Paulo Henrique: um Ganso para juntar a um Pato
Em Milão, a cidade da alta costura, das criações ousadas, da fantasia e do futebol olha-se para todos os imensos talentos que deambulam por esse mundo fora, em todas as áreas; sejam eles modelos, actores, ou futebolistas. Ora, qual o melhor filão para explorar nos domínios do beautiful game? Sem dúvida, o Brasil com os seus craques de rua, plenos de uma técnica burlesca que incendeia qualquer empedernido coração e deixa boquiaberto qualquer céptico da nobre arte…
Ora, o Milan que já tem duas das maiores estrelas da actualidade do futebol canarinho, pretende contar com outra… depois de Ronaldinho e de Pato, outra ave promete arribar em San Siro. É ele Paulo Henrique “Ganso”, que se notabilizou no último Mundial Sub-20 disputado no Egipto e foi considerado o melhor jogador do Santos no Brasileirão 2009. Nascido em 1989, este jovem de vinte anos foi descoberto por Giovanni, antiga estrela do Barcelona e que, pasme-se, foi rejeitado no Vitória de Bernardino Pedroto, que o levou em 2005 a treinar à experiência à Vila Belmiro, reduto do Peixe e forja de nomes como Robinho, Neymar, Diego e o maior de todos… sim, esse mesmo: Edson Arantes do Nascimento, vulgo Pelé!
Desde logo, o seu talento convenceu tudo e todos. Actuando a número dez, naquela posição dos predestinados e ocupando aquele espaço do campo que Pelé calcorreou, foi Emerson Leão que lhe deu a oportunidade de sentir o calor da torcida num jogo da equipa principal… corria o dia de 17 de Fevereiro de 2008 e o adversário que ficará na história, por ter apadrinhado a estreia de Paulo Henrique Ganso, foi o Rio Preto. Apesar da estreia ter corrido bem, devido à sua juventude, apenas seria utilizado em três partidas nessa temporada. Leão não queria queimar etapas na formação de um jovem que tanto prometia.
O ano de 2009 seria o ano em que o Ganso voaria… aproveitando o mau momento de forma do anterior titular, Lúcio Flávio, e assumiria a titularidade no Paulistão 2009, para fascinar tudo e todos, encantando o Brasil com o seu futebol objectivo, incisivo mas pontilhado com lampejos de técnica, dignos dos predestinados. Confirmaria todos estes predicados no Brasileirão 2009, onde, apesar das más exibições e resultados desapontantes da equipa do Peixe, brilharia a grande altura… a sua visão de jogo tornou-se algo de distinto, algo que Vagner Mancini, actual técnico santista, realçou afirmando que o jovem vê o que mais ninguém vê, algo que levou a que os homens da Vila Belmiro passassem a imprimir maior velocidade no seu jogo ofensivo e concomitantemente começassem a recuperar posições na tabela classificativa. Ademais, aquele célebre jogo em que o Santos venceu o Corinthians por três bolas a uma convenceu os mais cépticos… Paulo Henrique apontaria dois golos e aplicaria uma miríade de passes de ruptura e dribles que deixaram os defesas do Timão de olhos em bico!
Quase obrigatoriamente, Paulo Henrique veria o seu nome entre os eleitos para o Mundial Sub20 que decorreu no Egipto. Ao lado de jovens de um talento inebriante como o cruzmaltino Alex Teixeira, ou o temível goleador Alan Kardec, o Ganso não deixou os seus créditos por mão alheias. A coordenar o jogo ofensivo da canarinha bebé municiou o ataque mais letal da competição, que só sucumbiu perante o surpreendente tacticimo ganês e no inefável desempate na marcação de grandes penalidades!
Entretanto, lá longe, na cidade de Santos, discutia-se a Gansodependência e reconhecia-se que naquelas semanas, o futebol alvinegro perdera, simultaneamente, objectividade e fantasia, rapidez e acutilância… e agora poderá, definitivamente, perder esses atributos, já que Leonardo, treinador do Milan, quer levá-lo já para Milanello de modo a esculpir o jogador, para no futuro, no ataque rossoneri pontificar uma dupla de aves. O Ganso voando no meio campo, para o Pato poder facturar. O futuro do escrete e do Milan, nos pés de dois craques do país do samba.



