Obrigado Sir Bobby
Partiu um Deus da Bola. Morreu Bobby Robson, com setenta e seis anos. Confesso que o sabia doente, terrivelmente doente, mas um homem que houvera derrotado a doença várias vezes, poderia fazê-lo novamente. De jogador de futebol, tendo participado, inclusivamente, em dois campeonatos do mundo – 1958 e 1962 – a treinador de altíssimo nível, viveu uma carreira plena de êxito. A sua fleuma, tipicamente britânica, a sua extrema simpatia e o imenso conhecimento e amor ao jogo fizeram dele, alguém, admirado, mesmo por adversários…
Ademais era de um competência inexcedível… um vencedor nato por onde passou, à excepção de Portugal, onde sofreu a única chicotada da sua carreira. Sousa Cintra despediu-o, após o famigerado desastre de Salzburg e na véspera do brutal acidente de Cherbakov! Pinto da Costa é que não perdeu tempo, contratou-o, na ressaca da rescisão com Ivic, e garantiu um bi-campeonato (ainda, que, nessa última época, já a combater a doença, Inácio o tenha substituído no banco).
E daí o salto até Barcelona, onde o êxito permaneceria. Sempre a vencer, desta vez uma Taça das Taças frente ao Paris Saint Germain, e ao lado dele, sempre um jovem desconhecido em quem Sir Bobby via qualidades fora do comum para ser um team manager de primeiro nível… José Mourinho! Por fim, o apelo do coração, o regresso à casa onde se fizera homem, nos Magpies, onde tentaria atingir a glória que nunca o clube das Midlands houvera alcançado. Ficou perto, fez crescer o Newcastle, mas não obstante apuramentos para Champions, nada mais conseguiu.
Como suprema dor, na alma deste homem bom e que fazia da lealdade a sua divisa, os Mundiais em que orientou a Selecção dos Três Leões. Em 1986, a Mão de Deus, que ele diria ter sido a mão de um batoteiro roubou-lhe o sonho. E sofrer, aquele segundo golo, em que mais de meia equipa foi destroçada por Maradona rouba a moral a qualquer um. No Mundial90, a grande penalidade desperdiçada por Stuart Pearce e que colocaria a Engerland que comandava na final de um Mundial… vinte e quatro anos depois! Apresentando no Mundial de Futebol mais enfadonho de sempre, o projecto exibicional mais sedutor a par dos inolvidáveis Camarões, pois Robson não sabia jogar à defesa, e ademais, gostava de apostar: à matreirice de Shilton, Lineker, Barnes ou Beardsley – uma das suas grandes paixões como atleta e que haveria de treinar no Newcastele – juntou talentos pouco conhecidos, numa altura em que a Premier League não tinha o impacto mediático que hoje possui. David Platt, o primeiro médio britânico com perfil continental, foi construção de Sir Bobby.
E como esquecer, nesse Mundial, o duelo entre as equipas mais românticas da competição? Aqueles quartos de final, loucos, apaixonantes, com a equipa de Roger Milla, fizeram-nos perceber porque amamos este jogo. Deram a entender o porquê de fazermos deslocações para ver uma simples partida de futebol. A Robson, esse agradecimento. A certeza que permanecerá imortal nos corações de quem ama futebol, que será recordado por ter sido um Senhor bem grande, num mundo por vezes ambíguo… por nos ter acendido mais um pouco dessa chama que é o desporto rei, e que o seu exemplo há-de perdurar, pois premissas como o amor ao jogo e a força magnética que ele possui têm de permanecer em nós. E homens da estirpe de Robson, apenas, permitem cimentar esse amor! OBRIGADO SIR BOBBY… e onde estiveres, ajuda a que este imenso amor pelo beautiful game se perpetue em nós e nos vindouros, pois foram homens como tu que o tornaram no mais belo desporto do mundo!




foi de facto um SENHOR treinador e jogador!
apenas o conheci como jogador mas …nao me esquecerei dele!