O Povo no Poder

2009 foi o ano em que os times mais populares do Brasil dominaram o cenário futebolístico do país com autoridade e fizeram a festa de suas imensas torcidas com títulos e ótimas performances. Comandados pelos repatriados Adriano e Ronaldo, Flamengo e Corinthians protagonizaram os principais torneios nacionais e ainda levaram as taças regionais para suas repletas salas de troféus.

O primeiro semestre foi perfeito para os corintianos. A partir da entrada de Ronaldo, o principal reforço da temporada, no empate em 1 a 1 contra o Palmeiras, o alvinegro paulista, com a base do time que foi campeão da segunda divisão no ano anterior, se acertou atuando no 4-2-3-1 que deu liberdade ao Fenômeno e fluência às ações ofensivas sem comprometer o sistema defensivo e atropelou seus adversários no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil faturando as duas taças com direito a golaços de Ronaldo nas finais contra Santos e Internacional. As estratégias de marketing e as contratações pontuais foram cirúrgicas e o Corinthians sobrou em terras brasileiras.

Porém, na segunda metade do ano, a desmotivação pelas poucas aspirações no Campeonato Brasileiro, já que a meta de garantir vaga na Libertadores tinha sido alcançada, e, principalmente, as ausências de André Santos e Cristian, negociados ao Fenerbahçe, e Douglas, que foi jogar no Al Wasl, fizeram com que o time comandado pelo técnico Mano Menezes caísse demais de produção e fizesse uma campanha não mais que razoável na principal competição nacional. A reposição no elenco não foi à altura e a queda técnica foi vertiginosa, com o time amargando tropeços constrangedores, como na derrota em casa para o rebaixado Náutico por 3 a 2 pela 36ª rodada.

Já o Flamengo seguiu o caminho inverso. Apesar das desconfianças e de jogos pouco convincentes sob o comando do técnico Cuca, o time carioca superou mais uma vez o Botafogo e conquistou seu quinto tricampeonato estadual. Mas a eliminação nas quartas-de-final da Copa do Brasil para o Internacional, a aposentadoria de Fábio Luciano e a saída de Ibson minaram as forças de um elenco que já não era tão qualificado, mesmo com a chegada de Adriano em maio, e uma crise política por conta da chegada de Petkovic, o sérvio de 37 anos que retornava ao clube em um acerto para o pagamento de uma dívida trabalhista, custou o emprego de Cuca e a saída do vice-presidente de futebol Kléber Leite.

AdrianoCom a chegada de Marcos Braz para comandar o futebol, a efetivação do auxiliar técnico Andrade como treinador e a contratação de Álvaro e Maldonado logo após a saída do atacante Emerson para o Al-Ain e a séria contusão no ombro de Kléberson em amistoso pela seleção brasileira, a equipe rubro-negra se reinventou. O time que atuou por dois anos no 3-5-2 para liberar os ofensivos alas Léo Moura e Juan foi remontado em um 4-2-3-1 que foi ensaiado num empate sem gols contra o Internacional no alagado Estádio Beira-Rio e encaixou definitivamente nas vitórias sobre os favoritos Palmeiras e São Paulo. Com Adriano, artilheiro do campeonato ao lado de Diego Tardelli com 19 gols, definindo as partidas e o redivivo Petkovic desequilibrando com a bola rolando ou parada, o Flamengo fez a melhor campanha do returno e, numa arrancada espetacular, conquistou pela sexta vez o título que não era seu desde 1992 e acabou com a hegemonia do tri/hexa São Paulo.

É possível dizer que o ano foi mais vermelho e preto pela conquista da hegemonia doméstica pelo 31º título estadual e a maior dificuldade do Brasileiro mais equilibrado da era dos pontos corridos. Mas também não é nenhum absurdo apontar o futebol praticado pelo alvinegro no primeiro semestre como o melhor apresentado no país ao longo da temporada. Nos duelos entre os gigantes, vantagem do Flamengo, que venceu as duas partidas. No turno, 1 a 0 com gol de Adriano e ausência de Ronaldo no Maracanã; no jogo de volta em Campinas, 2 a 0 para os rubro-negros, agora com o Fenômeno, flamenguista confesso, em campo por 25 minutos até sentir uma contusão na coxa e o Imperador de fora. Mas a pouca importância dada ao Brasileirão pelo Corinthians descaracterizou os encontros entre os principais times do país em 2009.

O tira-teima entre os dois grandes ídolos e goleadores fica para o ano que vem. Quem sabe num confronto épico e histórico pela Taça Libertadores? O time paulista entra na competição mais pressionado pelo centenário do clube e por ser o único gigante de São Paulo que não venceu o torneio continental, o que transforma o desejo natural numa angustiante obsessão. A responsabilidade do Flamengo também será grande, pela empolgação do torcedor e os investimentos na manutenção dos principais jogadores pela nova diretoria, agora liderada pela presidente Patrícia Amorim, a primeira mulher a comandar o clube.

Os desafios são enormes, mas a identificação com a massa que empurra e fascina nas arquibancadas lotadas torna tudo mais possível para quem ganha na bola e também no berro de um povo apaixonado e sempre sedento de glórias que compensem as tantas agruras do cotidiano brasileiro.

[O colunista volta em 2010. Ficam os votos de um Natal em paz e ótimo réveillon para todos. Até a volta!]





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