Coutinho, mais uma estrela do lado de lá!
O Brasil, esse imenso viveiro de craques, onde os jogadores florescem mais rápido que as próprias flores. Sempre com mais um craque a descobrir, uma tentação flamejante para os endinheirados clubes europeus andarem de cabeça à roda entontecidos por mais uma descoberta digna de realce!
E seja baiano, paulista, ou gaúcho… Philippe Coutinho, por acaso, até é carioca, nado e criado na cidade maravilhosa, o impressionante Rio de Janeiro, onde uma infinidade de beleza convive com uma dolorosa marginalidade… e onde a arte às vezes ajuda a esconder dolorosas realidades! E a arte do jovem Philippe, comandando todo o jogo vascaíno não deixa nada nem ninguém indiferente…inebriante, sedutora e ao mesmo tempo objectiva e concreta, numa simbiose perfeita de malícia carioca e assertividade europeia.
Nascido em 1992, desde cedo que ingressou nas escolinhas do clube dos portugueses do Rio, e a partir daí ganhou uma inseparável companhia: a camisola 10 com que pega no jogo e pinta um quadro de garridas cores… e essa magia, com a bola colada aos pés, simplesmente já lhe trouxe um contrato que entrará em vigor assim que faça dezoito anos, com o Inter de Milão. Para o ano, o jovem Coutinho será orientado por Il Speciale. E Mourinho, terá uma tarefa primordial: domar um talento absoluto, fazendo-o absorver o tacticismo pleno de insolência dos italianos e criar a mescla da competitividade com o gosto de jogar à bola – dura privação para estrelas como Adriano e até Ronaldinho!
Por ora, na Série B brasileira, ao lado de outras promessas como Alan Kardec ou Alex Teixeira, vem ajudando o clube do navegador a retornar ao seu verdadeiro lugar, ao lado dos campeões, numa equipa plena de juventude, onde Carlos Alberto – o Feijão que Mourinho pretendeu tornar no Porto jogador de topo mundial – é cabeça de cartaz. Mas acerca de Coutinho, já que é sobre ele que este artigo versa, poderemos dizer que apesar da sua juventude, a sua carreira já conta com algumas célebres histórias… o autêntico nó cego com que brindou Materazzi num jogo particular contra o Inter, ou o vermelho com que foi admoestado por excesso de pormenores artísticos, levando o árbitro a concluir que estava a humilhar a equipa adversária que era o ABC, num jogo a contar para o Cariocão! Mas, foi conta o Duque de Caxias que o fenómeno despontou. Apesar do empate a zero, os alvinegros do Rio estrearam um neném que encantou, despoletando de imediato a cobiça dos melhores clubes europeus e a certeza de estarmos perante alguém que tem o mundo do futebol a seus pés!
Todavia, ainda nem tudo será um mar de rosas… atendendo à sua idade, ainda não possui envergadura física para suportar um jogo contra homens feitos. Mas ainda assim procura dar-lhes luta! Aquele célebre jogo com o Paraná é a prova eloquente disso: com a exigente torcida vascaína já a vaiar os atletas, Coutinho inventou um passe de génio que isolou Robinho para este fazer o golo da vitória. E quando já se preparava para sair em ombros, provou a sua imaturidade, cometendo duas faltas infantis que lhe causaram a expulsão e fazendo a equipa sofrer mais que o devido para almejar a vitória!
Mas, as estrelas funcionam, por vezes, assim. De impulsos… do insondável clic que tanto pode comprometer a equipa, mas que na maior parte das vezes lhe garante a vitória. Philippe Coutinho, para descobrir a partir do próximo ano no exigente mundo do Calcio.



