Quo Vadis Diego?
Maradona, como jogador de futebol, do beautiful game como, um dia, lhe chamou o seu querido inimigo Pelé, era o expoente máximo da genialidade… as suas obras de arte pintavam os campos de um surrealismo que ninguém jamais conseguirá imitar. Seria, talvez, o único que após sussurrar á bola, esse símbolo de vontade própria, coisas enternecedoras e emoventes, convencia-a a fazer-lhe a vontade.
Foi assim em Nápoles, aquele clube de meio da tabela na Itália que se transformou num colosso europeu graças à magia em estado puro que brotava dos pés do génio que um dia saiu de Lánus à procura de fama e glória. Foi assim na albicleste. Não será excessivo dizer-se que terá sido o único homem que sozinho venceu um Campeonato do Mundo… nem Pelé, nem Muller, nem Romário… Maradona sim e com isso subiu ao céu dos predestinados, ao panteão das inolvidáveis figuras que, independentemente, da loucura possuem a sua genialidade reconhecida e, inclusivé, patenteada.
Mas essa ilusão tende a desvanecer-se. El Dios Diez, neste momento, é um homem amargurado e contestado. Fui um dos que pensou quando Maradona assumiu o comando da albiceleste que, simplesmente, a sua aura bastaria para assegurar o apuramento para o Mundial. Numa selecção com Messi, Aguero, Véron e tantos outos o factor motivacional de ter o grande astro a comandar o barco seria suficiente… e foi nos prolegómenos da sua caminhada! A Argentina não jogava bem, mas ganhava… pelos menos, dizia-se, a sorte estava de volta, e com ela tinha de chegar a arte de Messi, dilecto discípulo do discurso com a bola nos pés maradoniano. E até à derrocada em La Paz tudo parecia funcionar de modo correcto, mas nesse dia os seis golos infligidos em Bolívia começaram a deixar antever o descalabro!
A partir daí, Diego perdeu o controlo. As derrotas começaram a suceder-se, sem que El Diez consiga descobrir a panaceia para tantos males. As experiências sucedem-se a um ritmo avassalador, com jogadores que nunca pensaram sequer jogar na Argentina B – Otamendi é um caso paradigmático – e na frente os artistas demonstram total incapacidade de realizar as obras mágicas que produzem nos clubes. Messi, tal como Ronaldo na nossa selecção, é uma sombra do jogador que anseia ser considerado o melhor do mundo, e nem mesmo a experiência de homens como Véron ajuda – ontem na derrota perante o Paraguai até foi expulso.
Assim, Diego arrisca-se a perder a sua imensa aura que era incensada espontaneamente por todos os argentinos… o desafio que o devia fazer retornar à glória ameaça triturá-lo e destruir a sua imagem! Será que ainda vai descobrir o caminho? Ou à imagem de genialidade de 1986 como jogador, sucederá uma de mediocridade em 2009 como seleccionador? Só ele tem a palavra!



