A Hora e a Vez de Diego
Ao ser campeão brasileiro pelo Santos com apenas 17 anos em 2002, Diego ganhou status de craque de forma prematura e queimou etapas rápido demais. Depois do insucesso na passagem por Portugal, sua primeira experiência internacional, o meia se adaptou ao futebol europeu atuando na Alemanha e agora parece pronto para brilhar na Itália com um futebol tão belo quanto objetivo, que vem fazendo a diferença nas primeiras rodadas do Calcio.
O menino que, junto com Robinho, encantou o Brasil no segundo semestre do ano em que a seleção se sagrou pentacampeão mundial sempre se destacou pela personalidade e a técnica apuradíssima, apesar do preciosismo natural para sua idade. Assim como era compreensível uma trajetória repleta de altos e baixos de um talento tão precoce. O primeiro revés veio com a eliminação brasileira no torneio pré-olímpico em 2004. Diego e Robinho se transformaram nos bodes expiatórios de uma seleção desorganizada por conta das brincadeiras que já aconteciam em Santos, mas não eram criticadas porque os resultados apareciam.
A saída para o Porto no mesmo ano pouco contribuiu para a carreira do meia, que aprendeu a enfrentar marcações mais cerradas no Werder Bremen, mas não conseguiu decolar em uma equipe que não soube se impor na Bundesliga, não deu sorte nos cruzamentos da Liga dos Campeões e perdeu a final da Copa da UEFA (agora Liga Europa), sem Diego na decisão, para o Shakhtar Donestk. A derrota na competição continental foi a senha para buscar uma camisa mais pesada e decolar no Velho Continente.
Com fome de taças e buscando renovar elenco envelhecido, a Juve surgiu como a melhor opção para Diego. E o camisa 28 não vem decepcionando os Bianconeri. Na estreia oficial contra o Chievo, assistência em cobrança de falta para o gol único da partida, marcado por Iaquinta. No Estádio Olímpico, show contra a Roma no triunfo por 3 a 1, com dois gols e fantástica atuação que encantou e empolgou os tifosi. As comparações com Zico e Maradona da sempre exagerada imprensa italiana podem atrapalhar pelos elogios, mas também pelo aumento das cobranças e a vigilância dos adversários. E a forma de jogar do time juventino também não ajuda muito: se o esquema tático armado por Ciro Ferrara dá a liberdade que Diego necessita para brilhar, o time não precisa ficar engessado num sistema imutável que centraliza tudo em seu meia de ligação.
O problema no meio-campo juventino é que do trio de volantes que trabalha atrás do “trequartista”, o que se projeta mais à frente por característica é Felipe Melo, exatamente o que joga plantado à frente da zaga. Marchisio e Tiago até apoiam pelos lados, mas sem tanto furor e eficiência. Isso complica a movimentação quando Diego recua para fugir da marcação e armar as jogadas. A dificuldade aumenta com a pouca mobilidade de Iaquinta e Amauri, homens de área que afunilam esperando os lançamentos. Ferrara vai buscando alternativas com as entradas de Camoranesi no meio e Trezeguet e Del Piero no ataque.
Enquanto o treinador tateia atrás da melhor formação, Diego vai fazendo a diferença e se transformando num nome que Dunga deve olhar com carinho para a suplência de Kaká, mesmo faltando ao ex-santista uma grande exibição com a camisa verde e amarela. Em Turim, ele vem sendo corpo e alma de um time que já vem forte para a luta pelo scudetto.



