Liga Sagres: Marítimo 1×0 Porto – Campeão sem identidade

Não há volta a dar. O campeão nacional não se encontra ao nível demolidor que patenteou nas pretéritas épocas! A derrota de hoje, na Madeira, apenas comprova esse facto, mas não nos leva a concluir o mesmo, pois tal já vem decorrendo destas dez jornadas do campeonato e de uma forma inequívoca!

Tal facto decorre das alterações que o onze azul e branco sofreu durante o defeso e que agora se vêm manifestando de forma eloquente. Assim, comecemos por generalidades… este plantel portista é o pior dos últimos quatro anos; a qualidade individual dos elementos que foram entrando para compensar as saídas dos jogadores transaccionados são incapazes de suprir a qualidade dos mesmos. E mesmo os backups que se encontram no plantel são de valor impróprio para quem tem qualquer tipo de ambição. Sapunaru ou Guarín são exemplos absolutos desta petição!

Marítimo - PortoTacticamente falando, este Porto mantém o 4-3-3 da época passada. Todavia, Jesualdo olvida o que foi a virtude do sistema na zona intermédia em épocas anteriores: a facilidade e concomitante rapidez de circulação da bola, o que possibilitava inúmeros desequilíbrios. Todavia, Lucho partiu e Belluschi, apesar de bom jogador, não permite que o jogo portista tenha a mesma tranquilidade, sendo que, apesar, de dar acutilância e picardia ao jogo ofensivo, não lhe dá segurança, não lhe dá tranquilidade, não consegue fazer rodar a bola… logo, não dá à equipa o que Lucho lhe proporcionava! Ademais, e tendo Jesualdo percepcionado esse facto, inventou Guarín… um tremendo erro, já que o colombiano é um trinco e dos puros… não é um barómetro do meio campo, mas um atleta impetuoso que sendo útil em pugnas musculadas, não permite à equipa assumir uma postura de controlo e de domínio na área medular do campo! A acrescer a débil forma física de Raul Meireles, que não possibilita aos portistas ter pulmão para dominar o jogo, para gerir ritmos, para chegar à frente para, rematar.

Na parte avançada, como carpe as mágoas o Dragão pela partida de Lisandro. Falcao, apesar de ultimamente ter decrescido de produção e Farias, que apesar dos golos não se consegue assumir como imprescindível, são as únicas opções para atacar as defesas contrárias. Mas com o problema de serem demasiado iguais, homens de área, que jogam em cunha entre os centrais dando-se às marcações. Com um meio campo estático, como já foi demonstrado, e com um homem golo sem se deslocar para abrir espaços, o jogo portista torna-se dotado de uma absoluta previsibilidade.

E já que falamos em previsibilidade, chegou-se o momento de referir Hulk. Sozinho contra o mundo, pega na bola e enfrenta um, dois, três adversários… no desespero da solidão, a esterilidade de abandonado nada resolver… e a chamada ao escrete parece que funcionou como afectação e não motivação! Mas do outro lado o que resta? Um Rodriguez desinspirado, totalmente fora de forma, e que tarda a demonstrar os índices da época anterior ou um Mariano, ridiculamente inconsequente, correndo correndo e nada de útil produzindo!

A juntar a todos estes factores, uma impressionante carência psicológica… uma incapacidade gritante de chamar o coração para resolucionar o que a arte não consegue. Um campeão pleno de dúvidas existenciais e que caiu na Madeira sem, sequer, estrebuchar…





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