Maradona e a incrível arte de polemizar

Poderia ter sido diferente. A classificação da Seleção Argentina ao Mundial 2010 poderia ser a consagração de Maradona, também, como técnico, mas não foi. Poderia ao menos trazer a leveza e o alívio do dever cumprido, ou as congratulações de uma conquista para o selecionador. Mas El Pibe preferiu mais uma vez dar sequência ao que sabe fazer de melhor, além de jogar futebol: criar polêmica.

Pode-se dizer que as polêmicas começaram no auge da carreira, no Napoli, onde em 1991, foi pego pela primeira vez no exame anti-doping, por uso de cocaína, e foi suspenso por 15 meses pela Federação italiana. Mesmo após um dirigente napolitano alterar por anos as amostras de urina para acobertar Dieguito. Porém os problemas com drogas permaneceram. No mesmo ano foi preso em Buenos Aires por porte de drogas, porém Diego pagou fiança e foi liberado. E num descontrole deu vários tiros de espingarda de ar comprimido nos jornalistas que o esperavam em frente da sua mansão. No ano seguinte, a justiça argentina o condenou a tratamento de desintoxicação.

Anos mais tarde, em 94, quando mostrava-se recuperado, foi considerado o destaque Albiceleste no Mundial, porém foi novamente flagrado no exame anti-doping após a vitória contra a Nigéria, 2 a 1. Desta vez, por uso de efedrina, substância proibida pois melhora a parte física do atleta. Ele foi suspenso pela FIFA por 15 meses. Entre internações e flagras nos exames, Maradona se aposentou após um ‘superclássico’ entre Boca Juniors e River Plate, 2 a 1 para os xeneizes em pleno Monumental de Núñez. E voltou a se internar mais duas vezes, em 98 e 2001. Nesta última, resolveu ir para Havana onde desenvolveu uma grande amizade com Fidel Castro. Mas Dios voltaria a se internar, não diretamente para desintoxicar-se, mas por problemas causados ora por consumo de cocaína ora de álcool, em 2004, 2005 e 2007.

Mas não só de problemas com drogas vive Diego. Há também a polêmica que perdurará por anos a fio, entre ele e Pelé, para saber quem é o melhor futebolista do mundo. Em 2000, numa pesquisa promovida pela FIFA entre o público, ele sagrou-se o melhor, porém na mesma pesquisa mas entre os especialistas Pelé foi o eleito (seja lá quem for, prefiro os dois calados). Ultimamente, as polêmicas se sucedem da tragicômica idéia de ser o treinador da Seleção Argentina. No início, Maradona vestiu-se de herói e acreditou ser a pessoa certa para salvar a Argentina do fiasco de não ir à Copa. Agora, vestiu a aura de príncipe que o cerca por seus feitos, e sente-se injustiçado, mesmo fazendo papel ridículo à frente da Seleção.

O que a imprensa argentina e mundial fala a respeito de Maradona ser um mau técnico, os números e o futebol apresentado por suas equipes confirmam. Como jogador indiscutível, mas como treinador, pífio. Ao contrário das comparações feitas à Dunga, por exemplo, que nunca foi treinador antes, Diego havia sido. E foi igualmente patético. Em 1994, comandou o pequeno Deportivo Mandiyú em 12 partidas, obteve seis empates, cinco derrotas e apenas uma vitória. No ano seguinte, teve um desafio maior numa grande equipe argentina, e outro fracasso, comandou o Racing Club, e em 11 jogos só conseguiu duas vitórias, seis empates e três derrotas. Já na Albiceleste, entre amistosos e jogos oficiais pela Seleção, Maradona tem o retrospecto de oito vitórias e quatro derrotas, em 12 partidas, com um futebol apático. Mas não é só.

Quando jogador muito técnico, porém pouco tático, e na Seleção isso se repete. Além das substituições desastrosas, insistência em convocar jogadores que não rendem, má organização tática, Diego se mostra cada vez mais torcedor que propriamente selecionador. E após a classificação rioplatense ao Mundial, ele mais uma vez mostrou-se desequilibrado, na idéia de apenas desabafar. “Chupen… e que la sigan chupando”, apenas essa frase foi dita na coletiva pós classificação aos jornalistas, que segundo Diego, o “trataram como lixo”. O que pode lhe render cinco jogos de suspensão, que não é nada perto das sucessivas suspensões por 15 meses. Antes disso, deixou a entender que deixaria o cargo, porém quando a notícia ganhou grandes proporções voltou atrás. Não esquecendo também de mencionar as suas diferenças com Carlos Bilardo, diretor da AFA, que foram superadas após a classificação, além de desmentidas. Santo remédio foi o passaporte ao Mundial, curou todos ou quase todos os problemas, menos o mau futebol. Dentre todos os problemas com drogas e como técnico, o fato de provocar seus rivais antes de jogos importantes não deve ser levado em consideração. Pois não passa de temperos visto com bons olhos por uns, e maus por outros. Mas, que de fato, são coisas do futebol.

Duas coisas são merecedoras de lembranças. A primeira, é o fato de ser o grande ídolo do país e ter coragem de dar a ‘cara à tapa’, no cargo de selecionador nacional. A segunda, é a decadência de Maradona, que antes era comparado à Pelé, atualmente é comparado a Dunga. Desculpe-me, nada digno de elogios, ambos.





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