Liga Sagres: Porto 3×2 Académica – Um apático campeão

Certamente que, na cabeça dos campeões nacionais, não passava outra ideia que não a vitória neste duelo com os estudantes. E o estatuto pode de facto vencer partidas, mas quando o favorito pouco mais faz do que se posicionar no relvado deixando o jogo acontecer, a probabilidade de isso resultar em surpresa é obviamente bastante elevada.

O Porto foi assim mesmo, uma equipa apática, adormecida, desinspirada, cujos seus jogadores durante 1 hora de jogo praticamente não existiram em campo. Passes mal executados, inexistência de processos na construção de jogo e uma total desinspiração de elementos importantes como Raul Meireles, Hulk ou Rodriguez. O cansaço do jogo europeu poderá ser uma justificação, mas apenas em parte, pois a inoperabilidade do motor azul-e-branco foi gritante na maior parte da partida.

HulkFindos os primeiros 45 minutos, o Porto acumulava 2 remates à partida – um deles com ligeiro perigo. A postura da equipa era de tal forma passiva que parecia ser complicado a Jesualdo Ferreira levantar o astral dos seus pupilos, e a realidade é que a entrada da equipa para o segundo tempo trouxe pouco de novo, a começar pelos 11 atletas. O jovem treinador André Villas Boas, ex-pupilo de Mourinho, via abrir-se uma porta na possibilidade de pontuar no dragão, e o futebol apresentado pela briosa foi em tudo contrário à sua posição na tabela classificativa. Uma formação que sabe posicionar-se em campo, sai a jogar com tranquilidade e tem em Sougou e Miguel Pedro dois velozes atacantes que trazem profundidade à equipa.

Contudo, aos 65 minutos, um herói improvável surgia na partida: Mariano Gonzalez. O mal amado do universo azul que, diga-se de boa verdade, não consegue apresentar a consistência exibicional que uma equipa de topo exige, foi colocado novamente no miolo do terreno depois do “falhanço” táctico na primeira metade do jogo europeu. E apesar da incapacidade em cumprir um lugar de “pensador”, uma característica está sempre presente no seu futebol, e ela é a sua interminável garra. E foi precisamente num rasgo de puro esforço que Mariano abriu a contagem, cabeceando à entrada da área num lance de insistência, quando o defensor de negro julgava ter o lance sob controlo.

E já com Farias em campo, Mariano voltou a ser decisivo, com um cruzamento tenso para o interior da área onde Farias fazia o 2×0. O que os portistas não esperariam era uma reacção adversária, que aconteceu não por uma mas por duas vezes, no 2×1 e no 3×2, quando Farias já havia conseguido o bis. Esta é certamente a lição de que todos os campeões necessitam para estabelecer objectivos e metas. Apesar de ter alcançado os 3 pontos, o Porto poderia facilmente ter sido surpreendido em pleno dragão apenas e só pela apatia do seu futebol. “Falta maturidade ao Porto”, indicou Jesualdo Ferreira, o que contudo não é justificável é a falta de empenho e de concentração de toda a equipa. O técnico portista tem falhado na promoção de alguma rotatividade na equipa, e o que é facto é que esta poderia ter sido uma boa partida para conceder a oportunidade a jovens que de certa forma iriam trazer a sua motivação à equipa.

Destaque também para o bom futebol nos pés de alguns estudantes, cujo potencial é claro como a água. A capacidade para potenciar este lote de bons atletas estará agora ao cargo de Villas Boas, que tem em Coimbra uma oportunidade para brilhar na sua estreia como técnico principal.





Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes

2007-2009 © Jogo de Área - Todos os direitos reservados
Design by rfzamith.com