Portugal: afinal há esperança
Assumo que fui dos primeiros a duvidar das qualidades de Carlos Queirós para liderar a selecção nacional, especialmente numa fase tão importante como esta em que a equipa necessitava de uma forte remodelação na era pós-Scolari. O brasileiro envelheceu a equipa, e Queirós iniciava funções com a complicada tarefa de renovar a nossa selecção enquanto simultaneamente garantia uma presença no Mundial da África do Sul.
Tal como a maioria dos portugueses, a comunicação social também não facilitou a vida ao aí recente seleccionador, e penso que aquela primeira partida de qualificação frente à Dinamarca, em que Portugal acabou por sair derrotado de forma surpreendente, acabou por marcar um arranque que até poderia ter sido excelente a julgar pela exibição das quinas.
Seguiram-se diversos empates, diversas exibições de fraca qualidade, mas que na realidade até eram acompanhadas pelos adversários mais directos – Suécia e Dinamarca nunca provaram merecer o Mundial muito mais do que Portugal. E a realidade é que, quando todos nós já víamos o campeonato do mundo como uma miragem, a selecção portuguesa partiu para uma recta final brilhante, e que agora vê recompensada com a presença entre as 32 equipas finalistas, assim como um salto de 5 lugares no ranking da FIFA (estava no 10.º lugar).
Qual terá sido o segredo desta equipa? Fazendo as contas, o lote de atletas que encerrou a qualificação com uma brilhante vitória frente à Bósnia é precisamente o mesmo que anteriormente havia sido atacado pelos tais abutres que Eduardo identificou – apenas com a adição do “novo” português Liedson.
O segredo consistiu, a meu ver, na capacidade para unir um conjunto de atletas que ainda não se tinham visto como uma verdadeira equipa. Foram diversos jogos, outros tantos estágios, mas a palavra equipa foi algo que nunca fez parte do vocabulário português. Coube a Queirós unir este lote que, na realidade, tinha tudo para vencer. E as recentes prestações de Bruno Alves, Pepe, Meireles ou Nani a isso o devem. O timing também foi o mais acertado. Em pleno zénite da actual época desportiva, este conjunto de atletas foi capaz de encarnar o espírito vencedor que Portugal ao longo dos anos vem provando, agarrando o Mundial de forma brilhante.
Faltará agora conhecer os adversários portugueses, e admito que pouco me importará o calibre (ou falta dele) das formações a defrontar. Portugal terá essencialmente que manter este espírito ganhador que fez por encontrar nesta fase de maior aperto, e partir para o Mundial de peito aberto, com a certeza de que tem equipa e individualidades para fazer algo de especial.
Ao actual conjunto de jogadores, haverá ainda a adicionar a classe de Pedro Mendes, a magia do playmaker Danny, assim como a genialidade do capitão Cristiano Ronaldo. Mas a presença na África do Sul, essa, é já uma garantia.




Sim há esperança para esta equipa. Claro! Mas não se pode pensar que isso é algo fácil de levar adiante, pois esta selecção portuguesa só poderá ter sucesso se conseguir elevar o potencial dos seus jogadores a um patamar exibicional e de concentração aceitáveis.
Confesso que critiquei algumas opções de Portugal, e passo a explicar:
1. Tendo em conta que a federação já pensava em Carlos Queiroz, penso que demoraram tempo demais a efectivar a sua ligação à selecção, assim como não criaram as condições mínimas para o seu ingresso, deixando para o próprio essa tarefa.
2. Dadas as condições anteriores, Carlos Queiroz deixou de ser o treinador ideal para a qualificação. Conseguiu atingi-la. Agora sim, penso que ele tem o seu terreno preparado e é o treinador ideal para fazer um grande mundial.
3. Muitas vezes criticaram jogadores como Simão, Cristiano Ronaldo ou Deco. Estes, de facto, apresentavam na selecção exibições abaixo do habitual e esperado. Mas, não se pode esquecer que uma equipa tem 11 jogadores e durante esta fase muitos falharam e fizeram jogos sofríveis sem nunca sofrerem contestação. Raul Meireles foi um desses jogadores. Pode ser importantíssimo como se pôde ver no último jogo, mas houve jogos onde não acertava nenhum passe e os críticos só falavam em Ronaldo.
Por isso, acredito que, com todos os jogadores em boa forma e com as estrelas da companhia a brilharem… Portugal pode sonhar com algo mais que uma simples presença no Mundial 2010.
Concordo também com este último comentário e com a maioria do que foi escrito no artigo, Portugal já não tem a geração de ouro mas tem como é óbvio excelentes valores e com capacidade para decidir numa fase final. O pior já foi ultrapassado, esta qualificação esteve por um fio mas foi garantida brilhantentemente num playoff de enorme sofrimento. Agora há tempo para planear a fase final da melhor forma possível e garantir como diz o Edson que os nossos jogadores estejam na melhor forma possível. Acredito que a má fase do Ronaldo seja ultrapassada com um grande mundial! E o Danny foi bem lembrado, pode ser um grande “joker”.
Abraço e bom trabalho!