O Fim da Aventura de Scolari em Londres

Luiz Felipe Scolari não sabia o que era ser demitido desde 1982. A primeira e única foi, curiosamente, em seu primeiro emprego como técnico, no CSA, clube brasileiro do estado de Alagoas. Depois disso, trabalhou em vários times e sempre saiu por iniciativa própria, ou em acordo com a diretoria. Até na seleção brasileira foi assim, após a conquista da Copa do Mundo da Coréia e do Japão. Mas no Chelsea, considerado pelo próprio o grande passo na sua carreira, o treinador campeão mundial de 2002 não teve o mesmo sucesso.

Pode até parecer um clichê oportunista, mas a verdade é que o desempenho do Chelsea no empate sem gols em Stamford Bridge com o Hull City em sua última partida pelo clube foi o retrato da equipe inglesa sob o comando de Scolari: um time determinado, mas engessado em um invariável padrão tático, sem idéias e limitado às bolas aéreas e chutes de longa distância. Ainda que os sentidos desfalques de Ricardo Carvalho, Essien e Joe Cole, além dos problemas físicos de Drogba, sirvam como atenuantes para o treinador, o fato é que Scolari não conseguiu fazer os Blues renderem o esperado. Como “manager”, também faltou visão de mercado europeu nas aquisições, mesmo com o orçamento mais “enxuto” de Roman Abramovich. A contratação do volante Mineiro e a prolongada espera por Robinho podem ser considerados equívocos do brasileiro na armação de seu elenco.

Na frieza dos números, o desempenho de Felipão nem foi tão ruim assim. Em 41 partidas, foram 24 vitórias, 12 empates e 5 derrotas. Mas seu aproveitamento de 68,3%, superior ao do próprio técnico na seleção portuguesa (63% em 31 partidas), ficou bem abaixo dos 78,2% de Mourinho em período equivalente no ano de 2005. Para quem chegou ao clube quase como um “messias” com a missão de levar o time londrino ao tão sonhado título da Liga dos Campeões, foi pouco, muito pouco. Principalmente pelo desempenho pífio nos “clássicos” pelo Campeonato Inglês: apenas um empate, contra o Manchester United por 1 a 1 na quinta rodada, e quatro derrotas. Pior: perdeu a invencibilidade de 86 partidas em seu estádio na derrota por 1 a 0 para o Liverpool no turno da Premier League. Por tudo isso, é possível afirmar que a demissão, embora um tanto prematura para os padrões europeus, foi justa. O holandês Guus Hiddink, o novo treinador, parece o nome mais apropriado para assumir um Chelsea em crise dentro e fora de campo.

Scolari deve permanecer para dirigir outro clube na Europa, até porque propostas não faltarão e essa é a vontade do treinador. Mas não dá para negar que Dunga e Carlos Queiroz, técnicos das seleções brasileira e portuguesa, ganham uma “sombra” que chega a intimidar. Se Felipão conseguir logo um time no Velho Continente para treinar, melhor para os dois.

Capacidade não lhe falta, por mais que seus detratores sistemáticos, principalmente no Brasil, insistam em negar suas virtudes. Mas é preciso aprender com os erros cometidos em Londres e ter a humildade de encarar seu próximo trabalho como um recomeço dentro de uma carreira mais que vitoriosa.





Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes

2007-2009 © Jogo de Área - Todos os direitos reservados
Design by rfzamith.com