Wolfsburg – “Lobos Assassinos”

Quem diria que um clube criado apenas em 1945, por empregados da Volkswagen, e que apenas subiu à 1.Bundesliga em 1997 haveria de tocar o céu, esta época, conquistando o título?

Do Wolfsburg, a primeira memória que me floresce no espírito é a de Andrés D’Alessandro, o mágico cabéçon argentino que entrou na Europa pelas mãos do clube suportado pelo monstro do mercado automóvel, fazendo cintilar o nome dos Lobos – nickname da equipa – pela primeira vez nas manchetes de todos os jornais europeus. Mas não foi com o mágico das pampas que o êxito chegou… Andrés serviu, apenas, para fazer confluir a cidade em torno do clube, mas tão somente isso, pois não obstante algumas exibições perfumadas o êxito desejado pela VW tardava em aparecer, o que chegou quase a colocar em perigo o milionário mecenato da empresa automóvel.

Até que chegou Felix Magath em 2007. O treinador mais rude e antipático do futebol alemão – quiçá europeu – soube aliar o poder do dinheiro à dedicação do trabalho. Soube que para conseguir algo tinha de ter uma defesa digna de um equipa europeia de top… todavia conseguiu mais juntando dois defesas campeões mundiais, vindos directamente de Palermo, Barzagli e Zaccardo, que coadjuvados pelo bem conhecido Diego Benaglio fizeram do centro da defesa algo inexpugnável. Na parte mais recuada também se destacou o lateral esquerdino Marcel Schafer – se não existisse Lahm, ninguém duvide que a ala esquerda da Mannschaft tinha aqui o seu dono. Este jovem de vinte e cinco anos, recrutado ao TSV 1860, foi uma das grandes revelações do futebol europeu desta época.

Mas Magath não se contentou com o reforço da defesa. Aproveitando os seus extensos conhecimentos de mercado, viajou até ao outro lado do Atlântico e roubou do São Paulo o trinco internacional brasileiro, Josué. Este é dos típicos baixinhos tão em voga nos grandes meios campos do futebol europeu… Do alto do seu 1,69m Josué recupera a bola e lança-a magistralmente, ficando ao longe a assistir às loucas cavalgadas de uma das mais sensacionais duplas avançadas da história do futebol teutónica, recordista de golos num época, melhor e segundo melhor marcador do campeonato: são eles Grafite e Dzeko, quase um casal perfeito tal a complementaridade.

Zvjezdan Misimovic, WolfsburgSe o brasileiro, experiente, rotinado, e recrutado ao Le Mans de França, vive uma segunda juventude na Alemanha, o jovem inexperiente bósnio recrutado ao Teplice tem tudo para viver uma vida de êxitos no futebol europeu. Estes dois foram os chefes desta alcateia, que teve em outro bósnio o seu municiador principal: Zvjesdan Misimovic. Deste, em tempos, disse-se que seria um grande, todavia nem tudo é rápido como se pretende! Assim, quando chegou a Wolfsburg proveniente do Nuremberga ninguém acreditou que seria este o verdadeiro número dez da equipa, sucessor do dez de copas polaco Nowak – vale a pena investigar a história deste talento precocemente desaparecido do mundo dos vivos – e do cabeçon argentino D’Alessandro… pois não, suplantou-os! Terrível técnica… visão de jogo requintada… e um finalizador que soube resolver os problemas quando a dupla maravilha não funcionava.

Assim se venceu um título de modo surpreendente, praticando do melhor futebol que se viu em 2009 por essa Europa fora! Todavia, Magath saiu, partindo para o Schalke04. Dzeko, Misimovic e outros têm meio mundo à perna. Caberá a Veh, antigo campeão pelo VFB Estugarda, saber potenciar quem irá restar no plantel. Um desafio dantesco, mas aliciante.





Deixe o seu comentário

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes

2007-2009 © Jogo de Área - Todos os direitos reservados
Design by rfzamith.com