Duncan Edwards… O Man Utd começou nele!

Dudley é uma pequena cidade nas Midlands inglesas que nunca deu grande importância ao futebol… aliás nunca teve qualquer clube a participar nas competições nacionais. E quer o Dudley Town, quer o Dudley Sports, simplesmente existem por o futebol na Velha Albion ser uma religião, e qualquer cidade que não pratique e comungue destes ideais arrisca-se a ser excomungada pelos demais súbditos de Sua Majestade Isabel II.

Mas, todavia, a figura que melhor representa a cidade, e que nos faz trazer a singela Dudley ao pensamento é um futebolista, alguém que tocou o céu antes de fazer vinte e dois anos e, cedo, desapareceu inesperadamente. Duncan Edwards é esse símbolo que Dudley ainda chora, e as comparações com os amadores que, com a pureza do amor à camisola, evoluem nos clubes locais, ainda hoje se fazem sentir… e tão injustas que elas são! Não fora o malfadado acidente aéreo que ocorreu em Munique a história teria sido diferente. Uma equipa destroçada, os Busby Babies, que, ainda, gatinhavam por essa Europa foram vítimas de um acidente aéreo, a primeira grande equipa do Man. Utd., os red devils originais, destruída!

E tudo pelas condições gélidas da pista, da incúria dos pilotos em tentar uma segunda descolagem, uma tragédia, à qual Deus optou por deitar a mão a Sir Matt Busby e a Bobby Charlton… os quais reconstruiriam a inolvidável equipa campeã europeia em 1968! Os malogrados atletas que eram a esperança de uma era inolvidável: Geoff Bent, Roger Byrne, Eddie Coleman, Mark Jones, David Pegg, Tommy Taylor, Bill Whelan e Duncan Edwards, todos calcinados pelas chamas naquela noite gélida, de 6 de Febreiro de 1958…

Duncan EdwardsDuncan Edwards, esse que fora descoberto ainda menino e daria nas vistas numa equipa sub-14 inglesa… já então, como agora, os olheiros mancunianos conseguiam ver, o que mais ninguém via! Apesar da juventude, o lendário Busby viu nele as qualidades de um líder, um jovem que comandava o meio campo de cabeça levantada, batendo-se pela bola como se fosse a última da sua vida. Utilizando uma analogia contemporânea, um misto da alma de Roy Keane com os atributos de Lampard, já se vislumbra o quilate do jogador que era, um menino que se estreou, ainda, com quinze anos no Theatre of Dreams de Old Trafford comandando o campo, demonstrando que seria o símbolo para muitos e muitos anos de um Manchester pronto a fazer-se conhecido na Europa, uma equipa projectada por Sir Busby e que, ainda hoje, Sir Ferguson segue os ensinamentos… no recrutamento, na lapidação de diamantes, na exemplar educação dos mesmos!

E como naqueles parcos, seis anos, um homem se tornou um símbolo. Juntamente com Bobby Charlton eram os dois emblemas de um clube, a força vital para vencer, uma aliança imbatível em campo que permitiu, em 1956 e 1957, ao United encontrar-se com as delícias de um bi campeonato… e em 1958, não fosse o nefasto sucedido, o tri não escaparia. Mas, aquele 1 de Fevereiro acabaria com a carreira do potencial melhor jogador de sempre da Old Albion… não morreria, no momento, mas passado vinte e um dias cederia aos ferimentos, deixando um vazio difícil de suprir. Como lutador, que era, bateu-se com a morte, mas, infelizmente, perderia a guerra.

É difícil dizer o que teria sido Edwards na história do futebol. Talvez um símbolo, quiçá, capitão da England campeã do mundo em 1966, em casa. Talvez, mais, muito mais. Aliás, nas sábias palavras de sua mãe Anne, proferidas em 1993, esse sentimento está presente – “As pessoas continuam a relembrá-lo. Estranhos abeiram-se de mim e dizem-me: ele era único”. Não viu o United vencer internacionalmente, mas no corpo daquele jovem que aliava a técnica à força, e que não obstante o seu trágico destino conseguiu ser dezoito vezes internacional na Selecção dos Três Leões, residiu o início das fantásticas epopeias dos red devils… até hoje!





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