Liga Sagres: Sp. Braga 2×0 Benfica – Não há duas sem três…
Com o apito final na “Pedreira”, foi evidente de parte a parte: quem viu o tão aguardado defronto dos primeiros, não saiu em nada defraudado. Estivemos perante um jogo que em tudo correspondeu às expectativas, pleno de emoção – dentro e fora do relvado – e com uma ideia que começa a ganhar contornos cada vez mais concretos: será mesmo este Braga um sério candidato ao título?
Se não é mentira que há uns anos para cá o Braga apresenta uma consistência ímpar na qualidade do seu plantel, não é menos verdade que confesso que fiquei com a séria ideia que Jorge Jesus e os seus pupilos não estariam à espera de tal arranque do jogo por parte dos arsenalistas que dominaram por completo os 10 minutos iniciais. Um domínio que culminou aos 7′ minutos com um golaço de bandeja de um artista que não há muito tempo era visto como o próximo Rui Costa e que parecia ter desaparecido para o futebol: Hugo Viana, dono de mais uma exibição de grande nível. Por outro lado, sem César Peixoto e com Shaffer à procura da melhor forma após lesão, Jorge Jesus voltou a insistir na aposta de Fábio Coentrão para a lateral esquerda. Se no jogo com o Nacional esta opção foi largamente elogiada, desta feita Coentrão sentiu grandes dificuldades em travar os arcebispos, muito também pelo instinto atacante de Di Maria que logo após o 1×0 teve de se ausentar muito mais do flanco esquerdo.
Início fulgurante do Braga que o Benfica logo tratou de temperar com variados assaltos à baliza de Eduardo, que mais uma vez voltou a mostrar boa forma, o que é de louvar numa altura em que Portugal está a 180 minutos do Mundial em terras africanas. Um momento ao qual a excelente linha defensiva do Braga não pode ficar arredada, tal foi a forma como novamente demonstraram enorme eficácia em travar o melhor ataque da prova que pela primeira vez ficou em branco na Liga Sagres. Verdade é que mesmo depois de um intervalo quezilento a verdade é que com mais 45 minutos e ambas as equipas com menos 1 jogador, foi claramente o Benfica que ficou mais a perder pois ficava sem Cardozo, e assim o Braga via a sua tarefa bem mais facilitada. Não obstante as substituições acertadas feitas por Jorge Jesus, que sentiu e bem a derrota cada vez mais perto, a verdade é que com uma defesa sempre muito sólida e uma dose de azar dos Lisboetas o Braga chegou mesmo ao segundo golo, sentenciando a partida com o Benfica já a pensar na próxima partida em Liverpool ante o Everton.
Em suma, a verdade é que o Braga tem revelado um futebol a todos os níveis brilhante, mas que de certa forma advém também de uma eliminação extremamente precoce da Europa, algo que libertou a equipa para uma concentração máxima dentro de portas. Mais uma vez, o estádio AXA voltou a acolher um grande espectáculo que contou com duas equipas de filosofias de ataque, de espectáculo e sobretudo de entrega e garra que não deixou nenhum adepto – vencedor ou vencido – indiferente. O Benfica por outro lado, perde a oportunidade de se descolar da concorrência na liderança mas ganha uma oportunidade de serenar os ânimos e alinhar as tropas para um duro embate em terras britânicas na próxima quinta-feira.



