FC Porto – A Primeira Metade
Esta tem sido uma época atípica para os campeões nacionais. E atípica, essencialmente, pelas oscilações que pudemos ver na equipa. O Porto foi uma equipa que nos habituou, ao longo dos anos, a praticar um futebol extremamente regular, a eliminar um mau resultado com uma vitória no jogo seguinte, e não é de todo comum vermos os azuis e brancos com um conjunto de maus resultados consecutivos. Pois bem, isso sucedeu nesta temporada, e a meu ver, nem tudo é negativo a esse respeito.
E a explicação é simples. O hábito de vencer também tem o seu lado negativo: o comodismo, a aceitação de uma realidade habitual. No fundo, a garra e a irreverência também se fazem de maus resultados, da necessidade de ultrapassar mais um obstáculo, e de conseguir provar que tudo não passa de um mau momento. Foi precisamente esse o percurso deste Porto versão 2008-09, um Porto que abanou com a famosa derrota de Londres, e que pouco depois acumulou 3 derrotas consecutivas frente a Dinamo Kiev, Leixões e Naval. Foi a 5 de Novembro que Jesualdo Ferreira conseguiu virar o rumo da equipa, com uma vitória à Porto, um 2×1 em Kiev que relançou a equipa na Liga milionária. O que julgo que poucos estariam longe de entender, foi que de facto esta vitória foi bem mais do que 3 meros pontos. No seio de um balneário jovem e pouco experiente, a vitória de Kiev tocou individualmente a cada um dos atletas, e permitiu uma reviravolta de 180 graus no tão importante factor psicológico da equipa.
Os resultados são reveladores: desde então, 7 (sim, 7!), vitórias consecutivas do campeão nacional, contabilizando uma importante partida em Alvalade para a Taça de Portugal, e dois jogos (frente a Fenerbahçe e Arsenal, respectivamente) que colocaram a equipa no primeiro posto do Grupo G. Jesualdo sabia-o, certamente, e toda a sua experiência lhe diria que quão maior fosse a tempestade, mais prolongada seria a bonança. O Porto actual revelou um Fernando cada vez mais consistente, Raúl Meireles como um pilar da equipa, Rodriguez mais e melhor adaptado, e claro, Hulk, o elemento explosivo que faltava ao ataque portista. Foi como uma explosão de estrelas, algo inesperado depois de um período tão negativo.
A partida frente ao Arsenal foi aquilo que vejo como o expoente máximo da forma portista actual. Com ou sem bola, a equipa apresentou rotinas brilhantes, cada passo era dado com confiança e segurança, revelando igualmente uma letalidade fora do comum: um belo golo de bola parada, e um contra-ataque fulminante. Hulk trouxe à equipa uma irreverência inexistente durante o “reinado” de Quaresma, e apesar da ainda pobre movimentação táctica do brasileiro, toda a sua velocidade e capacidade para abrir espaços com a bola no pé, juntamente com a potência e precisão do seu pé esquerdo nas bolas paradas, fazem do atleta um sinal + neste Porto versão 2009. Actualmente, o Porto é uma equipa que se comporta como um grande com a bola no pé, e como uma equipa pequena quando não a tem em sua posse. Na partida frente aos londrinos, foram percorridos quilómetros na tentativa de recuperar o esférico, sendo neste particular Fernando um homem em destaque. Com a saída de Assunção, Fernando Reges fez questão de revelar como é o atleta certo para o lugar, não precisando de mais de 5 partidas para assegurar a titularidade. A forma “histérica” como recupera e sai a jogar são elementos cruciais neste Porto actual, que tanto em ataque continuado como em contra-ataque gosta de jogar de pé para pé, num futebol veloz e incisivo.
São pontos a reter, num período em que o FC Porto revelou alguns dos seus reforços como valores seguros, e que no fundo Jesualdo tinha do seu lado a razão: há que dar tempo a estes jovens jogadores, verdes e inexperientes, pois certamente nos irão trazer enormes alegrias. E afinal, não parece mentir, o Professor.




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