A nova identidade do meio-campo portista

O Porto mudou com a entrada de Ruben Micael… mudou e para melhor! Com efeito, a colocação do madeirense no meio campo possibilitou que a amplitude de movimentos dos portistas se alargasse. Assim, era um facto que desde a saída do argentino Lucho inexistia alguém que pegasse na batuta e organizasse o jogo, que servisse de placa giratória, fazendo circular o esférico e sem necessidade de carteiros.

Nisso reside a especificidade da interpretação do futebol moderno, algo que distingue as grandes equipas das não tão grandes. Olhamos o Barcelona, um exemplo supremo de posse em progressão; toques curtos, mas sempre com destino ao golo. Vislumbramos a colocação do tridente medular; Xavi, Iniesta e Touré fazem a bola correr mais do que eles correm!

Porto X SportingNesse imenso carrossel, há quase uma obrigação de os laterais se movimentarem para receberem o esférico numa zona mais recuada de construção, permitindo que ganhem a necessária embalagem para apoiarem os homens que fazem de extremos… e esse é um dos princípios basilares do sistema e a razão do engrandecimento de forma de homens como Álvaro Pereira, no Porto.

Com Ruben, o meio campo ganhou equilíbrio. Mesmo órfão de Meireles, conseguiu o que o internacional português este ano não houvera conseguido. Graças à sua melhor condição física – algo que o antigo jogador do Boavista, por estranho que pareça, ainda não aprimorou – consegue ser o elo que Lucho sempre foi, a âncora que se torna em mais uma unidade defensiva mas um temível municiador atacante… e isso tem feito toda a diferença!

E aí se entende como os jogadores do Porto, no fim do jogo para a Taça de Portugal, tendo corrido na sua totalidade menos quase seis quilómetros que os do Sporting, jogaram mais… muito mais! Com alguém que chega com maior facilidade ao seu lado, ou, que pelo menos, consegue endossar a bola bem redondinha, até Belluschi está outro jogador. Aquela indesejada posição de interior começa a fazer sentido, pois com o apoio dos laterais, com as maiores soluções de passe para o outro interior e com a resolução óbvia de colocar nos extremos, os carteiros parecem que, passe a metáfora, este é o tempo dos telemóveis e dos emails… que não a carta já não é mais entregue à mão, mas que, electronicamente ela chegará mais eficazmente!

Guardiola percebeu isso a época passada. Jesualdo, com esta peça do puzzle de nome Ruben Micael, parece igualmente ter compreendido qual é o rumo a tomar.





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