Liga dos Campeões: Apoel 0×1 Porto – A caminho dos oitavos…

Não fosse o brilhante tento de Falcao quando o relógio batia nos 84 minutos, e muito provavelmente esta análise estaria a inciar-se num tom menos positivo. Contudo, o belíssimo tiro do colombiano premiou um Porto que hoje se apresentou no Chipre com muito músculo, um meio-campo extremamente organizado mas a quem faltou quase sempre um último passe de qualidade.

Jesualdo antevia um confronto de grande sofrimento. E não se enganava, o experiente técnico luso. Aliás, este momento assemelhava-se a muitos outros na história do Porto nesta Liga dos Campeões: um adversário mais fraco, mas nem tanto acessível, um ambiente frenético nas bancadas e um futebol de luta do primeiro ao último minuto. E no Chipre foi precisamente esse o Apoel que se apresentou, uma equipa muito diferente da tenra formação que veio ao dragão tentar não perder, mas à qual pareceu sempre evidente uma importante falta de experiência na mais alta competição internacional de clubes.

HulkTacticamente, Jesualdo optava por Guarín a resguardar o miolo lado a lado com Meireles, tendo como pivot defensivo Fernando nas suas costas. Este é aliás um dilema que o treinador portista tem vivido desde o início da temporada, pouca é a apetência do albiceleste Belluschi para se incorporar nas tarefas mais defensivas, especialmente quando o adversário apresenta um futebol mais combativo. E a escolha foi acertada, tal como aliás havia sido em Stamford Bridge. O colombiano é um médio todo o terreno, apresentando no entanto uma dinâmica pouco habitual para alguém que “destrói” com tanta qualidade – isto porque Freddy Guarín também sabe sair a jogar, e muito bem, faltando-lhe naturalmente a capacidade para decidir junto da área contrária, algo que foi visível ao longo dos 90 minutos. Guarín e Meireles formaram um duo de grande força, subindo à vez, mas defendendo em bloco sempre que possível, sendo portanto 2 dos homens chave deste triunfo portista.

Na ausência de Mariano, o ainda em baixo de forma Rodriguez entrava para o onze e emparelhava com Hulk nas alas ofensivas da equipa, numa tentativa de trazer objectividade e velocidade ao ataque portista. Algo que contudo não sucedeu da forma que se poderia prever, já que ambos foram responsáveis pela maioria das bolas perdidas em meio-campo contrário. A certo ponto, era Falcao quem se deslocava ao meio-campo para buscar jogo ao ataque. Os cipriotas pouco mais fizeram do que jogar ao sabor do que o Porto lhes permitia, tentando aproveitar qualquer perda de bola ou alívio menos acertado, algo que especialmente os laterais Alvaro Pereira e Sapunaru por vezes permitiram. Contudo, foi apenas possível ver um lance de real perigo vindo dos mediterrânicos – um remate de meia distância do avançado Mirosavljevic, ao qual Helton respondeu com uma estirada monumental.

Apesar de tudo, Hulk foi o criador da maioria das ofensivas portistas, sendo no entanto uma sombra de si próprio – algo que já vem sendo recorrente nas últimas partidas. O brasileiro teima em decidir individualmente, e quando joga para a equipa fá-lo sem o melhor timing. Teve nos pés um golo fácil depois de uma abertura no limite do fora-de-jogo, mas de forma muito infeliz entregou a bola ao guardião Chiotis. Já no segundo tempo, e talvez no seu melhor lance, serviu o recém-entrado Farias para um golo que esteve muitíssimo perto. E seria mesmo o goleador argentino a construir o momento chave deste encontro, quando poucos já acreditariam na vitória. El Tecla contornou um defesa e entregou para Radamel Falcao, que ainda fora da área e muito ao seu jeito deixou a bola fugir ligeiramente para a sua direita para então disferir um remate cruzado que apenas terminou no fundo das redes cipriotas.

Com a empate do Chelsea na capital espanhola – ingleses que estiveram a ganhar – o Porto cumpriu a sua missão de forma irrepreensível, e coloca-se entre os melhores 16 da Europa quando faltam ainda disputar duas jornadas nesta fase de grupos. Brilhante, o dragão!





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