Kranjcar, um maestro croata na Premier League
Às vezes, o azar de uns é a sorte de outros. Efectivamente, a lesão do talentoso croata que alinha nos Spurs, Luka Modric, abriu as portas de um clube de maio dimensão, ao seu compatriota Niko Kranjcar. Este último desde bem cedo demonstrou que tinha as aptidões necessárias para singrar no mundo do futebol… e não necessitaria do apoio paterno, Zlatko, que por acaso chegou a seleccionador da Croácia!
Assim, desde menino no Dinamo Zagreb, as suas aptidões não deixavam ninguém indiferente: superior domínio de bola, uma visão de jogo sublime e uma capacidade de alimentar a fome goleadora de um qualquer ponta de lança, tornavam-no num diamante que tinha de ser lapidado, o mais rapidamente possível… não fossem as comparações com o gaulês Zidane recorrentes desde o início da sua carreira. Apesar de todo esse talento, a vida do jovem Niko não foi fácil. Infeliz com a vida que levava no Dinamo, viu-se na contingência de ter de mudar de clube, e logo para o principal rival croata, o Hajduk Split, onde teve um impacto imediato: campeão da PRVA HNL – o campeonato da Croácia – e metade dos clubes da Europa a sonhar com a sua assinatura num contrato. Aliás, era tanta a loucura sobre o talentoso playmaker, que após o Mundial 2006, onde deixou um rasto de bom futebol, foi considerado, junamente com Messi, Podolski, Muntari e Cristiano Ronaldo, como uma das principais esperanças do futuro.
Concomitantemente, a desejada transferência para um campeonato mais competitivo chegava… para a glamorosa Premier League, para o novo-rico Portsmouth, que pelas mãos de Harry Redknapp fazia um esforço dantesco para ameaçar a hegemonia dos big four. Assim nomes como Glen Johnson, Jermain Defoe, Peter Crouch, Muntari, juntamente com o croata prometiam ameaçar a ordem reinante. Mas nada disso aconteceu… apesar de nos três anos que passou nos Pompey’s, ainda, ter efectuado oitenta jogos e apontado nove golos, apenas venceu em 2008 uma FA Cup… fraco pecúlio para quem tanto almejava!
E após a glória o azar… depois de um Euro 2008 cintilante, em que apesar da surrealista eliminação às mãos da Turquia nos quartos de final, foi considerado um dos melhores médios da competição, uma terrível lesão afastou-o da competição por um longo período. No momento mais importante da história do Portsmouth, que nunca houvera disputado as competições europeias, estava de fora. Ademais, a fraca carreira da equipa na Premier League a que se juntou os problemas financeiras que levaram ao êxodo dos principais atletas, levaram-no a tentar a saída para uma equipa mais competitiva.
Até ontem falhara nos seus intentos! Mas, porém, com a confirmação que o seu compatriota Modric estará de baixa durante seis semanas a porta abriu-se… Kranjcar será o seu substituto, a playmaker do Tottenham. Terá como missão alimentar o terrível killer instinct de Crouch, Defoe e Robbie Keane – os dois primeiros, tal como o croata antigos atletas pompey. Ademais, reencontra Harry Redknapp, técnico experimentadíssimo, e com um trabalho que fala por si em Inglaterra. O pai de Jamie, velho atleta do Liverpool, e tio de Frank Lampard costuma potenciar ao máximo as capacidades dos seus atletas, sendo conhecido por desrespeitar o poderes dos big four. Tem, agora, em Kranjcar, uma seta para alimentar essa afronta… com os seus dribles curtos, os seus passes teleguiados, parecendo no campo que é o maestro da Orquestra Sinfónica de Zagreb, em White Hart Lane ouvir-se-ão acordes de bom futebol… sob a batuta de Niko Kranjcar, um maestro croata em Inglaterra.



