Taison, o menino guerreiro da Beira-Rio

O nome, apesar da grafia “abrasileirada”, é uma reverência a Mike Tyson, fenômeno do boxe no final dos anos 1980. Mas se Taison, o novo camisa sete do Internacional, não segue o ídolo dos ringues na violência dos golpes nem na facilidade de se meter em encrencas, em campo o atacante de 21 anos demonstra vontade de vencer e a mesma “fúria” quando parte para cima dos defensores adversários.

Na virada do ano, o clube gaúcho negociou Alex, um dos destaques do time comandado pelo técnico Tite na conquista da Copa Sul-Americana, para o Spartak Moskow com a certeza de que teria a reposição pronta para formar a dupla de ataque com Nilmar.  É a política do Inter de vender um craque para faturar e substituir por um garoto promissor. Foi assim em 2006, na negociação de Rafael Sóbis que abriu espaço para um tal Alexandre Pato.

Mesmo marcando apenas dois gols no ano passado, Taison mostrou qualidades e, beneficiado pela prioridade que o clube deu à competição continental a partir das semifinais, acabou se tornando o jogador mais utilizado do elenco no campeonato brasileiro, com 30 participações, sendo dez jogos completos.

A trajetória do jovem atacante comprova a sua determinação, além do competente trabalho do clube nas divisões de base: Taison demorou a chamar a atenção porque lhe faltava força física. O menino de origem humilde precisava de músculos na proporção correta para poder se destacar. O trabalho de Élio Carravetta, coordenador de preparação física, foi preciso e Taison logo estava com o corpo preparado para o duelo com vigorosos zagueiros. A cabeça já estava pronta desde sempre, por conta da boa educação da mãe, dona Rosângela, que criou outros nove filhos na periferia de Pelotas.

Faltavam as conclusões, deficiência do meia-atacante. E novamente a visão do clube foi fundamental, com o olhar diferenciado do técnico Tite, que, ao contrário de seus antecessores, viu potencial no menino, e participação direta de Fernando de Carvalho, presidente colorado na conquista da Libertadores e do Mundial Interclubes de 2006. Fernando percebeu que o garoto era afoito diante do goleiro e exigiu no final de 2008 que ele fizesse treinamentos específicos. O progresso foi tão significativo que o dirigente, eufórico, apostou, em tom de desafio, que Taison não faria vinte gols na temporada seguinte jogando como titular.

O Taison de hoje se mexe bem pelos lados do campo, especialmente pela esquerda, é disciplinado taticamente, raçudo e joga com incríveis velocidade e verticalidade nas arrancadas em diagonal ou buscando o  fundo. Além disso, mostra ótimo entendimento com Nilmar e o meia argentino D’Alessandro e progride a cada jogo nas conclusões, com técnica e ótimo aproveitamento. Os números em 2009 impressionam: artilheiro do campeonato gaúcho com quinze gols e o que mais foi às redes, seis vezes, na Copa do Brasil. A última, importantíssima, na vitória sobre o Flamengo por 2 a 1, ao completar bela jogada de Nilmar pela esquerda e abrir o placar.

Taison, o menino guerreiro da Beira RioAlguns questionamentos quanto ao seu desempenho surgiram após as atuações discretas na vitória sobre o Corinthians por 1 a 0, na estreia do time no campeonato brasileiro, no Pacaembu, e no empate sem gols contra o Flamengo pelas quartas-de-final da Copa do Brasil no Maracanã. Mas logo foram esquecidas com as belas performances contra o Palmeiras e o próprio Flamengo no Beira-Rio. Faltava uma grande atuação longe de Porto Alegre. Faltava, pois ela veio no jogo seguinte, contra o Goiás no Serra Dourada. Taison entrou aos 11 do segundo tempo e além do gol da vitória por 1 a 0, o seu primeiro no Brasileirão e que alçou o time gaúcho à liderança isolada do campeonato, ainda brindou o público com grandes jogadas individuais e assistências para os companheiros.

Os 22 gols colocam Taison entre os artilheiros do Brasil na temporada. Em menos de seis meses, a aposta de Fernando Carvalho já está perdida, mas o ex-presidente sorri com o sucesso de seu pupilo.

Nilmar e Kléber foram convocados pelo técnico Dunga para a seleção brasileira que vai a Copa das Federações. Talvez para 2010 ainda seja cedo, mas se Taison fizer as escolhas corretas na carreira, será nome certo nas convocações depois da Copa na África do Sul. Basta manter a humildade de quem ainda nem tem veículo próprio e vai aos treinos de táxi e, dentro de campo, luta a cada partida pelas vitórias do seu time e pelo aprimoramento individual.

Com a calma e a maturidade de quem já é o pai da Maria Eduarda, de sete meses, mas também com o “sangue nos olhos” dos grandes campeões, como o pugilista homenageado por seus pais em seus melhores momentos, Taison tem tudo para vencer. Na carreira e na vida.





1 Comentário

  1. Renata Lima Goularte diz:

    Taison vc é meu idolo. Meu sonho é te conhecer pessoalmente.
    Sempre fui colorada mas depois que vc começou a jogar no inter
    virei fanática.
    1000 beijos!!!

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