Ibson em tarde de Zico no Maracanã

Rio de Janeiro, domingo de sol; Maracanã com ótimo público, um clássico decisivo atraindo a atenção de todo o país. Em campo, Flamengo e Palmeiras: dois times entre os cinco primeiros colocados do Campeonato Brasileiro, duas equipes competitivas, mas que, dentro das possibilidades do futebol atual, privilegiam a técnica e o jogo ofensivo.

O ambiente e as circunstâncias lembravam outros tempos do futebol brasileiro, mais especificamente o início dos anos 80, em que as equipes da “Cidade Maravilhosa” eram as melhores do país e o Flamengo, comandado por Zico, tinha um dos melhores times do mundo e arrastava multidões por onde passasse. E numa tarde mágica, envolta em uma atmosfera nostálgica, um jogador tão amado quanto odiado pela maior torcida do Brasil teve uma atuação magnífica, de guardar nas retinas dos que amam o futebol jogado com arte e simplicidade.

Ibson em tarde de Zico no MaracanãIbson, meia do F.C.Porto emprestado ao time rubro-negro até Julho do ano que vem, fez a diferença na vitória do Fla por 5 a 2 pela precisão dos passes, a fibra apresentada durante os noventa minutos, mas, principalmente, pelos três gols marcados. Depois de anotar o seu primeiro, o segundo do Fla, ainda na primeira etapa, o camisa 7 comandou o espetáculo após o intervalo marcando um gol de pura técnica, colocando a bola no ângulo de Marcos (goleiro pentacampeão mundial em 2002 pela seleção de Luiz Felipe Scolari), e encerrou sua fantástica exibição com uma finalização de “letra” precisa, mostrando oportunismo e inteligência em um lance de rara beleza.

Muito bem assessorado por Kléberson (outro campeão mundial com Felipão) no meio-campo e atuando mais avançado, Ibson compensou a pouca inspiração de Obina, o atacante mais enfiado entre os zagueiros palmeirenses, e, sempre vindo de trás, arrasou a equipe de Vanderlei Luxemburgo (ex-treinador do Real Madrid) e Roque Júnior (ex-Milan e mais um campeão de 2002), grande favorita ao título nacional, ajudando o Flamengo a continuar na briga por uma vaga na Libertadores da América de 2009.

Ao ser substituído, foi ovacionado pelos mais de sessenta mil presentes no lendário estádio. A apoteose da massa flamenguista deve ter compensado as vaias que andou recebendo em outras partidas. O torcedor é passional, mas costuma ser justo. Com uma atuação nota dez, lembrando as memoráveis jornadas do principal craque do time carioca, Ibson fez por merecer todas as homenagens. E se mantiver a produção e conseguir colocar o Flamengo novamente na principal competição sul-americana, também fará jus a um esforço da diretoria para tentar contratá-lo, agora em definitivo, numa nova negociação com o time luso detentor de seus direitos federativos.

Os rubro-negros torcem para que os dirigentes do Dragão não tenham visto o show de Ibson em um domingo como nos bons e velhos tempos do para sempre “maior estádio do mundo”.





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