Análise: Man Utd 2×2 FC Porto
Na noite de ontem, Jesualdo Ferreira demonstrou como, na terceira temporada ao leme dos dragões, tem a sua equipa definitivamente afinada para os grandes palcos internacionais. Foi uma exibição de raça, personalidade, carácter, e qualidade, muita qualidade dos diversos atletas que vestiram de azul e branco. Penso que o treinador portista – que no passado fui o primeiro a criticar em determinadas ocasiões – deverá receber os louros desta magnífica exibição. A forma como a equipa se comportou em campo revelou inteiramente os conceitos que o Professor tem encutido neste Porto ao longo destes últimos anos, e que na partida de ontem pareceu ter os músicos perfeitos para tocar uma sinfonia bem afinada em Old Trafford.
A entrada em jogo, de enorme pressão e eficiência na recuperação de bolas, foi a forma ideal para este Porto se segurar e garantir que não haveria uma surpresa madrugadora dos pupilos de Ferguson. E este afinco foi de tal ordem, que foi mesmo o Porto a primeira equipa a marcar – e que golo! Rodriguez apareceu a tirar partido de um corte deficiente, e disferiu um remate forte e colocado. O golo não apenas fez os ingleses tremer, como naturalmente fez este Porto saltar em confiança, e o que é certo é que, mesmo com o lance extremamente infeliz de Bruno Alves (ao qual se junta a magnífica flexibilidade mental de Rooney) este Porto foi claramente a melhor equipa em campo neste 1º tempo, recuperando bolas, obrigando o Manchester a passar mal, a retrair-se, e sempre que possível criando embaraço a Van der Sar e seus companheiros de rectaguarda.
O segundo tempo iria trazer um Manchester mais personalizado, mais ofensivo como seria de esperar, e cabia ao Porto ter a força mental para dar seguimento a um primeiro tempo de grande categoria. E foi essencialmente nestes segundos 45 minutos que brilharam jovens como Fernando e Cissokho, o brasileiro “secando” Ronaldo, e o francês com diversas arrancadas no seu corredor esquerdo. Segurança foi a palavra-chave, e não houve quem não cumprisse a esse nível. O golo de Tevez, esse, partiu de uma jogada de laboratório só ao alcance dos melhores do mundo. Mas se poucos acreditariam num melhor resultado – a realidade é que portistas e portugueses já se contentavam com um 2×1 fora de portas – o Porto não quis sair por baixo e mostrou ao mundo do futebol como estes 90 minutos de qualidade não haviam sido em vão. Lisando construiu, e Mariano foi o herói improvável, no sítio certo e na altura certa, desfeiteando Van der Sar com a coragem de um verdadeiro dragão.
Jogando taco-a-taco com o campeão europeu, o Porto revelou como tem aquilo que é preciso para sonhar novamente com o título europeu. Ainda haverá muito caminho a percorrer, mas a exibição de ontem foi a prova de que este Porto tem uma equipa ganhadora, com estofo europeu, e não é apenas uma turma à procura de um dia de inspiração ou de um lance de sorte. Parabéns FCP.



