Liga Sagres: V. Guimarães 1×1 Sporting – Dois males menores…

Existe uma velha canção do mítico Nat King Cole, chamada Ansiedad que poder-se-ia aplicar ao sucedido, hoje em Guimarães… Efectivamente, quer Vitória, quer Sporting padeceram dessa terrível maleita de idiossincracia e que mina o espírito dos mais resolutos.

Entrando num 4-3-3 em que Nuno Assis tinha como missão apoiar o tridente ofensivo composto por Targino na direita, Desmarets na esquerda e Douglas ao centro, o Vitória demonstrou a característica que encima esta crónica, pela sofreguidão imensa que colocou em cada lance. Efectivamente, na primeira meia hora, este jogo parecia que era o último da carreira destes jogadores. Com a tripla supra citada encarregue de municiar Douglas e com liberdade para vaguear no terreno, durante essa altura do jogo, apenas se viu um intenso odor de bom futebol vitoriano… e não fora a inacreditável decisão de Olegário em fazer clara vista grossa a uma penalidade cometida por Vukcevic e a sofreguidão ter-se-ia tornado em preseverança.

De facto, o ritmo acelerado que a equipa D’el Rei patenteou foi demais para um leão cuja clara ansiedade para fazer as coisas de modo assertivo, o inibiu. Há quem diga que estes momentos de espírito podem dar para ambas as situações, e se ao Vitória o fez entrar numa louca vertigem em busca do golo, aos leões impediu-os de articular uma jogada digna desse nome. Porém, com o passar do tempo as pilhas foram perdendo voltagem! Era, humanamente impossível, aguentar o ritmo e o jogo passou a estar dividido, não sem antes do intervalo João Alves ter tido o ensejo de facturar… desperdiçaria em boa posição e a primeira parte findava.

Rui MiguelNa segunda metade, o Sporting cresceu… Bento fez a substituição habitual tirando o lateral esquerdo Grimi, colocando Pereirinha. Veloso recuou para lateral esquerdo, Moutinho foi para número 6 e o recém-entrado ocupou a posição destra do losango. Melhorou o Sporting, aliás, a subida do bloco defensivo e intermediário deste permitiu uma maior pressão sobre Nuno Assis e, por vezes, João Alves, os organizadores de jogo vitorianos… que, todavia, pelas alas iam demonstrando poder ganhar o jogo! Seria no entanto de Liedson a mais flagrante oportunidade da segunda metade, e só mesmo um Super Nilson poderia evitar o golo. Paulo Sérgio, no banco, inquietava-se… tirava Targino e colocava Roberto, para acompanhar uma desilusão chamada Douglas, mas, surpreendentemente, não abandonava o 4-3-3. Na mobilidade de Roberto e na tentativa que Douglas fizesse o mesmo poderia residir a chave do sucesso! E esteve perto… Roberto, num meio centro meio remate quase faz a bola chegar a Douglas, para abrir o activo… foi por pouco, uma verdadeira unha negra! Como quem não marca sofre – velho chavão sempre com hodiernidade – haveriam os lisboetas de marcar, num lance polémico, em que Liedson assiste Matias Fernandez que por milímetros escapa ao fora de jogo!

Pensou-se que seria o canto do cisne vitoriano! Mas, até no plano psicológico, Paulo Sérgio parece ter aura. Introduzindo Jorge Gonçalves e Rui Miguel, num desesperado tudo por tudo, seria o antigo pacense num belo remate a igualar a contenda… um resultado que premeia a ritmada primeira metade vitoriana cuja equipa parece transfigurada da noite para o dia. Paulo Sérgio tinha razão, dizendo que o campeonato estava a começar, pois, efectivamente, os anteriores jogos comparados com o de hoje pareceram de pré-epoca!





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