Marco Borriello, um predador de área!

Itália, apesar de ser um país pleno de artistas e onde a expressão dos mesmos assume foros de relevância, no futebol prefere o pragmatismo dos centro europeus. Chamando-lhe pragmatismo, voltamos costas àquela temível palavra que mais vezes serve para caracterizar o estilo de jogo dos transalpinos: cinismo! Mas, não obstante esse pragmatismo ou excessivo tacticismo, desde cedo existiram em Itália temíveis goleadores, que aprenderam que no seu métier, por terem poucas oportunidades para facturar, têm de aproveitar todas as hipóteses… qual hiena solitária que tem que aproveitar os restos deixados pelos leões!

E nesse mundo votado à solidão, surgiu uma casta de terríveis finalizadores, ensinados a não desperdiçar. Recordamos Meazza, o homem do bicampeonato mundial que deu nome a um estádio; lembramo-nos de Mazzolla, da inolvidável equipa do Torino que sucumbiu na montanha de Superga, vinda de Lisboa; de Gigi Riva, vice-campeão mundial; de Rossi, com aquele hat-trick numa tarde quente de 1982, em Sevilha, quando destruiu o melhor Brasil da história; da dupla da Sampdoria constituída por Vialli e Mancini; do bombardeiro Vieri, e tantos outros que aprenderam que a sua tarefa era para ser protagonizada no isolamento… tendo que aprender a viver ao abandono!

Marco BorrielloE surge-nos, agora, mais um homem que pretende integrar essa elite de matadores. Marco Borriello é o seu nome e golos… muitos, de preferência, a sua tarefa! Nascido nas espaldas do Vesúvio e onde a Camorra dita leis, não seria no bairrista Nápoles que começaria a brilhar. Desde cedo Milanello acolheria este candidato a predador e moldá-lo-ia nas camadas de base rossoneri! Mas, todavia, e quiçá por não reconhecerem nele o killer instinct necessário, veria metade do seu passe ser cedido ao Treviso, numa daquelas operações que são correntes em Itália, mas que em Portugal causam estranheza e confusão: a compropriedade do passe entre duas equipas de futebol. E aí, paredes meias com a fronteira da Eslovénia, mostraria que também sabia disparar rumo ao golo: foram dez em vinte e sete jogos, e o retorno a Milão para assumir um lugar na equipa principal!

A 21 de Setembro de 2002 estrear-se-ia de rossoneri vestido, frente ao Perugia. Todavia, jamais conseguiu estabelecer-se como titular na frente de ataque milanesa, aliás, pautaria esse périplo pelo Milan por constantes empréstimos, de modo a ganhar consistência no seu jogo. Reggina, Sampdoria e Treviso receberam o jogador, no intuito de lapidar os seus atributos, o que aconteceria, apesar dos poucos golos apontados! Seria em Treviso que teria a nódoa na sua carreira… as malhas do doping prenderam-no, graças à inenarrável prednisolona, que é um esteróide, mas que Borriello afirmou usar para melhorar o seu desempenho sexual com a fabulosa modelo argentina Belen Rodriguez. As suas justificações seriam consideradas plausíveis e apenas estaria suspenso dois meses. Em Junho abandonaria, definitivamente, Treviso.

Seguidamente, e até um pouco surpreendentemente, por a sua carreira não conseguir descolar e jamais ver o rótulo de esperança eternamente adiada desaparecer, seria vendido, mais uma vez em compropriedade, ao Genoa, clube que houvera subido, nesse 2007, à Serie A e desejava aí estabelecer-se… e como o avançado ajudou nesses desígnios! Os dezanove golos da época 2007-2008 confirmaram todos os seus predicados: força física, bom jogo aéreo e uma rapidez de execução digna de um herdeiro de pleno direito dos grandes avançados italianos, fizeram com que do quase ostracismo a que fora votado, chegasse à Squadra Azurra. Estrear-se-ia curiosamente contra Portugal, em 2008, num jogo particular realizado em Zurique, e de preparação para o Euro 2008… para onde seria convocado, sem no entanto, actuar!

No fim da competição e devido à venda de Gillardino à Fiorentina, regressaria a Milanello, sendo os genoveses ressarcidos por isso. Porém, a primeira época não lhe correria bem, actuando em apenas sete jogos, devido a uma arreliadora lesão que o afastou dos relvados! Surge, em grande este ano, ainda que sem Kaká a municiar o jogo milanês. Todavia, tem sabido interpretar o maravilhoso mundo de Ronaldinho, que por ora começa a reaparecer, assim como a juventude arrogante e rebelde de Pato ou o estranho apagão de Huntelaar. No Sábado, perante o Parma foi decisivo ao apontar dois golos. Certamente, esta época, ainda o será mais vezes!





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