Cosmos de Pelé abre busca a novas estrelas

Kaká, Orlando City
Kaká foi contratado pelo Orlando City no verão de 2014

Cerca de 100 jovens brasileiros encontram-se no Itu Spa Sport, em São Paulo. Disputam o legado de fama deixado pelo Rei, onde o seu brilho já distante chama pelo despontar de novas estrelas.

Treinadores do distante soccer norte-americano aguardam para observarem momentos do mais genuíno, técnico e descontraído estilo de futebol do mundo. E exportador, também. O futuro, não só futebolístico como igualmente académico, é disputado por todos os moleques que pisam hoje o relvado, cheios de ambição em seguir o caminho que outrora o Rei Pelé desbravou.

A iniciativa, promovida pela empresa 2SV, tem apresentado resultados, onde vários jovens brasileiros usufruíram de bolsas de estudo fruto do seu desempenho sob os olhares atentos de treinadores norte-americanos. A oportunidade de aliar os estudos com o desporto é aliciante para qualquer jovem, onde o seu talento lhe pode abrir portas e reduzir despesas, a troco de emigrarem para os EUA, onde serão acolhidos por uma das 15 universidades que marcam presença na sessão com o intuito de recrutar jovens potenciais. Apesar de assimilar objectivos primordiais de desenvolvimento académico e linguístico (sim, a aprendizagem de inglês é fulcral), a maioria dos jovens encara esta ocasião como uma enorme oportunidade de “atacar” uma carreira de jogador profissional.

A proliferação de jogadores canarinhos no estrangeiro constituiu-se como algo banal. Portugal lidera, por razões óbvias. Todos os defesos, com a Liga a dar os primeiros pontapés, são muitos os jogadores que tratam a bola com ginga e sotaque. Quanto aos EUA, vão contabilizando também alguns brasileiros na Major League Soccer, todos no encalço do legado deixado por Pelé.

Decorria o ano de 1975 quando o New York Cosmos retira o Rei da sua reforma de dois anos numa áurea tentativa de incutir ao futebol nos EUA o título que já na Europa usufruía e que até Pelé juntava ao seu nome – desporto Rei. Cinco anos após o início das competições oficiais, o soccer nunca tinha conseguido verdadeiramente angariar interesse suficiente e o consequente público para sustentar a sua existência. Mas com Pelé tudo viria a mudar. A notícia da sua contratação foi estrondosa e com efeitos imediatos. A equipa de Nova Iorque (que antes era obrigada a distribuir bilhetes junto com a compra de um hambúrguer no Burguer King) viu a afluência aos seus jogos aumentar desmesuradamente, até ao ponto de ter que bloquear os acessos ao estádio em dias de jogo, que então apenas albergava 22,500 pessoas. Na despedida oficial de Pelé, eram já 77,000 pessoas extasiadas por assistirem aos últimos pedaços de magia do Rei.

Os jovens que disputam as scholarships norte-americanas representam uma nova aposta dos EUA no rejuvenescimento do seu soccer, onde o incremento tanto de qualidade como de popularidade parece ser uma obsessão. Mas desencantar outro Pelé será, com certeza, uma tarefa utópica.

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