Liga Europa: Benfica 5×0 Everton – Ode Aos Beatles…
Os Beatles, a inolvidável banda que nasceu de onde os toffees provêm, já se podem tranquilizar… num relvado português, perante uma equipa proveniente das margens do Mersey e em cujo relvado, Eusébio e restantes Magriços foram muito felizes, apareceu um quarteto que pode continuar a sublime obra destes.
Efectivamente, Aimar, Di Maria, Saviola e Cardozo hoje mascararam-se de quatro super stars, pedindo meças aos verdadeiros fab four que nos idos sixties fizeram o mundo abrir a boca de espanto. Entrando bem no jogo, com uma postura dominadora e adoptando o tradicional 4-1-3-2, com Ruben Amorim no lugar de Maxi, Peixoto em detrimento de Shaffer e a já costumeira alteração na baliza, os encarnados logo aos três minutos por Luisão, na sequência de um canto, rondaram o som do golo. Mas o concerto verdadeiramente dito começaria aos catorze minutos… centro de Di Maria e golo de Saviola, a recriação beatleniana começava a pairar sobre a Luz, perante um Everton, que, em certo modo, subestimou o jogo, já que Moyes optou por lançar jovens sem qualquer experiência.
Todavia, com Fellaini e Rodwell – único jovem do Everton com nota positiva – a segurarem as pontas os Merseysiders sentiram o toque, mas equilibraram-se… Cahill tentava aparecer na direita e no centro, fazendo Yakubu o mesmo no lado contrário, e Jô procurava partir de uma zona recuada do terreno para apoiar o homem de área. Mas se as intenções existiam, a relidade era que delas nada de prático resultava… o Benfica, segurava o jogo, e os instrumentos dos quatro solistas estavam, ainda, em afinação.
Na segunda metade, começou o verdadeiro festival. Um tributo aos Beatles, já que o adversário honra a cidade destes. Em sete minutos, três golos! Fazendo alarde de todos os pergaminhos que têm merecido os mais rasgados elogios, o Benfica estrançalhou em sete minutos uma das boas equipas inglesas. Utilizando a tão propalada rapidez de circulação em que a bola gira a uma velocidade supersónica, e uma pressão quase à saída da grande área do Everton, o início da segunda metade entrará para a história como um dos mais inolvidáveis da história europeia da Águia. Com Aimar, o génio inventivo dos Fab Four finalmente solto da apertada marcação de Rodwell a soltar acordes de bom futebol, juntamente com um Saviola que hoje das cinco composições, ajudou a compor quatro, um Di Maria que dedilhou pautas de melodiosas jogadas, ou um Cardozo que encantou por pôr em prática as composições artísticas dos outros, tudo se passou num ápice.
No reatamento um zero… passados sete minutos já o placard assinalava quatro golos sem resposta, e com todas as qualidades artísticas que se realçam, a aparecerem: inclusive o quarto golo de Luisão surge no aproveitamento de um lance de bola parada, na sequência de um canto! Moyes estava atarantado… ter subestimado a qualidade artística de tão dignos solistas saía-lhe caro. A entrado de Saha pareceu mais um pungente acto de contrição!
E o Benfica continuava com a sua veia produtiva em alta… os remates de Cardozo, a bola à barra de Di Maria, as combinações, as tabelinhas, e o cinco a zero chegaria, outra vez por Saviola! O jogo terminaria pouco depois, perante uma equipa da terra dos Beatles, desta feita foram quatro homens de vermelho que fizeram a história. Eram ingleses de Liverpool? Não!Eram três argentinos e um paraguaio que deram um memorável concerto de bom futebol… e o apuramento ficou mais próximo!



