Brasil à procura do camisa 6
Na seleção brasileira campeã da Copa América 2007, primeira colocada nas Eliminatórias sul-americanas e bicampeã da Copa das Confederações, o técnico Dunga, embora não garanta o que o grupo esteja fechado para o Mundial da África do Sul, já tem 90% do time titular, esquema tático e boa parte dos 23 nomes definidos, depois de quase três anos de trabalho.
No entanto, em uma posição o novato treinador ainda não conseguiu encontrar sequer o titular depois de várias experiências: a lateral-esquerda. A pouco mais de oito meses da estreia na Copa, nem André Santos, ex-Corinthians e agora Fenerbahçe, que jogou as partidas mais importantes no ano de afirmação da equipe, está garantido.
Marcelo (Real Madrid), Kléber (Internacional) Filipe Luís (La Coruña), Gilberto (Cruzeiro), Adriano (Sevilla) e Juan (Flamengo) foram os outros jogadores testados por Dunga. Até Alex, meia que jogou no Internacional e hoje está no Spartak Moscow, foi experimentado na posição no empate sem gols contra a Venezuela na última partida pelas Eliminatórias. E o fato é que a safra não é das melhores e ninguém convenceu.
A verdade é que depois da saída de Roberto Carlos, campeão mundial na Ásia há sete anos, mas execrado pela participação discreta na Copa de 2006, ninguém conseguiu corresponder plenamente às expectativas da comissão técnica, dos jornalistas e da torcida brasileira.
A dificuldade de encontrar a melhor solução reside também na questão tática. Dunga arma a seleção em um 4-2-3-1, esquema no qual os laterais precisam marcar primeiro para depois sair e fazer dupla com os meias abertos pelos lados. E a grande maioria dos principais candidatos atua no meio-campo de suas equipes na Europa ou como alas, em um esquema com três zagueiros, nos times brasileiros. A adaptação é complicada.
Com Daniel Alves voando no Barcelona e nos treinamentos da seleção, Dunga experimentou colocá-lo na posição para não ficar com o baiano na reserva de Maicon na direita e ninguém plenamente confiável do lado oposto. Na disputada semifinal da Copa das Confederações contra a África do Sul, então comandada por Joel Santana, Dani entrou na vaga de André Santos e decidiu a partida em uma cobrança de falta. A eficiência nas bolas paradas é outro ponto que conta a favor do jogador do time catalão, que pode entrar também no lado direito do meio-campo. Mas Dunga dá a entender que não pretende fazer improvisações no time titular e pelo menos um lateral-esquerdo de ofício será chamado.
Na convocação para os amistosos contra Inglaterra e Omã em novembro, surgiu uma luz no fim do túnel: Fábio Aurélio, que joga no Liverpool e é citado pelos principais comentaristas do país como o nome mais indicado, por combinar melhor a força de marcação e eficiência no apoio, teve sua primeira chance com Dunga. O lateral de 30 anos terá sua grande chance de justificar os pedidos dos brasileiros que acompanham o campeonato inglês e conhecem sua regularidade, mesmo com algumas contusões atrapalhando sua trajetória nos Reds. Michel Bastos, do Lyon, também foi chamado, mas sua perfeita adaptação ao meio-campo francês, e pelo lado direito, praticamente inviabiliza sua escalação.
Seja como for, a busca deve durar até a convocação definitiva em 2010 e Dunga espera que a camisa que nas últimas décadas foi vestida por nomes como Júnior, Branco e Roberto Carlos tenha um dono que a dignifique e não transforme o setor esquerdo no mais frágil da seleção que aparece, mais uma vez, como uma das grandes favoritas ao título mundial.



