do ciclismo da época: Laurent Fignon (que já havia vencido o Giro desse ano), Pedro Delgado (vencedor do Tour do ano anterior) e&#8230; Greg Lemond.</p>
<p>A camisola amarela mudou de dono algumas vezes, principalmente entre Lemond e Fignon, mas a certa altura começou a parecer inevitável a vitória do francês (que já havia vencido a prova em 1983 e 84). Só que nesse Tour aconteceu algo que (infelizmente, para mim) raramente acontece nestas grandes provas: a última etapa era um contra-relógio. E aí, não há equipas que valham. Aí, ganha mesmo aquele que é melhor. Só que, mesmo assim, 24 km parecia uma distância demasiado curta para Lemond recuperar os 50 segundos de atraso. Era preciso quase voar para o conseguir. E, no fundo, foi isso que o americano fez, ao atingir a velocidade média de 54,5 km/h.</p>
<p>Lemond ainda ganharia nesse ano o campeonato do Mundo de Estrada (repetindo a vitória de 1983), sendo eleito o desportista do ano pela revista Sports Illustarated, mas tal como o próprio afirmaria, o auge da sua forma já tinha passado. Talvez tivesse ganho mais Tours se não tivesse sofrido o acidente de 1987. Ao contrário de Lance Armstrong, que atingiu a sua melhor forma depois de ter sofrido o cancro na próstata, Lemond estava no auge na altura em que ocorreu o acidente. A partir de 1991 foi o espanhol Miguel Indurain que se começou a impor na prova, vencendo por 5 vezes seguidas a maior comeptição velocipédica. Ainda assim, alguns anos mais tarde, Indurain confessou que se pudesse escolher uma vitória no Tour, gostava que tivesse sido a de 1989. Ele sabe que esse tipo de vitória é o sonho de qualquer desportista.</p>
<p><br/>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=AyvwtOQYQ-E"><img src="http://img.youtube.com/vi/AyvwtOQYQ-E/default.jpg" width="130" height="97" border title="Greg Lemond: Renascer das cinzas" alt="Greg Lemond: Renascer das cinzas" /></a><br />
<span style="color: #888888;">Contra-relógio na Volta a França 1989</span></p>
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		<title>Duncan Edwards&#8230; O Man Utd começou nele!</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jul 2009 11:32:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vasco Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>

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		<description><![CDATA[Dudley é uma pequena cidade nas Midlands inglesas que nunca deu grande importância ao futebol... aliás nunca teve qualquer clube a participar nas competições nacionais. E quer o Dudley Town, quer o Dudley Sports]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dudley é uma pequena cidade nas Midlands inglesas que nunca deu grande importância ao futebol&#8230; aliás nunca teve qualquer clube a participar nas competições nacionais. E quer o Dudley Town, quer o Dudley Sports, simplesmente existem por o futebol na Velha Albion ser uma religião, e qualquer cidade que não pratique e comungue destes ideais arrisca-se a ser excomungada pelos demais súbditos de Sua Majestade Isabel II.</p>
<p>Mas, todavia, a figura que melhor representa a cidade, e que nos faz trazer a singela Dudley ao pensamento é um futebolista, alguém que tocou o céu antes de fazer vinte e dois anos e, cedo, desapareceu inesperadamente. Duncan Edwards é esse símbolo que Dudley ainda chora, e as comparações com os amadores que, com a pureza do amor à camisola, evoluem nos clubes locais, ainda hoje se fazem sentir&#8230; e tão injustas que elas são! Não fora o malfadado acidente aéreo que ocorreu em Munique a história teria sido diferente. Uma equipa destroçada, os Busby Babies, que, ainda, gatinhavam por essa Europa foram vítimas de um acidente aéreo, a primeira grande equipa do Man. Utd., os red devils originais, destruída!</p>
<p>E tudo pelas condições gélidas da pista, da incúria dos pilotos em tentar uma segunda descolagem, uma tragédia, à qual Deus optou por deitar a mão a Sir Matt Busby e a Bobby Charlton&#8230; os quais reconstruiriam a inolvidável equipa campeã europeia em 1968! Os malogrados atletas que eram a esperança de uma era inolvidável: Geoff Bent, Roger Byrne, Eddie Coleman, Mark Jones, David Pegg, Tommy Taylor, Bill Whelan e Duncan Edwards, todos calcinados pelas chamas naquela noite gélida, de 6 de Febreiro de 1958&#8230;</p>
<p><img class="attachment wp-att-2542 alignleft" style="margin-top: 4px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/07/manchester-united.jpg" alt="Duncan Edwards" width="300" height="190" align="left" title="Duncan Edwards... O Man Utd começou nele!" />Duncan Edwards, esse que fora descoberto ainda menino e daria nas vistas numa equipa sub-14 inglesa&#8230; já então, como agora, os olheiros mancunianos conseguiam ver, o que mais ninguém via! Apesar da juventude, o lendário Busby viu nele as qualidades de um líder, um jovem que comandava o meio campo de cabeça levantada, batendo-se pela bola como se fosse a última da sua vida. Utilizando uma analogia contemporânea, um misto da alma de Roy Keane com os atributos de Lampard, já se vislumbra o quilate do jogador que era, um menino que se estreou, ainda, com quinze anos no Theatre of Dreams de Old Trafford comandando o campo, demonstrando que seria o símbolo para muitos e muitos anos de um Manchester pronto a fazer-se conhecido na Europa, uma equipa projectada por Sir Busby e que, ainda hoje, Sir Ferguson segue os ensinamentos&#8230; no recrutamento, na lapidação de diamantes, na exemplar educação dos mesmos!</p>
<p>E como naqueles parcos, seis anos, um homem se tornou um símbolo. Juntamente com Bobby Charlton eram os dois emblemas de um clube, a força vital para vencer, uma aliança imbatível em campo que permitiu, em 1956 e 1957, ao United encontrar-se com as delícias de um bi campeonato&#8230; e em 1958, não fosse o nefasto sucedido, o tri não escaparia. Mas, aquele 1 de Fevereiro acabaria com a carreira do potencial melhor jogador de sempre da Old Albion&#8230; não morreria, no momento, mas passado vinte e um dias cederia aos ferimentos, deixando um vazio difícil de suprir. Como lutador, que era, bateu-se com a morte, mas, infelizmente, perderia a guerra.</p>
<p>É difícil dizer o que teria sido Edwards na história do futebol. Talvez um símbolo, quiçá, capitão da England campeã do mundo em 1966, em casa. Talvez, mais, muito mais. Aliás, nas sábias palavras de sua mãe Anne, proferidas em 1993, esse sentimento está presente &#8211; &#8220;As pessoas continuam a relembrá-lo. Estranhos abeiram-se de mim e dizem-me: ele era único&#8221;. Não viu o United vencer internacionalmente, mas no corpo daquele jovem que aliava a técnica à força, e que não obstante o seu trágico destino conseguiu ser dezoito vezes internacional na Selecção dos Três Leões, residiu o início das fantásticas epopeias dos red devils&#8230; até hoje!</p>
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		<title>Davor Suker &#8211; Magia ao Quadrado</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 14:45:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Devesas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Leste Europeu]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Bastava apenas que a bola chegasse ao seu fabuloso pé esquerdo para espalhar uma classe magistral pelos relvados. O estilo é inconfundível, tal era o calor que aconchegava a bola como uma esponja para de seguida dar asas a uma magia inigualável. Falo pois  do expoente máximo da melhor geração que nunca a velha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bastava apenas que a bola chegasse ao seu fabuloso pé esquerdo para espalhar uma classe magistral pelos relvados. O estilo é inconfundível, tal era o calor que aconchegava a bola como uma esponja para de seguida dar asas a uma magia inigualável. Falo pois  do expoente máximo da melhor geração que nunca a velha Jugoslávia conseguiu proporcionar, e que a Croácia foi &#8220;resgatar&#8221; para surpreender o Mundo com um brilho ofuscante que mudaria a história futebolística dos Balcãs &#8211; Davor Suker.</p>
<p>Os anos 90 foram férteis no que respeita a surpresas no futebol Mundial. Uma das maiores foi protagonizada por um punhado de jogadores com nomes &#8220;estranhos&#8221; como Savicevic, Boban, Boksic, Prosinecki, Mihailovic, Jarni ou Mijatovic que fizeram com que os &#8220;tubarões&#8221; Europeus olhassem para os Balcãs em busca de talentos emergentes.  Entre estes, um dos que soava ainda melhor era o de Davor Suker, um avançado diferente, com uma elegância fortíssima em campo aliada a uma facilidade de desmarcação sobrenatural.  Já em 1987, na altura do Mundial de Juvenis quando se sagrou campeão pela Jugoslávia, foi das suas botas que saíram 6 tentos que em tudo foram cruciais para tal destaque. O &#8220;salto  europeu&#8221; parecia inevitável mas os clubes do Calcio tinham dúvidas perante as características de Suker, que o marcavam como um carácter demasiado boémio, mal coordenado e fisicamente pouco imponente. A verdade é que os seus 1,81m e 79kg convenceram Rosendo Cabezas que em 1991 o levou do Dinamo de Zagreb para o Sevilha para substituir o mítico Toni Polster &#8211; algo que não demoraria muito a suceder. Suker não era só um terror para qualquer defesa na forma como &#8220;envergonhava&#8221; os adversários, mas também era dotado de um sentido de inteligência e compromisso enormes &#8211;  depois de ter feito o primeiro golo com a camisola sevilhana,  fez uma corrida de mais de 90 metros para dedicar o tento aos lendários &#8220;Biri-Biri&#8221; na bancada mais frenética do Sanchez Pizjúan.  Estava encontrado o novo herói andaluz! Foi precisa apenas uma época e não restavam dúvidas: o Sevilha era Suker e mais dez! Quando a equipa estava aflita ou nos momentos decisivos era só uma questão de fazer chegar a bola ao mágico que após um domínio magistral e uma dose de fantasia, colocava com um tiraço a bola nas redes do guardião adversário.</p>
<p>Como jogador era o culminar das 3 regras mágicas do avançado de excelência: desmarcação, domínio e remate. Assim sendo, não foi com surpresa que em 1994 tinha os todos-poderosos Parma, Bayern de Munique, Arsenal (que chegou a oferecer 6 milhões de euros) e ainda o Newcastle que chegou aos 9 milhões, a cobiçá-lo. Ainda assim o Sevilha foi resistindo, até que em 1996 não conseguiu evitar a saída para o Real Madrid que seria uma das mais emblemáticas de sempre na carreira de Suker. Mas o seu compromisso com o Sevilla era tão grande, que mesmo já em despedida, estava numa concentração da selecção Croata que ia participar no EURO 96  na Inglaterra quando decidiu abandoná-la para disputar a última jornada da Liga espanhola pelo Sevilha, que jogava a permanência na primeira divisão frente ao Salamanca. O croata teve um noite de glória e fez um hat-trick, despendido-se do Pizjúan em ombros, voltando de seguida para a concentração da selecção, tornando-o num dos maiores ídolos de sempre do clube Andaluz que ainda hoje o recordam como &#8220;Suker 3&#215;1 Salamanca&#8221;.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2351 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/06/real-madrid_barcelona_davor-suker.jpg" alt="Davor Suker" width="300" height="202" align="left" title="Davor Suker   Magia ao Quadrado" />Suker chegava ao Santiago Barnabéu e entre salpicadas de luzes e sombras foi a máquina de golos que todos esperavam.  Primeiro ano de &#8220;blanco&#8221; e 24 golos marcados que valeram o título de Campeão Espanhol e a Taça dos Campeões Europeus no ano seguinte. Ainda assim, teve uma relação estranha com Fabio Capello e John Toshack. O italiano tornou-o no jogador mais substituído da Liga, algo que Suker chegou a protestar dado ter terminado por 21 vezes o jogo no banco depois de ter iniciado no onze inicial. Da mesma forma, não conseguiu apagar a imagem de boémio: acusavam-no de não cuidar a sua forma, excesso de peso e até de fazer mais manchetes na imprensa cor-de-rosa do que na desportiva. A verdade é que sempre que a bola sobrevoava a área e chegava a Suker não restavam dúvidas: controlo primoroso e &#8220;bomba&#8221; de Suker! A despedida de Madrid, mesmo assim, foi atribulada com 3 treinos falhados na mesma semana e John Toshack furioso a despedir uma autêntica pérola em plena ascensão. Arséne Wenger tinha finalmente a oportunidade de levar o Croata para o Arsenal, onde ainda transpirou classe com destaque para belíssimos golos com que presenteou os estádio britânicos antes de começar a &#8220;deambular&#8221; pelo West Ham e Munich 1860, já muito longe do seu melhor nível. Este seria o percurso clubístico, mas Suker seria muito mais brilhante sempre que envergava a camisola da selecção Croata.</p>
<p>Pouco convencido? 45 golos em 69 internacionalizações! Participou no Europeu de 1996 que serviria de base para um Mundial 1998 brilhante a todos os níveis, com um incrível terceiro lugar conquistado pelos &#8220;quadriculados&#8221; e a bota de Ouro conquistada, tal como tinha feito no Mundial de sub-20 em 1987 com os mesmos 6 golos com que liderou a equipa ao pódio. Com autênticas obras primas, teve o seu momento áureo quando com enorme classe desfeiteou Peter Schmeichel com um chapéu perfeito, que levou mais tarde o dinamarquês admitir como ter sido o golo mais bonito que sofreu (golo n.º 2 no top do vídeo em baixo).</p>
<p>Actualmente Suker é dono de uma academia para talentos em Munique que no dia-a-dia juram a pés juntos ainda verem o croata a seguir a sua &#8220;tradição&#8221; de antes de executar um penalti levar os dedos ao pescoço e ver o ritmo cardíaco antes de rematar: &#8220;Gosto de ver a minha pulsação antes de marcar. Se for de 120 pulsações significa que estou tranquilo e a bola vai ao fundo das redes!&#8221;- afirma. Davor Šuker é claramente um jogador sobejamente conhecido para todos os que seguem o futebol com interesse. Foi escolhido pela FIFA em 2004 como um dos cem melhores jogadores vivos do mundo, numa lista elaborada por Pelé e pela própria FIFA. No mesmo ano, foi também escolhido como o melhor jogador croata dos 50 anos da UEFA. Ainda hoje é o maior símbolo do futebol Croata após a guerra nos Balcãs e a forma como espalhou o terror pelas defesas adversárias durante a década de 90 prevalecerá para sempre como uma enorme referência.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=lTmmiWtzbWA"><img src="http://img.youtube.com/vi/lTmmiWtzbWA/default.jpg" width="130" height="97" border title="Davor Suker   Magia ao Quadrado" alt="Davor Suker   Magia ao Quadrado" /></a><br />
<span style="color: #888888;">Melhores golos de Suker pelo Arsenal, Real Madrid e Croácia</span></p>
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		<title>«Notáveis Azuis» &#8211; Rui Barros</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 11:53:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rui Z</dc:creator>
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		<category><![CDATA[FC Porto]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Qual será o portista que poderá esquecer o génio de Rui Barros? As arrancadas, os dribles, os lances puros de classe, ingredientes que formaram o dia-a-dia de um atleta que em campo &#8211; e fora dele &#8211; respirou humildade e profissionalismo.
Nortenho de gema, Rui Barros nasceu em Lordelo, e foi aí mesmo que pela primeira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qual será o portista que poderá esquecer o génio de Rui Barros? As arrancadas, os dribles, os lances puros de classe, ingredientes que formaram o dia-a-dia de um atleta que em campo &#8211; e fora dele &#8211; respirou humildade e profissionalismo.</p>
<p>Nortenho de gema, Rui Barros nasceu em Lordelo, e foi aí mesmo que pela primeira vez competiu, no clube da sua zona.  Como jovem, passou ainda pelo Rebordosa e Paços de Ferreira, até ser contratado pelo FC Porto e rapidamente conquistar o seu primeiro título: o de campeão de juniores. A qualidade técnica e a genialidade do então jovem começaram a transbordar do seu futebol, e a sua baixa estatura começava a tornar-se um enorme trunfo perante os seus oponentes. Depois de passar alguns anos emprestado a outros clubes nacionais, Rui Barros consolidou  definitivamente o seu lugar no plantel sénior do FC Porto, na temporada de 1987/88 &#8211; diz-se até que no início dessa temporada esteve perto de ser dispensado. O <em>timing</em> acabou por ser fundamental, já que Rui se juntava a um lote de eternos vencedores &#8211; na ressaca da conquista da Taça dos Campeões Europeus de Viena. O espírito ganhador e a experiência dos seus colegas permitiu tirar o melhor do seu futebol, e foi de forma activa que participou em outras duas conquistas, a Taça Intercontinental e a Supertaça Europeia, frente ao Ajax. Na Holanda, o golo foi da sua autoria. Foi também campeão nacional, e assumiu-se definitivamente como titular no onze portista.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2384 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/06/rui-barros-porto.jpg" alt="Rui Barros" width="300" height="209" align="left" title="«Notáveis Azuis»   Rui Barros" />Titular no Porto e opção frequente na Selecção Nacional, a cobiça de grandes equipas europeias foi vista de forma natural. A magia do futebol, aliada à sua baixa estatura despertou a curiosidade da <em>vecchia signora</em>, que desta forma assinou o internacional português. O contrato era de dois anos, e Rui Barros cumpriu-o de forma brilhante, sendo ainda hoje recordado pelos italianos como um jogador genial e um enorme profissional. Em 95 jogos, fez 19 golos e conquistou uma Taça de Itália e uma Taça UEFA. No defeso da temporada 90/91 mudou-se para o Mónaco de Arsène Wenger, fazendo com George Weah uma das mais ferozes duplas ofensivas da Europa. Venceu a Taça de França e foi finalista da Taça dos Vencedores das Taças em 1992, que acabaria por perder frente ao Werder Bremen. Três anos volvidos, transferiu-se para o Marselha, jogando ao lado de Paulo Futre.</p>
<p>Na temporada de 94/95 terminou o seu ciclo no exterior, e voltou ao seu clube do coração para 5 temporadas de grande qualidade, ajudando o clube a sagrar-se penta-campeão, vencendo também 2 Taças de Portugal e 3 Supertaças. Rápido, imprevisível, Rui era um avançado que dava enorme profundidade à equipa, pelas várias funções que simultaneamente cumpria em campo. Além de um criativo, era também um bom rematador, finalizando com a mesma qualidade com que se desmarcava ou servia para outro marcar. Era esse mesmo o trunfo de Rui Barros: a disponibilidade, o trabalho de equipa, e um coração em tudo oposto à sua altura.</p>
<p>Como profissional dedicado, o pequeno atleta terminou a sua carreira e com naturalidade se manteve no clube do coração, tendo ainda a possibilidade para conquistar uma Supertaça como treinador interino. Actualmente, desempenha funções de treinador-adjunto, ajudando o clube a manter a mística que ele próprio transportou.</p>
<p>Assim é Rui Barros. Um pequeno grande campeão.</p>
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		<title>O Eterno Clássico do Futebol Mundial</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 09:42:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís António Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
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		<description><![CDATA[Brasil e Itália são as duas selecções com mais títulos conquistados na história dos Mundiais de futebol (5 para o Brasil, 4 para Itália). Aliás, juntas têm mais títulos do que todas as outras selecções.
Jogos decisivos
Já jogaram entre si 13 vezes, com 6 vitórias para a “canarinha”, 5 para a squadra azzurra e 2 empates. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Brasil e Itália são as duas selecções com mais títulos conquistados na história dos Mundiais de futebol (5 para o Brasil, 4 para Itália). Aliás, juntas têm mais títulos do que todas as outras selecções.</p>
<p><strong>Jogos decisivos</strong><br />
Já jogaram entre si 13 vezes, com 6 vitórias para a “canarinha”, 5 para a <em>squadra azzurra</em> e 2 empates. Apesar de sempre terem possuído, ao longo da sua história, jogadores de grande técnica e carisma, sempre tiveram também estilos de jogo completamente diferentes uma da outra. O Brasil um futebol mais ofensivo e livre de amarras tácticas, a Itália um futebol mais cínico e de contenção. Já por duas vezes discutiram a final de um Campeonato do Mundo: em 1970, no México, com uma das melhores (para muitos, “a melhor”) selecção brasileira de sempre (Pelé, Jairzinho, Tostão, Gerson) a derrotar a Itália por 4-1 – no final do jogo, o defesa italiano Tarcisio Burgnich diria a seguinte frase sobre “o rei”: &#8220;Eu disse para mim mesmo antes do jogo: ele é feito de pele e ossos como qualquer um – mas estava errado.&#8221;; e em 1994, nos EUA, com Roberto Baggio a falhar o famoso penalti que deu ao Brasil a vitória numa das mais desinteressantes finais de sempre de um Mundial.</p>
<p>Há, no entanto, um jogo entre o Brasil e a Itália que ultrapassa todos os outros em termos de simbolismo: o jogo que disputaram no Mundial de Espanha em 1982. Um jogo que teve até direito a uma magnífica peça de teatro, escrita pelo italiano David Enia, e que chegou a ser encenada em Portugal em 2004 pelos Artistas Unidos. Se eu tivesse de escolher uma só partida para descrever as características de cada uma dessas selecções seria precisamente esse mítico Itália-Brasil 3-2 que, para os brasileiros, ficou conhecido como “a tragédia de Sarriá”. Siarrá era, na altura, o estádio do Espanyol, mas foi demolido em 1997, por dívidas do clube, que teve de o vender os terrenos a uma empresa de construção.</p>
<p><strong>O Mundial de 1982</strong><br />
O Brasil, treinado por Telé Santana, chegou a esse mundial na condição de super-favorito. Tinha aquela que, ainda hoje, é considerada a melhor selecção “canarinha” pós-Pelé, com um grupo de artistas que fazia as delícias de qualquer fã do futebol-espectáculo, composto por Zico, Sócrates, Falcão Cerezo e Éder, todos eles no auge da sua forma. Durante a primeira fase do torneio derrotaram a União Soviética por 2-1, a Escócia por 4-1 e a Nova Zelândia por 4-0. Mais do que derrotarem os adversários, os brasileiros encantavam e faziam jus à sua condição de favoritos, com jogadas de antologia e golos para todos os gostos. Podiam até dar-se ao luxo de ter um guarda-redes vulgar (Waldir Perez) e um ponta-de-lança também medíocre (Serginho, que anos mais tarde jogaria no Marítimo), que a técnica de Zico e Sócrates, os balázios de Éder e o pulmão de Falcão que, como escreveu David Enia na sua peça, era um jogador que parecia estar em todo o lado sem nunca dar sinais de cansaço ou esforço, resolvia tudo.</p>
<p>Muito diferente foi a qualificação da Itália para a segunda fase da prova. Empate a zero com a Polónia e a um golo com Peru e Camarões, a Itália qualificou-se para a segunda fase apenas por ter marcado mais um golo do que os Camarões. Para a própria imprensa do país, a trajectória da selecção constituía uma vergonha e as expectativas para a segunda fase eram baixíssimas. Mesmo que tivesse estrelas como Dino Zoff, António Cabrini, Cláudio Gentille, Marco Tardelli, Bruno Conti e Paolo Rossi.</p>
<p><strong><img class="attachment wp-att-2264 alignleft" style="margin-right: 8px; margin-top: 5px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/06/mundial82-brasil-italia-pele-socrates-paolo-rossi.jpg" alt="O Eterno Clássico do Futebol Mundial" width="300" height="195" align="left" title="O Eterno Clássico do Futebol Mundial" />A “tragédia de Sarriá”</strong><br />
Nesse mundial não houve oitavos nem quartos-de-final, mas sim uma segunda fase de grupos, cada um com três selecções e em que apenas a primeira classificada seguia para as meias-finais. O grupo da morte seria precisamente composto por Brasil, Itália e Argentina. Depois de a Itália vencer a selecção de Maradona por 2-1, foi o Brasil a derrotar os seus grandes rivais sul-americanos por 3-1. Ou seja: para o Brasil, bastava um empate no jogo com a Itália para se qualificar. Mas quem conhece a História (principalmente a história da perda do Mundial de 1950) sabe que não há nada pior para uma selecção brasileira (principalmente, quando se trata de uma selecção que não sabe jogar à defesa) do que só precisar de um empate. Foi nesse jogo que, para os italianos, nasceu a lenda de Paolo Rossi como seu bambino d&#8217;oro. Rossi tinha sido seleccionado para esse Mundial de forma absolutamente inesperada. Tinha estado quase dois anos impedido de jogar, após um escândalo conhecido como Totonero, quase tão grande como o calciocaos. Numa altura em que já jogava na Juventus, Rossi tinha sido acusado de estar envolvido num resultado combinado entre o Perugia (o seu antigo clube) e o Avellino da época anterior. Rossi declarou-se sempre inocente dessa acusação, preferindo até cumprir a totalidade do castigo do que admitir uma suposta culpa e ver assim reduzida a sua pena. Para a maioria dos tiffosi, a titularidade de Rossi tratava-se apenas de um capricho do seleccionador Enzo Bearzot. E os primeiros jogos nesse Mundial pareciam dar razão aos adeptos. Rossi mal se via em campo, tão discretas foram as suas primeiras prestações nesse Mundial. Parecia um jogador a menos, um homem invisível. Mas, tal como David Enia escreve na sua peça, “como é que se marca um jogador que parece invisível?”. E foi isso mesmo que os defesas brasileiros terão pensado quando viram Paolo Rossi corresponder com um cabeceamento perfeito ao cruzamento de Antonio Cabrini, aos 5 minutos, para abrir o marcador. Nada de alarmante, terão pensado os brasileiros, que já haviam dado a reviravolta ao resultado nos jogos contra a União Soviética e a Escócia. E assim, parecia ser quando, aos 12 minutos, após uma abertura de Zico, o capitão Sócrates coloca a bola no único espaço existente entre o corpo de Zoff e o poste esquerdo da baliza e empata. Só que aos 25 minutos, após um mau passe de Cerezo interceptado por Paolo Rossi (“como é que se marca um jogador que parece invisível?”), a Itália volta a adiantar-se no marcador. A tarde de 5 de Julho já era quente, mas as emoções em campo ferviam ainda mais. Na segunda parte, com o Brasil sempre a carregar, a Itália a defender-se não com um autocarro mas com um muro e o defesa Gentille a marcar Zico com tanto empenho que até lhe rasga a camisola, a canarinha chega ao empate, aos 68 minutos, com um remate de fora da área de Falcão. A manifestação de alegria deste grande jogador (considerado o segundo melhor do Mundial pela FIFA, apenas atrás de Paolo Rossi) ao comemorar o grande golo que marcou é um dos momentos mais vibrantes desse Mundial. Agora, sim, a ordem natural das coisas parecia estar a impor-se. Mas 6 minutos mais tarde, após um lance confuso na área brasileira, a bola sobra para novamente para Paolo Rossi (“como é que se marca um jogador que parece invisível?”) que faz o 3-2 e tira aos brasileiros aquilo que lhes parecia estar destinado.</p>
<p><strong>O significado da vitória</strong><br />
No final do jogo, Sócrates disse o que muita gente pensou sobre o significado da vitória do pragmatismo italiano sobre a magia brasileira: “Foi mau para nós, mas pior para o futebol”. Tal como a selecção húngara de Puskas em 54 e a “laranja mecânica” de Cruyff em 74, o Brasil de 1982 ficou na história por não ter ganho. Só que, às vezes, a grandeza de um vencido é tão marcante que nem a derrota o impede de ficar na memória de todos. Lembro-me de há uns anos Bebeto e Dunga criticarem o facto de se falar tanto na selecção brasileira de 1982 em detrimento da “sua selecção” campeã em 94. Pelos vistos, ainda ninguém tinha lhes explicado que a memória dos adeptos não é feita só de resultados, mas também de sensações. E nenhum adepto que tenha visto a selecção brasileira de 82 lhe conseguiu ficar indiferente. O mesmo já não se pode dizer da selecção de 94.</p>
<p>Para os italianos esse encontro foi muito mais do que um jogo de futebol, foi um evento histórico. Foi o dia em que derrotaram uma selecção que a própria imprensa italiana designava de “extraterrestres”. Claro que ainda havia o jogo das meias-finais (em que a Itália derrotaria a Polónia por 2-0) e depois o da final (vitória sobre a RFA por 3-1), mas a prova de fogo, a verdadeira quimera já tinha sido ultrapassada. Em 2002, Paolo Rossi lançou uma autobiografia intitulada “Fiz o Brasil chorar”. E em 1982, no dia seguinte ao jogo com o Brasil, a Gazetta dello Sport, fez manchete com uma frase que explicava de forma perfeita o significado que teve para a Itália derrotar essa selecção de “extraterrestres”: “O BRASIL SOMOS NÓS!”</p>
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		<title>Coreia do Norte: Heróis Esquecidos</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 10:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís António Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Ásia]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia 19 de Julho de 1966 os jogadores da Coreia do Norte fizeram História ao eliminarem a poderosa Itália do Campeonato do Mundo. Um ano depois, foram condenados pelo regime do seu país ao exílio e impedidos de jogar futebol.
Uma questão de honra
A Coreia do Norte, única representante do continente asiático na fase final [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 19 de Julho de 1966 os jogadores da Coreia do Norte fizeram História ao eliminarem a poderosa Itália do Campeonato do Mundo. Um ano depois, foram condenados pelo regime do seu país ao exílio e impedidos de jogar futebol.</p>
<p><strong>Uma questão de honra</strong><br />
A Coreia do Norte, única representante do continente asiático na fase final em 66, era vista como uma selecção alienígena na prova, pelo total desconhecimento que o resto do mundo tinha acerca do seu valor. Nomes como Ring Jung-sun, Pak Doo-Ik, Han Bong Jin, Yang Song Guk e o guarda-redes Ri Chan Myong podiam ser famosos no seu país, mas eram completos desconhecidos para o resto do mundo. O facto de virem de um país comunista e extremamente fechado face a qualquer interferência estrangeira era a principal causa desse desconhecimento. Para além disso, havia a particularidade de a Coreia do Norte, enquanto nação, não ter relações diplomáticas com a Inglaterra e nem sequer ser reconhecida por esta. É que 12 anos antes, a Grã-Bretanha tinha participado na Guerra da Coreia. Para as autoridades britânicas o hasteamento da bandeira da Coreia do Norte e o tocar do hino significavam o reconhecimento daquela enquanto nação e uma afronta aos seu aliados da Coreia do Sul. A negação do visto de entrada aos norte-coreanos no país de Sua Majestade chegou a ser colocado em causa, o que, desde logo, fez com que os jogadores desse país se sentissem em território inimigo e receassem represálias. Talvez aos olhos de hoje esta questão pareça ridícula, mas no auge da Guerra Fria era uma questão que colocava os países em sobressalto.</p>
<p>Chollima era o nome pelo qual a selecção norte-coreana era conhecida. Chollima, conforme a mitologia coreana, é um cavalo alado, mas era também o nome de um movimento que visava acelerar e apoiar a reconstrução do país, após a guerra que dividiu as duas Coreias. Antes da viagem da selecção para Inglaterra, o Presidente Kim Il Sung concedeu aos jogadores uma audiência particular e fez questão de enfatizar no seu discurso que eles deveriam jogar, acima de tudo, para defender a honra da pátria. Para isso deveriam ser unidos, velozes e manter sempre um espírito combativo. À semelhança do Chollima.</p>
<p>O início, no entanto, não foi famoso: derrota por 3-0 frente à URSS, na altura vice-campeã da Europa. Um jogo que trouxe ao de cimo a inexperiência dos coreanos, surpreendidos pelo poderio soviético, mas também pela sua própria inexperiência em provas deste gabarito. Mas no jogo seguinte, frente ao Chile (que no Mundial anterior tinha ficado em 3.º lugar), os coreanos conseguiram um empate a um golo. Para se qualificarem para os quartos-de-final teriam de alcançar a missão impossível: derrotar a Itália.</p>
<p><strong>Dois jogos para a História</strong><br />
&#8220;A queda do Império Romano não foi nada, comparado com este resultado&#8221;. Foi assim que o jornal Northern Echo classificou a vitória por 1-0 da Coreia do Norte sobre a Itália. Poucos, na altura, se atreveram a contestar a afirmação. O golo de Pak Doo-Ik originou o resultado mais surpreendente de sempre em jogos de fases finais. Mais ainda do que a derrota do Brasil contra o Uruguai no Mundial de 1950 ou da Hungria contra a RFA na final de 54. Ou do que a vitória da própria Coreia do Sul frente à Itália e à Espanha no Mundial de 2002. Afinal, os norte-coreanos em 66 não eram treinados por Guus Hiddink, não jogavam em casa e não tinham a arbitragem a ajudá-los.</p>
<p>Aos humildes jogadores coreanos, depois deste resultado, estava prometida uma medalha por parte do presidente do seu país. Para os ricos e famosos jogadores italianos, como Rivera, Mazzola e Facchetti, a eliminação do Mundial após este jogo fez com que, ao desembarcarem no aeroporto de Génova, fossem recebidos com uma chuva de tomates podres atirados pelos seus conterrâneos. Nunca a Itália, na altura bicampeã mundial, havia sofrido uma derrota tão humilhante. Em consequência disso, a Federação Italiana de Futebol proibiu a partir da época seguinte a entrada de mais jogadores estrangeiros nos clubes. Era urgente promover a formação de jovens futebolistas nacionais de maneira a voltar ter uma selecção capaz de honrar a sua história. Essa proibição (que impediu, entre outras coisas, que Eusébio rumasse ao Calcio) durou até 1982, ano em que a <em>squadra azurra</em> voltou a conquistar um Campeonato do Mundo.</p>
<p>Nos quartos-de-final os norte-coreanos jogariam na cidade de Liverpool contra Portugal, que havia mandado para casa o campeão em título Brasil. A apoiar a selecção asiática, não havia coreanos, mas antes 3.000 habitantes de Middlesborough, a pequena cidade operária onde os jogadores e equipa técnica tinham ficado alojados na primeira fase do torneio e com a qual acabaram por estabelecer grande empatia. Cada treino da selecção fora assistido com entusiasmo pelos habitantes locais que faziam jus ao lema: &#8220;support your local team&#8221;. Os italianos, certos da sua qualificação, já tinham agendado a sua estadia em Liverpool num seminário jesuíta. Como tal não veio a acontecer, acabaram por ceder essa mesma estadia à selecção coreana. Educados num regime comunista e sem qualquer conhecimento da simbologia e iconografia cristãs, os coreanos nunca tinham visto a imagem de um homem pregado numa cruz com uma coroa de espinhos, mas a verdade é que ela estava presente em todos os quartos do seminário e aterrorizou o sono da grande maioria dos jogadores.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2175 alignleft" style="margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/06/eusebio-coreia-norte-mundial-66.jpg" alt="Coreia do Norte: Heróis Esquecidos" width="300" height="183" align="left" title="Coreia do Norte: Heróis Esquecidos" />O encontro contra Portugal foi, como todos sabemos, uma partida de duas faces. A Coreia do Norte, aos 25 minutos de jogo, já vencia por 3-0 e dominava o adversário com o mesmo tipo de futebol com que havia derrotado a Itália e com que havia prometido ao seu líder honrar o país: velocidade e espírito combativo, bem como uma disciplina táctica quase militar. O futebol, na altura, era jogado a um ritmo muito mais lento do que hoje em dia e, por isso, a rapidez com que os coreanos faziam correr a bola e pressionavam os adversários desorientava esses jogadores. Só que na selecção portuguesa de então estava Eusébio, o melhor jogador e marcador da prova, que até ao intervalo reduziu a desvantagem para 3-2. Na segunda metade, mais dois golos de Eusébio e um de José Augusto acabaram por permitir a reviravolta, a maior de sempre ocorrida num jogo de um Mundial. A importância que este jogo teve para a popularidade de Eusébio, principalmente em Inglaterra, não pode ser subestimada. Pelos 4 golos que marcou, pela reviravolta que, praticamente sozinho, operou no resultado, por ser um jogo a contar para o Campeonato do Mundo e por outro facto extremamente importante: cada vez que Eusébio marcava um golo, ia buscar a bola ao fundo das redes e corria com ela até ao meio-campo, rejeitando os abraços dos colegas, para permitir que o jogo fosse reiniciado o mais rapidamente possível. E só festejou, após marcar o golo que deu o 4-3 para Portugal.</p>
<p><strong>O regresso a casa</strong><br />
Se a tomatada com que os jogadores italianos foram recebidos em casa é um episódio célebre, já o que aconteceu com os norte-coreanos, após a derrota com Portugal, sempre esteve envolvido em mistério. Durante anos nunca mais se ouviu falar de qualquer um deles. Só recentemente, após um documentário britânico intitulado &#8221;O Jogo das Suas Vidas&#8221;, se descobriu o que realmente aconteceu. Inicialmente, os jogadores foram recebidos como heróis pelo regime e a população do seu país, não só pela vitória frente à poderosa Itália, mas pelo facto de se terem tornado na primeira selecção asiática a ultrapassar a primeira fase de um Mundial. No entanto, após o período de euforia, o governo da Coreia do Norte abriu uma investigação a todos os jogadores e condenou-os a serem deportados ou feitos prisioneiros. O motivo? A descoberta da forma como eles celebraram a vitória contra a Itália: com música, mulheres e álcool. Uma ofensa aos ideais seguidos pela ditadura de Kim Il Sung e uma imperdoável manifestação de fraqueza moral e de desonra. Pak Doo Ik, por exemplo, o principal herói da vitória contra a Itália e apelidado de &#8220;dentista&#8221; nesse país pela dor que o seu golo infligiu numa nação inteira, ficou dez anos a trabalhar como lenhador no distrito de Daepyong. Só após a ascensão ao poder de Kim Jong-il, que sempre fora fascinado pelos &#8220;heróis do Mundial&#8221;, é que estes tiveram direito a serem reabilitados, sendo-lhes concedidas casas estatais na capital e a possibilidade de excercerem cargos técnicos em diversas equipas. Pak Doo Ik teria mesmo direito a receber um apartamento de dois andares e o posto de seleccionador nacional durante uns anos. Dos jogadores coreanos desse Mundial, já só sete se encontram vivos. Graças ao documentário que sobre eles foi feito, obtiveram uma raríssima autorização para saírem do país e, na companhia da equipa técnica responsável pelo documentário, regressarem à cidade de  Middlesbrough. Quatro décadas após o &#8220;jogo das suas vidas&#8221;.</p>
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		<title>Garrincha &#8211; O Anjo de Pernas Tortas</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Apr 2009 13:46:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís António Coelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Nasceu numa favela, no seio de uma família com um pai alcoólico e 14 irmãos. Teve poliomielite e, devido a essa doença, sofreu um desvio na coluna que o deixou coxo para o resto a vida, com a perna direita 6 centímetros mais curta do que a outra. A alcunha de &#8220;Garrincha&#8221; veio do facto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nasceu numa favela, no seio de uma família com um pai alcoólico e 14 irmãos. Teve poliomielite e, devido a essa doença, sofreu um desvio na coluna que o deixou coxo para o resto a vida, com a perna direita 6 centímetros mais curta do que a outra. A alcunha de &#8220;Garrincha&#8221; veio do facto de se assemelhar a um pássaro tão frágil que bastava uma rabanada de vento para ser levado para longe. E foi assim a infância do melhor futebolista brasileiro de sempre, a seguir a Pelé.</p>
<p><strong>O ídolo do Botafogo e da selecção</strong><br />
Como todos os rapazes no Brasil, mesmo os coxos e franzinos, Manuel Francisco dos Santos, seu nome de registo, gostava de futebol e cedo começou a pedir aos irmãos e colegas para jogar com eles. No início todos lhe diziam para se ir embora, que um coxo como ele não servia para nada, muito menos para jogar à bola, mas quando alguém se atreve a colocá-lo na sua equipa, nos jogos de rua, o espanto é geral: o rapaz é um fenómeno. Um malabarista capaz de ultrapassar e humilhar todos os adversários que lhe tentam roubar a bola, como se fosse a coisa mais simples do mundo, até ao cruzamento final ou remate para golo. Apesar de ser também conhecido, entre os amigos e irmãos, como Mané (um nome que, no Brasil, se refere aos homens meio tolos ou ingénuos), com a bola nos pés ele é um génio.</p>
<p>Após ter jogado no Esporte Clube de Pau Grande, o rapaz, incentivado pelos irmãos e amigos que antes menosprezavam a sua habilidade para o futebol, vai fazer um teste ao Botafogo. O Vasco da Gama e o São Cristovão já o tinham rejeitado, por causa das pernas tortas e do desvio na coluna, mas o Botafogo não caiu no mesmo erro. Logo no primeiro treino em que esteve à experiência, Mané passou várias vezes pelo defesa Nílton Santos, jogador titular da selecção brasileira da época, colocando-lhe a bola entre as pernas. Para ele, fazer dribles aos profissionais que lhe apareciam à frente no Botafogo era exactamente o mesmo que aos colegas do Esporte Clube de Pau Grande. Seria, aliás, o próprio Nílson Santos a sugerir ao presidente do clube a contratação daquele rapaz desajeitado de 19 anos.</p>
<p>Depois de se tornar no maior ídolo do Botafogo e de ajudar o clube a vencer o Campeonato Carioca, em 1957, Mané começa a preparar a sua nova conquista: a selecção. Em 1958, um ano antes de começar o Mundial na Suécia, marca num jogo de preparação, disputado em Itália, um dos seus golos mais famosos ao serviço do Brasil: depois de fintar quatro adversários, incluindo o guarda-redes, fica com a baliza aberta para marcar. No entanto, talvez por achar que marcar assim seria demasiado fácil, espera que um outro adversário tente tirar-lhe a bola, para também o fintar e só depois acaba por rematar à baliza. Esta proeza valeu-lhe, no entanto, a perda da titularidade, pois o seleccionador Vicente Feola classificou esse lance como &#8220;irresponsável&#8221;. Talvez tivesse razão. Mas era também uma jogada que demonstrava de forma exemplar a natureza de Garrincha: jogar futebol pelo prazer de jogar, com uma despreocupação quase infantil em relação a questões tácticas ou ao nome dos adversários que enfrentava. Para ele o futebol era alegria e liberdade. Ou seja, por maior que fosse o seu talento, seria sempre um pesadelo para qualquer treinador que o orientasse. Já durante o Mundial, depois de ficar de fora nos dois primeiros jogos (tal como Pelé), vê um grupo de colegas fazer pressão junto do seleccionador para que ele e Pelé sejam titulares na terceira partida. E foi nesse jogo, em que o Brasil derrotou por 2-0 a União Soviética, que a lenda de Garrincha, autor dos dois passes para golo, nasceu para o mundo. Depois de, na meia-final, bater por 5-2 a França de Kopa e Fontaine, a equipa aplicaria o mesmo resultado na final, frente à selecção anfitriã, com Garrincha a destacar-se uma vez mais pelas jogadas que deram origem aos dois golos de Vavá. Foi o primeiro Mundial ganho pelo Brasil.</p>
<p><strong><a href="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/04/garrincha-brasil.jpg"><img class="size-medium wp-image-1746 alignleft" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" title="garrincha-brasil" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/04/garrincha-brasil-278x201.jpg" alt="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" width="278" height="201" /></a>O Mundial de Garrincha</strong><br />
Em 1962, o &#8220;anjo de pernas tortas&#8221;, como já era conhecido, chegou ao Mundial do Chile na mesma condição em que saíra da Suécia, 4 anos antes: como estrela maior, juntamente com Pelé, da selecção brasileira. No entanto, depois de Pelé sofrer uma lesão que o afastaria para o resto da competição, logo no segundo jogo, passou a ser Garrincha o líder da equipa. Um líder cuja influência, em termos de prestação individual na conquista de um Mundial, equipara-se à que Maradona teve para a Argentina no México 86. Foram de Garrincha as jogadas que deram origem aos golos de Amarildo (o substituto de Pelé) na vitória por 2-1 sobre a Espanha, na primeira fase. Nos quartos-de-final, marcou dois golos na vitória de 3 a 1 sobre a Inglaterra, com o outro golo do Brasil, marcado por Vavá, a ser conseguido após a recarga a um remate de Garrincha. Um episódio curioso neste jogo: durante a partida, um cão invadiu o campo e obrigou à sua interrupção. Depois de vários jogadores das duas equipas tentarem apanhá-lo, sem êxito, seria o avançado inglês Jimmy Greaves a conseguir segurá-lo. No entanto, como recompensa, viu o cão urinar-lhe em cima. Consta que Garrincha se divertiu tanto com a situação que acabou por ficar com o animal. Nas meias-finais, mais dois golos do &#8220;anjo de pernas tortas&#8221;, na vitória por 4-2 sobre a selecção anfitriã. Garrincha seria expulso no final dessa partida, depois de agredir um adversário que passara o jogo todo a agredi-lo. No entanto, o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, recorreu da expulsão e o jogador acabaria por receber a autorização da FIFA para disputar a final contra a Checoslováquia. Resultado: 3-1 para o Brasil. No final do torneio, Garrincha seria eleito o melhor jogador da prova. Ainda nesse ano, liderou o Botafogo na conquista de mais um Campeonato Carioca, batendo na final o Flamengo.</p>
<p>O ano de 1962 não acabaria sem antes ser realizado, por Joaquim Pedro de Andrade, um documentário sobre a vida de Garrincha, e cujo título traduzia na perfeição aquilo que o jogador representava na altura: &#8220;Garrincha &#8211; A Alegria do Povo&#8221;.</p>
<p><strong>O início da decadência</strong><br />
Em 1963 Garrincha parecia estar no topo do mundo, sendo mesmo disputado por dois dos maiores clubes italianos (Inter e Ac Milan). A transferência só não ocorreu porque o Botafogo não ficou satisfeito com as propostas feitas. No entanto, foi nesse ano que começaram a surgir os problemas no joelho do jogador, depois de ter actuado várias vezes pelo seu clube sem estar nas melhores condições físicas. Na altura, o Botafogo fazia várias excursões e uma coisa era o cachet que cobrava se jogasse com Garrincha, outra coisa (ou seja, metade) era o cachet que cobrava se &#8220;a alegria do povo&#8221; não jogasse. Uma prática que o Benfica também conheceu, nos tempos de Eusébio, e que também obrigou o &#8220;pantera negra&#8221; a jogar várias vezes lesionado. No ano seguinte, surgem as primeiras lutas de Garrincha com o seu clube. Devido à sua recusa em ir nalgumas excursões, foi multado em 50% do salário. As relações começaram a deteriorar-se de tal forma que Garrincha chega a ser chamado de &#8220;moleque&#8221; no próprio boletim do clube. Em 1966 dá-se a inevitável ruptura: o clube vende-o ao Corinthians, sem sequer avisar o jogador.</p>
<p>Mesmo assim, nesse ano, ele disputa o seu terceiro Mundial, em Inglaterra. É nessa competição (onde marca um golo na vitória sobre a Bulgária) que sofre a sua única derrota, em 60 jogos, com as cores da selecção brasileira, no encontro que opôs o Brasil à Hungria: 3-1 foi o resultado favorável aos magiares. Ficou, no entanto, um registo histórico. Como Pelé não jogou essa partida e Garrincha não participou no jogo em que a sua selecção perdeu com Portugal, a &#8220;canarinha&#8221; pode-se orgulhar de nunca ter perdido um único jogo no qual participassem aqueles que foram os seus dois maiores representantes.</p>
<p><strong>O fim da alegria</strong><br />
Depois de deixar o Corinthians, jogou ainda no Atlético Júnior (da Colômbia), no Flamengo, no Olaria e em vários clubes menores e amadores de outros países sul-americanos. Mas o &#8220;anjo de pernas tortas&#8221; já não era o mesmo. E se ainda era conhecido como &#8220;a alegria do povo&#8221;, era mais pelas memórias que o seu nome projectava do que pela capacidade de impor o seu futebol. Nas bancadas, já não era alegria que se sentia, mas angústia pela queda do mito que os espectadores viam a arrastar a sombra pelos relvados. Para além das lesões no joelho, agora havia outro mal a afectá-lo: o alcoolismo. O mesmo que o levou a ter o desastre de viação, em Abril de 1969, do qual resultaria a morte da mãe da sua segunda mulher. Em Dezembro de 1973 ainda foi realizado no Maracanã o jogo de despedida de Garrincha. Um jogo que colocou, frente a frente, a selecção do Brasil e uma outra da FIFA, composta principalmente por jogadores argentinos e uruguaios. Seria o último suspiro de dignidade de Garrincha, que saiu ovacionado a meio do jogo, em direcção ao túnel do estádio e do esquecimento público. Só voltaria a ser notícia em Janeiro de 1983, quando morreu, bêbedo e só, numa ruela do Rio de Janeiro, vítima de cirrose (tal como o seu pai). No velório, os familiares de Garrincha acusaram Vanderléia, a sua terceira mulher, de ter matado o antigo jogador e só não a conseguiram espancar devido à intervenção policial. Mas como é evidente, Garrincha foi apenas vítima de si mesmo. Do seu carácter ingénuo e do amor que sentia pelo futebol. Enquanto jogador, só se preocupava em desfrutar do prazer que sentia em jogar, negligenciando por completo o valor de mercado que o seu nome tinha e que Pelé, por exemplo, tão bem aproveitou. O final de Garrincha assemelhou-se bastante ao de George Best, não só pela forma com que os dois encaravam o futebol, mas também pela incapacidade de resistirem ao sexo feminino (Garrincha teve 14 filhos das 3 mulheres com quem viveu, e sabe Deus quantos mais teve de outras com quem se relacionou) e, claro, à bebida. Mas o destino do brasileiro foi ainda mais trágico. Best tinha consciência daquilo que era; Garrincha, não.</p>
<p>Tal como Carlos Drummond de Andrade escreveu após a sua morte, &#8220;se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irónico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas.&#8221;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=qx1jfndUXqk"><img src="http://img.youtube.com/vi/qx1jfndUXqk/default.jpg" width="130" height="97" border title="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" alt="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" /></a><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=FaVEexI8gfM"><img src="http://img.youtube.com/vi/FaVEexI8gfM/default.jpg" width="130" height="97" border title="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" alt="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" /></a><br />
<a href="http://www.youtube.com/watch?v=Tk2C4LUvaxc"><img src="http://img.youtube.com/vi/Tk2C4LUvaxc/default.jpg" width="130" height="97" border title="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" alt="Garrincha   O Anjo de Pernas Tortas" /></a><br />
<span style="color: #888888;">A memória de Garrincha</span></p>
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		<title>Gordon Banks &#8211; Voo para a História</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Dec 2008 04:53:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Devesas</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode um instante ou momento resumir toda a nossa vida? No verdadeiro momento de apogeu, o ídolo que hoje lembro, agora com 70 anos, era um dos guarda-redes mais famosos do Mundo. Gordon Banks ganhou o célebre Mundial de 1966 com a Inglaterra, mas foi quatro anos mais tarde que foi literalmente “catapultado” para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode um instante ou momento resumir toda a nossa vida? No verdadeiro momento de apogeu, o ídolo que hoje lembro, agora com 70 anos, era um dos guarda-redes mais famosos do Mundo. Gordon Banks ganhou o célebre Mundial de 1966 com a Inglaterra, mas foi quatro anos mais tarde que foi literalmente “catapultado” para a popularidade quando milagrosamente voou para negar um golo mais que anunciado.</p>
<p><strong>O Enigma &#8211; &#8220;Banks of England&#8221;</strong><br />
Confesso que sempre “adoptei”a ideia que só um selecto grupo de futebolistas pode aspirar uma final de um Mundial como momento dourado de uma carreira, ou mesmo um golo numa final de um torneio de nomeada como aconteceu recentemente no Euro 2008, quando Fernando Torres marcou o único golo da final e “trouxe” a taça para os nossos vizinhos. Uma felicidade ao alcance de um jogador chamado “de campo”, mas o que dizer em relação aos “solitários” guarda-redes? Gordon Banks é a resposta. Para quem foi “abençoado” pela felicidade de o ver jogar e defender com instinto quase cruel entre os postes, rapidamente recorda que é um guarda-redes iluminado para sempre, por um único momento. Como infelizmente não faço parte desse grupo, lancei-me à procura do que o torna um nome tão popular em terras de Sua Majestade. Rapidamente saltou à vista a vitória em Wembley da Inglaterra face à Alemanha por 4&#215;2 na final do Mundial de ’66 como, naturalmente, a recordação mais sublime dos seus largos anos como guardião britânico. O “problema” é que parece que cada semana, há sempre um adepto que quase de forma infalível se aproxima de Banks e pergunta-lhe “Como foi possível alterar o destino traçado por Deus?” Muitos esticam a mão direita e esperam ansiosamente até perguntarem:” É esta a mão que realizou aquele momento contra o Brasil?” conta Banks numa recente entrevista à BBC, onde ainda referiu: “É lógico que 1966 está mais presente na minha memória, mas parece que aquela só e só mesmo aquela defesa é tudo o que todo o Mundo se recorda de mim” &#8211; acrescentou.</p>
<p><strong>A Vida</strong><br />
A carreira professional de Gordon Banks concluiu-se em 1972, com “apenas” 35 anos quando foi vítima de um acidente de viação e perdeu o seu olho direito. Desde então, o homem que contribuiu para que o sonho de milhões de ingleses se materializasse em 1966 trabalha noutro sector, onde torna realidade as ilusões de algumas pessoas afortunadas. Banks é um dos três ex-futebolistas que formam o “Pools Panel”, um grupo restrito que se reúne cada domingo para efectuar uns prognósticos de último minuto relativos a partidas na Inglaterra e Escócia. Com base nas decisões que tomam Banks, Roger Hunt e Tony Green, seus antigos companheiros do plantel vencedor do Mundial, um restrito número de apostadores pode ganhar ou perder milhares de libras.<br />
Apesar de uma próspera realidade actual, Gordon Banks pertenceu à geração que utilizou o futebol para escapar às minas de carvão no norte de Inglaterra. Nascido em Sheffield, aos 15 anos já trabalhava como servente de obras especializando-se em bolsas de carvão. O Chesterfield da 3ª divisão, foi a sua salvação pois deu-lhe “a mão” até o projectar para o Leicester por 7000£ em 1959, onde esteve 7 anos até se transferir para o Stoke City em 1966. Entre 1963 e 1972 foi internacional com a camisola inglesa por 73 vezes numa altura em que o salário máximo na Inglaterra ascendia às 20£ por semana. Uma das grandes curiosidades acerca de Banks remonta ao ano de 2001, quando vendeu a sua medalha de ouro de Campeão Mundial de 1966 na célebre leiloeira londrina Christie’s. O leilão terminou com a licitação de 124 750£ excedendo facilmente a valorização inicial de 90 000£. Banks referiu que vender a medalha foi a decisão mais difícil de sempre pois representa o dia mais importante da sua carreira. Há quem diga que foi por alegadas dificuldades económicas mas o próprio alega que apenas e só quis evitar que os seus filhos não tomassem a decisão adequada para tal alegria e assim o valor ganho foi distribuído por ambos.</p>
<p><img class="attachment wp-att-1856" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/gordon-banks-pele-brasil.jpg" alt="Gordon Banks   Voo para a História" width="290" height="174" align="left" title="Gordon Banks   Voo para a História" /><strong>O Momento &#8211; &#8220;The Save&#8221;<br />
</strong>Para que finalmente se entenda porque Banks é lembrado por um dos grandes momentos especiais de magia futebolística, é preciso referir um outro nome: Pelé. Estávamos no Mundial de 1970 e o Brasil era o próximo adversário da Inglaterra, Jairzinho rompeu pelo flanco direito e centra para a área inglesa onde Pelé se elevou e cabeceou o esférico com tamanha força, colocação e empenho que o público já gritava golo tal era o apetite que a bola ia para a rede. Com reacção felina, Banks lançou-se num voo quase sobrenatural, conseguindo desviar a bola de forma milagrosa por cima da trave com o polegar direito. Pelé não podia crer – mais tarde descreveu a acção de Banks como a melhor defesa que jamais havia visto – “Recordo que olhei para Pelé e para os brasileiros e estavam horrorizados, no fim do jogo vieram-me tocar quase como se fosse divino ou mesmo um monstro” – referiu sempre com a modéstia que tanto o caracteriza: “Estou seguro que muitos guarda-redes no Mundo realizam defesas como aquela, mas esta foi contra o Brasil e passou na Televisão, num modo quase épico que ainda hoje é sempre mostrado”.</p>
<p>Muitos adeptos pensam que se Banks tivesse jogado os quartos de final de 1970 face à Alemanha, a Inglaterra conseguiria chegar a uma nova final, mas o herói ficou de fora graças a uma indisposição estomacal e foi substituído no último instante por Peter Bonetti. Com uma vantagem de 2&#215;0, a Inglaterra viu Bonetti deixar passar um tiro de Franz Beckenbauer por baixo do seu corpo e assim a Alemanha partiu para um vitória histórica de 2&#215;3. Para Gordon Banks ficaria unicamente o sabor da sua magnífica defesa. Um momento cujo outro protagonista –  Pelé – resume da seguinte maneira: “Marquei mais de mil golos na minha vida, mas sem dúvida que o golo que não consegui marcar é aquele que todos mais recordam!”.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=i2gueytEK7E"><img src="http://img.youtube.com/vi/i2gueytEK7E/default.jpg" width="130" height="97" border title="Gordon Banks   Voo para a História" alt="Gordon Banks   Voo para a História" /></a><br />
<span style="color: #888888;">Fantástica defesa de Gordon Banks</span></p>
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		<title>Vitor Paneira &#8211; Senhor Geometria</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2008 23:31:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Devesas</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[SL Benfica]]></category>

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		<description><![CDATA[Possuidor de uma elevada criatividade e apurada técnica individual, Vítor Manuel da Costa Araújo chegou ao futebol e cedo fez um nome destacar-se na camisola 7 e na História do Benfica &#8211; Paneira. Durante 7 anos foi o rei das assistências, e na sua faixa do rectângulo exibiu grandes dotes e dribles, correndo até à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Possuidor de uma elevada criatividade e apurada técnica individual, Vítor Manuel da Costa Araújo chegou ao futebol e cedo fez um nome destacar-se na camisola 7 e na História do Benfica &#8211; Paneira. Durante 7 anos foi o rei das assistências, e na sua faixa do rectângulo exibiu grandes dotes e dribles, correndo até à linha final e cruzando em grande estilo ou contagiando os adeptos com golos decisivos.</p>
<p>A história futebolística de Vítor Paneira é simples e sem explosões de vedetismo. Mostra bem a humildade e simplicidade de um homem que nasceu no Norte, em Famalicão, até aos 16 anos participou em vários torneios de futsal locais, até que em boa hora se inscreveu no GD Riopele, no escalão de juvenis, destacando-se de imediato como o melhor jogador. Seguiu para o clube da terra, o Famalicão, onde não ficou escondido dos principais holofotes por muito tempo, pois foi descoberto pelo olheiro do Benfica Peres Bandeira. Contudo, Paneira já havia aceite um convite do Vizela, e o seu coração encarnado fez persuadir a direcção do Benfica a contrata-lo e a ficar cedido por um ano no emblema nortenho. Vítor Paneira, com 1,77m e 70 kg, chegaria ao Benfica e não tardou a impor-se. Cedo integrou um forte conjunto de jogadores e quem pensou que começasse temeroso, naquele 88/89, no meio de vice-campeões da Europa, enganou-se. Miraculado ou quase, à terceira jornada do Nacional, alcançava presença cativa no onze para nunca mais perder a confiança de todos, sobretudo após a chegada de Eriksson. Para o efeito, socorria-se de um drible precioso e também desconcertante, de assistências geométricas e também fatais, de cruzamentos preciosos e também eficazes. Convidava ao golo, avolumando sempre o caudal ofensivo da equipa. Formou com Rui Costa, Paulo Sousa e Paulo Futre o último meio-campo do Benfica de dimensão mundial. Foi vital para realçar a própria qualidade de Valdo, Jonas Thern, Kulkov ou Isaías. Da mesma forma, muito lhe ficaram a dever finalizadores com o instinto de Vata, Magnusson, César Brito, Rui Águas ou Yuran. Sagrou-se campeão nacional na primeira temporada em que usou o emblema da águia.</p>
<p><img class="attachment wp-att-1861" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/vitor-paneira-benfica.jpg" alt="Vitor Paneira   Senhor Geometria" width="300" height="200" align="left" title="Vitor Paneira   Senhor Geometria" />Mais dois títulos haveria de ganhar, em 90/91 e 93/94, com quase meia centena de golos apontados em jogos oficiais. Esteve perto de levantar uma Taça europeia, jogou a final dos Campeões, em 89/90, frente ao AC Milan (0&#215;1), chegando ainda à meia-final da Taça dos Vencedores das Taças, em 93/94, frente ao Parma, falhando uma grande penalidade decisiva. Internamente, ganhou também uma Taça de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira. Só conquistou títulos aos serviço do Benfica. No que toca a internacionalizações, contou com 44 mas faltou a Vítor Paneira disputar a fase final de um Europeu ou de um Mundial &#8211; integrou as opções no Euro 96, mas acabou por nunca sair do banco. Dos grandes momentos de águia ao peito, entre os 289 jogos e 44 golos marcados, destacaria o golo que marcou na final da Taça de Portugal de 1992/93, época em que no dia 4 de Março fez uma exibição de luxo na velha Luz, quando o Benfica venceu a Juventus de Trapattoni por 2&#215;1, em jogo a contar para a 1ª mão dos quartos de final da Taça UEFA, partida em que marcou os dois golos e poderia até ter feito o hat-trick.</p>
<p>Vítor Paneira contou com uma série de curiosidades, umas das quais quando em Junho de 1990 foi acusado de desertor e acabou condenado pelo Tribunal Militar a 75 dias de prisão efectiva, algo que cumpriu na cela nº4 da Casa de Reclusão do Porto. Mais tarde, foi dispensado quase de forma inacreditável com a chegada, claro está, de Artur Jorge, e na altura com apenas 28 anos recebeu de imediato um convite de Santana Lopes para ingressar no Sporting, que recusou de imediato alegando o seu amor pela águia e rumando para Guimarães até acabar a carreira na Académica de Coimbra. A carreira de treinador, que adoptou pouco depois, tem sido feita em categorias secundárias e, recentemente, tem mostrado o seu admirável bom gosto como comentador SportTV.</p>
<p>À sagacidade que sempre patenteou ficou-lhe também muito a dever o Benfica. Como é norma da casa, já lá vão cem anos, respeitar quem a (bem) serviu, Vítor Paneira não teve o devido reconhecimento da instituição que tão bem serviu mas sabe que o clube e sobretudo os adeptos lhe reservaram um lugar na galeria dos mais brilhantes. Com um carácter e humildade enormes, só ultrapassadas pela sua inigualável dedicação ao Benfica, Paneira personifica o glorioso Benfica do início dos anos 90. Era rei e senhor do corredor direito, assim numa espécie de monarquia absoluta que pode claramente reivindicar alguns trechos do melhor futebol que se viu no Benfica dos anos mais recentes, e esse é o maior elogio que lhe poderemos fazer.</p>
<p><br/>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=JNJbUXP8USw"><img src="http://img.youtube.com/vi/JNJbUXP8USw/default.jpg" width="130" height="97" border title="Vitor Paneira   Senhor Geometria" alt="Vitor Paneira   Senhor Geometria" /></a><br />
<span style="color: #888888;">Best of Vitor Paneira</span></p>
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		<title>Paul Gascoigne – A Glória e a Degradação</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 22:11:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís António Coelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre gostei de equipas de futebol inglesas, mas nunca morri de amores pela selecção inglesa. Com uma excepção: a selecção que disputou o Mundial de 1990 em Itália. A selecção de Gary Lineker, John Barnes, Chris Waddle, Peter Beardsley, David Platt e… Paul Gascoigne. 
O Mundial de 1990
Desde que me lembro, o Mundial de 90 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="justify;"><span style="Verdana;"><span style="small;">Sempre gostei de equipas de futebol inglesas, mas nunca morri de amores pela selecção inglesa. Com uma excepção: a selecção que disputou o Mundial de 1990 em Itália. A selecção de Gary Lineker, John Barnes, Chris Waddle, Peter Beardsley, David Platt e… Paul Gascoigne. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="justify;"><span style="Verdana;"><span style="small;"><strong>O Mundial de 1990</strong><br />
Desde que me lembro, o Mundial de 90 foi o único em que estive verdadeiramente a puxar pela vitória da selecção inglesa (Portugal esteve ausente da fase final). Isso deveu-se, em grande parte,<span style="yes;"> </span>às exibições de Gascoigne (também conhecido por “Gazza”), uma espécie de jogador todo-o-terreno, ou um “carregador de piano”, como se dizia antigamente, capaz de liderar uma equipa, não só como maestro, mas também como executante. Gascoigne, então com 23 anos, pareceu sempre, ao longo do Mundial, um jogador em estado de graça. Como se estivesse a viver o momento mais feliz da sua vida. Enquanto espectador, chegava a ser vibrante testemunhar a forma como jogava, sempre com um disponibilidade física que parecia não ter limites, aliada a uma grande capacidade técnica. Isso viu-se principalmente no épico encontro dos quartos-de-final (talvez o melhor do torneio) em que a Inglaterra bateu os Camarões por 3-2, após prolongamento. A selecção inglesa acabaria eliminada nas meias-finais pela Alemanha, no desempate por grandes penalidades, mas durante esse encontro Gascoigne foi superior ao seu adversário directo: Lottar Matthäus. E o capitão germânico estava então no auge da sua carreira. É, aliás, desse jogo que guardo uma das imagens mais marcantes de todo o Mundial: o choro convulsivo de Gascoigne quando recebeu o cartão amarelo que o impediria de jogar a final, caso a Inglaterra se qualificasse para ela (já tinha recebido um cartão no jogo dos oitavos-de-final com a Bélgica).</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="justify;"><span style="Verdana;"><span style="small;"><strong><img class="attachment wp-att-2020 alignleft" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/paul-gascoigne-tottenham.jpg" alt="Paul Gascoigne" width="290" height="180" align="left" title="Paul Gascoigne – A Glória e a Degradação" />A popularidade em Inglaterra</strong><br />
Antes de se tornar mundialmente famoso graças a esse Mundial, Gascoigne já havia há muito impressionado os adeptos do seu país. Na Europa, devido ao impedimento de as equipas inglesas participarem em provas internacionais após a tragédia de Heysel Park, é que era quase desconhecido, apesar de a sua transferência do Newclaste para o Tottenham, em 1988, ter sido na altura a mais cara do futebol britânico (2.3 milhões de libras). Essa transferência assinalou também a primeira polémica em relação ao jogador. É que, durante o defeso, ele tinha dado a sua palavra a Alex Ferguson em como aceitaria a proposta do Manchester United em ir jogar para os <em>red devils</em>. Ferguson era já o treinador do Manchester, mas a equipa na altura não era o colosso que havia sido nos anos 60 e que viria novamente a ser a partir da década de 90. E na época, a escolha pelo Tottenham não parecia assim tão descabida. Gary Lineker faria o mesmo, depois de sair do Barcelona. E foi no Tottenham, sob o comando de Terry Venables, que Gazza se tornou num dos melhores e mais populares jogadores ingleses do final do anos 80 e início de 90. Popular ao ponto de chegar a gravar música e alcançar êxito com o single <em>&#8220;Fog on the tyne&#8221;</em>. Ao serviço do Tottenham, acabou por conquistar a Taça de Inglaterra na final de 1990/91 contra o Nottingham Forest do lendário Brian Clough. No entanto, essa final assinalou também o início de uma série de graves lesões no joelho que Gascoigne iria sofrer ao longo da sua carreira, nomeadamente na Lázio, para onde já tinha acordado transferir-se na época seguinte. Em 1991/92 praticamente não jogou, não só devido a essa lesão, mas também por causa de um acidente sofrido num clube nocturno (o primeiro de muitos). </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="justify;"><span style="Verdana;"> <span style="small;"><strong>Em Itália e na Escócia</strong><br />
A sua estreia com a camisola da Lazio ocorreu em Setembro de 1992, numa partida contra o Génova, transmitida tanto pela televisão italiana, como pela inglesa. Apesar de as suas exibições, ao longe de três épocas na formação italiana, terem ficado aquém do esperado, a sua entrega durante as partidas, o seu carisma natural e o facto de ter marcado um golo importante à ultra-rival AS Roma no penúltimo minuto de uma partida, ajudou a cimentar a sua popularidade junto dos adeptos. Mas para Gazza, a transferência para o Glasgow Rangers em 1995/96 foi como que um reiniciar da sua carreira. Longe dos <em>media</em> italianos, para quem as suas “proezas” fora de campo sempre foram mais importantes do que aquilo que fazia quando jogava, efectuou logo uma das suas melhores épocas de sempre, conquistando o título escocês, a Taça e a admiração dos adeptos. Não foi por acaso que foi eleito o melhor jogador do campeonato. Nessa época ficou também famosa a cena em que o árbitro Dougie Smith deixou cair o cartão amarelo no relvado. Gascoigne, num acto típico do seu temperamento provocador, pegou no cartão e mostrou-o o árbitro, como se o estivesse a penalizar, o que não agradou muito a Smith, pois logo de seguida mostrou também o cartão ao jogador. Ainda nesse ano, durante o campeonato da Europa disputado em Inglaterra, Gazza comandou a selecção do seu país até às meias-finais (onde, para variar, seria eliminada pela Alemanha através do desempate por grandes penalidades), marcando até um dos mais belos golos de toda a História das fases finais de Europeus, frente à Escócia. Numa jogada individual só ao nível dos predestinados, ”Gazza” recebeu a bola com o peito dentro da área, passou-a por cima de Hendry e rematou de pronto, batendo o guarda-redes Goram. Em 2002, ano do último jogo realizado no mítico estádio de Wembley (demolido no ano seguinte), esse golo de Gascoigne foi eleito o melhor de sempre marcado naquele recinto londrino. Na época seguinte, voltou a ganhar o título e a Taça da Liga escocesa, marcando dois golos na final. Tudo parecia estar no melhor dos mundos: Gazza exibia todas as qualidades que manifestara no Tottenham e na selecção inglesa, encantava os adeptos da sua equipa e colocava os adversários (jogadores e adeptos) à beira de um ataque de nervos e prometia marcar uma era na História do Glasgow Rangers e do próprio campeonato escocês. Até que, em Janeiro de 1998, viu a sua vida ser ameaçada pelo IRA, depois de, numa partida contra o Celtic, ter feito um gesto considerado ofensivo para os adeptos do rival do Glasgow e a população católica em geral. Talvez por isso, acabou por aceitar o convite do Middlesborough para, em Março do mesmo ano, regressar a Inglaterra e ajudar a equipa a subir da Division One para a Premier League. Essa foi, no entanto, a única conquista que obteve no Middlesborough e, a longo prazo, a sua saída da Escócia acabou por representar um novo declínio na sua carreira. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="justify;"><span style="Verdana;"><span style="small;"><strong>A curva descendente</strong><br />
Depois do Middlesborough, transferiu-se para o Everton em 2000/2001, onde voltou a não ser feliz. Ainda foi parar ao Burnley, da Divison One, no fim da temporada 2001/2002. Em Janeiro de 2003 assinou um contrato como treinador/jogador com um clube chinês, o Gansu Tianma, mas não ficou lá muito tempo. A bebida e a depressão já há muito mandavam na sua vida. Depois de, em Abril desse ano, ir para os EUA para procurar tratamento, nunca mais regressou ao seu clube. Nesse mesmo ano ainda voltou a Inglaterra e esteve, imagine-se, à experiência no Wolverhampton, mas sofreu a humilhação de não ter sido aprovado. </span></span><span style="'Times New Roman';">Depois de pendurar as botas, o comportamento de eterno “rebelde sem causa” com atracção pela violência e pela degradação tornou-se ainda mais perigoso. Pancadaria em bares, tentativas de suicídio, overdoses, bebedeiras dia sim dia sim e violência doméstica têm sido as notícias associadas a Gascoigne nos últimos anos. É verdade que o jogador nunca foi um santo: quando festejava golos era provocador para os adeptos adversários, chegou a arrotar propositadamente numa entrevista em directo para a televisão italiana, e quando Glenn Hoddle o afastou da convocatória para o Mundial de 1998 (por ter sido apanhado a beber convulsivamente em pleno estágio), fez o favor de entrar no quarto do seleccionador inglês e dar largas às suas fantasias mais violentas. Custa-me, no entanto, que um jogador que em tempos admirei, e que tinha talento para ficar na história como um dos melhores da sua geração, se tenha deixado influenciar cegamente pela mediatização da sua imagem de <em>“bad boy”</em>. Mas nisso, não foi o primeiro nem será o último.</span></p>
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		<title>René Higuita &#8211; El Escorpión Loco</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Oct 2008 23:15:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Devesas</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colômbia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Mestre do imprevisível. Com uma personalidade, presença em campo e postura na vida únicas, Higuita é definitivamente um dos grandes nomes do futebol Mundial, sobretudo pela forma como marcou a História do desporto-rei num &#8220;simples&#8221; e aborrecido jogo amigável em Wembley, face à Inglaterra, e que foi agora eleita como a melhor jogada da história [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mestre do imprevisível. Com uma personalidade, presença em campo e postura na vida únicas, Higuita é definitivamente um dos grandes nomes do futebol Mundial, sobretudo pela forma como marcou a História do desporto-rei num &#8220;simples&#8221; e aborrecido jogo amigável em Wembley, face à Inglaterra, e que foi agora eleita como a melhor jogada da história do futebol &#8211; a surpreendente &#8220;defesa escorpião&#8221;.</p>
<p>– &#8220;Hoje sei que posso morrer tranquilo. Essa jogada passará para os filhos dos nossos filhos&#8221; – afirmou agora com 41 anos, à imprensa colombiana. Criado pela sua avó, Higuita cresceu para se tornar num guarda-redes muito especial. Não apenas e só pelo facto de ter participado na época dourada do futebol Colombiano, onde ajudou a equipa nacional mas sobretudo o Atlético Nacional na conquista da Copa Libertadores da América em 1989, mas sobretudo porque mais do que tudo, os fãs de todo o Mundo o adoram porque parecia jogar apenas e só para se divertir. Todos se lembram facilmente do seu estilo louco a tentar driblar meia equipa adversária, sem medos como aconteceu no Mundial de 90 que acabou com um desarme de <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.jogodearea.com/2008/03/roger-milla-eterno-sorriso-dourado/">Roger Milla</a></span> &#8211; que com 38 anos marcou o golo que enviou a Colômbia para casa. Este episódio não o fez desarmar do estilo louco no que toca a ser guarda-redes. Cinco anos mais tarde, pode um Homem ficar marcado por um momento que &#8220;acordou&#8221; o Mundo? Sim! Basta recuar a 7 de Setembro de 1995, em Londres: a Inglaterra recebia a &#8220;exótica&#8221; Colômbia. Na baliza dos visitantes, uma figura no mínimo caricata, de cabelos pretos encaracolados bem longos e uma forma peculiar irrequieta e impaciente de estar no relvado. Era René Higuita. Na ocasião, Jamie Redknapp arriscou um chuto de fora da área para Higuita surpreender tudo e todos ao se atirar para o chão e defender a bola no ar com a sola dos pés. Um momento inédito e lendário para o futebol que foi recentemente eleito como a melhor jogada da história do futebol. A escolha foi feita pelo site inglês Footy Boots e contou ainda com lances de craques como Ronaldinho Gaúcho, Maradona e Johan Cruyff.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2306 alignleft" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/06/colombia_higuita.jpg" alt="René Higuita   El Escorpión Loco" width="300" height="184" align="left" title="René Higuita   El Escorpión Loco" />Higuita sofreu muita censura por parte dos adeptos do seu país, mas ainda no decorrer da sua carreira &#8211; e fruto do seu estilo ousado que causava grandes calafrios a tudo e todos &#8211; conseguiu alcançar a incrível marca de 41 golos marcados! Em 1992/1993, chegou a provar o futebol Europeu, no Real Valladolid, mas o seu estilo louco levou-o rapidamente de volta para o campeonato venezuelano onde passou grande parte da sua carreira. Esta é uma das muitas curiosidades sobre Higuita que em 1991, numa atitude muito polémica, foi visitar na prisão o chefe do Cartel de Medellín (um dos maiores traficantes de droga) Pablo Escobar, de quem se dizia amigo pessoal. Também ligou ao irmão de Escobar, Roberto, para pedir ajuda para escapar a uma punição por ter agredido um jornalista. Em 1993, Higuita foi preso e acusado de participar num sequestro, mas foi libertado de seguida. Esta prisão custou-lhe a participação no Mundial de 1994.</p>
<p>René Higuita, que sempre admitiu ser &#8220;muito feio&#8221;, passou ainda por uma transformação física depois de se submeter a cinco cirurgias plásticas para o &#8220;reality show&#8221; Extreme Makeover. No programa, também foram exibidas mensagens de apoio ao &#8220;escorpião&#8221;, como do paraguaio José Luis Chilavert, que lhe desejou sorte com seu novo &#8216;look&#8217;, e do camaronês <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.jogodearea.com/2008/03/roger-milla-eterno-sorriso-dourado/">Roger Milla</a></span>, que fez o golo da eliminação da Colômbia no Mundial disputado na Itália em 1990.</p>
<p>Com 41 anos mas ainda no activo ao serviço do Deportivo Pereira da primeira divisão venezuelana, admite que já não resta muito tempo de carreira e ainda lamenta não ter alguém para quem passar o bastão. &#8220;Não tenho visto outro guarda-redes que faça o mesmo que eu. O negócio tirou um pouco do espectáculo do futebol, é uma pena &#8221; &#8211; afirma Higuita que ainda garante que até hoje, em todos os estádios onde vai, ouve pedidos para que repita o escorpião, ao que responde que é apenas uma questão de tempo. &#8220;Nunca mais repeti aquela jogada, mas continuo a treinar. Quando a oportunidade aparecer, vou fazer o escorpião. E ela vai aparecer, podem apostar&#8221;, exulta. Entre a loucura e a diversão, há certamente lugar para o obrigado dos milhões de adeptos do futebol que hoje e para sempre relembrarão a beleza do escorpião.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=vamRFbkQzfQ"><img src="http://img.youtube.com/vi/vamRFbkQzfQ/default.jpg" width="130" height="97" border title="René Higuita   El Escorpión Loco" alt="René Higuita   El Escorpión Loco" /></a><br />
<span style="color: #888888;">Best of Higuita</span></p>
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		<title>Yashin, o «Aranha-Negra»</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 14:24:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luís António Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Leste Europeu]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi o único guarda-redes, até hoje, a conquistar o prémio de melhor futebolista europeu do ano, em 1963. A alcunha com que ficou conhecido devia-se ao facto de equipar sempre de preto. E de parecer ter oito braços quando defendia o indefensável.
À descoberta de Yashin
A primeira vez que ouvi falar de Lev Ivanovich Yashin foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="none"><span style="Times New Roman;">Foi o único guarda-redes, até hoje, a conquistar o prémio de melhor futebolista europeu do ano, em 1963. A alcunha com que ficou conhecido devia-se ao facto de equipar sempre de preto. E de parecer ter oito braços quando defendia o indefensável.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="none"><span style="Times New Roman;"><strong>À descoberta de Yashin<br />
</strong>A primeira vez que ouvi falar de Lev Ivanovich Yashin foi em Maio de 1986, num artigo de imprensa sobre o guarda-redes Rinat Dassaev. Nesse artigo, onde se falava sobre alguns dos melhores jogadores que iriam participar no Mundial do México no mesmo ano, Dassaev, capitão e guarda-redes da ex-URSS, era descrito como o <em>&#8220;herdeiro de Yashin&#8221;</em>. Na altura eu era fanático por guarda-redes, e ainda hoje recordo muito mais facilmente os grandes guarda-redes dessa época do que de qualquer outra: Joel Bats da França, Jean-Marie Pfaff da Bélgica, Peter Shilton de Inglaterra, Pat Jennings da Irlanda do Norte (que disputou esse Mundial já com 41 anos), Toni Schummacher da RFA (que 4 anos antes, depois de quase ter matado o francês Battiston ao chocar violentamente com este durante uma jogada na meia-final em que a RFA eliminou a França, foi eleito a personalidade mais odiada em França, à frente de Hitler), Josef Mlynarczyk da Polónia (e do FC Porto), o nosso Manuel Bento e, claro, Rinat Dassaev, &#8220;o herdeiro de Yashin&#8221;. A partir dessa referência fui então à procura de dados biográficos e imagens do grande guarda-redes soviético. E, mesmo numa altura em que o passado ainda não estava à mão de semear, como hoje em dia com a internet, não demorei muito a compreender a importância que Yashin tinha tido na História do futebol.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="none"><span style="Times New Roman;"><strong><img class="attachment wp-att-2066 alignleft" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/lev-yashin-2.jpg" alt="Yashin, o «Aranha Negra»" width="290" height="188" align="left" title="Yashin, o «Aranha Negra»" />Estilo e estatuto</strong><br />
As primeiras impressões, como todos sabemos, são marcantes. E a primeira impressão que tive ao ver imagens de Yashin foi de admiração. Pela figura imponente que ele tinha e à qual o equipamento todo negro transmitia uma aura ainda mais mítica. Pela forma simultaneamente ágil e autoritária como se movimentava na grande área e que serviu, na altura, de modelo a muitos outros guarda-redes. Yashin foi dos primeiros a socar a bola nos momentos de maior aperto junto da pequena área, a comandar e organizar os seus defesas nos lances de bola parada ou de perigo para a sua baliza, e a iniciar as jogadas de contra-ataque da sua equipa, lançando rapidamente a bola na direcção dos companheiros. Práticas muito comuns hoje em dia, mas que no seu tempo foram consideradas pioneiras. A famosa frieza de Yashin em campo devia-se, segundo o próprio, a um ritual a que ele se submetia antes de jogos importantes: fumava um cigarro para acalmar a tensão e, para soltar os músculos, tomava uma bebida que o próprio apelidava de <em>&#8220;um bocado forte&#8221;</em> (eu apostaria que era vodka, mas posso estar enganado). Rituais que muitos outros grande jogadores também praticavam, nomeadamente Cruyff (em relação aos cigarros) e Matateu (em relação à bebida, embora este preferisse a cerveja, no intervalo dos encontros). Mas houve também por uma imagem que nunca deixou de me impressionar e que diz respeito até a um golo sofrido por Yashin, durante um jogo contra Portugal no Mundial de 66. Depois de Eusébio lhe marcar de penalti o golo que daria a vitória à nossa selecção no jogo para o 3º e 4º lugar, a reacção do guarda-redes soviético foi&#8230; cumprimentar o seu adversário. Não era fácil marcar um penalti a Yashin. Afinal, ele defendeu cerca de 150 ao longo da carreira, muito mais do que qualquer outro guarda-redes em jogos oficiais. Mas o que sobressai nessa manifestação de desportivismo é a forma espontânea com que ele enalteceu o mérito do seu opositor. Estes gestos, em eventos como o Campeonato do Mundo, têm sempre um significado especial. E mais significado tinham numa altura em que a Europa estava dividida pela Cortina de Ferro, e em que Portugal e a URSS não eram propriamente aliados políticos. Mas para mim, este gesto ganhou ainda mais importância depois de ter lido a opinião de Yashin sobre esse histórico momento que foi a presença do primeiro homem no espaço, o astronauta e seu compatriota Yuri Gagarin: <em>&#8220;A alegria de ver Yuri Gagarin no espaço só é superada pela alegria de defender um penalti&#8221;.</em> A admiração que eu sinto por certos guarda-redes não resulta apenas da eficácia com que eles se lançam às bolas e defendem os remates adversários. Por vezes surge até da forma como reagem nos golos sofridos, porque o mais difícil é encontrar um guarda-redes que até a sofrer golos consiga ter classe. Que até depois de sofrer um golo consiga transmitir confiança à sua equipa e impor respeito aos adversários. Yashin era um desses guarda-redes. Em campo era ele o líder da sua equipa (fosse o Dínamo de Moscovo ou a selecção soviética) e só um guarda-redes que consegue atingir esse estatuto. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="none"><span style="Times New Roman;"><strong>Declínio e recuperação</strong><br />
O ponto mais baixo da carreira de Yashin foi durante o Mundial de 1962, quando foi considerado o principal responsável pela má campanha da sua selecção. Tanto a imprensa soviética como a ocidental eram unânimes em considerar que ele estava em declínio e, durante algum tempo, o próprio Yashin parecia acreditar no que sobre ele escreviam, considerando a hipótese de deixar o futebol. No entanto, no ano seguinte faria provavelmente a melhor época da sua carreira, sofrendo apenas 6 golos em 27 jogos e alcançando mais um feito que nenhum outro jogador na sua posição conseguiu repetir até hoje: vencer a Bola de Ouro, prémio para o melhor futebolista europeu do ano. Numa partida disputada contra a Itália, em Roma, na fase de qualificação para o Europeu do ano seguinte, Yashin fez uma das melhores exibições da sua carreira, defendendo até um penalti de Sandro Mazzola. No final do jogo, o próprio Mazzola, um dos melhores jogadores italianos da década de 60 e figura histórica do Inter, diria <em>&#8220;o Yashin joga melhor do que eu&#8221;.</em> Em 1966, a mesma imprensa que quatro anos antes o havia considerado acabado para o futebol, elegeu-o como o melhor guarda-redes do Campeonato do Mundo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="none"><span style="AR-SA;"><strong>O guarda-redes do século</strong><br />
Apesar de ter sido um dos melhores guarda-redes da História do futebol (em 1998, numa eleição realizada pela FIFA, foi mesmo eleito o melhor guarda-redes do século XX), Yashin começou a carreira no hóquei em gelo, defendendo a baliza da equipa da fábrica onde trabalhou durante a Segunda Guerra Mundial, no início da adolescência. Para o homem que foi eleito em 1999 como o melhor desportista do século XX pelos jornalistas do seu país, o futebol só surgiu aos 14 anos. E mesmo quando surgiu não foi em regime de exclusividade, pois continuou a ser guarda-redes de hóquei em gelo até meados dos anos 50, um pouco à semelhança do nosso Jesus Correia, um dos cinco violinos do Sporting que, na mesma altura, conciliava o futebol com o hóquei em patins. Mas para Yashin o início da carreira no futebol não foi fácil, uma vez que só três épocas após a estreia é que conseguiu agarrar a titularidade no Dínamo de Moscovo, o único clube que conheceu ao longo da sua carreira profissional (1950-1971) e pelo qual venceu 5 campeonatos soviéticos (1954, 1955, 1957, 1959 e 1963) e 3 Taças (1953, 1967 e 1970). Foi ainda eleito o melhor jogador do campeonato do seu país por 14 vezes. Pela selecção soviética, que representou em 78 jogos entre 1954 e 1970, foi campeão Olímpico em 1956 (quando eram mesmo os melhores jogadores do mundo que iam à competição) e o primeiro Campeonato da Europa de países, em 1960, tendo sido finalista 4 anos depois (derrota contra a Espanha). Disputou os Campeonatos do Mundo de 1958, 1962, 1966 e 1970, embora na última edição tenha sido suplente de Anzor Kavazashvili. Depois da retirada do &#8220;Aranha Negra&#8221;, a União Soviética só voltaria a participar num Campeonato do Mundo em 1982, talvez porque só nessa altura conseguiu finalmente descobrir o seu &#8220;herdeiro&#8221;.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="none"><span style="AR-SA;">O troféu da FIFA que premeia o melhor guarda-redes nos Campeonatos do Mundo de futebol, e que foi entregue pela primeira vez no Mundial de 1994, tem o seu nome. Em 1986, no ano em que eu fiquei a saber quem ele era, foi-lhe amputada uma perna devido a uma lesão no joelho. Morreria quatro anos mais tarde, com 70 anos. </span></p>
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