Argentina – Mercado em Expansão

Actualmente, a mais importante competição disputada entre clubes na Argentina é já equiparada aos campeonatos europeus, reconhecidamente os mais ricos e melhor disputados do planeta. Eu era ainda miúdo, mas recordo-me de, na minha cabeça, fazer uma distinção bem clara: do Brasil vinham os jogadores mais talentosos, mas era na Argentina que se praticava o futebol mais emotivo da América do Sul. Efectivamente, esse conceito tem sido amplamente desenvolvido, e a divulgação hoje feita ao futebol “alvi-celeste” coloca este país, claramente, entre o top-10 mundial em termos competitivos.

Historicamente, o futebol argentino tem um fundo muito interessante. A primeira partida de futebol terá sido disputada em 1867, no Buenos Aires Cricket Club, seguida da criação de um pequeno clube de bairro. A modalidade não era de todo popular, e só em Inglaterra era já disputada a larga escala. Até que, em 1882, um Escocês de nome Alexander Watson Hutton chegava ao país vindo de Edinburgh para leccionar no Colégio Saint Andrew. Dizem os livros que traria consigo equipamento desportivo e algumas bolas de futebol. A sua paixão pelo futebol era tanta que pouco a pouco foi criando um núcleo de amantes da actividade, formando então uma equipa que durante largos anos venceu todos os torneios de futebol do país. Os finais do século 19 e inícios do século 20 foram de explosão da modalidade e de constante renovação, até à criação da “Associación del Fútbol Argentino”, entidade que ainda hoje rege a modalidade no país.

Argentina   Mercado em ExpansãoA estrutura da principal competição é similar a outros países da América Latina: são disputados como que 2 campeonatos anuais – o Clausura (Fevereiro a Junho) e o Apertura (Agosto a Dezembro). Em oposição, não se disputa uma Taça como sucede na maioria dos campeonatos europeus. Contudo, a Primera División tem tudo menos um formato simples e transparente, especialmente no que diz respeito às descidas/promoções. Um sistema designado por ‘promedio de puntos’ e que utiliza médias matemáticas, foi implementado em 1983 e tem-se revelado tudo menos pacífico entre as equipas que habitualmente disputam a manutenção. No final de cada temporada, as duas equipas com pior “média” no conjunto das 3 últimas temporadas descem de divisão. Num universo de 20 equipas, a 17ª e 18ª disputam ainda um play-off, o “promoción”, com a 3ª e 4ª classificadas da segunda divisão. Desta forma, o número de equipas que flutuam entre divisões é intermitente, variando entre as 2 e as 4 equipas anualmente. Segundo entendidos, este sistema terá sido adoptado para segurança das turmas mais fortes, isto depois de em 1981 o San Lorenzo ter descido de divisão no seguimento de uma temporada miserável. Sem a adopção deste sistema, Racing Club e mais tarde River Plate teriam também seguramente descido ao escalão inferior.

Em termos históricos, River Plate e Boca – eternos rivais – ocupam as 2 primeiras posições em termos de títulos conquistados, com 34 e 28 respectivamente. Na Argentina, as partidas entre estes 2 clubes designam-se como “Superclásico”, e são aquilo que qualquer atleta argentino sonha um dia disputar. Na Argentina, estes derbies são distribuídos de uma forma regional, e consistem em eventos de grande festividade. Outros importantes confrontos colocam frente a frente Independiente e Racing (lado a lado no terceiro posto de clube mais poderoso), e o Huracán versus San Lorenzo de Almagro, sendo este último o quinto clube com mais títulos nacionais (13).

O prémio para este futebol de enorme qualidade – onde a formação tem tido uma palavra importante a dizer e onde tem sido feito um enorme esforço para aproximar as infra-estruturas com aquilo que vemos na Europa – veio em em inícios de 2007, altura em que a selecção Argentina de futebol subiu do terceiro ao primeiro posto do ranking mundial FIFA. Um posto que conta o que conta, mas que revela essencialmente um poderio na formação como poucos a nível mundial. A Argentina forma não apenas atletas tecnicamente evoluídos e fisicamente robustos, mas cria igualmente homens mentalmente fortes, e que não raras vezes chegam à Europa para ver e vencer, adaptando-se por vezes melhor e mais rapidamente do que atletas vindos de outros campeonatos europeus. Nunca tantos olhos estiveram postos nos Apertura e Clausura, e nunca a Argentina esteve tão bem cotada nos maiores mercados mundiais, no que toca à transacção de jovens pérolas. E os títulos conquistados por esta cantera azul não deixam mentir: Medalha de Ouro nos JO de 2004 e 2008, e 5 (!!) vitórias nas últimas 7 edições do Campeonato do Mundo Sub-20. Notável.





3 Comentários

  1. José Campos diz:

    parabéns! muito bom;
    porém, me veio uma dúvida: o que faz esta foto do Grêmio (equipe BRASILEIRA, de Porto Alegre-RS) no meio do texto?
    abraço

  2. Rui Zamith diz:

    Caro amigo,
    Obrigado pelo elogio. Quanto à imagem, efectivamente não tomei a devida atenção. Já foi entretanto retirada!
    Um abraço

  3. José Carvalho diz:

    Rui Zamith,
    belo artigo, que dá para explicar porque certos clubes apostam neste mercado…

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