O Retorno de um novo Ronaldo

Era um clássico chato em Presidente Prudente, São Paulo. Mesmo com estádio lotado, Palmeiras e Corinthians sofriam com a tórrida tarde de verão e se atrapalhavam com as próprias limitações. Aos 16 minutos do segundo tempo, com o placar apontando 1 a 0 para o Palmeiras, as coisas começaram a mudar. Ao chamar Ronaldo, a grande contratação brasileira da temporada, para conversar, o treinador Mano Menezes já começou a agitar o clássico e a massa corintiana. E ao entrar em campo, três minutos depois, o Fenômeno, na segunda partida oficial após a volta ao Brasil, completou o serviço.

O Retorno de um novo RonaldoNa primeira jogada, um belo drible, mas o passe saiu errado. Na segunda, ele tenta o chute, é desarmado e pede falta. Aos 33, a coisa ficou séria: Ronaldo recebeu pela esquerda, cortou para dentro e mandou uma bomba no travessão. A vontade de seu camisa 9 acordou um Corinthians apático e sem criatividade que empurrou o Palmeiras para a sua defesa. Aos 42, linda jogada pela esquerda de Ronaldo, que cruzou para André Santos cabecear e o goleiro alviverde Bruno fazer boa defesa. A pressão alvinegra aumentou com a expulsão do lateral Fabinho Capixaba. E aos 47, veio o momento apoteótico: a cobrança de escanteio pela direita do meia Douglas passou por quase todos. Ela procurava Ronaldo. O golpe de cabeça foi perfeito e a comemoração digna de seu carisma e seu físico. Nem o alambrado resistiu. Impressiona a capacidade do Fenômeno de protagonizar lances que mais parecem fazer parte de um roteiro de filme, com toda a sua carga dramática e um timing inacreditável. Tinha que ser no lance derradeiro, entre a glória e o fracasso, o pesar e o delírio, o silêncio e o êxtase.

Em seu primeiro ato real no retorno ao país, Ronaldo, um craque polêmico pelo que faz fora das quatro linhas, mas um ídolo incontestável nos campos e fenômeno de marketing, colocou um clássico murcho, longe do Morumbi e nada memorável na história dos confrontos entre os arquirrivais paulistas. Daqui a décadas, muitos ainda lembrarão do “Dérbi de Presidente Prudente”. Ou melhor, de Ronaldo.

Se ainda não o fez, esqueça o atacante que encantou o planeta com arrancadas irresistíveis em direção à grande área, a penetração em diagonal vindo da esquerda, pedalando e batendo de canhota. Esse definitivamente não existe mais, mesmo que emagreça e leve a carreira mais a sério. No meio dos escombros dos problemas graves no joelho direito e do sobrepeso adquirido com o tempo, emergiu um Ronaldo diferente, mais oportunista, que dá menos toques na bola, chuta mais de longe e até é um bom cabeceador.

Para quem nem se lembrava mais do Ronaldo em campo, é só recordar alguns momentos marcantes de sua carreira nos últimos anos:

  • Campeonato Espanhol, temporada 2004/05. Real Madrid 4X2 Barcelona -  No primeiro gol do clássico, com Vanderlei Luxemburgo no comando do time merengue, cruzamento de Beckham pela direita e cabeçada certeira de Ronaldo;
  • Copa do Mundo de 2006. Primeira fase. Brasil 4X1 Japão -  O Brasil perdia até os 46 do primeiro tempo, quando Ronaldinho cruzou, Cicinho ajeitou de cabeça e o Fenômeno empurrou para as redes também de cabeça, marcando o primeiro de seus três gols na Alemanha que garantiram a artilharia da História das Copas com 15 gols;
  • Campeonato Italiano, temporada 2006/07. Internazionale 2X1 Milan – O seu primeiro gol pelo time rossonero não evitou a derrota para seu maior rival, mas foi um belíssimo chute de fora da área que abriu o placar no San Siro;
  • Campeonato Italiano, temporada 2007/08. Milan 5×2 Napoli – A estreia era de Pato, mas quem brilhou foi Ronaldo, que marcou dois gols. O segundo em bela cabeçada. Aliás, seu último gol em partidas oficiais antes do tento marcado em Presidente Prudente.

Agora, com o joelho esquerdo também em frangalhos, a tendência é que essas novas características se acentuem ainda mais. Menos tempo em campo, um maior aproveitamento dos espaços e concentração total nas conclusões, inclusive no cabeceio, seu “ponto fraco”, para ser mais decisivo em poucas intervenções.

Esse é o “novo” centroavante Ronaldo Nazário. E é bom se acostumar com ele.





2 Comentários

  1. tiago diz:

    sou português e adoro ronaldo, desde a sua chegada ao Corinthians passo a acompanhar os jogos e o dia-a-dia da equipa paulista como se fosse o meu clube.

    ele mostrou, mais uma vez, que está de volta e no final da sua carreira todos perceberão que se não fossem as lesões ele era o melhor de sempre.

    cumprimentos,

    tiago pinto

    http://www.footballdependent.blogspot.com

  2. Anacy( Cycy) diz:

    Desde que me entendo por gente gosto muito do Ronaldo como jogador pela sua inteligência pois ele é um gênio do futebol,pois além de muita habilidade ele usa a genuidade que tem,não é um ciscador como alguns, seus dribles são objetivos, não é atoa que foi melhor do mundo + de uma vez,muita gente confunde a vida pessoal dele com a profissional,a vida pessoal não me interressa,pois ele é um grande profissinal,valeu Ronaldo quero um autógrafo
    Cycy camisa 11.

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