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	<title>Jogo de Área &#187; Miguel Lourenço Pereira</title>
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	<description>Artigos de opinião e Análise desportiva</description>
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		<title>Allan Simonsen, o primeiro dinamarquês voador</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 17:10:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Lourenço Pereira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Memória]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes da explosão da Danish Dynamite nos anos 80 pela mãos de dois génios imensos de nome Michael Laudrup e Preben Elkjaer Larsen, já o futebol dinamarquês tinha tido um verdadeiro génio, um voador de primeiro nível que se tornou no primeiro atleta nórdico a conquistar um Ballon D´Or. Espelho de uma brilhante carreira ligada ao melhor do futebol disputado em Espanha e na Alemanha entre os anos 70 e prinicipios da década de 80. Os mais veteranos reconhecem o olhar sério, os mais novos surpreender-se-iam com a capacidade física e técnica apurada de um génio chamado Allan Simonsen.</p>
<p>Simonsen não era o protótipo do atleta nórdico. Relativamente baixo (não chegava ao 1.65m) e sem grande porte atlético, era mais uma gazela do que um desses ursos que davam o rosto pela poderosa selecção sueca, a mais destacada equipa do norte Europeu dos anos 70. Nascido em 1952 em Vejle, Simonsen demorou a explodir numa época onde para um jogador sair do país Natal era bem mais complexo do que se pode supor hoje em dia, neste meio cada vez mais globalizado. Foi no clube da terra, o Vejle FC, que em 1971, aos 19 anos, se tornou profissional. Simonsen jogava pela ala direita, mas várias vezes percorria todo o campo, como um nobre vagabundo de invulgar corte senhorial.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3094 alignleft" style="margin-right: 10px; margin-top: 3px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/Allan-Simonsen-barcelona.jpg" alt="Allan Simonsen" width="290" height="194" align="left" title="Allan Simonsen, o primeiro dinamarquês voador" />O seu impacto foi tal que quebrou todas as regras da época e com 20 anos assinou contrato com o poderoso Borussia Monchenladgbach da RF Alemanha. A equipa germânica queria colocar um travão na ascensão meteórica do Bayern Munchen de Beckambauer e Muller e juntou uma série de jovens jogadores talentosos que eram tudo o que os letais homens da Baviera não eram. Desse Borussia falou-se como os poetas do futebol alemão e nenhum deles atingiu tanto a genialidade como o dinamarquês. Durante três anos (1975 a 1977) o clube de Monchenladgbach venceu a Bundesliga, conquistando ainda uma taça. Para além disso exibiu-se em grande nas provas europeias vencendo em 1975 e 1979 a Taça UEFA. Em 1977, o extremo venceu o Ballon D´Or, diante de nomes ilustres como Keegan, Cruyff ou Beckhambauer. Era o consagrar definitivo do seu génio intemporal.</p>
<p>A vida corria bem a Simonsen até que em 1979, na ressaca de mais uma prova europeia ganha, o Barcelona apareceu e contratou-o para atacar o título espanhol, que há vários anos se lhe escapava. Ao seu lado a equipa catalã contava ainda com Hans Krankl, possante avançado austríaco, Bernd Schuster, médio irascível germânico, e os espanhóis Quini, Carrasco e Urruti. Simonsen encaixou que nem uma luva no belo futebol blaugrana mas os títulos acabaram por não chegar. Numa era dominada pelos clubes bascos (a Real Sociedad primeiro, e o Athletic Bilbao depois) o Barcelona ficou sempre às portas da glória, tendo de contentar-se com uma Taça do Rei, em 1981, e a Taça das Taças de 1982 onde Simonsen foi o herói do encontro com um golo e uma assistência.</p>
<p>No final da temporada seguinte, já com 29 anos, Simonsen foi forçado a abandonar o Camp Nou devido à chegada do astro argentino Diego Maradona. Numa época onde os planteis só podiam ter três estrangeiros, a direcção do clube catalão ainda tentou alterar a lei, e quando a possibilidade falhou propôs ao dinamarquês ficar no banco, à espera da lesão de um dos três estrangeiros. Simonsen recusou. Passou primeiro pela liga inglesa, ao jogar pelo Charlton Athletic, acabando então por voltar às origens, terminando a carreira no Vejle FC, tendo ainda logrado a participação nas espantosas campanhas da selecção do seu país no Euro 84 e Mundial 86, mas por essa altura já não era ele a estrela da companhia.</p>
<p>Simonsen deixou em 1989 os relvados e começou a carreira como treinador, orientando selecções de pequena dimensão como as Ilhas Faroe e o Luxemburgo, assim como vários clubes dinamarqueses. Ainda hoje é um ídolo no país natal e pode gabar-se de ter sido o único atleta a marcar golos nas três finais europeias (Taça dos Campeões, Taça das Taças e Taça UEFA) e ainda o único nórdico a triunfar no Ballon D´Or, algo que os compatriotas Michael Laudrup, Peter Schemeichel e Elkjaer Larsen, bem mais conhecidos do grande público, nunca lograram. Um verdadeiro génio, que o tempo não esquecerá.</p>
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		<title>Ruud Gullit, o futebolista total</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 11:15:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Lourenço Pereira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Holanda]]></category>
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		<description><![CDATA[A história do futebol teima em cultivar o seu pequeno grupo de injustiçados. Numa das equipas mais completas que já viram a luz do dia brilhavam uma série de jogadores inigualáveis. Hoje é fácil pegar num artigo e ler sobre o senhorial Baresi, o gentleman Maldini ou a &#8220;bailarina&#8221; van Basten. Mas quem se lembra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A história do futebol teima em cultivar o seu pequeno grupo de injustiçados. Numa das equipas mais completas que já viram a luz do dia brilhavam uma série de jogadores inigualáveis. Hoje é fácil pegar num artigo e ler sobre o senhorial Baresi, o gentleman Maldini ou a &#8220;bailarina&#8221; van Basten. Mas quem se lembra bem daquele motor inesquecível que foi o AC Milan de Arrigo Sacchi, sabe que havia um único homem capaz de fazer toda a máquina funcionar: o genial gigante holandês Ruud Gullit.</p>
<p>Durante anos, os adeptos rossoneros cultivavam o hábito de ir quinzenalmente apoiar a equipa com uma peruca de cor negra repleta de rastas. Um fenómeno de popularidade que diz bem do impacto que Ruud Gullit teve na sua época como estrela milanista. Hoje só se fala da notável defesa montada por Sacchi ou do genial Marco van Basten. Poucos se lembram do papel chave que tinha Gullit na máquina milanesa. Era verdadeiramente a alma da equipa. A alma, o corpo, a força, o carisma&#8230; Gullit era tudo num só jogador. Provavelmente um dos elementos mais completos da história do futebol, foi o primeiro jogador livre em campo, capaz de se desmultiplicar em vários papéis no decorrer do jogo sem baixar de rendimento. Ainda hoje é impossível determinar qual era a sua posição. Avançado? Foi certamente um goleador nato e tinha sempre os olhos postos na baliza. Falso avançado? A sua mobilidade para jogar atrás do ponta de lança permitia-lhe um maior controlo sob o jogo e isso sempre se fez notar. Médio criativo? Deram-lhe a mítica camisola 10 quando chegou a S. Siro para ser o novo regista do Milan, mas a sua força sobre-humana rapidamente o tornou maior do que o papel no terreno que lhe tinham dado. Médio box-to-box? Foi o percursor europeu de um tipo de jogador muito popular nas ilhas britânicas, mas que nunca tinha vingado no continente. Até surgir Gullit os jogadores eram muito mais estáticos. Podiam ser rápidos e habilidosos mas nunca mudavam a sua posição no terreno. Desde Johan Cruyff que não se via um jogador tão solto e livre como o holandês. Gullit era a antítese do futebol de Platini, muito mais cerebral, e Maradona, que jogava com base em explosões pontuais. Gullit era um atleta em combustão permanente!</p>
<p><img class="attachment wp-att-3104 alignleft" style="margin-top: 2px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/rudd-gullit-milan.jpg" alt="Ruud Gullit" width="300" height="196" align="left" title="Ruud Gullit, o futebolista total" />Começou a carreira muito novo no Harleem aos 16 anos e rapidamente deu o salto para o Feyennord &#8211; onde jogou uma época ao lado de Cruyff &#8211; mas foi no PSV que rapidamente se destacou, tornando-se num fenómeno de popularidade na Holanda, muito antes de van Bastan, Rijkaard e companhia. A sua origem caribenha (o pai era um emigrante do Suriname, antiga colónia holandesa) notava-se nos traços mas também na alegria de jogar. Era um elemento em constante sintonia com o público, divertido e provocador, o primeiro de uma escola de pensadores em campo. Na Holanda era um entre muitos, mas quando chegou em 1987 a Itália rapidamente fez furor. Hoje em dia é difícil perceber o impacto que causou, mas ele foi o verdadeiro elemento revolucionário do mítico AC Milan ofensivo de Sacchi. Nas primeiras jornadas, Sacchi apostou em colocar Gullit atrás da dupla van Basten &amp; Virdis, mas a lesão do primeiro deu mais liberdade ao poderoso número 10. O holandês liderou a equipa à conquista do primeiro Scudetto em nove anos, com vários golos e assistências decisivas. A ausência do popular van Basten fez dele a figura da equipa e o líder do balneário. O seu impacto foi tal que, mesmo estando o Milan fora da Europa, acabou por ganhar o Ballon D´Or de 1987 à frente de Butrageño, o patrão da Quinta del Buitre, e Paulo Futre que acabara de se sagrar campeão europeu com o FC Porto.</p>
<p>O sucesso retumbante de Gullit foi apenas a primeira etapa na sua inesquecível carreira. No final do ano, a Holanda deslocou-se à RF Alemanha para disputar o Europeu. Era a primeira vez desde 1978 que os holandeses estavam numa prova internacional e não eram os favoritos. Ao lado de van Basten, já recuperado, Rijkaard, Koeman, Kift e Muhren, o gigante holandês liderou a selecção das tulipas treinada pelo mítico Rinus Mitchels. Na fase de grupos venceu Irlanda e Inglaterra, tendo perdido apenas com a favorita URSS. Nas meias finais, duelo com a equipa da casa, a super-favorita Alemanha. Gullit foi o patrão holandês do principio ao fim e desenhou o triunfo confirmado pelo génio de van Basten. Na grande final, num jogo de novo contra a União Soviética, os holandeses tinham o público contra si e poucos apostavam que a equipa pudesse bater Belanov e companhia. Aos 39 minutos o holandês utilizou todo o seu engenho para enganar a defesa e apontar o golo inaugural. Mais uma vez ficou ofuscado pelo golo genial de van Basten, mas quem acabou por erguer o único troféu até hoje conquistado pela selecção laranja foi mesmo o mágico número 10. Era o consagrar de um ano que ainda se iria tornar mais brilhante. Apesar de perder o campeonato para o Napoli de Maradona, Gullit voltou a liderar a equipa na Europa, e na final contra o Steaua apontou dois dos 4 golos com que os holandeses venceram o encontro. Antes tinha ficado uma inesquecível vitória por 5-0 contra o Real Madrid. Um troféu que a equipa manteria no ano seguinte, às custas do Benfica. Na época seguinte uma lesão grave no joelho manteve-o quase sempre afastado dos relvados, e quando chegou o Mundial de Itália a sua condição física estava longe de ser a melhor. A Holanda ressentiu-se e não passou dos oitavos de final.</p>
<p>A arrancar os anos 90, Gullit continuava a ser uma das grandes estrelas mundiais. Em Itália logrou mais dois Scudettos pelo AC Milan em 1992 e 1993, mas a derrota nas meias finais da Champions de 1991 contra o Olympique Marseille e a chegada ao banco de Fabio Capello começaram a mexer com a carreira do holandês. O novo técnico preferia outro estilo de jogadores e Gullit passou a maior parte do tempo no banco. No entanto, ainda tinha futebol nas pernas como provou no excelente Euro 92, onde levou a Holanda até ás meias finais. Na época seguinte o Milan chegou de novo à final da Champions mas Gullit nem foi convocado. Era o transbordar do copo de água. No final do jogou anunciou ter assinado surpreendentemente com a Sampdoria. Em Genova passou dois anos notáveis ao lado de Mancini cotando-se como um dos melhores do Mundo, precisamente quando outros grandes da sua época áurea, Maradona e van Basten, caíam em desgraça.</p>
<p>Em 1995 saiu do Calcio, onde actuava há já oito anos, para tentar a sua sorte no Chelsea. A equipa londrina vivia então na metade baixa da tabela da Premier e coube ao holandês lançar a base de um projecto que se viria a revelar ganhador. Na época em que os melhores jogadores do Mundo começavam a chegar a Inglaterra (Klinsmman, Ginola, Cantona, Kanchelskis, Asprilla, Bergkamp, Zola entre outros), o veterano mantinha o seu nível bem alto. A saída de Glenn Hoddle abriu-lhe as portas do banco como técnico principal, e levou-o a dar o primeiro titulo em décadas ao Chelsea, a FA Cup de 1997. Foi o primeiro técnico não britânico a lograr o feito e logo no seu primeiro ano como treinador. No entanto, a promissora carreira como técnico não resultou como esperado. Despedido no ano seguinte por divergências com a direcção, as passagens por Newcastle e Feyenoord não foram bem sucedidas. Depois de anos parado tentou relançar a carreira nos L.A. Galaxy, mas também aí não teve sucesso. O seu nome e imagem, contudo, já eram e para sempre serão imortais.</p>
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		<title>Procissão ao San Paolo</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 23:07:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Lourenço Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Rezar quinzenalmente no San Paolo é um dos rituais mais habituais de um napolitano. O santuário soberano do futebol do sul de Itália, o único reduto capaz de rivalizar em tamanho e grandeza com o Olímpico de Roma e o San Siro, é um exemplo de resistência e devoção. Dos milhares que assistiram aos dribles [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rezar quinzenalmente no San Paolo é um dos rituais mais habituais de um napolitano. O santuário soberano do futebol do sul de Itália, o único reduto capaz de rivalizar em tamanho e grandeza com o Olímpico de Roma e o San Siro, é um exemplo de resistência e devoção. Dos milhares que assistiram aos dribles de Maradona ao sofrimento das divisões inferiores, os adeptos do Napoli fizeram do seu recinto o seu estandarte de eleição.</p>
<p>Não é por acaso que o presidente do Napoli e o presidente da câmara da cidade propuseram há uns anos que se modificasse o nome do San Paolo para Estadi Diego Maradona. Foi na era dourada de &#8220;El Pibe&#8221; que o estádio napolitano atingiu o seu apogeu. Estávamos em plena década de 80 e o recinto, então com 35 anos, vivia em constante ebulição. Quando o astro argentino foi apresentado, os 70 mil lugares estavam preenchidos por napolitanos desejosos de ver o seu particular salvador. Não se enganaram. Diego Armando Maradona fez do Napoli uma equipa temível. Em Itália desafiou o poder estabelecido entre os clubes do norte (AC Milan, Inter, Juventus, Torino, Sampdoria) e da capital (Lazio e Roma) e conseguiu os dois únicos títulos da história do clube. Numa cidade marcada pelo sangue da máfia e com o Vesúvio majestoso em pano de fundo, a pouco e pouco o San Paolo foi conhecendo uma dimensão transcendental mais do que nunca se imaginara nos anos posteriores à sua fundação.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2628 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/08/napoli-stadio-sao-paolo.jpg" alt="Stadio San Paolo" width="300" height="200" align="left" title="Procissão ao San Paolo" />Foi em 1959, época áurea de construção de novos recintos, que Napoles viu nascer o seu estádio. Construído para rivalizar com os do Norte, rapidamente se tornou num dos três grandes recintos italianos. Era o orgulho da população loca, isolada e ostracizada por quase toda a Itália. Uma cidade marcada pelo braço longo da máfia e pela extrema pobreza que se agarrou à equipa de futebol como um símbolo da região. Localizado num pequeno subúrbio perto do mítico Vesúvio, o imponente estádio foi ganhando fama. Mas é realmente na década de 80 onde atinge a condição de mito. Os jogos disputados pela equipa azul celeste eram acompanhados por uma multidão eufórica e ensurdecedora de tal forma que o próprio Maradona chegou a dizer que muitos jogos foram ganhos pelo próprio estádio. Em 1989 foi construída uma cobertura especial para preparar o recinto para o Mundial de 1990. Durante a prova, o San Paolo recebeu vários jogos mas nenhum como a inesquecível semi-final entre a Argentina, do ídolo local, e a própria Itália. Maradona chegou a pedir o apoio dos napolitanos mas o estádio aplaudiu o onze da azzurra como nunca o tinha feito. Apesar da vitória argentina, Maradona saiu do estádio sob um imenso coro de aplausos. Anos depois, com a saída do astro, veio a falência financeira e o Napoli caiu estrepitosamente nas divisões regionais. Mas o San Paolo manteve-se vivo.</p>
<p>Durante largos anos, enquanto que a equipa napolitana ia subindo nas provas nacionais, o San Paolo continuava a ser o seu estandarte de eleição. Quando a equipa napolitana militava na Serie B, o recinto continuou a ser o terceiro com melhor médio de assistência, apenas atrás do S. Siro e Olimpico de Roma. Um feito enorme que levou a novas melhorias nas infra-estruturas, justificadas com o regresso do clube à elite desportiva. O ano passado as bancadas voltaram a vibrar com a notável primeira volta da equipa e para este ano a emoção ferve já no coração dos napolitanos, que peregrinam como nenhuma outra massa associativa para rezar à casa de um santo que foi consagrada por um Deus.</p>
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		<title>Pelé: De Bilé a Deus</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 15:13:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Lourenço Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Conta-se que uma vez um reputado jornalista do L´Equipe, de visita ao Rio de Janeiro, viu-se confrontado com a pergunta de quem era, para ele, o melhor jogador do mundo. O homem sorriu e respondeu &#8220;Edson Arantes do Nascimento&#8221;. O brasileiro que lhe fez a pergunta ficou com ar de espanto e não evitou o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conta-se que uma vez um reputado jornalista do L´Equipe, de visita ao Rio de Janeiro, viu-se confrontado com a pergunta de quem era, para ele, o melhor jogador do mundo. O homem sorriu e respondeu &#8220;Edson Arantes do Nascimento&#8221;. O brasileiro que lhe fez a pergunta ficou com ar de espanto e não evitou o comentário &#8220;Pô, você nunca viu jogar Pelé?&#8221;. Independentemente de nomes, apelidos, alcunhas e títulos, o mundo do futebol conheceu vários craques e lendas, mas nunca nenhum jogador chegou tão longe, tão perto da eternidade, do que um rapaz que não gostava que lhe chamassem Edson.. A história imortalizou-o com outro nome, mas no meio de tanta genialidade, que importam os nomes?</p>
<p>A história é feita de episódios curiosos. Como o de Dondinho, jogador fracassado que se dedicou a treinar a equipa onde o filho e os amigos jogavam. Ou o dia em que, então um rapazinho com saudades de casa, se preparava para sair a meio da madrugada do lar do Santos, onde vivia, e abandonar o sonho de ser futebol. Foi apanhado pelo porteiro e voltou atrás, engolindo as saudades e lançando as bases para a era mais memorável de todo o futebol brasileiro. Fez toda a sua carreira desportiva de elite no Santos, clube que o acolheu quando ainda era um miúdo de bairro. Foi o primeiro a perceber o potencial mediático da liga americana e durante alguns anos actuou no New York Cosmos. Teve dezenas de jogos de despedidas e recebeu múltiplos galardões como o maior futebolista da história. No Brasil chamam-lhe Rei, para muitos é o Deus do Futebol. Títulos ou episódios, marcos históricos ou galardões. Tudo isso se torna redutor quando o tema em questão se chama Pelé.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2619 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/08/pele-goodbye.jpg" alt="Pelé" width="300" height="183" align="left" title="Pelé: De Bilé a Deus" />Avaliar a marca na história de Pelé não se faz apenas pelos três Mundiais que conquistou. Ou pelas vitórias conseguidas pelo Santos no Brasil, América Latina e nas Taças Intercontinentais. A marca de um génio capaz de dominar o jogo do primeiro ao último segundo com a sua capacidade física (apesar da sua pequena estatura, 1m70) e garra. Falar de Pelé é falar de poesia, de drama, de tragédia ou épica. Dos dribles fantásticos capazes de eclipsar o próprio Garrincha, rei do regate. Dos seus saltos nas alturas, onde era capaz de ir buscar bolas impossíveis e torná-las em golo. Dos seus malabarismos diante dos guarda-redes. Ou do seu pontapé, forte, seco, colocado, indefensável. Falar do futebol de Pelé é redutor porque Pelé é o próprio futebol. Aos 17 anos sagrou-se campeão do Mundo na Suécia, marcando dois golos na final numa equipa onde não estava previsto que fosse titular. E chorou. Como o menino que era. Doze anos depois era o homem na plenitude máxima das suas potencialidades que fez gato sapato de cada equipa que se passava diante do escrete canarinho. Do guardião checo, impressionado pela ousadia de Pelé em rematar atrás da linha do meio campo. Do &#8220;portero&#8221; uruguaio que caiu no drible do melhor golo do mundo que não o foi. Ou da defesa italiana que ainda hoje tenta entender como foi possível ao craque brasileiro rasgar por completo uma equipa impenetrável. Falar de Pelé é falar do Santos e do melhor período do futebol do Brasil, da forma como esmagou o Benfica do amigo Eusébio. Ou o AC Milan de Rivera. Falar de Pelé é falar de magia em estado puro. É falar de futebol!</p>
<p>Pelé começou a jogar no Santos como falso ponta de lança. Explodiu aos 15 anos na equipa titular e com um golo. A primeira vitima de Pelé chamou-se Cubatão. A primeira de tantas outras (1283 golos oficiais em 1367 jogos disputados) que se habituaram a ter de conformar-se com cair de pé perante a armada santista do Rei. Aos 17 anos fez parte da equipa mágica do Brasil que conquistou o primeiro mundial, oito anos depois do &#8220;Maracanazo&#8221;, apesar da polémica convocatória e da lesão que arrastou no início do torneio. Quatro anos depois já era o melhor jogador do mundo, liderando o Santos à conquista de múltiplos campeonatos paulistas e torneios Rio-Sao Paulo, as grandes competições brasileiras da época.</p>
<p>As vitórias nas primeiras edições da Copa dos Libertadores levou o Santos a disputar a Taça Intercontinental onde derrotaria tanto o Benfica como o AC Milan, consagrando um homem que no entanto teve de sofrer na pele as lesões que quase o afastaram do Mundial de Chile 62 (só jogou os dois primeiros jogos) e que o destroçaram no Inglaterra 66 (com a implacável marcação dos defesas búlgaros e portugueses a deixarem o craque K.O.) mas que mesmo assim não minimizaram a lenda. Apesar disso este foi o seu período áureo no Santos, onde militavam os melhores jogadores brasileiros da época. Uma equipa de sonho que explorou o melhor momento de forma de um Pelé cada vez mais decisivo e goleador.</p>
<p>Durante os anos 60 resistiu-se sempre saltar para a Europa, como tantos sul-americanos, e quando chegou o Mundial de 70, então com 29 anos, para muitos era uma estrela em queda livre. Surpreendendo mais de meio mundo, o homem que meses antes estava fora da selecção, liderou a melhor equipa que alguma vez pisou um relvado a conseguir o seu mais brilhante triunfo. No final, em ombros no Azteca, percebeu que tinha logrado a perfeição e farto de tantas digressões e provas secundárias onde alinhava para que o Santos cobrasse o cachet,  começou a preparar a sua saída em alta. Primeiro deixou o escrete pela segunda vez (em 1966 tinha-se retirado e esteve três anos sem jogar pelo Brasil) e quatro anos depois o clube da sua vida. A imagem de Pelé aproveitou o filão televisivo, o potencial mercado norte-americano e o delírio que desatava no Brasil a sua presença. Ao contrário dos seus geniais colegas de equipa (Nilton Santos, Didi, Vavá, Zagallo, Garrincha, Tostão, Gerson, Rivelino, Jairzinho), Pelé soube manter-se sempre na crista da onda e imortalizou a sua imagem mesmo diante daqueles que nunca o viram jogar, de tal forma que até Romário disse um dia que o futebol devia levar o seu nome..</p>
<p>Tornou-se no primeiro ícone futebolistico mundial. E mais do que Rei, tornou-se em Deus. Um Deus que antes foi um rapazinho de lágrimas nos olhos. O mesmo rapazinho de sotaque mineiro que, quando era pequeno e acompanhava o pai Dondinho aos treinos, ao chamar pelo guarda-redes da equipa e amigo do pai que se chamava Bilé pronunciava mal o nome e acabava por ditar a sentença que marcaria o futuro do jogo&#8230; Pelé.</p>
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		<title>Wilshire, o rosto mais british do Arsenal</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 11:27:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel Lourenço Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O longo historial de Arsene Wenger dispensa apresentações. O técnico francês é perito em formar gerações atrás de gerações de imenso talento, recrutando para tal jogadores nos quatro cantos do Mundo. Nos últimos quinze anos os adeptos do Arsenal viram nascer novos talentos, mas todos eles estrangeiros. Jack Wilshire é a resposta aos seus sonhos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O longo historial de Arsene Wenger dispensa apresentações. O técnico francês é perito em formar gerações atrás de gerações de imenso talento, recrutando para tal jogadores nos quatro cantos do Mundo. Nos últimos quinze anos os adeptos do Arsenal viram nascer novos talentos, mas todos eles estrangeiros. Jack Wilshire é a resposta aos seus sonhos. Um jovem, britânico e com um imenso talento nos pés. Aos 17 anos o médio inglês tem os gunners aos seus pés.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2610 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/08/jack-wilshire-arsenal.jpg" alt="jack wilshire" width="300" height="200" align="left" title="Wilshire, o rosto mais british do Arsenal" />Vários anos após chegar a Highbury Park, finalmente Wenger pode estar descansado. Após anos e anos de critica por parte dos adeptos e da imprensa de não apostar nos jovens de casa e insistir em contratar apenas promessas estrangeiras (com predominância para a formação francesa) finalmente o técnico pode apresentar um verdadeiro produto made in Arsenal com rótulo britânico. A estreia de Whilshire será recordada durante largos anos por supor uma viragem na política do próprio técnico (que ainda este ano lançou ás feras Gibbs, Ramsey e Lansbury) que começa uma nova etapa da britanização do Arsenal. E a verdade é que o peso não parece pesar muito nos ombros do jovem jogador. Nascido a 1 de Janeiro de 1992, precisamente um ano de viragem na história dos gunners, o pequeno médio (1m70) desde sempre viveu perto do velho estádio dos gunners e com apenas 9 anos entrou na equipa de formação do Arsenal. A pouco e pouco foi crescendo na estrutura jovem do Arsenal e a 13 de Setembro de 2008 fez história ao disputar o seu primeiro jogo oficial com a camisola do Arsenal. Tinha apenas 16 anos e quebrou o recorde de juventude da Premier League e do clube, detido por Fabregas. Na semana seguinte marcou também o primeiro golo oficial com a camisola do gunner na Carlington Cup.</p>
<p>Ao longo da época transacta tornou-se numa presença regular entre os convocados de Wenger. As lesões no meio campo arsenalista e as várias frentes abertas na época dos gunners foram-lhe abrindo as portas permitindo ao jovem internacional britânico para brilhar. Na Champions League estreou-se contra o Dynamo de Kiev, tornando-se apenas no quinto jovem com 16 anos a actuar na prova. Na jornada seguinte, diante do FC Porto entrou na segunda parte, sem no entanto ter podido evitar a derrota por 2-0. As excelentes exibições fizeram obviamente que o Arsenal tivesse automaticamente renovado com o médio centro, hoje em dia ao lado de Theo Walcott e Cesc Fabregas, a sua maior pérola. Com a diferença de que ainda não cumpriu sequer a maioridade.</p>
<p>A nível internacional o facto da própria selecção dos Pross não ter, desde há vários anos, um sucessor para um posto onde brilharam nomes como Bryan Robson ou Paul Scholes, despertou também a atenção da imprensa inglesa aquando da estreia de Whilshire pelos sub17. Meia dúzia de jogos depois e o médio já actua no escalão dos sub19 e para muitos foi uma verdadeira surpresa a sua ausência da equipa de sub21 que disputou a final do Europeu na Suécia. No entanto para o seu técnico, a estreia de Whilshire pela selecção principal é questão de pouco tempo, até porque a Inglaterra não tem actualmente um jogador com as suas características. Rápido a ler o jogo, versátil e extremamente veloz, Whilshire é o rosto do futuro do futebol britânico.</p>
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