França, La Nouvelle Vague – Parte 1
Eles são jovens e talentosos. Eles são as estrelas de amanhã que despontam em terras gaulesas, e o Jogo de Área seleccionou as mais brilhantes nos respectivos clubes, ainda antes de ganharem o seu lugar na selecção gaulesa. Aqui está a primeira das 2 páginas do “caderno dos olheiros” em França com “les 7 merveilles de la Ligue 1”.
Mathieu Coutadeur – O Novo Deschamps
O jovem médio de 22 anos é a mais recente coqueluche do Le Mans, mesmo não sendo já um rookie, é titular desde 2006 mas uma sequência de lesões atirou-o para uma afirmação menos explosiva. No ano transacto, experimentou pela primeira vez na sua curta carreira como profissional a concorrência directa de peso de nada mais nada menos que Hassan Yebda, o médio que agora “encanta” em Portugal ao serviço do Benfica. Este ano, Coutadeur começou bem a época ultrapassados que estão os fantasmas das lesões, e Bertucci – o novo treinador do Le Mans – já o colocou com o estatuto de imprescindível tal é a classe que exibe em campo. Não é propriamente um poço de força como Yebda, nem tem o poderio físico do médio do Benfica, mas os seus 1,70m e 69kg são o “motor” para a elegância na hora de interpretar os momentos do jogo e um sentido táctico muito avançado aliado a uma inteligência em campo digna de comparação a Didier Deschamps.
Frédéric Nimani – O Joker do Mónaco
Considerado como um dos elementos mais prometedores do centro de formação monegasco, Frédéric Nimani integrou os seniores na pré-época 2006/07 com os quais disputou a maioria dos jogos de preparação. No dia 9 de Setembro de 2006 fazia a sua estreia na Ligue 1, face ao Auxerre. Não tinha mais que 17 anos e o nosso bem conhecido Lázló Bölöni não teve grandes dúvidas em lança-lo, para Nimani corresponder com uma estreia de ouro ao apontar o seu primeiro golo como sénior. Parecia tudo correr sobre rodas até que uma lesão na clavícula lhe valeu 2 operações, assim como uma operação ao apêndice, que o atiraram para fora dos relvados. Em 2007, com Ricardo Gomes ao leme do Mónaco, Nimani começa um ciclo de empréstimos com passagens pela 2ª Liga ao serviço do FC Lorient e do Sedan até que uma crise de lesões nos avançados do Mónaco o colocaram como opção para esta época. A estreia não podia ter sido melhor: frente ao PSG, entra a meio da 2ª parte e marca o único golo da partida, “oferecendo” os 3 pontos à equipa. Uma semana mais tarde, a estreia na selecção Sub-21 frente à Eslováquia seguida de uma sequência de grandes exibições ao serviço do clube do Principado. Bom finalizador, dotado de uma pontapé muito forte, Nimani beneficia da sua grande condição física (1,91m e 87kg) para confrontar os defesas, é no entanto um avançado do estilo mais fixo e estático, dado não ser um atleta muito veloz. A sua timidez no dia-a-dia contrasta com o seu físico imponente no relvado, o que o faz de Nimani uma das grandes esperanças do futuro gaulês.
Sofiane Feghouli – O Golfinho Polivalente
Em Grenoble, é o silêncio total. É completamente impossível falar de e com a nova pepita do clube da terra. Todos os pedidos de entrevista a Sofiane Feghouli são sistematicamente rejeitados pelo clube. Para compreendermos tal atitude, é preciso dizer que após apenas 3 meses de competição, o menino de 18 anos já deu mais que falar que muitos jogadores com mais de 15 anos de Ligue 1… ao ponto de hoje ser seguido por Juventus, Inter de Milão, Chelsea, Arsenal, Atlético de Madrid, Marselha e o próprio Benfica! Formado no Grenoble, foi chamado aos seniores e foi peça fulcral para a subida do clube ao escalão máximo fruto dos seus movimentos e passes repletos de magia. É um verdadeiro playmaker, com técnica qb e um grande sentido de equipa, com passes teleguiados… um pouco à maneira de um tal de Youri Djorkaeff. A descobrir o mais alto nível do futebol francês, Sofiane (1,78m e 71 kg) passa por uma normal fase de adaptação ao ritmo de jogo, mas para surpresa geral, regala os observadores mundiais pela forma como assume o jogo da equipa sem medos.
Mouhamadou Dabo – A Revelação
“De todos os jogadores que passaram pela selecção de esperanças, é sem sombra de dúvidas, a maior revelação aos meus olhos” – quem o afirma é o antigo seleccionador sub 21, René Guinard, que ainda vai mais longe na descrição deste francês nativo de Dakar – “À primeira vista, pode haver a tendência de o subestimar, primeiro porque é um defesa e porque não é um génio nem um extrovertido em campo. Pelo contrário, Dabo é claramente um fora de série que de destaca pela sua classe, dentro e fora de campo, com os seus pequenos óculos e o seu sorriso e a categoria de quem é esclarecido: sabe o quê e como o fazer.“ – acrescenta. A sua capacidade de discussão de lances de forma sempre limpa, a postura que exerce em campo perante o adversário faz dele a grande coqueluche do AS Saint-Étienne. Com 22 anos, alcançou definitivamente o destaque na Ligue 1, após um reposicionamento táctico como defesa direito, onde brilha a olhos vistos, sempre com enorme rigor e com um grande sentido de liderança sem recorrer a qualquer barulho.
Golo de Dabo frente ao PSG, eleito como um dos melhores da Ligue 1 08/09



