Ronaldinho: A hora de voltar
Sete de Março de 2006. Ao ver o camisa dez do Barcelona simplesmente atropelar a sólida defesa do Chelsea no golaço que abriu o placar no Camp Nou (empate em 1 a 1 pela Liga dos Campeões), este que escreve se pegou pensando seriamente na hipótese de estar testemunhando a história do novo maior jogador de todos os tempos sendo escrita.
A fase de Ronaldinho era estupenda e o raciocínio muito simples: faltava ao craque um momento mágico na seleção, que poderia vir na Copa da Alemanha. Poucas vezes na história dos mundiais as esperanças de espetáculo se concentraram tanto em um único jogador. Se ele correspondesse e, de fato, desequilibrasse a favor do Brasil na conquista do hexa, o gaúcho ganharia sua terceira Bola de Ouro, como Ronaldo e Zidane, e seria bicampeão do mundo protagonizando uma das conquistas. Feitos maiores do que os de Maradona e semelhantes aos de Garrincha. Sendo bem criterioso, também seriam iguais aos de Pelé, que praticamente não jogou em 1962.
Naquela tarde de devaneios, é óbvio que o colunista não desconsiderou a possibilidade de tudo aquilo dar errado, do “oba-oba” atrapalhar a seleção brasileira e Ronaldinho falhar no instante decisivo. Mas nem no mais terrível pesadelo, projetando o pior dos mundos, foi possível imaginar que, apenas três anos depois, Ronaldinho estaria tão decadente e desnorteado, se arrastando pelos campos neste início de temporada do Milan, refúgio do brasileiro após uma série de insucessos em Barcelona. O menino que chamou a atenção no título mundial sub-17 em 1997, encantou em seus primeiros toques na bola que terminaram em gol antológico na estreia pela seleção principal contra a Venezuela dois anos depois, ganhou o mundo em 2002 e chegou ao ápice individual de 2004 a meados de 2006 pelo time catalão hoje é uma mera caricatura envelhecida de quem parece viver a fase final de sua carreira. Aos 29 anos…
Observar Ronaldinho caminhando perdido pelos gramados europeus com apenas alguns espasmos da genialidade que ficou em algum estádio espanhol desperta um misto de dó, revolta e perplexidade. Mais que isso, a pergunta que martela na cabeça é simples e direta: por quê?
A questão é física, mas também técnica e psicológica: pelo centro ou pela esquerda, no meio-campo ou no ataque, a agilidade e a confiança dos tempos áureos são passado. Antes ele dominava girando sobre o marcador e arrancando logo em seguida. Hoje para a bola, protege e, inseguro, quase sempre toca para trás. Um pivô inútil que só consegue algum lampejo diante de marcações mais frouxas. A performance na goleada sofrida para a Internazionale de José Mourinho por 4 a 0 no dérbi de Milão foi constrangedora e desanimou até os fãs mais pacientes. Seleção e Copa do Mundo na África do Sul se transformaram em planos muito distantes, quase esquecidos.
A constatação é cruel: não há mais como jogar em alto nível nos principais clubes do mundo. O hesitante Milan do técnico Leonardo é o 11º colocado do Calcio e Ronaldinho sequer é titular absoluto de uma equipe que perdeu seu maior craque. Os que esperavam que o camisa 80 assumisse a responsabilidade de substituir Kaká e comandasse o time rossonero já desistiram e vaiam o talento que parece ter escorrido de vez pelo ralo com o fiasco verde e amarelo há três anos.
Portanto, é chegada a hora de assumir que o sonho acabou e seguir o exemplo do homônimo dentuço, que percebeu a impossibilidade de reviver sua fase dourada e voltou ao seu país, de futebol empobrecido pela indigência econômica dos clubes, para sobrar com sua técnica acima da média que nem a péssima forma física consegue juntá-la à vala comum.
A idéia da aposentadoria precoce aventada na Itália até pode representar um ponto final mais digno em trajetória tão bela quanto inconstante. No entanto, a paixão instantânea de torcidas carentes de ídolos e todo o movimento de mídia e cifrões por conta da chegada de uma estrela rediviva podem recolocar o brilho nos olhos de outro Ronaldo que agora só pode ser gigante inserido no contexto de um futebol nanico.
O estranho paradoxo de ter humildade para ser um popstar no Brasil é o que restou a Ronaldinho Gaúcho, o projeto de gênio que não vingou.




Ronaldinho foi um dos jogadores que mais encantou nos campos de futebol que eu pude observar ao longo da minha “curta” vida como pessoa e adepto de futebol, a par de zidane, nedved, del piero, rui costa, mendieta, ortega, ronaldo9, figo, bem a lista era quase infinita tal a quantidade de fenómenos que apareceram na decada de 90 e tambem nos primeiros anos do novo milénio…Ao ver ronaldinho desaparecer assim tao meteoricamente do topo do futebol mundial causa-me uma imensa tristeza pois ele dava alegria constante aos campos tao especiais eram os seus dribles, fintas e ate mesmo os seus golos, questiono-me se os treinadores de hoje em dia estarao preparados para ajudar os jogadores psicologicamente pois e uma vertente que tem de ser cada vez mais trabalhada pois so estando bem psicologicamente e que eles conseguem espalhar magia!