Como um Imperador Perde o Reino…
Dizia-se dele ser o mais que potencial sucessor do Rei Pelé… e logo no primeiro jogo, provindo do Flamengo, demonstrou no Inter ao que podia vir: balázio à baliza de Casillas e o desconhecido, naquele jogo particular daquele Agosto quente, tornava-se um nome a reter: Adriano tinha tudo… arrogância, força, uma técnica acima de qualquer suspeita!
Apesar de ter cumprido o mais que necessário tirocínio por outras paragens haveria de regressar ao Inter e bem a tempo de construir um castelo de sonhos…de grandeza…de tocar com a mão o topo do mundo!
Mas como tantos outros compatriotas, a tentação foi mais forte… o mundo miserável em que nasceu e viveu fez com que se tornasse impossível lidar com a ostentação e a riqueza do novo mundo e como tantos outros começou a ceder a um mundo que não é digno de si… o álcool, as drogas, as múltiplas festas em que todas estas fatalidades se conjugam tornaram o homem num farrapo humano, quiçá desejando comparar-se à condição do memorável Mané Garrincha.
Teve sorte encontrar-se num clube que em Itália é conhecido pela sua dimensão humanitária e acima de tudo não deseja perder o homem, já que o atleta é uma mera cláusula sine qua non… e neste rumo não terá escapatória. Foi afortunado em comprovar as qualidades humanas de Il Speciale que aguentou todos os seus devaneios, todos os seus atrasos, todas as vezes que chegou embriagado aos treinos, todas as ressacas por acreditar no talento do jogador – ídolo de milhões de jovens, inclusive do filho de Mourinho – mas acima de tudo não quis dar a machadada final no frágil projecto de ser humano em que Adriano se tornou.
Encontra-se, após o jogo da semana transacta no Brasil, pela selecção, contra o Perú… já o deram como morto… já houve horas em que foi sequestrado…noutros momentos está em profunda crise psicológica por ter sido abandonado pelo namorada…ainda em outros em sumptuosas farras com narcotraficantes e transexuais… uma certeza, porém, mesmo que neste momento esteja em pleno estado de saúde: é necessário salvar o homem, que o atleta já está irreversivelmente perdido. E com tristeza, para quem viu aquelas assombrosas arrancadas, aqueles livres batidos com o pé esquerdo canhão, e quem conjecturou poder ver nele e em Ibra uma parelha de avançados inolvidável. Quisesse Adriano…
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