Michael Owen – Será que há intemporalidade?

Lembro-me de o ver em 98 no Mundial gaulês… uma atracção, um exotismo como Wallcott foi na selecção de 2006, na Alemanha. Um jovem para aprender e ganhar rodagem, no caso de Owen, com os consagrados Shearer, Les Ferdinand, ou Sheringham, na selecção dirigida por Glen Hoddle.

Mas a história não seria escrita assim e o jovem Michael, uma estrela emergente de um Liverpool a demonstrar sinais de decadência e que ansiava por um símbolo ao nível de um Keegan, um Souness, haveria de sair de França, não obstante a eliminação nas grandes penalidades perante a Argentina – aquela expulsão de Beckham ao agredir Simeone – como uma estrela do futuro… aquele fantástico golo nesse fatídico jogo, ao passar entre Chamot e Ayala depois de um sprint mortífero abriram-lhe portas. Era, sem dúvida, o futuro, a selecção dos Três Leões havia descoberto o seu novo Rei… and Long Life To The King.

Desde essa data, Liverpool tinha o seu novo deus, e as solicitações para sair, para tentar La Liga ou o Calcio eram mais que muitas, já que os Reds nada ganhavam e nem as duas Taças Uefa conquistadas, pela mão de Houllier, eram paliativo suficiente. Em 2004, após muitas aventuras nos Merseysiders que têm a Kop como poiso mais emblemático e em que teve Robbie Fowler como partenaire priveligiado, chegou a transferência milionária… o sonho… Owen iria ser mais um galáctico, o ponta de lança fabuloso numa equipa do Real Madrid de sonho, de eleição.

Michael OwenEnvergando a camisola 11, esperava afirmar-se como uma estrela, como o supra sumo dos avançados europeus, mas tudo correu ao contrário! As lesões começaram a atormentá-lo e apesar de ter marcado treze golos nessa época, a sua aventura em Madrid terminaria logo nesse mesmo ano. Regressaria a Inglaterra para o Newcastle, com a bagagem carregada com a vontade de marcar golos, de ser novamente uma estrela, mas as lesões que já ameaçavam tolher a sua carreira em Madrid acabaram com ele de vez… em quatro anos setenta e um jogos, uma carreira sempre ameaçada pelo seu fim e no momento em que começa a jogar, a descida de divisão, surpreendente, de um histórico inglês… e que nem a mão de Shearer conseguiu amparar!

Atendendo ao salário principesco que auferia, aos Magpies apenas restava um caminho: a dispensa… deixar uma estrela sem clube, fazendo com que a empresa que gere a sua carreira enviasse um DVD a todos os clubes ingleses, com os melhores momentos de uma carreira fértil neles. Ironia das ironias, o melhor jogador do mundo em 2006 a ser publicitado num mero DVD, qual craque brasileiro de Iatbaiuna ou da Amazónia. Falou-se no Hull City, sensação do início da época na Premier League! Mas, todavia, agora os Tigers têm um concorrente de peso: o Manchester United.

Sir Alex Ferguson mostra mais uma vez que sabe ao que anda, que a sua memória não precisa de DVD´s para lembrar a qualidade de um qualquer jogador e que Owen com 29 anos, ainda vai a tempo… a tempo de voltar a envergar a camisola alva com os Três Leões encostados ao peito… que em Manchester há respeito pelo talento dos atletas e que é possível recuperá-los física ou psicologicamente. Ao antigo menino-prodígio do futebol britânico só resta tirar uma dúvida: será que para ele o tempo pode parar por momentos, de modo a não perdê-lo todo de uma só vez? Será que vai ser agraciado com a intemporalidade?





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