Mundial 2010: Um Portugal distinto…

A selecção que disputou esta dupla jornada frente a Hungria e Malta, e que no final acabou por “salvar” as contas portuguesas, apresentou-se com um carácter francamente distinto de toda a restante qualificação. E foi precisamente essa nova postura a permitir os tão almejados 6 pontos que, com o empurrão dos “amigos” dinamarqueses leva agora Portugal para o play-off.

Mas o que realmente importa neste momento será retirar as ilações de um percurso que teve bem mais de adverso do que de tranquilo. Com um primeiro objectivo de mudança e renovação – depois de um gradual envelhecimento da nossa selecção conduzido pelo seu antecessor Scolari, diga-se de boa verdade – o então novo seleccionador nacional trazia consigo a já super-gasta bandeira do título no Mundial de Sub-20, algo que por si só pouco quereria dizer do potencial sucesso ao leme das quinas. E apesar de um início prometedor, a derrota frente a dinamarqueses em Alvalade acabou por marcar uma equipa jovem e com muitos novos elementos, equipa que só haveria de se levantar bem perto do final.

Raul Meireles, Simão, Miguel VelosoAs oportunidades para moralizar os atletas e encetar uma recuperação foram várias, e foi necessário o sofrimento do costume e as pressões dos vários quadrantes para que esta equipa se reencontrasse e partisse para uma recta final de bom nível. Liedson, fora de casa, e Pedro Mendes, nas partidas caseiras, foram dois dos elementos que mais se evidenciaram trazendo à equipa portuguesa experiência, estabilidade e ajudando a alcançar a confiança tão importante numa prova desta natureza. Já Queiroz, incapaz de criar um núcleo forte e com enormes dificuldades em encontrar um onze base, parece ter ganho novo alento depois da visita à Hungria. A opção por Mendes no miolo – mesmo que sendo uma solução para a ausência de Pepe – nunca teria sido uma realidade numa fase mais prematura da qualificação, e a colocação de Veloso na esquerda permitiu fortalecer o meio-campo da equipa concedendo-lhe ainda um carácter mais cerebral na condução de jogo pelo lado esquerdo. Até no que diz respeito ao contacto com a imprensa o seleccionador nacional foi capaz de encontrar algum equilíbrio, transmitindo ao seu grupo de trabalho que só com objectivos bem claros seria possível chegar a bom porto.

Faltará claramente uma última e final batalha, cuja abordagem mais do que qualquer outra coisa será determinante para um desfecho positivo. Só um Portugal lutador foi capaz de virar um destino que já se traçava totalmente negro, e caberá à mesma equipa garantir uma presença no mundial da África do Sul, algo que a ser alcançado deverá ser festejado como se de um título se tratasse. Esperamos que assim o seja.





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