Portugal x Bósnia – A hora do juízo final…
Ponto prévio: tradicionalmente, Portugal nunca se deu bem com a antiga Jugoslávia. No confronto histórico com a antiga Federação, o saldo é nagativo. Com o desmembramento da República do Marechal Tito, esse fantasma desapareceu, mas a verdade é que as equipas balcânicas sempre foram consideradas perigosas.
A Croácia terá aparecido primeiro, com aquela inolvidável geração comandada por Blazevic e que contava com homens como Ladic na baliza, Bilic a central, Boban e Prosinecki na área medular, Asanovic a playmaker e Suker ou Vlaovic na zona da finalização… equipa que teve o seu climax no Mundial 98 ao conquistar o terceiro lugar. Mas a antiga Jugoslávia também era a Sérvia, a consistente Sérvia, cliente assídua de Mundiais e Europeus, onde clubes como o Partizan ou o Estrela Vermelha monopolizavam títulos, e onde a formação de jovens valores era efectuada criteriosamente e monopolisticamente. Houvesse um jovem talento bósnio, esloveno, ou macedónio, e acabaria nesses colossos. E nem seria a Bósnia a lançar um grito de insurreição contra as potências futebolísticas reinantes… esse pertenceria à Eslovénia, que graças à geração de Zahovic, Pavlin e Acimovic conseguiria lançar bases para expandir o futebol nos Balcãs. As presenças no Euro 2000, com aquele sublime empate a três com a, então, Federação Jugoslava, e no Mundial 2002 foram coroas de glória de uma geração, que parece, agora, redescobrir os prazeres das aventuras internacionais.
E a Bósnia? A Bósnia, essa acordou tarde… as feridas da guerra foram mais árduas de sanar. Sarajevo estava destruída, as preocupações não iam para o futebol, e clubes históricos como o Velez Mostar penavam e cindiam-se entre os bósnios de origem muçulmana e os de origem croata. Os jovens, para poderem acalentar alguma esperança de singrarem no mundo do futebol, tinham de sair do país. Foi assim com Dzeko, Misimovic, Muslimovic, entre outros, o que empobreceu o campeonato local, que actualmente é liderado pelo Borac, clube da martirizada Banja Luka, tristemente célebre pelos atentados fratricidas das guerras civis. Mas este clima de instabilidade que obrigava os jovens a partirem, contribuiu para o fortalecimento da selecção… homens como os já citados, aos que podemos acrescentar Ibisevic ou Pjanic, que meninos partiram, tornaram esta selecção que defontará Portugal um caso sério, um caso bicudo, atendendo ao futebol praticado!
Dotada de um forte espírito combativo, aliado a um intensíssimo fervor futebolístico que faz do estádio um inferno, a selecção bósnia não sabe jogar à defesa. Que o diga a Armada Invencível castelhana, que fechou a fase de grupos lá vencendo por cinco bolas a duas, mas teve de se aplicar… e, talvez esse resultado seja o melhor espelho do que Portugal pode encontrar! Efectivamente, a quadragésima segunda classificada do Ranking FIFA tem claramente tracção à frente, e não podia ser de outra forma, atendendo aos jogadores seleccionáveis que possui.
Blazevic, um velho lobo do futebol, tem, tradicionalmente, optado por escalar a equipa em 3-5-2. Spahic, Nadarevic e Jahic são um trio de defesas que joga à frente do guardião Supic, actual guardião titular. São os que mais sofrem com uma equipa que só tem balanceamento atacante. Daí para a frente é que a equipa ganha alma. Com Muratovic a fazer a ligação entre a defesa e o meio campo, e com Rahimic e Salihovic a fecharem as alas, os génios criativos do meio campo soltam-se. São eles Pjanic, titular e sensação do Lyon, e Misimovic, um dos mais cintilantes playmakers da Bundesliga, e que por jogar no mesmo clube que Dzeko – Wolfsburg – entende-se com ele de olhos fechados. Ainda tendo, na mesma linha avançada, Ibisevic, jogador do Hoffenheim, e que em Janeiro, quando sofreu uma lesão ligamentar, era o melhor marcador de todos os campeonatos europeus. Mas ainda existem Muslimovic – avançado do PAOK, – Bajramovic – que nasceu na Alemanha e tem feito a sua carreira na Bundesliga, chegando mesmo a actuar no Schalkeo4, – o lateral Sasa Papac – colega de Pedro Mendes nos Rangers – e mais alguns…
Uma selecção que pretende agora despontar e tudo fará para causar dissabores a Portugal. Há que defender bem, recuperando a bola o mais longe possível da área lusitana, de modo a estar em maiores condições de causar dissabores aos bósnios. Mas com cuidado, que isto não vai ser uma brincadeira!
P.S. Artigo com a generosa colaboração e informação do meu amigo Fábio Faria…



