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	<title>Jogo de Área &#187; André Rocha</title>
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	<description>Artigos de opinião e Análise desportiva</description>
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		<title>Robinho &#8211; Yes, he can!</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 20:23:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Robinho está de volta ao Santos, após quase cinco anos na Europa, com o estigma do fracasso. Afinal, para quem assegurava que seria o melhor jogador do mundo, as passagens sem brilho por Real Madrid e Manchester City, apesar dos dois títulos nacionais no time merengue, foram decepcionantes e deixaram a sensação de que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Robinho está de volta ao Santos, após quase cinco anos na Europa, com o estigma do fracasso. Afinal, para quem assegurava que seria o melhor jogador do mundo, as passagens sem brilho por Real Madrid e Manchester City, apesar dos dois títulos nacionais no time merengue, foram decepcionantes e deixaram a sensação de que o ex-menino da Vila exagerara em suas pretensões quando saiu do Brasil.</p>
<p>Mais do que isso, a postura pouco profissional e a forma descompromissada com que conduziu sua carreira “queimaram” sua imagem, a ponto da tão sonhada transferência para o Barcelona ter sido brecada, segundo fontes de dentro do clube, por Xavi e Puyol, líderes do elenco blaugrana, que não queriam um jogador problemático e de altíssimo salário para conturbar o ambiente.</p>
<p>O cenário, inegavelmente, não é dos mais animadores. No entanto, por mais paradoxal que possa parecer, é neste período de ocaso na carreira que o brasileiro tem as maiores chances de pegar um “atalho” e chegar ao topo do planeta bola faturando os principais prêmios individuais.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3340 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2010/01/robinho-volta-santos.jpg" alt="Robinho, Santos" width="291" height="218" align="left" title="Robinho   Yes, he can!" />Pode parecer loucura deste que escreve, mas a linha de raciocínio tem a sua lógica. Vejamos:</p>
<p>Jogando regularmente e contando com o carinho de todos no clube que o revelou e ainda o tem como ídolo pelos títulos brasileiros de 2002 e 2004, o atacante pode ganhar a motivação que vinha faltando nos últimos tempos. E considerando o ritmo cadenciado e o nível técnico mais modesto do futebol jogado no Brasil, suas chances de se destacar são enormes.</p>
<p>Em forma e com ritmo de jogo, certamente Dunga não vai deixá-lo de fora da lista para o Mundial e, muito provavelmente, ele será o titular. Nos jogos, a tendência é que seja menos marcado do que Kaká e Luís Fabiano, os jogadores que fazem a diferença em equipe bem montada, mas que sofre em muitas partidas pelo estilo previsível, baseado em jogadas de bola parada e contragolpes. Robinho pode dar o “toque brasileiro”, com sua capacidade de improviso e habilidade acima da média, e desmontar os fortes esquemas defensivos que o time canarinho enfrentará.</p>
<p>Além disso, Robinho vai à África do Sul “mordido” pelas críticas (a grande maioria bem justas) e tentará esfregar seu talento e capacidade de superação no rosto de seus detratores. Neste cenário, atletas costumam tirar forças do fundo da alma para vencer e dar a volta na própria história. Além disso, ele chegará menos cansado, sem o esgotamento da cada vez mais estafante temporada europeia, já que não vinha atuando regularmente pelo City e passará por um período de recondicionamento no Santos.</p>
<p>Por fim, o seu grande trunfo: ano de Mundial é especialíssimo. Qualquer jogador, em sete jogos, pode se eternizar se arrebentar pelo time campeão. E as últimas premiações deixaram claro que o melhor da Copa, independente do desempenho no clube, é sempre o destaque do ano.</p>
<p>Aí está a chance de Robinho. Com 26 anos, pode-se dizer que efetivamente é sua última oportunidade. Um brilho efêmero, mas no momento certo, pode driblar a dura realidade e realizar o sonho que parecia inatingível.</p>
<p>A receita? Deixar de lado o agito da vida noturna, se concentrar no trabalho até Junho, exigir menos regalias em Santos e, principalmente, acreditar que tudo que foi descrito acima não é apenas um devaneio deste colunista.</p>
<p>Sim, você pode, Robinho!</p>
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		<title>O Povo no Poder</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Dec 2009 12:47:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[2009 foi o ano em que os times mais populares do Brasil dominaram o cenário futebolístico do país com autoridade e fizeram a festa de suas imensas torcidas com títulos e ótimas performances. Comandados pelos repatriados Adriano e Ronaldo, Flamengo e Corinthians protagonizaram os principais torneios nacionais e ainda levaram as taças regionais para suas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>2009 foi o ano em que os times mais populares do Brasil dominaram o cenário futebolístico do país com autoridade e fizeram a festa de suas imensas torcidas com títulos e ótimas performances. Comandados pelos repatriados Adriano e Ronaldo, Flamengo e Corinthians protagonizaram os principais torneios nacionais e ainda levaram as taças regionais para suas repletas salas de troféus.</p>
<p>O primeiro semestre foi perfeito para os corintianos. A partir da entrada de Ronaldo, o principal reforço da temporada, no empate em 1 a 1 contra o Palmeiras, o alvinegro paulista, com a base do time que foi campeão da segunda divisão no ano anterior, se acertou atuando no 4-2-3-1 que deu liberdade ao Fenômeno e fluência às ações ofensivas sem comprometer o sistema defensivo e atropelou seus adversários no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil faturando as duas taças com direito a golaços de Ronaldo nas finais contra Santos e Internacional. As estratégias de marketing e as contratações pontuais foram cirúrgicas e o Corinthians sobrou em terras brasileiras.</p>
<p>Porém, na segunda metade do ano, a desmotivação pelas poucas aspirações no Campeonato Brasileiro, já que a meta de garantir vaga na Libertadores tinha sido alcançada, e, principalmente, as ausências de André Santos e Cristian, negociados ao Fenerbahçe, e Douglas, que foi jogar no Al Wasl, fizeram com que o time comandado pelo técnico Mano Menezes caísse demais de produção e fizesse uma campanha não mais que razoável na principal competição nacional. A reposição no elenco não foi à altura e a queda técnica foi vertiginosa, com o time amargando tropeços constrangedores, como na derrota em casa para o rebaixado Náutico por 3 a 2 pela 36ª rodada.</p>
<p>Já o Flamengo seguiu o caminho inverso. Apesar das desconfianças e de jogos pouco convincentes sob o comando do técnico Cuca, o time carioca superou mais uma vez o Botafogo e conquistou seu quinto tricampeonato estadual. Mas a eliminação nas quartas-de-final da Copa do Brasil para o Internacional, a aposentadoria de Fábio Luciano e a saída de Ibson minaram as forças de um elenco que já não era tão qualificado, mesmo com a chegada de Adriano em maio, e uma crise política por conta da chegada de Petkovic, o sérvio de 37 anos que retornava ao clube em um acerto para o pagamento de uma dívida trabalhista, custou o emprego de Cuca e a saída do vice-presidente de futebol Kléber Leite.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3307 alignleft" style="margin-top:3px;margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/12/adriano-flamengo.jpg" alt="Adriano" width="280" height="189" align="left" title="O Povo no Poder" />Com a chegada de Marcos Braz para comandar o futebol, a efetivação do auxiliar técnico Andrade como treinador e a contratação de Álvaro e Maldonado logo após a saída do atacante Emerson para o Al-Ain e a séria contusão no ombro de Kléberson em amistoso pela seleção brasileira, a equipe rubro-negra se reinventou. O time que atuou por dois anos no 3-5-2 para liberar os ofensivos alas Léo Moura e Juan foi remontado em um 4-2-3-1 que foi ensaiado num empate sem gols contra o Internacional no alagado Estádio Beira-Rio e encaixou definitivamente nas vitórias sobre os favoritos Palmeiras e São Paulo. Com Adriano, artilheiro do campeonato ao lado de Diego Tardelli com 19 gols, definindo as partidas e o redivivo Petkovic desequilibrando com a bola rolando ou parada, o Flamengo fez a melhor campanha do returno e, numa arrancada espetacular, conquistou pela sexta vez o título que não era seu desde 1992 e acabou com a hegemonia do tri/hexa São Paulo.</p>
<p>É possível dizer que o ano foi mais vermelho e preto pela conquista da hegemonia doméstica pelo 31º título estadual e a maior dificuldade do Brasileiro mais equilibrado da era dos pontos corridos. Mas também não é nenhum absurdo apontar o futebol praticado pelo alvinegro no primeiro semestre como o melhor apresentado no país ao longo da temporada. Nos duelos entre os gigantes, vantagem do Flamengo, que venceu as duas partidas. No turno, 1 a 0 com gol de Adriano e ausência de Ronaldo no Maracanã; no jogo de volta em Campinas, 2 a 0 para os rubro-negros, agora com o Fenômeno, flamenguista confesso, em campo por 25 minutos até sentir uma contusão na coxa e o Imperador de fora. Mas a pouca importância dada ao Brasileirão pelo Corinthians descaracterizou os encontros entre os principais times do país em 2009.</p>
<p>O tira-teima entre os dois grandes ídolos e goleadores fica para o ano que vem. Quem sabe num confronto épico e histórico pela Taça Libertadores? O time paulista entra na competição mais pressionado pelo centenário do clube e por ser o único gigante de São Paulo que não venceu o torneio continental, o que transforma o desejo natural numa angustiante obsessão. A responsabilidade do Flamengo também será grande, pela empolgação do torcedor e os investimentos na manutenção dos principais jogadores pela nova diretoria, agora liderada pela presidente Patrícia Amorim, a primeira mulher a comandar o clube.</p>
<p>Os desafios são enormes, mas a identificação com a massa que empurra e fascina nas arquibancadas lotadas torna tudo mais possível para quem ganha na bola e também no berro de um povo apaixonado e sempre sedento de glórias que compensem as tantas agruras do cotidiano brasileiro.</p>
<p><em>[O colunista volta em 2010. Ficam os votos de um Natal em paz e ótimo réveillon para todos. Até a volta!]</em></p>
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		<title>Brasileirão 2009: emoção e equilíbrio que confundem</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 11:05:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Qual competição disputada na fórmula dos pontos corridos com 20 clubes é capaz de chegar à penúltima rodada com seis equipes ainda com chances matemáticas de conquistar o título e apenas uma já]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qual competição disputada na fórmula dos pontos corridos com 20 clubes é capaz de chegar à penúltima rodada com seis equipes ainda com chances matemáticas de conquistar o título e apenas uma já matematicamente rebaixada?</p>
<p>O campeonato brasileiro deste ano é a resposta. Em sua edição mais equilibrada desde que houve a mudança no regulamento em 2003, a disputa é tão parelha que a diferença entre o líder São Paulo e o sexto colocado, Cruzeiro, é de apenas seis pontos. E do time mineiro para o Botafogo, o 16º e primeiro fora da zona de rebaixamento, é de míseros 12 pontos dentro de um contexto de 36 rodadas.</p>
<p>Os números são reflexo do que acontece nos gramados. A possibilidade de uma equipe na zona de rebaixamento superar o líder do campeonato de forma inapelável, como aconteceu na 29ª rodada, com o Náutico vencendo o Palmeiras por 3 a 0 em Recife e mais recentemente com o Botafogo batendo o São Paulo por 3 a 2 no Engenhão, de fato, deixa tudo muito mais emocionante e imprevisível. Mas não é garantia de espetáculo.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3252 alignleft" style="margin-top: 3px; margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/ronaldo-corinthians.jpg" alt="Ronaldo" width="280" height="185" align="left" title="Brasileirão 2009: emoção e equilíbrio que confundem " />Ainda que jogadores do nível de Ronaldo, Adriano, Fred, Vágner Love e Ricardinho tenham retornado ao país e feito com que suas equipes ganhassem em técnica, nenhum time conseguiu fascinar seu torcedor e as partidas memoráveis até agora, como, por exemplo, a vitória do Flamengo por 3 a 1 sobre o Atlético-MG e a virada do Fluminense para cima do Cruzeiro por 3 a 2, ambas no Mineirão, empolgaram muito mais pela intensidade e importância das partidas do que pelo brilho coletivo ou individual.</p>
<p>O próprio tricolor paulista, que está no topo da tabela, um ponto à frente do Flamengo, parece mais frágil do que nas três conquistas anteriores e, independente do que ocorra nos próximos dez dias, o vencedor será o de pior aproveitamento da era dos pontos corridos. Se o time são-paulino, hoje comandado por Ricardo Gomes, ex-Bordeaux, Monaco e PSG, vencer as partidas que lhe restam, conquistará apenas 63% dos pontos disputados.</p>
<p>Ao perceber times considerados virtualmente rebaixados, como o Fluminense, ou totalmente alijados da briga pela taça, como o Internacional, ressurgirem das cinzas e voltarem à luta, muitos torcedores, jornalistas, jogadores e treinadores se empolgam e dizem que a competição é a mais disputada e, portanto, a melhor do mundo.</p>
<p>Não é e não há como ser. Por conta do êxodo, até jogadores medianos saem do país para tentar a vida na Europa ou são seduzidos pelo dinheiro dos Emirados Árabes ou do Qatar.  De fato, a possibilidade de testemunhar um duelo entre Ronaldo, que liderou o Corinthians na conquista da Copa do Brasil, e Adriano, artilheiro absoluto com 18 gols e um dos destaques do campeonato, no Corinthians x Flamengo em Campinas na próxima rodada, indica um enorme progresso em relação a outros anos, mas a questão econômica motiva e justifica a diferença de talento: os grandes craques, no auge de suas carreiras, estão onde pagam mais e oferecem melhores condições. Não é o caso do Brasil, ainda.</p>
<p>Até porque a questão envolve um conceito que existe desde os primórdios do esporte bretão: os campeonatos devem premiar os melhores e o grande campeão e uma ou outra equipe marcante é que devem ser eternizadas. E não o “achatamento” e a insanidade de uma competição com 90% das equipes mostrando um futebol nivelado por baixo, mesmo com alguns bons destaques individuais, como Diego Tardelli do Atlético-MG, e gratas revelações, como o meia Giuliano do Internacional.</p>
<p>Por isso, o corações dos torcedores das equipes ainda lutando por algum objetivo e dos muitos apaixonados pelo futebol no país cinco vezes campeão mundial ainda vão bater forte até o dia 6 de Dezembro e jogos de tirar o fôlego virão cercados de polêmica, por conta de arbitragens infelizes e decisões sem critérios dos tribunais de justiça desportiva, e saturadas de dramaticidade.</p>
<p>Mas a tensão e a incerteza que aquecem as veias não podem embotar a visão: o campeonato que é, sim, histórico e inesquecível, definitivamente, não encanta as retinas.</p>
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		<title>Brasil à procura do camisa 6</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 14:45:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na seleção brasileira campeã da Copa América 2007, primeira colocada nas Eliminatórias sul-americanas e bicampeã da Copa das Confederações, o técnico Dunga, embora não garanta o que o grupo esteja fechado para o Mundial da África do Sul, já tem 90% do time titular, esquema tático e boa parte dos 23 nomes definidos, depois de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na seleção brasileira campeã da Copa América 2007, primeira colocada nas Eliminatórias sul-americanas e bicampeã da Copa das Confederações, o técnico Dunga, embora não garanta o que o grupo esteja fechado para o Mundial da África do Sul, já tem 90% do time titular, esquema tático e boa parte dos 23 nomes definidos, depois de quase três anos de trabalho.</p>
<p>No entanto, em uma posição o novato treinador ainda não conseguiu encontrar sequer o titular depois de várias experiências: a lateral-esquerda. A pouco mais de oito meses da estreia na Copa, nem André Santos, ex-Corinthians e agora Fenerbahçe, que jogou as partidas mais importantes no ano de afirmação da equipe, está garantido.</p>
<p>Marcelo (Real Madrid), Kléber (Internacional) Filipe Luís (La Coruña), Gilberto (Cruzeiro), Adriano (Sevilla) e Juan (Flamengo) foram os outros jogadores testados por Dunga. Até Alex, meia que jogou no Internacional e hoje está no Spartak Moscow, foi experimentado na posição no empate sem gols contra a Venezuela na última partida pelas Eliminatórias. E o fato é que a safra não é das melhores e ninguém convenceu.</p>
<p>A verdade é que depois da saída de Roberto Carlos, campeão mundial na Ásia há sete anos, mas execrado pela participação discreta na Copa de 2006, ninguém conseguiu corresponder plenamente às expectativas da comissão técnica, dos jornalistas e da torcida brasileira.</p>
<p>A dificuldade de encontrar a melhor solução reside também na questão tática. Dunga arma a seleção em um 4-2-3-1, esquema no qual os laterais precisam marcar primeiro para depois sair e fazer dupla com os meias abertos pelos lados. E a grande maioria dos principais candidatos atua no meio-campo de suas equipes na Europa ou como alas, em um esquema com três zagueiros, nos times brasileiros. A adaptação é complicada.</p>
<p><img class="attachment wp-att-3029 alignleft" style="margin-right: 12px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/11/brasil-ronaldinho-ronaldo-roberto-carlos.jpg" alt="Brasil" width="300" height="181" align="left" title="Brasil à procura do camisa 6" />Com Daniel Alves voando no Barcelona e nos treinamentos da seleção, Dunga experimentou colocá-lo na posição para não ficar com o baiano na reserva de Maicon na direita e ninguém plenamente confiável do lado oposto. Na disputada semifinal da Copa das Confederações contra a África do Sul, então comandada por Joel Santana, Dani entrou na vaga de André Santos e decidiu a partida em uma cobrança de falta. A eficiência nas bolas paradas é outro ponto que conta a favor do jogador do time catalão, que pode entrar também no lado direito do meio-campo. Mas Dunga dá a entender que não pretende fazer improvisações no time titular e pelo menos um lateral-esquerdo de ofício será chamado.</p>
<p>Na convocação para os amistosos contra Inglaterra e Omã em novembro, surgiu uma luz no fim do túnel: Fábio Aurélio, que joga no Liverpool e é citado pelos principais comentaristas do país como o nome mais indicado, por combinar melhor a força de marcação e eficiência no apoio, teve sua primeira chance com Dunga. O lateral de 30 anos terá sua grande chance de justificar os pedidos dos brasileiros que acompanham o campeonato inglês e conhecem sua regularidade, mesmo com algumas contusões atrapalhando sua trajetória nos Reds. Michel Bastos, do Lyon, também foi chamado, mas sua perfeita adaptação ao meio-campo francês, e pelo lado direito, praticamente inviabiliza sua escalação.</p>
<p>Seja como for, a busca deve durar até a convocação definitiva em 2010 e Dunga espera que a camisa que nas últimas décadas foi vestida por nomes como Júnior, Branco e Roberto Carlos tenha um dono que a dignifique e não transforme o setor esquerdo no mais frágil da seleção que aparece, mais uma vez, como uma das grandes favoritas ao título mundial.</p>
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		<title>Ronaldinho: A hora de voltar</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 16:14:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sete de Março de 2006. Ao ver o camisa dez do Barcelona simplesmente atropelar a sólida defesa do Chelsea no golaço que abriu o placar no Camp Nou (empate em 1 a 1 pela Liga dos Campeões), este que escreve se pegou pensando seriamente na hipótese de estar testemunhando a história do novo maior jogador [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sete de Março de 2006. Ao ver o camisa dez do Barcelona simplesmente atropelar a sólida defesa do Chelsea no golaço que abriu o placar no Camp Nou (empate em 1 a 1 pela Liga dos Campeões), este que escreve se pegou pensando seriamente na hipótese de estar testemunhando a história do novo maior jogador de todos os tempos sendo escrita.</p>
<p>A fase de Ronaldinho era estupenda e o raciocínio muito simples: faltava ao craque um momento mágico na seleção, que poderia vir na Copa da Alemanha. Poucas vezes na história dos mundiais as esperanças de espetáculo se concentraram tanto em um único jogador. Se ele correspondesse e, de fato, desequilibrasse a favor do Brasil na conquista do hexa, o gaúcho ganharia sua terceira Bola de Ouro, como Ronaldo e Zidane, e seria bicampeão do mundo protagonizando uma das conquistas. Feitos maiores do que os de Maradona e semelhantes aos de Garrincha. Sendo bem criterioso, também seriam iguais aos de Pelé, que praticamente não jogou em 1962.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2824 alignleft" style="margin-right: 10px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/09/ronaldinho-barcelona.jpg" alt="Ronaldinho" width="300" height="198" align="left" title="Ronaldinho: A hora de voltar" />Naquela tarde de devaneios, é óbvio que o colunista não desconsiderou a possibilidade de tudo aquilo dar errado, do “oba-oba” atrapalhar a seleção brasileira e Ronaldinho falhar no instante decisivo. Mas nem no mais terrível pesadelo, projetando o pior dos mundos, foi possível imaginar que, apenas três anos depois, Ronaldinho estaria tão decadente e desnorteado, se arrastando pelos campos neste início de temporada do Milan, refúgio do brasileiro após uma série de insucessos em Barcelona. O menino que chamou a atenção no título mundial sub-17 em 1997, encantou em seus primeiros toques na bola que terminaram em gol antológico na estreia pela seleção principal contra a Venezuela dois anos depois, ganhou o mundo em 2002 e chegou ao ápice individual de 2004 a meados de 2006 pelo time catalão hoje é uma mera caricatura envelhecida de quem parece viver a fase final de sua carreira. Aos 29 anos&#8230;</p>
<p>Observar Ronaldinho caminhando perdido pelos gramados europeus com apenas alguns espasmos da genialidade que ficou em algum estádio espanhol desperta um misto de dó, revolta e perplexidade. Mais que isso, a pergunta que martela na cabeça é simples e direta: por quê?</p>
<p>A questão é física, mas também técnica e psicológica: pelo centro ou pela esquerda, no meio-campo ou no ataque, a agilidade e a confiança dos tempos áureos são passado. Antes ele dominava girando sobre o marcador e arrancando logo em seguida. Hoje para a bola, protege e, inseguro, quase sempre toca para trás. Um pivô inútil que só consegue algum lampejo diante de marcações mais frouxas. A performance na goleada sofrida para a Internazionale de José Mourinho por 4 a 0 no dérbi de Milão foi constrangedora e desanimou até os fãs mais pacientes. Seleção e Copa do Mundo na África do Sul se transformaram em planos muito distantes, quase esquecidos.</p>
<p>A constatação é cruel: não há mais como jogar em alto nível nos principais clubes do mundo. O hesitante Milan do técnico Leonardo é o 11º colocado do Calcio e Ronaldinho sequer é titular absoluto de uma equipe que perdeu seu maior craque. Os que esperavam que o camisa 80 assumisse a responsabilidade de substituir Kaká e comandasse o time rossonero já desistiram e vaiam o talento que parece ter escorrido de vez pelo ralo com o fiasco verde e amarelo há três anos.</p>
<p>Portanto, é chegada a hora de assumir que o sonho acabou e seguir o exemplo do homônimo dentuço, que percebeu a impossibilidade de reviver sua fase dourada e voltou ao seu país, de futebol empobrecido pela indigência econômica dos clubes, para sobrar com sua técnica acima da média que nem a péssima forma física consegue juntá-la à vala comum.</p>
<p>A idéia da aposentadoria precoce aventada na Itália até pode representar um ponto final mais digno em trajetória tão bela quanto inconstante. No entanto, a paixão instantânea de torcidas carentes de ídolos e todo o movimento de mídia e cifrões por conta da chegada de uma estrela rediviva podem recolocar o brilho nos olhos de outro Ronaldo que agora só pode ser gigante inserido no contexto de um futebol nanico.</p>
<p>O estranho paradoxo de ter humildade para ser um popstar no Brasil é o que restou a Ronaldinho Gaúcho, o projeto de gênio que não vingou.</p>
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		<title>A Hora e a Vez de Diego</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 10:11:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ao ser campeão brasileiro pelo Santos com apenas 17 anos em 2002, Diego ganhou status de craque de forma prematura e queimou etapas rápido demais. Depois do insucesso na passagem por Portugal, sua primeira experiência internacional, o meia se adaptou ao futebol europeu atuando na Alemanha e agora parece pronto para brilhar na Itália com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao ser campeão brasileiro pelo Santos com apenas 17 anos em 2002, Diego ganhou status de craque de forma prematura e queimou etapas rápido demais. Depois do insucesso na passagem por Portugal, sua primeira experiência internacional, o meia se adaptou ao futebol europeu atuando na Alemanha e agora parece pronto para brilhar na Itália com um futebol tão belo quanto objetivo, que vem fazendo a diferença nas primeiras rodadas do Calcio.</p>
<p>O menino que, junto com Robinho, encantou o Brasil no segundo semestre do ano em que a seleção se sagrou pentacampeão mundial sempre se destacou pela personalidade e a técnica apuradíssima, apesar do preciosismo natural para sua idade. Assim como era compreensível uma trajetória repleta de altos e baixos de um talento tão precoce. O primeiro revés veio com a eliminação brasileira no torneio pré-olímpico em 2004. Diego e Robinho se transformaram nos bodes expiatórios de uma seleção desorganizada por conta das brincadeiras que já aconteciam em Santos, mas não eram criticadas porque os resultados apareciam.</p>
<p>A saída para o Porto no mesmo ano pouco contribuiu para a carreira do meia, que aprendeu a enfrentar marcações mais cerradas no Werder Bremen, mas não conseguiu decolar em uma equipe que não soube se impor na Bundesliga, não deu sorte nos cruzamentos da Liga dos Campeões e perdeu a final da Copa da UEFA (agora Liga Europa), sem Diego na decisão, para o Shakhtar Donestk. A derrota na competição continental foi a senha para buscar uma camisa mais pesada e decolar no Velho Continente.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2670 alignleft" style="margin-right: 10px; margin-top:5px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/09/diego-juventus.jpg" alt="Diego" width="300" height="210" align="left" title="A Hora e a Vez de Diego" />Com fome de taças e buscando renovar elenco envelhecido, a Juve surgiu como a melhor opção para Diego. E o camisa 28 não vem decepcionando os Bianconeri. Na estreia oficial contra o Chievo, assistência em cobrança de falta para o gol único da partida, marcado por Iaquinta. No Estádio Olímpico, show contra a Roma no triunfo por 3 a 1, com dois gols e fantástica atuação que encantou e empolgou os tifosi. As comparações com Zico e Maradona da sempre exagerada imprensa italiana podem atrapalhar pelos elogios, mas também pelo aumento das cobranças e a vigilância dos adversários. E a forma de jogar do time juventino também não ajuda muito: se o esquema tático armado por Ciro Ferrara dá a liberdade que Diego necessita para brilhar, o time não precisa ficar engessado num sistema imutável que centraliza tudo em seu meia de ligação.</p>
<p>O problema no meio-campo juventino é que do trio de volantes que trabalha atrás do “trequartista”, o que se projeta mais à frente por característica é Felipe Melo, exatamente o que joga plantado à frente da zaga. Marchisio e Tiago até apoiam pelos lados, mas sem tanto furor e eficiência. Isso complica a movimentação quando Diego recua para fugir da marcação e armar as jogadas. A dificuldade aumenta com a pouca mobilidade de Iaquinta e Amauri, homens de área que afunilam esperando os lançamentos. Ferrara vai buscando alternativas com as entradas de Camoranesi no meio e Trezeguet e Del Piero no ataque.</p>
<p>Enquanto o treinador tateia atrás da melhor formação, Diego vai fazendo a diferença e se transformando num nome que Dunga deve olhar com carinho para a suplência de Kaká, mesmo faltando ao ex-santista uma grande exibição com a camisa verde e amarela. Em Turim, ele vem sendo corpo e alma de um time que já vem forte para a luta pelo scudetto.</p>
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		<title>Ramires, a melhor aposta do Benfica</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 23:07:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em qualquer negociação ou relação comercial, existe a melhor hora de vender e o momento certo de comprar. Para achar a exata medida, é preciso ter experiência, sensibilidade e, é claro, um pouco de sorte. Difícil precisar o mérito dos dirigentes do Benfica na contratação de Ramires junto ao Cruzeiro. Mas é inegável que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em qualquer negociação ou relação comercial, existe a melhor hora de vender e o momento certo de comprar. Para achar a exata medida, é preciso ter experiência, sensibilidade e, é claro, um pouco de sorte. Difícil precisar o mérito dos dirigentes do Benfica na contratação de Ramires junto ao Cruzeiro. Mas é inegável que o negócio foi fechado na hora exata para que os valores não fossem inflacionados pela valorização do ótimo volante brasileiro.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2536 alignleft" style="margin-right: 10px; margin-top: 3px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/07/ramires_brasil.jpg" alt="Ramires" width="300" height="208" align="left" title="Ramires, a melhor aposta do Benfica" />Ramires, carioca revelado pelo Joinville, foi contratado pelo clube mineiro em 2007 e estourou no ano seguinte, sob o comando do técnico Adílson Batista, que soube trabalhar sua versatilidade e potencializar seu talento. O dinâmico volante, que marca, sabe sair para o jogo e tem ótima presença ofensiva, voltou da seleção que trouxe a medalha de bronze das Olimpíadas de Pequim e virou meia, fazendo um fantástico campeonato brasileiro em 2008, o que fez com que ganhasse visibilidade e prêmios individuais. Em 2009, os gols, as boas atuações na Taça Libertadores e a conquista do campeonato estadual fizeram com que o técnico Dunga se rendesse ao talento de Ramires e o convocasse para os jogos das Eliminatórias e a Copa das Confederações. Nesse momento é que o timing do clube português foi perfeito. No dia em que o treinador da CBF anunciou o nome do camisa 8 cruzeirense entre os vinte e três convocados, o Benfica divulgou a sua contratação por 7,5 milhões de euros. O time mineiro revelou que também recebeu proposta do CSKA Moscou, da Rússia, dirigido por Zico.</p>
<p>Se tivessem esperado um pouco mais, muito provavelmente o Benfica esbarraria na enorme valorização do jogador, que virou titular da seleção, que viveu um mês de Junho mágico, com a conquista da liderança das Eliminatórias sul-americanas e do título do torneio realizado na África do Sul. Apesar do desempenho um tanto irregular, Ramires mostrou personalidade e bom entendimento com Kaká, Robinho e Luís Fabiano no ataque brasileiro.</p>
<p>No retorno ao Cruzeiro, Ramires pareceu um tanto disperso e decepcionou a torcida do time celeste com atuações não mais que razoáveis nas finais da Libertadores contra o Estudiantes, sendo superado pelo craque Verón no duelo derradeiro no Mineirão. Mas o título dos argentinos e a saída “pelos fundos” do clube brasileiro não desqualificam o meiocampista.</p>
<p>Muito menos o tiro certeiro do Benfica, que ganha um belo reforço cujos valores nem oneraram tanto os cofres dos encarnados, o que é fundamental em tempos de crise. Em uma equipe competitiva montada pelo agora dirigente Rui Costa, o novo camisa 8, junto com reforços como o atacante argentino Saviola, pode fazer a diferença e ajudar o clube português a reconquistar a hegemonia nacional e voltar a sonhar com títulos internacionais.</p>
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		<title>Kaká e Real Madrid &#8211; E o noivado virou casório</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 09:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Enfim, chegou o dia da confirmação da contratação de Kaká pelo Real Madrid. Depois de um namoro, ainda que velado, de dois anos, a crise financeira que abalou o Milan e a volta de Florentino Pérez com sua sede de craques à presidência do Real Madrid criaram o cenário perfeito para que o negócio se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Enfim, chegou o dia da confirmação da contratação de Kaká pelo Real Madrid. Depois de um namoro, ainda que velado, de dois anos, a crise financeira que abalou o Milan e a volta de Florentino Pérez com sua sede de craques à presidência do Real Madrid criaram o cenário perfeito para que o negócio se concretizasse.</p>
<p>Prever o que o melhor do mundo de 2007 poderá fazer em Madrid é difícil, até porque será um trabalho iniciado praticamente do zero. Com Manuel Pellegrini no comando técnico e muito dinheiro para gastar – estima-se que Kaká tenha custado 65 milhões de euros e os cofres do clube ainda teriam inacreditáveis 235 milhões para reforçar o elenco -, o clube merengue ainda deve movimentar muito o mercado. A impressão é que a chegada de Kaká está sendo utilizada pelo Real para mostrar força e estimular os outros prováveis reforços a verem com bons olhos uma mudança de ares.</p>
<p>Para voltar a ser um gigante capaz de desafiar o Barcelona e os grandes ingleses na Liga dos Campeões, é importante que o Real se preocupe mais com a formação de uma equipe do que com ações de marketing. Ao invés do time “galáctico” que tinha Zidane, mas também Pavón e Ronaldo com o “contraponto” Michel Salgado, a diretoria deve investir em um grupo equilibrado, com boas opções em campo e na reserva, além do senso coletivo que faz com que o talento individual decida as partidas.</p>
<p>Fundamental também será criar um ambiente positivo, com um mínimo de união dentro do profissionalismo europeu, avesso às “famílias” tipicamente brasileiras. O racha costumeiro entre espanhóis e estrangeiros e/ou jogadores formados em casa e reforços, sempre comandado por “Raúl Madrid”, não pode se repetir, pois mina as forças do elenco ao longo do tempo. Aproveitar o bom momento do futebol espanhol e contratar jogadores do próprio país também pode ser boa saída para Florentino.</p>
<p>O anúncio com toda pompa e circunstância é justo. Kaká é um jogador capaz de fazer uma equipe crescer com o talento e  a conduta profissional exemplar que estimulam seus companheiros. Os torcedores rossoneri terão muito a lamentar e com que se preocupar em relação ao futuro do Milan, o que mostra que o Real agiu certo ao buscar o brasileiro que tem tudo para fazer história em um clube que sempre faz o futebol mais bonito quando está no topo da Europa e do planeta.</p>
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		<title>Taison, o menino guerreiro da Beira-Rio</title>
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		<pubDate>Wed, 27 May 2009 16:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O nome, apesar da grafia “abrasileirada”, é uma reverência a Mike Tyson, fenômeno do boxe no final dos anos 1980. Mas se Taison, o novo camisa sete do Internacional, não segue o ídolo dos ringues na violência dos golpes nem na facilidade de se meter em encrencas, em campo o atacante de 21 anos demonstra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O nome, apesar da grafia “abrasileirada”, é uma reverência a Mike Tyson, fenômeno do boxe no final dos anos 1980. Mas se Taison, o novo camisa sete do Internacional, não segue o ídolo dos ringues na violência dos golpes nem na facilidade de se meter em encrencas, em campo o atacante de 21 anos demonstra vontade de vencer e a mesma “fúria” quando parte para cima dos defensores adversários.</p>
<p>Na virada do ano, o clube gaúcho negociou Alex, um dos destaques do time comandado pelo técnico Tite na conquista da Copa Sul-Americana, para o Spartak Moskow com a certeza de que teria a reposição pronta para formar a dupla de ataque com Nilmar.  É a política do Inter de vender um craque para faturar e substituir por um garoto promissor. Foi assim em 2006, na negociação de Rafael Sóbis que abriu espaço para um tal Alexandre Pato.</p>
<p>Mesmo marcando apenas dois gols no ano passado, Taison mostrou qualidades e, beneficiado pela prioridade que o clube deu à competição continental a partir das semifinais, acabou se tornando o jogador mais utilizado do elenco no campeonato brasileiro, com 30 participações, sendo dez jogos completos.</p>
<p>A trajetória do jovem atacante comprova a sua determinação, além do competente trabalho do clube nas divisões de base: Taison demorou a chamar a atenção porque lhe faltava força física. O menino de origem humilde precisava de músculos na proporção correta para poder se destacar. O trabalho de Élio Carravetta, coordenador de preparação física, foi preciso e Taison logo estava com o corpo preparado para o duelo com vigorosos zagueiros. A cabeça já estava pronta desde sempre, por conta da boa educação da mãe, dona Rosângela, que criou outros nove filhos na periferia de Pelotas.</p>
<p>Faltavam as conclusões, deficiência do meia-atacante. E novamente a visão do clube foi fundamental, com o olhar diferenciado do técnico Tite, que, ao contrário de seus antecessores, viu potencial no menino, e participação direta de Fernando de Carvalho, presidente colorado na conquista da Libertadores e do Mundial Interclubes de 2006. Fernando percebeu que o garoto era afoito diante do goleiro e exigiu no final de 2008 que ele fizesse treinamentos específicos. O progresso foi tão significativo que o dirigente, eufórico, apostou, em tom de desafio, que Taison não faria vinte gols na temporada seguinte jogando como titular.</p>
<p>O Taison de hoje se mexe bem pelos lados do campo, especialmente pela esquerda, é disciplinado taticamente, raçudo e joga com incríveis velocidade e verticalidade nas arrancadas em diagonal ou buscando o  fundo. Além disso, mostra ótimo entendimento com Nilmar e o meia argentino D’Alessandro e progride a cada jogo nas conclusões, com técnica e ótimo aproveitamento. Os números em 2009 impressionam: artilheiro do campeonato gaúcho com quinze gols e o que mais foi às redes, seis vezes, na Copa do Brasil. A última, importantíssima, na vitória sobre o Flamengo por 2 a 1, ao completar bela jogada de Nilmar pela esquerda e abrir o placar.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2103 alignleft" style="margin-left: 9px; margin-right: 9px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/internacional-taison-brasil.jpg" alt="Taison, o menino guerreiro da Beira Rio" width="290" height="183" align="left" title="Taison, o menino guerreiro da Beira Rio" />Alguns questionamentos quanto ao seu desempenho surgiram após as atuações discretas na vitória sobre o Corinthians por 1 a 0, na estreia do time no campeonato brasileiro, no Pacaembu, e no empate sem gols contra o Flamengo pelas quartas-de-final da Copa do Brasil no Maracanã. Mas logo foram esquecidas com as belas performances contra o Palmeiras e o próprio Flamengo no Beira-Rio. Faltava uma grande atuação longe de Porto Alegre. Faltava, pois ela veio no jogo seguinte, contra o Goiás no Serra Dourada. Taison entrou aos 11 do segundo tempo e além do gol da vitória por 1 a 0, o seu primeiro no Brasileirão e que alçou o time gaúcho à liderança isolada do campeonato, ainda brindou o público com grandes jogadas individuais e assistências para os companheiros.</p>
<p>Os 22 gols colocam Taison entre os artilheiros do Brasil na temporada. Em menos de seis meses, a aposta de Fernando Carvalho já está perdida, mas o ex-presidente sorri com o sucesso de seu pupilo.</p>
<p>Nilmar e Kléber foram convocados pelo técnico Dunga para a seleção brasileira que vai a Copa das Federações. Talvez para 2010 ainda seja cedo, mas se Taison fizer as escolhas corretas na carreira, será nome certo nas convocações depois da Copa na África do Sul. Basta manter a humildade de quem ainda nem tem veículo próprio e vai aos treinos de táxi e, dentro de campo, luta a cada partida pelas vitórias do seu time e pelo aprimoramento individual.</p>
<p>Com a calma e a maturidade de quem já é o pai da Maria Eduarda, de sete meses, mas também com o “sangue nos olhos” dos grandes campeões, como o pugilista homenageado por seus pais em seus melhores momentos, Taison tem tudo para vencer. Na carreira e na vida.</p>
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		<title>O Retorno de um novo Ronaldo</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Mar 2009 23:27:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Era um clássico chato em Presidente Prudente, São Paulo. Mesmo com estádio lotado, Palmeiras e Corinthians sofriam com a tórrida tarde de verão e se atrapalhavam com as próprias limitações. Aos 16 minutos do segundo tempo, com o placar apontando 1 a 0 para o Palmeiras, as coisas começaram a mudar. Ao chamar Ronaldo, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era um clássico chato em Presidente Prudente, São Paulo. Mesmo com estádio lotado, Palmeiras e Corinthians sofriam com a tórrida tarde de verão e se atrapalhavam com as próprias limitações. Aos 16 minutos do segundo tempo, com o placar apontando 1 a 0 para o Palmeiras, as coisas começaram a mudar. Ao chamar Ronaldo, a grande contratação brasileira da temporada, para conversar, o treinador Mano Menezes já começou a agitar o clássico e a massa corintiana. E ao entrar em campo, três minutos depois, o Fenômeno, na segunda partida oficial após a volta ao Brasil, completou o serviço.</p>
<p><img class="attachment wp-att-1825" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/ronaldo.jpg" alt="O Retorno de um novo Ronaldo" width="280" height="178" align="left" title="O Retorno de um novo Ronaldo" />Na primeira jogada, um belo drible, mas o passe saiu errado. Na segunda, ele tenta o chute, é desarmado e pede falta. Aos 33, a coisa ficou séria: Ronaldo recebeu pela esquerda, cortou para dentro e mandou uma bomba no travessão. A vontade de seu camisa 9 acordou um Corinthians apático e sem criatividade que empurrou o Palmeiras para a sua defesa. Aos 42, linda jogada pela esquerda de Ronaldo, que cruzou para André Santos cabecear e o goleiro alviverde Bruno fazer boa defesa. A pressão alvinegra aumentou com a expulsão do lateral Fabinho Capixaba. E aos 47, veio o momento apoteótico: a cobrança de escanteio pela direita do meia Douglas passou por quase todos. Ela procurava Ronaldo. O golpe de cabeça foi perfeito e a comemoração digna de seu carisma e seu físico. Nem o alambrado resistiu. Impressiona a capacidade do Fenômeno de protagonizar lances que mais parecem fazer parte de um roteiro de filme, com toda a sua carga dramática e um timing inacreditável. Tinha que ser no lance derradeiro, entre a glória e o fracasso, o pesar e o delírio, o silêncio e o êxtase.</p>
<p>Em seu primeiro ato real no retorno ao país, Ronaldo, um craque polêmico pelo que faz fora das quatro linhas, mas um ídolo incontestável nos campos e fenômeno de marketing, colocou um clássico murcho, longe do Morumbi e nada memorável na história dos confrontos entre os arquirrivais paulistas. Daqui a décadas, muitos ainda lembrarão do “Dérbi de Presidente Prudente”. Ou melhor, de Ronaldo.</p>
<p>Se ainda não o fez, esqueça o atacante que encantou o planeta com arrancadas irresistíveis em direção à grande área, a penetração em diagonal vindo da esquerda, pedalando e batendo de canhota. Esse definitivamente não existe mais, mesmo que emagreça e leve a carreira mais a sério. No meio dos escombros dos problemas graves no joelho direito e do sobrepeso adquirido com o tempo, emergiu um Ronaldo diferente, mais oportunista, que dá menos toques na bola, chuta mais de longe e até é um bom cabeceador.</p>
<p>Para quem nem se lembrava mais do Ronaldo em campo, é só recordar alguns momentos marcantes de sua carreira nos últimos anos:</p>
<ul>
<li>Campeonato Espanhol, temporada 2004/05. Real Madrid 4X2 Barcelona -  No primeiro gol do clássico, com Vanderlei Luxemburgo no comando do time merengue, cruzamento de Beckham pela direita e cabeçada certeira de Ronaldo;</li>
<li>Copa do Mundo de 2006. Primeira fase. Brasil 4X1 Japão -  O Brasil perdia até os 46 do primeiro tempo, quando Ronaldinho cruzou, Cicinho ajeitou de cabeça e o Fenômeno empurrou para as redes também de cabeça, marcando o primeiro de seus três gols na Alemanha que garantiram a artilharia da História das Copas com 15 gols;</li>
<li>Campeonato Italiano, temporada 2006/07. Internazionale 2X1 Milan &#8211; O seu primeiro gol pelo time rossonero não evitou a derrota para seu maior rival, mas foi um belíssimo chute de fora da área que abriu o placar no San Siro;</li>
<li>Campeonato Italiano, temporada 2007/08. Milan 5&#215;2 Napoli &#8211; A estreia era de Pato, mas quem brilhou foi Ronaldo, que marcou dois gols. O segundo em bela cabeçada. Aliás, seu último gol em partidas oficiais antes do tento marcado em Presidente Prudente.</li>
</ul>
<p>Agora, com o joelho esquerdo também em frangalhos, a tendência é que essas novas características se acentuem ainda mais. Menos tempo em campo, um maior aproveitamento dos espaços e concentração total nas conclusões, inclusive no cabeceio, seu “ponto fraco”, para ser mais decisivo em poucas intervenções.</p>
<p>Esse é o &#8220;novo&#8221; centroavante Ronaldo Nazário. E é bom se acostumar com ele.</p>
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		<title>O Fim da Aventura de Scolari em Londres</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 23:01:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Observatório]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>

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		<description><![CDATA[Luiz Felipe Scolari não sabia o que era ser demitido desde 1982. A primeira e única foi, curiosamente, em seu primeiro emprego como técnico, no CSA, clube brasileiro do estado de Alagoas. Depois disso, trabalhou em vários times e sempre saiu por iniciativa própria, ou em acordo com a diretoria. Até na seleção brasileira foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Luiz Felipe Scolari não sabia o que era ser demitido desde 1982. A primeira e única foi, curiosamente, em seu primeiro emprego como técnico, no CSA, clube brasileiro do estado de Alagoas. Depois disso, trabalhou em vários times e sempre saiu por iniciativa própria, ou em acordo com a diretoria. Até na seleção brasileira foi assim, após a conquista da Copa do Mundo da Coréia e do Japão. Mas no Chelsea, considerado pelo próprio o grande passo na sua carreira, o treinador campeão mundial de 2002 não teve o mesmo sucesso.</p>
<p>Pode até parecer um clichê oportunista, mas a verdade é que o desempenho do Chelsea no empate sem gols em Stamford Bridge com o Hull City em sua última partida pelo clube foi o retrato da equipe inglesa sob o comando de Scolari: um time determinado, mas engessado em um invariável padrão tático, sem idéias e limitado às bolas aéreas e chutes de longa distância. Ainda que os sentidos desfalques de Ricardo Carvalho, Essien e Joe Cole, além dos problemas físicos de Drogba, sirvam como atenuantes para o treinador, o fato é que Scolari não conseguiu fazer os Blues renderem o esperado. Como &#8220;manager&#8221;, também faltou visão de mercado europeu nas aquisições, mesmo com o orçamento mais &#8220;enxuto&#8221; de Roman Abramovich. A contratação do volante Mineiro e a prolongada espera por Robinho podem ser considerados equívocos do brasileiro na armação de seu elenco.</p>
<p>Na frieza dos números, o desempenho de Felipão nem foi tão ruim assim. Em 41 partidas, foram 24 vitórias, 12 empates e 5 derrotas. Mas seu aproveitamento de 68,3%, superior ao do próprio técnico na seleção portuguesa (63% em 31 partidas), ficou bem abaixo dos 78,2% de Mourinho em período equivalente no ano de 2005. Para quem chegou ao clube quase como um “messias” com a missão de levar o time londrino ao tão sonhado título da Liga dos Campeões, foi pouco, muito pouco. Principalmente pelo desempenho pífio nos &#8220;clássicos&#8221; pelo Campeonato Inglês: apenas um empate, contra o Manchester United por 1 a 1 na quinta rodada, e quatro derrotas. Pior: perdeu a invencibilidade de 86 partidas em seu estádio na derrota por 1 a 0 para o Liverpool no turno da Premier League. Por tudo isso, é possível afirmar que a demissão, embora um tanto prematura para os padrões europeus, foi justa. O holandês Guus Hiddink, o novo treinador, parece o nome mais apropriado para assumir um Chelsea em crise dentro e fora de campo.</p>
<p>Scolari deve permanecer para dirigir outro clube na Europa, até porque propostas não faltarão e essa é a vontade do treinador. Mas não dá para negar que Dunga e Carlos Queiroz, técnicos das seleções brasileira e portuguesa, ganham uma “sombra” que chega a intimidar. Se Felipão conseguir logo um time no Velho Continente para treinar, melhor para os dois.</p>
<p>Capacidade não lhe falta, por mais que seus detratores sistemáticos, principalmente no Brasil, insistam em negar suas virtudes. Mas é preciso aprender com os erros cometidos em Londres e ter a humildade de encarar seu próximo trabalho como um recomeço dentro de uma carreira mais que vitoriosa.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O &#8220;Fico&#8221; de Kaká, pelo bem do futebol</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 11:28:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 9 de Janeiro de 1822, o príncipe regente de Portugal, D.Pedro de Alcântara, o Dom Pedro I no Brasil e IV em terras lusitanas, contrariou as ordens de seu país exigindo o seu retorno à Europa e decidiu permanecer na colônia, que conquistaria sua independência quase oito meses depois. O acontecimento ficou conhecido como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 9 de Janeiro de 1822, o príncipe regente de Portugal, D.Pedro de Alcântara, o Dom Pedro I no Brasil e IV em terras lusitanas, contrariou as ordens de seu país exigindo o seu retorno à Europa e decidiu permanecer na colônia, que conquistaria sua independência quase oito meses depois. O acontecimento ficou conhecido como “Dia do Fico” e é um marco na História do Brasil.</p>
<p>Em 19 de Janeiro deste ano, um outro “príncipe”, desta vez brasileiro, anunciou para o mundo que, contrariando todas as previsões, recusava a proposta surreal e milionária do Manchester City e continuaria em Milão para desfilar seu talento com a bola nos pés.</p>
<p>A permanência de Kaká no Milan é ótima notícia para aqueles, como este colunista, que não se dobram totalmente ao pragmatismo do futebol atual, no qual as cifras valem mais do que qualquer questão subjetiva, como respeito ao clube e carinho pela torcida.</p>
<p>O craque brasileiro, não há dúvida, escolheu o melhor lado. Até porque, não sejamos ingênuos, recebe um ótimo salário do tradicionalíssimo clube italiano e toda a grana que ganharia do Manchester City pode ser “diluída” em uma permanência mais longa em Milão como dirigente, após encerrar sua carreira nos gramados.</p>
<p>Além disso, que garantia o melhor jogador do mundo de 2007 teria do mediano clube inglês? Se o magnata que está injetando dinheiro perdesse boa parte de seus rendimentos em uma nova movimentação da “roda-viva” da economia mundial, como aconteceu com Abramovich no Chelsea, como a tal condição que teria sido imposta por Kaká, de manutenção dos investimentos, seria cumprida? Como assegurar que o time seria competitivo a curto e médio prazo, se uma reunião de grandes craques não forma necessariamente uma equipe poderosa? Se não fosse para a UCL em dois anos, o que ele faria? Voltaria pro Milan? E se estivesse “queimado” e com o mercado mais restrito?</p>
<p>Para o time rossonero, embora os cofres do clube tenham perdido ótima receita em uma temporada sem os ganhos diretos e indiretos da Liga dos Campeões da Europa, a notícia também foi ótima, pois é Kaká o craque que faz a equipe jogar, atuando na ligação do meio-campo com o ataque. Na vitória sobre a Fiorentina por 1 a 0  (gol de Alexandre Pato, cada vez mais artilheiro e adaptado ao &#8220;Calcio&#8221;), os rubro-negros tiveram muitas dificuldades na criação das jogadas, pela partida discreta de seu camisa 22, que parecia impactado pelo noticiário e jogou pouco. Com a cabeça tranquila, Kaká comandou sua equipe na goleada de 4 a 1 sobre o Bologna com dois gols e grande atuação.</p>
<p>O menino que saiu do São Paulo em 2003 já campeão mundial pela seleção no ano anterior, mas ainda um tanto franzino e criticado por não ter alcançado conquistas importantes pelo clube paulista (apenas um torneio Rio-São Paulo em 2001), virou homem em Milão e se consagrou com os títulos continental e mundial há pouco mais de um ano. Mas a maior demonstração de maturidade e caráter veio agora e deve transformar Kaká em algo próximo de um mito para os rossoneri.</p>
<p>No fim das contas, é bom saber que o mundo da bola não está perdido na insanidade de milhões e milhões de euros, dólares ou reais. Que o exemplo do brasileiro possa ser seguido por outros jogadores e tenhamos um mercado menos &#8220;aquecido&#8221; e craques menos dependentes da moeda e cada vez mais venerados em seus clubes.</p>
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		<title>São Paulo &#8211; O Rei do Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 10:05:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[Ao apito final do árbitro Jaílson Freitas no Estádio Bezerrão, em Brasília, a vitória sobre o Goiás por 1 a 0 consolidou o São Paulo como o único hexacampeonato nacional e também o primeiro a vencer três edições consecutivas do campeonato. O feito inédito vem apenas confirmar a superioridade do clube paulista nos últimos anos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao apito final do árbitro Jaílson Freitas no Estádio Bezerrão, em Brasília, a vitória sobre o Goiás por 1 a 0 consolidou o São Paulo como o único hexacampeonato nacional e também o primeiro a vencer três edições consecutivas do campeonato. O feito inédito vem apenas confirmar a superioridade do clube paulista nos últimos anos. A dinastia começou em 2005, com o terceiro título da Libertadores e a conquista do Mundial da FIFA sobre o Liverpool. Nas últimas três temporadas, se faltaram títulos internacionais, o Tricolor do Morumbi ultrapassou os demais em conquistas de campeonatos brasileiros e se tornou o clube mais vencedor do país.</p>
<p>Os motivos para a hegemonia são-paulina passam pelo campo de jogo, mas principalmente pela estrutura do clube.Muricy Ramalho, que comandou a equipe nas três conquistas, é hoje o melhor treinador do país e, a cada resultado negativo da seleção brasileira, a pressão para que ele substitua Dunga aumenta exponencialmente. Profissional sério e detalhista, tem como principal mérito trabalhar suas equipes intensamente até que o padrão de jogo seja assimilado por todos e a execução aconteça naturalmente. Seus times se caracterizaram por crescer na parte final do Brasileirão, arrancando para o título.</p>
<p>Em 2008, o São Paulo foi considerado alijado da disputa pela taça na primeira rodada do segundo turno, após a derrota para o Grêmio, então líder do campeonato e que abria onze pontos de vantagem sobre o Tricolor com o triunfo no confronto direto. Mas o inimaginável aconteceu: em uma reação espetacular, com doze vitórias e seis empates, a equipe de Muricy não só pulverizou a desvantagem como abriu três pontos sobre o mesmo Grêmio e apenas confirmou a conquista na última rodada. A virada ocorreu quando o treinador cobrou uma postura mais competitiva de seus comandados e acertou o time taticamente, com o avanço do ótimo volante Hernanes para jogar como um meia pela direita e a descoberta do jovem Jean como a solução para atuar à frente do trio de zaga no 3-5-2 utilizado pelo treinador. Sólido na defesa &#8211; comandada pelo goleiro-artilheiro Rogério Ceni, símbolo do clube e ídolo maior da torcida &#8211; e eficiente no ataque, com o atacante Borges marcando gols decisivos nas últimas partidas, o time, já acostumado com a fórmula de pontos corridos, voou em campo e atropelou seus oponentes.</p>
<p>Mas é fora das quatro linhas que o clube sobra em relação aos rivais, esbanjando competência e possibilitando aos seus profissionais tudo que eles precisam para exercerem seu ofício. São três Centros de Treinamento, sendo o principal localizado na Barra Funda, que é um dos mais modernos do país. É lá que os jogadores do futebol profissional realizam a maior parte de suas atividades e também onde está o REFFIS, o núcleo de Reabilitação Esportiva, Fisioterápica e Fisiológica, referência mundial na recuperação de atletas e que já serviu para o clube seduzir jogadores como Amoroso (ex-Udinese), Luizão (ex-La Coruña), Ricardo Oliveira (hoje no Zaragoza) e Adriano (Internazionale) para fazerem parte de seus elencos. O São Paulo ainda conta com o Morumbi, o maior estádio particular do Brasil, que gera receitas com shows, eventos e jogos de outros grandes clubes paulistas.</p>
<p>Além disso, a diretoria são-paulina, comandada pelo presidente Juvenal Juvêncio e o superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha, atua com firmeza e inteligência nos bastidores, fortalecendo a imagem do clube como o mais poderoso do país e não permitindo que o time seja prejudicado dentro de campo. A influência é tão grande que são frequentes as reclamações de favorecimento ao São Paulo por parte da arbitragem. Alguns protestos até procedem, mas não maculam o brilho das vitórias do Tricolor paulista.</p>
<p>Com um novo patrocinador, ainda não definido, que deve injetar cerca de 30 milhões de reais no clube em 2009, o São Paulo parte para mais uma tentativa de dominar o continente. Os reforços de Eduardo Costa (Grêmio, Bordeaux e Espanyol) e dos &#8220;cariocas&#8221; Wágner Diniz (Vasco), Renato Silva (Botafogo), Júnior César e Washington (ambos do Fluminense) qualificam ainda mais o elenco de Muricy para os desafios da próxima temporada, na qual o time do Morumbi defenderá seu reinado com a bem dosada mistura de razão e emoção que vem rendendo taças ao principal clube brasileiro e que, a cada ano, justifica ainda mais o verso de seu hino que diz: “Entre os grandes és o primeiro!”.</p>
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		<title>Ibson em tarde de Zico no Maracanã</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 22:20:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[FC Porto]]></category>
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		<description><![CDATA[Rio de Janeiro, domingo de sol; Maracanã com ótimo público, um clássico decisivo atraindo a atenção de todo o país. Em campo, Flamengo e Palmeiras: dois times entre os cinco primeiros colocados do Campeonato Brasileiro, duas equipes competitivas, mas que, dentro das possibilidades do futebol atual, privilegiam a técnica e o jogo ofensivo.
O ambiente e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rio de Janeiro, domingo de sol; Maracanã com ótimo público, um clássico decisivo atraindo a atenção de todo o país. Em campo, Flamengo e Palmeiras: dois times entre os cinco primeiros colocados do Campeonato Brasileiro, duas equipes competitivas, mas que, dentro das possibilidades do futebol atual, privilegiam a técnica e o jogo ofensivo.</p>
<p>O ambiente e as circunstâncias lembravam outros tempos do futebol brasileiro, mais especificamente o início dos anos 80, em que as equipes da “Cidade Maravilhosa” eram as melhores do país e o Flamengo, comandado por Zico, tinha um dos melhores times do mundo e arrastava multidões por onde passasse. E numa tarde mágica, envolta em uma atmosfera nostálgica, um jogador tão amado quanto odiado pela maior torcida do Brasil teve uma atuação magnífica, de guardar nas retinas dos que amam o futebol jogado com arte e simplicidade.</p>
<p><img class="attachment wp-att-1853" style="margin-left: 8px; margin-right: 8px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/ibson-flamengo-brasil.jpg" alt="Ibson em tarde de Zico no Maracanã" width="280" height="179" align="left" title="Ibson em tarde de Zico no Maracanã" />Ibson, meia do F.C.Porto emprestado ao time rubro-negro até Julho do ano que vem, fez a diferença na vitória do Fla por 5 a 2 pela precisão dos passes, a fibra apresentada durante os noventa minutos, mas, principalmente, pelos três gols marcados. Depois de anotar o seu primeiro, o segundo do Fla, ainda na primeira etapa, o camisa 7 comandou o espetáculo após o intervalo marcando um gol de pura técnica, colocando a bola no ângulo de Marcos (goleiro pentacampeão mundial em 2002 pela seleção de Luiz Felipe Scolari), e encerrou sua fantástica exibição com uma finalização de “letra” precisa, mostrando oportunismo e inteligência em um lance de rara beleza.</p>
<p>Muito bem assessorado por Kléberson (outro campeão mundial com Felipão) no meio-campo e atuando mais avançado, Ibson compensou a pouca inspiração de Obina, o atacante mais enfiado entre os zagueiros palmeirenses, e, sempre vindo de trás, arrasou a equipe de Vanderlei Luxemburgo (ex-treinador do Real Madrid) e Roque Júnior (ex-Milan e mais um campeão de 2002), grande favorita ao título nacional, ajudando o Flamengo a continuar na briga por uma vaga na Libertadores da América de 2009.</p>
<p>Ao ser substituído, foi ovacionado pelos mais de sessenta mil presentes no lendário estádio. A apoteose da massa flamenguista deve ter compensado as vaias que andou recebendo em outras partidas. O torcedor é passional, mas costuma ser justo. Com uma atuação nota dez, lembrando as memoráveis jornadas do principal craque do time carioca, Ibson fez por merecer todas as homenagens. E se mantiver a produção e conseguir colocar o Flamengo novamente na principal competição sul-americana, também fará jus a um esforço da diretoria para tentar contratá-lo, agora em definitivo, numa nova negociação com o time luso detentor de seus direitos federativos.</p>
<p>Os rubro-negros torcem para que os dirigentes do Dragão não tenham visto o show de Ibson em um domingo como nos bons e velhos tempos do para sempre “maior estádio do mundo”.</p>
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		<title>Robinho &#8211; Polêmica no Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 10:18:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<description><![CDATA[Depois de uma conturbada negociação, em que era cobiçado pelo poderoso Chelsea e seu festejado treinador Luiz Felipe Scolari, ele chegou a Manchester vindo do Real Madrid, após o bicampeonato espanhol que marcou a recuperação da hegemonia nacional do clube mais vencedor do planeta. Pelo City, mesmo sendo derrotado em sua estréia pelo mesmo time [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de uma conturbada negociação, em que era cobiçado pelo poderoso Chelsea e seu festejado treinador Luiz Felipe Scolari, ele chegou a Manchester vindo do Real Madrid, após o bicampeonato espanhol que marcou a recuperação da hegemonia nacional do clube mais vencedor do planeta. Pelo City, mesmo sendo derrotado em sua estréia pelo mesmo time londrino que queria a sua contratação, já marcou seis gols em dez jogos do badalado campeonato inglês, sendo três na última partida em seus domínios contra o Stoke City.</p>
<p>Pela seleção brasileira, este mesmo jogador é o artilheiro da equipe sob o comando do técnico Dunga, com doze gols. Na última competição oficial, a Copa América 2007, foi campeão como destaque e artilheiro de um time desfalcado de craques como Kaká e Ronaldinho Gaúcho, vencendo a arquirival Argentina completa, invicta e motivada por inquestionáveis 3 a 0. Além disso, conquistou dois títulos nacionais em seu país pelo Santos, que não era campeão há dezoito anos, idade da jovem revelação na primeira conquista, como o grande destaque, apresentando um futebol vistoso e de rara habilidade.</p>
<p>Um atleta de 24 anos com tantos feitos em apenas seis temporadas de carreira profissional, deveria ser uma unanimidade em seu país, certo?</p>
<p>Não exatamente&#8230; No Brasil, Robinho é alvo de enorme polêmica. Se muitos consideram o atacante um craque pronto, dos mais talentosos surgidos na história do futebol pentacampeão do mundo, outros tantos acreditam que o ex-santista não passa de um jogador individualista e pouco objetivo, que se destaca apenas em partidas fáceis e virou um simples produto da mídia pelo seu exibicionismo. Ao afirmar com frequência que pretende ser o melhor do mundo e prometer trinta gols na primeira temporada na Inglaterra ainda em seu início, o jogador fomenta ainda mais a discussão acerca do seu potencial.</p>
<p>Vamos então à questão central: Enfim, Robinho é craque ou uma eterna promessa?</p>
<p>Para este que escreve, o atual queridinho da cidade industrial inglesa é, sim, um craque. Mas não o que habita na mente do próprio jogador. Talvez pela própria expectativa criada pelos fãs de um menino que desequilibrou na conquista do Campeonato Brasileiro de 2002, com uma lendária sequência de “pedaladas” que ocasionou o pênalti do primeiro gol, convertido pelo próprio atacante na vitória sobre o Corinthians por 3 a 2 na decisão, muitos imaginaram que surgia ali um fenômeno como Romário ou Ronaldo e os mais exagerados chegaram a compará-lo com Pelé, até por terem atuado pelo mesmo clube. Todas essas previsões megalomaníacas certamente influenciaram na maneira de que Robinho passou a ver seu próprio futebol. O jogador também queimou etapas ao chegar ao time profissional tão cedo. As conclusões, embora tenham melhorado, ainda podem progredir. Seu jogo também pode ser mais vertical sem perder a beleza e a inventividade.</p>
<p>O grande problema é que o craque parece ter convicção de que não tem mais o que aprender e progredir, e que ser o número um do mundo é apenas questão de tempo e sequência de jogos, que foi negada em Madrid pelos treinadores exatamente pela sua irregularidade. Mas ele não percebeu e bateu o pé até deixar o clube merengue. Era o momento?</p>
<p>Que Robinho possa encarar os elogios com serenidade e as dificuldades que encontrará em um clube emergente como um desafio para se agigantar e, com humildade, transformar seu enorme potencial em mais conquistas e tornar realidade o sonho de chegar ao topo do planeta bola como seu maior craque.</p>
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		<title>&#8220;Engodo&#8221; chamado Copa Sul-Americana</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Sep 2008 08:13:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[América do Sul]]></category>
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		<description><![CDATA[Quarta-feira, dia 17 de Setembro de 2008, Estádio Palestra Itália, São Paulo/SP, Brasil. 23 h e 58 minutos. Precisando reverter uma desvantagem significativa após a derrota de 3 a 1 para o Vasco em São Januário, o Palmeiras confirmava no apito final do árbitro Carlos Eugenio Simon o triunfo por 3 a 0 e a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quarta-feira, dia 17 de Setembro de 2008, Estádio Palestra Itália, São Paulo/SP, Brasil. 23 h e 58 minutos. Precisando reverter uma desvantagem significativa após a derrota de 3 a 1 para o Vasco em São Januário, o Palmeiras confirmava no apito final do árbitro Carlos Eugenio Simon o triunfo por 3 a 0 e a consequente classificação para a segunda fase da Copa Sul-Americana.</p>
<p>Pela paixão do brasileiro por futebol e a grandeza dos dois clubes, que juntos já venceram oito edições do campeonato nacional, duas Libertadores da América, o título sul-americano de 1948 do Vasco que reconhecido em 1996 e decidiram a Mercosul de 2000, seria possível imaginar a enorme festa dentro e fora do gramado com a grande virada palmeirense no tradicional confronto em uma competição continental. Mas o que se viu foi uma comemoração tímida de um time repleto de reservas em um estádio vazio, com o treinador vencedor, o multicampeão Vanderlei Luxemburgo &#8211; que comandou o Real Madrid e é o técnico com mais títulos brasileiros da História, mas não possui uma conquista internacional em clubes &#8211; mostrando no rosto um misto de alegria pela boa atuação de sua equipe improvisada, mas também a preocupação com o futuro do time, que é o vice-líder do Campeonato Brasileiro. Na entrevista coletiva pós-jogo, Vanderlei admitiu a hipótese de levar apenas 13 jogadores ao Peru para o primeiro jogo da próxima etapa, contra o Sport Ancash.</p>
<p>O leitor deve estar se perguntando sobre o porquê da indiferença da equipe paulista em relação ao torneio sul-americano. Apesar de parecer estranho, não é tão difícil de explicar. A Sul-Americana foi criada em 2002 para substituir as Copas Mercosul e Merconorte, que por sua vez substituíram no ano de 1999 a Supercopa, que já havia se chamado Conmebol. Apesar dos diferentes regulamentos e requisitos para a participação no campeonato, a intenção sempre foi movimentar o futebol na América no segundo semestre com uma espécie de Copa da UEFA latina. No entanto, o título credencia a equipe apenas a disputar a Recopa Sul-Americana do ano seguinte com o campeão da Libertadores. O outro atrativo é a premiação em dinheiro, sempre bem-vinda para qualquer clube.</p>
<p>O Brasil não enviou participantes no primeiro ano alegando conflitos no calendário. Em 2003, além do início da trajetória brasileira no torneio, o campeonato nacional passou a ser disputado por pontos corridos e aumentou a sua duração. Com isso, os clubes envolvidos nas duas competições (hoje o campeão e mais os que ficaram de quinto a oitavo no Brasileirão do ano anterior), normalmente sem dinheiro para investir em elencos grandes e qualificados, e combalidos pela debandada na janela de transferências na Europa, passaram a viver um dilema: dedicar toda a atenção ao Brasileirão e lutar pelo objetivo possível de acordo com a posição na classificação ou priorizar o torneio continental, que de uma maneira ou de outra agrega prestígio ao nome da agremiação e garante uma receita extra?</p>
<p>Por conta desse impasse, que naturalmente pende para a disputa interna pela importância do que está em jogo, o país que colocou equipes nas últimas quatro finais da Libertadores só conseguiu chegar às semifinais em 2003 com o São Paulo, no ano seguinte com o Internacional e em 2006 com o Atlético-PR. Os argentinos possuem a hegemonia com quatro conquistas, inclusive na última edição, vencida pelo então desconhecido Arsenal de Sarandí. Em 2008, além do Palmeiras, estão classificados Atlético-PR, Botafogo e Internacional, que superou o tradicional adversário regional Grêmio, líder do Campeonato Brasileiro e que deu de ombros para a competição e a própria rivalidade escalando um time reserva, em uma demonstração clara do que é considerado mais relevante na temporada.</p>
<p>Enquanto a Conmebol estuda a possibilidade de colocar os dois finalistas da Sul-Americana na Libertadores do ano seguinte a partir de 2009, a torcida dos brasileiros é que as equipes que continuam disputando em duas frentes, se definirem mais cedo suas aspirações na competição prioritária no país, possam ter uma campanha digna e, quem sabe, uma delas até conseguir o título, embora nenhuma pareça lá muito preocupada, pelo menos por enquanto, com essa ausência na sala de troféus.</p>
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		<title>A &#8220;Primeira Etapa&#8221; do Campeonato Brasileiro</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jul 2008 07:55:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Nove jogos, quase 25% do total, todos disputados nos fins-de-semana, com equipes envolvidas em Copa do Brasil e Libertadores e praticamente sem baixas por negociações com o exterior. Pelas características, é possível classificar esse período como uma &#8220;primeira fase&#8221; do Brasileirão. E se ainda é cedo para fazer prognósticos dos times, principalmente pela abertura da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nove jogos, quase 25% do total, todos disputados nos fins-de-semana, com equipes envolvidas em Copa do Brasil e Libertadores e praticamente sem baixas por negociações com o exterior. Pelas características, é possível classificar esse período como uma &#8220;primeira fase&#8221; do Brasileirão. E se ainda é cedo para fazer prognósticos dos times, principalmente pela abertura da janela de transferências da Europa, cabe, pelo menos, um balanço do que aconteceu até aqui na competição.</p>
<p>Quem melhor se aproveitou do tempo para treinamento e do desvio de foco dos adversários, sem dúvida, foi o Flamengo. Uma tabela favorável pelas circunstâncias (ainda venceu o Flu sem os titulares e o Sport ainda na &#8220;ressaca&#8221; do título da Copa do Brasil) permitiu que o time ganhasse moral, padrão de jogo e a liderança com alguma folga. O preparo físico está em dia e o treinador tem sabido trabalhar com o elenco recheado de opções, com destaques para os alas Léo Moura e Juan, Kléberson e Ibson, que permanece no clube. Mas é dever ficar alerta, já que nos jogos realmente difíceis (Grêmio e São Paulo), a equipe vacilou.<br />
Ainda no pelotão de frente, Cruzeiro e Palmeiras confirmaram o favoritismo inicial. Porém, ainda pecam pela irregularidade e parecem não ter se recuperado totalmente do baque das eliminações prematuras nas competições que eram prioritárias no primeiro semestre, mesmo com as conquistas estaduais. Já Vitória e Grêmio começaram desacreditados e tiveram trajetórias opostas. A equipe gaúcha, comandada por Celso Roth, teve um início animador, com futebol competitivo e muita força em seus domínios. Mas a recente saída de Roger (ex-Benfica) para o Qatar, se não reposta com qualidade, deve puxar a equipe para a zona intermediária. E o time do técnico Vagner Mancini é a grande surpresa até agora. Após frequentar a zona do rebaixamento no início, a equipe desandou a vencer e, com os gols de Dinei &#8211; inclusive o mais rápido do campeonato, contra a Portuguesa na última rodada &#8211; e um time leve e ofensivo, chegou à zona da Libertadores.</p>
<p>Logo abaixo, o Náutico também começou bem, com boas atuações de Geraldo e os gols de Felipe. Mas depois da perda do mando em seu estádio, pela confusão do jogo contra o Botafogo, e com jogos fora contra equipes favoritas, dá para dizer que a equipe do técnico Leandro Machado caiu com naturalidade. O favorito São Paulo, que foi mal enquanto a cabeça estava na Libertadores &#8211; a eliminação para o Flu foi doída demais &#8211; e pareceu se recuperar com as goleadas sobre Atlético-MG e Flamengo, parece preguiçoso e por vezes dá a entender que pensa que chegará à liderança quando quiser. Tirando os gols de Borges e as boas defesas de Rogério Ceni, o atual campeão mostrou pouco até agora. Na zona intermediária, Atlético-PR e Figueirense começam a se aprumar após as mudanças no comando técnico. Roberto Fernandes mantém o Furacão forte em seus domínios e o Figueira, após a saída de Gallo e a passagem tão rápida quanto desastrosa de Macuglia, parece encontrar seu caminho com PC Gusmão, que rearrumou a equipe e liberou o bom Cleiton Xavier para encostar no ataque. Quem manteve o treinador e vem colhendo os frutos é a Lusa de Vágner Benazzi. Mesmo com o tropeço diante do Vitória, a equipe colecionou ótimos resultados e vem surpreendendo pelo ótimo desempenho defensivo após a chuva de gols na estréia contra o Figueirense. O problema é que o ataque depende demais de Diogo.</p>
<p>O Internacional dá sinais de recuperação com o trabalho de Tite e os retornos de Nilmar e Alex. É time para brigar na frente. Bota e Atlético-MG, apesar das oscilações, também parecem começar a assimilar o trabalho dos novos treinadores Geninho e Gallo. Quem também mudou, mas na presidência, foi o Vasco. A &#8220;Era Dinamite&#8221; parece promissora, mas o time tem sérias limitações e talvez Antonio Lopes não permaneça no cargo. É incógnita, assim como o Sport, com a vaga na Libertadores garantida pela conquista da Copa do Brasil. Ainda assim, é time fortíssimo na Ilha do Retiro e certamente será um &#8220;fiel da balança&#8221;. Um ponto abaixo, um Coritiba irregular e prejudicado pelas arbitragens luta com dificuldades para subir. A tabela e as atuações pouco convincentes também vêm atrapalhando demais o campeão paranaense.<br />
Entre os últimos colocados, duas confirmações e duas surpresas. Goiás e Ipatinga já eram favoritos ao rebaixamento e, até agora, vêm confirmando a tendência. A equipe esmeraldina é a que mais dá sinais de uma possível reabilitação, agora sob o comando de Hélio dos Anjos e com reforços que melhoraram o nível técnico do time, como Iarley e Romerito. O time mineiro, rebaixado no Campeonato Estadual, até surpreende com boas atuações e pelo menos não deve fazer a campanha vergonhosa do América-RN na última edição. Mas a tendência é cair. O Santos de Cuca vem se acertando aos poucos, mas os resultados não aparecem pela fragilidade defensiva e a falta de gols. O atacante paraguaio Cuevas é bom reforço, mas é dever começar a vencer, ainda que na garra e na fibra, para não se complicar no final. E o Flu paga pela atenção total na Libertadores e a depressão pela perda do título. Se não houver uma debandada geral, improvável pelo forte patrocinador, deve chegar ao meio da tabela até o final do primeiro turno.</p>
<p>Em um campeonato ainda no início e com o maior equilíbrio de forças desde o início da fórmula de pontos corridos, a ordem é não se impressionar com a posição na tabela . Nem soberba, nem desespero. Trabalho e noção das reais possibilidades são a receita para um campeonato que ainda reserva muitas surpresas, mudanças de humores e de nomes, além de ótimos jogos.</p>
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		<title>A Crise Técnica na Seleção Brasileira</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jun 2008 11:48:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório]]></category>
		<category><![CDATA[Selecções Nacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[É impossível isentar CBF e Dunga do momento vivido pela Seleção, quinta colocada nas Eliminatórias, o que significaria, ao final, a disputa da repescagem com o campeão da Oceania. A banalização da Seleção atrás de polpudos cachês, a pouca valorização dada às divisões de base e à busca do ouro olímpico, além do &#8220;roteiro&#8221; que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É impossível isentar CBF e Dunga do momento vivido pela Seleção, quinta colocada nas Eliminatórias, o que significaria, ao final, a disputa da repescagem com o campeão da Oceania. A banalização da Seleção atrás de polpudos cachês, a pouca valorização dada às divisões de base e à busca do ouro olímpico, além do &#8220;roteiro&#8221; que afasta profissionais como Scolari e Zico e só atrai aqueles que são coniventes ou submissos devem ser debitados na conta de quem dá as cartas (e dará até 2014!) nos silenciosos gabinetes da sede da Confederação.</p>
<p>Dunga não pode mais ser considerado totalmente inexperiente. Ainda que a sua vivência não seja suficiente para um cargo de tamanha responsabilidade, a Copa América foi um tremendo &#8220;batismo&#8221;, independente do título, que acabou atrapalhando o novato treinador, pela fidelidade exagerada ao grupo vencedor, em nome de uma &#8220;coerência&#8221; que não consegue enxergar a péssima fase da maioria. Taticamente, o time comete sempre os mesmos pecados: laterais que não se projetam, pelas próprias limitações e falta de companhia, um Robinho que recua demais e isola o atacante de referência, além da insistência com Gilberto Silva, que consegue sobrecarregar o meio e a defesa ao mesmo tempo com a sua lentidão no combate e cobertura.</p>
<p>Mas a péssima notícia é que, desta vez, a crise, acima de tudo, é técnica. Antes, os erros de comando eram &#8220;abafados&#8221; pelos pés talentosos de craques que decidiam. A Copa de 2002 é o exemplo mais emblemático: uma preparação tortuosa, depois de uma classificação sofrida e sem um time-base confiável se transformou em título graças ao carisma de Felipão, à união de um grupo que se acertou nas dificuldades e, principalmente, aos 3 &#8220;R&#8217;s&#8221; que fizeram a diferença: Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo consertaram através de dribles e gols uma rota mal traçada e colocaram o Brasil no topo. Assim como fizeram Garrincha, Pelé, Didi, Tostão, Gérson, Bebeto, Romário e tantos outros nas conquistas anteriores. Hoje o maior problema não é falta de vergonha, de identificação com a camisa pentacampeã, de garra, de vontade de servir à Seleção. A equipe pode ter sido apática e um tanto desinteressada contra Venezuela e Paraguai, mas o que se via em campo, principalmente contra a Argentina, era um time sem qualidade, sem aquela chama capaz de transformar um improviso em gol. Falta o artilheiro que nos acostumamos a ter desde Careca nos anos 80 até o Fenômeno na última Copa. Nem nas cobranças de faltas, que já ficaram a cargo de Pelé, Rivelino, Zico e Roberto Carlos, temos um especialista para resolver partidas mais complicadas.</p>
<p>E as perspectivas não são as melhores: os que possuem técnica, como Hernanes (São Paulo, que interessa a vários clubes europeus), Lucas Leiva (Liverpool), Anderson (Manchester United) e Pato (Milan), não têm experiência, e os mais vividos, que poderiam assumir a responsabilidade, como Kaká e os Ronaldos, estão mal ou afastados por contusão.</p>
<p>Como em todos os momentos difíceis e de impasse, em qualquer atividade, é hora de ter calma. Uma troca de treinador deve ser bem pensada e o nome bem escolhido. Alguém com mais currículo pode ser importante, principalmente se conseguir compensar a carência de talento com um jogo coletivo consistente e uma equipe bem distribuída em campo. Mas existe este profissional disponível? E será que ele aceitaria o cargo próximo a uma Olimpíada e acataria as ordens que vêm &#8220;de cima&#8221;? Até que as perguntas sejam respondidas, resta torcer pela rápida e plena recuperação de Kaká, que Ronaldinho Gaúcho encontre um time e um rumo para a sua carreira, e que talentos promissores se confirmem e outros surjam, para que, se nada for consertado no comando, o que é mais provável, o futebol brasileiro possa ser salvo mais uma vez pelo que o tornou famoso e admirado em todo o planeta: a magia de seus craques.</p>
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		<title>Os Brasileiros na EuroCopa</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jun 2008 16:06:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Euro 2008]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Começa neste sábado o torneio mais importante entre seleções adultas do planeta, depois da Copa do Mundo. Mesmo com os atletas estourados pela dura temporada européia, a Euro 2008 deve apresentar ótimos jogos e uma disputa acirrada já na primeira etapa da fase final, disputada na Suíça e na Áustria. Além da relevância da competição, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Começa neste sábado o torneio mais importante entre seleções adultas do planeta, depois da Copa do Mundo. Mesmo com os atletas estourados pela dura temporada européia, a Euro 2008 deve apresentar ótimos jogos e uma disputa acirrada já na primeira etapa da fase final, disputada na Suíça e na Áustria. Além da relevância da competição, o Brasil também estará ligado nos profissionais que nasceram no país, mas representarão outras nações. Com a facilidade para conseguir dupla nacionalidade e poder jogar pelos clubes europeus como comunitário, muitos jogadores que não tiveram oportunidades na Seleção Brasileira aproveitam a chance e se naturalizam, realizando o sonho de vestir a camisa de uma seleção nacional.</p>
<p><img class="attachment wp-att-2116 alignleft" style="margin-left: 9px; margin-right: 9px;" src="http://www.jogodearea.com/wp-content/uploads/2009/05/marcos-senna-spain.jpg" alt="Os Brasileiros na EuroCopa" width="290" height="174" align="left" title="Os Brasileiros na EuroCopa" />É o caso de Kevin Kuranyi (Alemanha), Mehmet Aurélio (Turquia), Marcos Senna (Espanha), Roger Guerreiro (Polônia), Deco e Pepe (Portugal). Quase todos passaram despercebidos em nossos campos e só ganharam destaque depois da estréia por outros países. Kuranyi e Deco, os primeiros da lista a optar pela naturalização, estrearam em Março de 2003 e disputaram as últimas edições da Euro e da Copa do Mundo. Roger, o último, conseguiu a liberação para atuar pela seleção polonesa em Abril deste ano, entrando imediatamente na lista de pré-convocados do técnico holandês Leo Beenhakker. O lateral-esquerdo, revelado pelo São Caetano, teve uma passagem complicada pelo Corinthians, falhando numa partida decisiva pela Libertadores contra o River Plate, jogou razoavelmente bem no Flamengo e no Juventude e rodou em alguns clubes europeus até chegar ao Legia Varsóvia, da primeira divisão polonesa, onde passou de defensor a meio-campista. Os brasileiros já se acostumaram com essa realidade e a encaram com naturalidade, sem acusações de traição à pátria ou coisas do tipo. Como isso vem se estendendo a outros &#8220;derivados&#8221; do futebol, como o futsal e o futebol de areia, e é prática normal nos países asiáticos há décadas, a maioria entende e até apóia a busca por uma melhor posição no futebol mundial.</p>
<p>Todos receberão a devida atenção do público no Brasil, mas a maioria esmagadora torcerá mesmo por Portugal. Não só pelos atletas que nasceram aqui e a ligação entre os países, mas principalmente por Luiz Felipe Scolari, o mais famoso brasileiro envolvido com a competição. Paradoxalmente, muitos desejam o fracasso de Scolari na esperança dele retornar à Seleção Brasileira. Outros não admiram os métodos peculiares do treinador e se incomodam com seu sucesso. Assim como em terras lusitanas, Felipão também gera polêmica no Brasil, mesmo após a Copa de 2002, quando enfrentou a ira do público que queria Romário entre os convocados e voltou consagrado com o título e a artilharia de Ronaldo, aposta do técnico, até hoje considerado &#8220;teimoso&#8221; por aqui. Os olhos também estarão voltados para Cristiano Ronaldo, melhor jogador da temporada 2007/2008 e ídolo também no Brasil, principalmente para os meninos que estão dando seus primeiros chutes. O futebol habilidoso e de muitos gols encanta em qualquer parte do globo. Por outro lado, quem ainda torce o nariz para o atacante do Manchester United espera dele uma participação mais efetiva em jogos decisivos. As atuações apagadas e pênaltis perdidos em partidas importantes deixaram essa pequena &#8220;mancha&#8221; na brilhante trajetória do jovem craque português, que tem a chance de fechar a temporada de forma espetacular, em caso de título.</p>
<p>Independente de qualquer preferência, os fãs do esporte bretão em &#8220;terras brasilis&#8221; querem ver bom futebol, gols e emoção. E isso a Euro promete.</p>
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		<title>O Clássico Luso-Brasileiro de volta!</title>
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		<pubDate>Wed, 21 May 2008 14:13:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Seis anos após o último confronto, Vasco da Gama e Portuguesa, dois clubes de origem lusitana, voltaram a se enfrentar pelo Campeonato Brasileiro exatamente no ano do bicentenário da chegada de D. João VI e da Corte Portuguesa ao Brasil, fato que estreitou os laços entre os dois países, na época vivendo uma relação de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seis anos após o último confronto, Vasco da Gama e Portuguesa, dois clubes de origem lusitana, voltaram a se enfrentar pelo Campeonato Brasileiro exatamente no ano do bicentenário da chegada de D. João VI e da Corte Portuguesa ao Brasil, fato que estreitou os laços entre os dois países, na época vivendo uma relação de metrópole/colônia. O jogo foi realizado no estádio São Januário, muito próximo à Quinta da Boa Vista, local onde o então Príncipe Regente escolheu para viver no Rio de Janeiro.</p>
<p>Desde a última partida (4 a 0 para o Vasco, também pelo Brasileiro e no estádio do Vasco), os dois clubes viveram realidades distintas. A Portuguesa enfrentou o calvário de ser rebaixada na competição nacional em 2002, e até no Campeonato Paulista, em 2006. Mas no ano passado, com um brilhante trabalho do técnico Vágner Benazzi, conseguiu voltar à Primeira Divisão nas duas competições. O time conta com o atacante Diogo, jovem revelação de 20 anos, que só não está no exterior porque se contundiu seriamente no início do ano, o que inviabilizou qualquer negociação. Alguns boatos sobre clubes interessados &#8211; inclusive Benfica e o Sporting &#8211;  de vez em quando aparecem, mas o clube alega que não recebeu nenhuma proposta oficial pelo talentoso jogador que tem contrato com a Portuguesa até 2010 e uma cláusula de rescisão de 11 milhões de euros.</p>
<p>Já o Vasco não caiu, mas também não consegue crescer. Tirando alguns bons momentos, como a conquista do Estadual de 2003 e as boas campanhas na Copa do Brasil e no Brasileiro de 2006, o clube já não consegue contratar ou revelar jogadores como no final dos anos 90 e no início desta década, quando alcançou suas principais conquistas. O clube parece parado no tempo, principalmente pela métodos autoritários e ultrapassados do presidente interino Eurico Miranda, e não consegue investidores nem títulos. O time vive do talento de alguns bons jovens, como Morais, Alex Teixeira, Alan Kardec e Pablo, e da experiência e gols da veterana dupla de ataque, formada por Edmundo e Leandro Amaral, que volta ao clube após imbróglio jurídico que o impediu de jogar pelo Fluminense e o fez retornar para cumprir seu contrato.</p>
<p>A partida foi bem disputada, com domínio vascaíno desde o início, até por atuar em casa. O time, pensando na semifinal da Copa do Brasil, que dá uma vaga na Libertadores ao campeão, vem poupando Edmundo, que fica no banco ou nem vai para o estádio nos jogos do Brasileiro. No sábado, ele saiu da reserva para definir a partida no segundo tempo com dois gols (Leandro Amaral havia marcado na primeira etapa). O veterano atacante encontrou seu posicionamento com a chegada do técnico Antônio Lopes. Mais avançado, Edmundo também tem mostrado ótimo entrosamento com seu novo companheiro de ataque. Ele e Leandro Amaral já marcaram sete gols nas três partidas em que atuaram juntos.</p>
<p>A Portuguesa lutou, mas encontrou dificuldades para segurar o ataque adversário, principalmente pelo lado esquerdo, por onde joga Wágner Diniz, ala vascaíno que vem sendo a principal arma ofensiva da equipe na temporada. O bom goleiro André Luís vacilou em dois dos três gols, e a defesa, que já havia sofrido cinco gols do Figueirense na primeira rodada, voltou a falhar na marcação. No ataque, Diogo lutou sozinho e marcou, de pênalti sofrido por ele mesmo, o único gol dos visitantes.</p>
<p>Mesmo que as equipes não estejam em grande fase, é salutar ver dois clubes que remetem às nossas origens disputando novamente um jogo entre os melhores do país. Em tempos de globalização, onde muitos povos perdem suas identidades e desprezam suas Histórias, o clássico luso-brasileiro nos faz lembrar de onde viemos e traz de volta ao noticiário a boa relação entre os dois países e seus povos. D. João VI, um personagem muitas vezes subestimado pelos hábitos estranhos, mas que, dentro do possível, trouxe progresso para o o nosso país, certamente ficaria feliz ao ver que, dois séculos depois, ainda existem elos unindo Brasil e Portugal, especialmente o futebol.</p>
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