Davor Suker – Magia ao Quadrado

Bastava apenas que a bola chegasse ao seu fabuloso pé esquerdo para espalhar uma classe magistral pelos relvados. O estilo é inconfundível, tal era o calor que aconchegava a bola como uma esponja para de seguida dar asas a uma magia inigualável. Falo pois do expoente máximo da melhor geração que nunca a velha Jugoslávia conseguiu proporcionar, e que a Croácia foi “resgatar” para surpreender o Mundo com um brilho ofuscante que mudaria a história futebolística dos Balcãs – Davor Suker.

Os anos 90 foram férteis no que respeita a surpresas no futebol Mundial. Uma das maiores foi protagonizada por um punhado de jogadores com nomes “estranhos” como Savicevic, Boban, Boksic, Prosinecki, Mihailovic, Jarni ou Mijatovic que fizeram com que os “tubarões” Europeus olhassem para os Balcãs em busca de talentos emergentes. Entre estes, um dos que soava ainda melhor era o de Davor Suker, um avançado diferente, com uma elegância fortíssima em campo aliada a uma facilidade de desmarcação sobrenatural. Já em 1987, na altura do Mundial de Juvenis quando se sagrou campeão pela Jugoslávia, foi das suas botas que saíram 6 tentos que em tudo foram cruciais para tal destaque. O “salto europeu” parecia inevitável mas os clubes do Calcio tinham dúvidas perante as características de Suker, que o marcavam como um carácter demasiado boémio, mal coordenado e fisicamente pouco imponente. A verdade é que os seus 1,81m e 79kg convenceram Rosendo Cabezas que em 1991 o levou do Dinamo de Zagreb para o Sevilha para substituir o mítico Toni Polster – algo que não demoraria muito a suceder. Suker não era só um terror para qualquer defesa na forma como “envergonhava” os adversários, mas também era dotado de um sentido de inteligência e compromisso enormes – depois de ter feito o primeiro golo com a camisola sevilhana, fez uma corrida de mais de 90 metros para dedicar o tento aos lendários “Biri-Biri” na bancada mais frenética do Sanchez Pizjúan. Estava encontrado o novo herói andaluz! Foi precisa apenas uma época e não restavam dúvidas: o Sevilha era Suker e mais dez! Quando a equipa estava aflita ou nos momentos decisivos era só uma questão de fazer chegar a bola ao mágico que após um domínio magistral e uma dose de fantasia, colocava com um tiraço a bola nas redes do guardião adversário.

Como jogador era o culminar das 3 regras mágicas do avançado de excelência: desmarcação, domínio e remate. Assim sendo, não foi com surpresa que em 1994 tinha os todos-poderosos Parma, Bayern de Munique, Arsenal (que chegou a oferecer 6 milhões de euros) e ainda o Newcastle que chegou aos 9 milhões, a cobiçá-lo. Ainda assim o Sevilha foi resistindo, até que em 1996 não conseguiu evitar a saída para o Real Madrid que seria uma das mais emblemáticas de sempre na carreira de Suker. Mas o seu compromisso com o Sevilla era tão grande, que mesmo já em despedida, estava numa concentração da selecção Croata que ia participar no EURO 96 na Inglaterra quando decidiu abandoná-la para disputar a última jornada da Liga espanhola pelo Sevilha, que jogava a permanência na primeira divisão frente ao Salamanca. O croata teve um noite de glória e fez um hat-trick, despendido-se do Pizjúan em ombros, voltando de seguida para a concentração da selecção, tornando-o num dos maiores ídolos de sempre do clube Andaluz que ainda hoje o recordam como “Suker 3×1 Salamanca”.

Davor SukerSuker chegava ao Santiago Barnabéu e entre salpicadas de luzes e sombras foi a máquina de golos que todos esperavam. Primeiro ano de “blanco” e 24 golos marcados que valeram o título de Campeão Espanhol e a Taça dos Campeões Europeus no ano seguinte. Ainda assim, teve uma relação estranha com Fabio Capello e John Toshack. O italiano tornou-o no jogador mais substituído da Liga, algo que Suker chegou a protestar dado ter terminado por 21 vezes o jogo no banco depois de ter iniciado no onze inicial. Da mesma forma, não conseguiu apagar a imagem de boémio: acusavam-no de não cuidar a sua forma, excesso de peso e até de fazer mais manchetes na imprensa cor-de-rosa do que na desportiva. A verdade é que sempre que a bola sobrevoava a área e chegava a Suker não restavam dúvidas: controlo primoroso e “bomba” de Suker! A despedida de Madrid, mesmo assim, foi atribulada com 3 treinos falhados na mesma semana e John Toshack furioso a despedir uma autêntica pérola em plena ascensão. Arséne Wenger tinha finalmente a oportunidade de levar o Croata para o Arsenal, onde ainda transpirou classe com destaque para belíssimos golos com que presenteou os estádio britânicos antes de começar a “deambular” pelo West Ham e Munich 1860, já muito longe do seu melhor nível. Este seria o percurso clubístico, mas Suker seria muito mais brilhante sempre que envergava a camisola da selecção Croata.

Pouco convencido? 45 golos em 69 internacionalizações! Participou no Europeu de 1996 que serviria de base para um Mundial 1998 brilhante a todos os níveis, com um incrível terceiro lugar conquistado pelos “quadriculados” e a bota de Ouro conquistada, tal como tinha feito no Mundial de sub-20 em 1987 com os mesmos 6 golos com que liderou a equipa ao pódio. Com autênticas obras primas, teve o seu momento áureo quando com enorme classe desfeiteou Peter Schmeichel com um chapéu perfeito, que levou mais tarde o dinamarquês admitir como ter sido o golo mais bonito que sofreu (golo n.º 2 no top do vídeo em baixo).

Actualmente Suker é dono de uma academia para talentos em Munique que no dia-a-dia juram a pés juntos ainda verem o croata a seguir a sua “tradição” de antes de executar um penalti levar os dedos ao pescoço e ver o ritmo cardíaco antes de rematar: “Gosto de ver a minha pulsação antes de marcar. Se for de 120 pulsações significa que estou tranquilo e a bola vai ao fundo das redes!”- afirma. Davor Šuker é claramente um jogador sobejamente conhecido para todos os que seguem o futebol com interesse. Foi escolhido pela FIFA em 2004 como um dos cem melhores jogadores vivos do mundo, numa lista elaborada por Pelé e pela própria FIFA. No mesmo ano, foi também escolhido como o melhor jogador croata dos 50 anos da UEFA. Ainda hoje é o maior símbolo do futebol Croata após a guerra nos Balcãs e a forma como espalhou o terror pelas defesas adversárias durante a década de 90 prevalecerá para sempre como uma enorme referência.

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Melhores golos de Suker pelo Arsenal, Real Madrid e Croácia





3 Comentários

  1. Antonio Locomi diz:

    Tem a certeza que foi o Rosemdo Cabezazas quem levou o Davor Suker , e o amigo dele para o Sevilha ?
    Eu não teria tanta certeza.

  2. Rui Zamith diz:

    Se acha ou tem a certeza de quem terá sido, indique-nos. O tom enigmático não se justifica :)

  3. Não há qualquer dúvida ou erro, as confirmações abundam pela Internet mas também na minha memória. Ainda assim:
    “Vino al Sevilla de la mano de Rosendo Cabezas, junto a Petrovick, en la temporada 91/92, era un desconocido para la aficion, pero pronto se hizo un idolo, recuerdo el partido de copa del rey ante el español que metio 3 goles y la aficion empezo a gritar, sukerman sukerman”
    Cumprimentos

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