Sá Pinto, o novo pensador do futebol leonino
Ricardo Sá Pinto como jogador sempre foi um emotivo, de coração perto da boca e sempre dado a situações de nervosismo máximo e muito descontrolo. Foi assim quando agrediu Artur Jorge… de igual modo sucedia nos jogos em que por excesso de ardor, ou excesso de fervura em pouca água acabava expulso, chegando mesmo a lamentar-se de ser perseguido pelos árbitros.
Acabaria a sua carreira em 2007, da mesma forma que a viveu, de um modo polémico, lançando achas para uma fogueira que ia queimando em lume brando, o então treinador e antigo colega Paulo Bento! Paulo Bento, um apologista do trabalho e sendo portador de um low-profile que não lhe permitia encarar o futebol como Sá sempre o encarou, na primeira oportunidade livrou-se dele, vendo-se, também, finalmente, livre de quem no balneário teria autoridade para o questionar, fruto dos anos em que foram colegas de equipa e de selecção.
Mas, o portuense, um dos eternos amores do principal foco de guerrilha a Paulo Bento – a claque Juve Leo – a partir daí foi trilhando o seu próprio caminho… trabalhando, estudando e preparando-se para o futuro. Agora que Bento se foi, e com ele levou o anterior director desportivo, Pedro Barbosa, a escolha recaiu no antigo amor da Curva. Ele, que vai desempenhar o cargo de outra forma, ele que é, diametralmente, o oposto de Barbosa. Mesmo em campo o eram. Se um passeava a sua classe com indolência, num verdadeiro laissez passer, o outro era fervor, picardia, todo ele emoção.
E talvez seja isso que Bettencourt pretende com esta escolha. Não afastar ainda mais o clube dos seus adeptos… fazer o que Vieira fez no Benfica, quando escolheu um Rui Costa, sem qualquer experiência, para um cargo semelhante!
Com esta medida, procura apaziguar os ânimos. Que os focos de insurreição, que por estes dias, agitaram Alvalade se removam e os contestatários lembrem-se que aquele que assobiavam e apodavam de incompetente foi substituído por alguém que reputam de sportinguista, mesmo não o sendo. Além disso, tal tarefa não se afigura simples. O Sporting não tem dinheiro para investir em contratações, um dos problemas com que Barbosa se deparou e que, inelutavelmente, se manterá.
Ademais, quer se queira quer não, o prestígio internacional que o antigo jogador leonino possui poderá não lhe permitir atingir onde outros, em outros clubes, chegam… não terá o pedigree de um Vítor Baía ou de Rui Costa, o que poderá acarretar alguns insucessos que carecerão de explicação. Mas a verdade é que o Sporting muda, abissalmente, as suas directrizes. Cede à paixão e ao coração, e onde antes havia low-profile existirá agora uma terrível vertigem de querer resolver tudo. Sá Pinto é endemicamente, desse modo, e jamais mudará. Terá êxito??



