Inter, a salvação numa longa-metragem
Prólogo
Este Inter, apesar de caminhar para o tri, já há muitos anos deixou de ser a potência futebolística que aterrorizava a Europa… longínquos são, já, os tempos da tripla teutónica composta por Andreas Brehme, Lothar Mathaus e Jurgen Klinsmann em que pela mão da Velha Raposa Trapattoni os milaneses quase tocaram o céu da Europa.
Ponto antecedente
Mancini foi uma aposta declarada de Moratti. Não obstante o investimento principesco no constante reforço da equipa, os blueneri só conseguiram vencer o campeonato na secretaria, devido aos desenvolvimentos provenientes do Calciocaos que relegaram a Vecchia Signora para a Serie B e retiraram pontos aos vizinhos e rivais figadais Milan. Salvou a pele graças a esse factor, e aproveitou a desgraça alheia para, tentar, construir a sua ideia futebolística: Ibrahimovic e Vieira chegaram a San Siro no intuito de devolver o clube, além da glória interna, à glória europeia que já foge, de modo inapelável, desde aquela noite chuvosa em que Costa Pereira, guardião benfiquista, entregou a Taça aos italianos graças ao remate enrolado de Jair. Mas das ideias aos actos nada sucedeu e os oitavos de final mostraram-se um Everest para os interistas que não mostravam arte nem engenho para atingirem o êxito. Mas, novamente, Mancini graças a uma Juve na Série B e um Milan com pontos negativos conseguiu guiar a equipa ao título… não obstante a Roma ter andado sempre de par a par e ter perdido o título na curva final do circuito, o que serviu para atenuar a dor de mais um flop europeu, quando a aposta era, declaradamente, na conquista da Taça das orelhas grandes…
O Actor Principal
No intuito de inverter esta espiral de falhanços europeus e aproveitando o facto de este se encontrar no desemprego, Moratti consegue o fruto mais desejado por todos grandes clubes europeus… The Special One transforma-se em Il Speciale e denota um discurso carregado de ambição e audácia. Mourinho no seu melhor, mas com falhas de memória. Essas falhas centram-se, fundamentalmente, no treinador luso olvidar que sempre que teve sucesso tinha o plantel construído à sua imagem, ao contrário deste que manteve as raízes de Mancini sofrendo mínimos retoques. De Lampard, Drogba e outros, apenas chegaram Muntari e Quaresma que nunca se conseguiram impor ao estilo interista e que não permitiram alterar a face dos interistas.
Um Plantel Desiquilibrado
Este Inter foi construído por Mancini e Moratti! Bebe a ideologia de Mancini e não se adapta à cartilha de Mourinho. Dos centrais, apenas Chivu demonstra os requisitos básicos para actuar numa equipa capaz de vencer um título europeu: rapidez, leitura de jogo e antecipação. Além disso, os milaneses não possuem um verdadeiro organizador de jogo. Stankovic não é, nem nunca o foi…é, simplesmente, um bom médio de transição mas nunca de último passe.
Além disso, a indisciplina no balneário foi um dos óbices à ideologia de Il Speciale, que tarda em ter todo o plantel na sua mão… Adriano, ainda esta semana, voltou a falhar.
O Falhanço Europeu
Embora previsível, perante um Man Utd em topo de forma, o desaire europeu causou uma mossa dantesca no quadro do campeão italiano. Ibrahimovic, que sozinho já ganhou mais do que alguns jogos, afirmou o desejo de partir para poder lutar pela Champions… já que em Milão, os blueneri demonstram não conseguir almejar o poder de fogo necessário para atacar o sonho principal de Moratti.
O Epílogo
A salvação virá sobre a forma de Scudetto… A Juve espalhou-se ao comprido no último minuto em casa com o Chievo (3-3) e Mourinho venceu com um autogolo em Udine aumentando a vantagem para nove pontos.
A Segunda Parte do Filme
O desafio virá em 2009/2010… Mourinho construirá a equipa à sua imagem e terá de assacar as responsabilidades do que suceder… Será que Il Speciale vai conseguir levar a bom termo a rodagem da segunda parte deste thriller milanês? Em Junho de 2010 saberemos o resultado desta remake…




Excelente artigo. Muitos parabéns Vasco Rodrigues.
Conteúdo claro, lógico e objectivo. Muito bom.
Cumprimentos
Pedro Lopes Ribeiro
Julgo que Mourinho, vencendo o Scudetto e mantendo-se no Inter, conseguirá vencer um novo campeonato de forma ainda mais convincente. O que também me parece é que o português não aprecia e vive o campeonato italiano como o fazia em Inglaterra, e não estará longe dos seus planos retornar a um clube britânico – vê-lo no Man Utd seria, no mínimo, interessante.
Um abraço e parabéns pelo texto, Vasco.
excelente texto como nos tem vindo habituar :P