Análise: Fenerbahçe 1×2 Porto

Terá sido do super-móvel esquema táctico? Ou talvez da postura irreverente da equipa? Diria que um pouco dos dois. Claramente a melhor exibição do FC Porto desde o início da temporada, uma fantástica evolução desde as fatídicas 3 derrotas consecutivas do mês passado. Depois de Kiev veio Istambul, 6 pontos que resultam numa qualificação precoce para os oitavos-de-final da competição.

Desde o primeiro toque no esférico que esta equipa do Porto evidenciou estar a fazer uma partida diferente do habitual. O esquema táctico parecia, a meu ver, ser o mais bem conseguido até ao momento, e a resposta da equipa foi a melhor prova disso mesmo, senão vejamos: na falta de Lucho, Jesualdo Ferreira colocava em campo uma equipa menos dependente de um homem só, que centralizava as suas forças no colectivo. Tacticamente, até parecia difícil esquematizar este Porto. Hulk e Lisandro eram dois homens deambulantes na frente de ataque, Tomás Costa e Raúl Meireles eram os motores de meio campo, e nas alas Fucile e Rodriguez tinham o papel de fazer todo o corredor da equipa. Desta forma, Emanuel comportava-se como um falso lateral, deslocando-se para o centro da defesa quando a equipa defendia – uma medida vital para o sucesso da equipa neste primeiro tempo.

É contudo importante dizer que, mais do que tácticas ou estratégias, este Porto foi uma equipa de garra, de pulmão. Uma equipa que obrigou o Fenerbahçe a jogar mal, perdendo bolas consecutivas ainda no seu meio-campo, e vendo-se quase sempre impedido de iniciar a construção ofensiva. Aliás, os turcos que têm nos seus laterais grande parte da sua força ofensiva – com Roberto Carlos na esquerda e Gökhan do lado oposto – não foram capazes de tirar partido disso mesmo, tentando, de forma atabalhoada, iniciar o seu futebol no centro do terreno, onde (arrisco-me a afirmar) Raúl Meireles e Tomás Costa, com o auxílio dos dois elementos mais ofensivos da equipa, rubricaram o primeiro tempo mais bem conseguido da temporada. Diz-se que o ataque é a melhor defesa. Pois bem, esse ditado ficou hoje provado no Estádio Sukru Saracoglu, em Istambul.

Análise: Fenerbahçe 1x2 PortoEm jogo jogado, este Porto foi uma equipa letal. A pressão exercida sobre a defensiva Turca rapidamente resultou no primeiro golo da partida, aos 19′ por Lisandro, correspondendo a uma fífia do sempre bizarro guarda-redes Demirel. Aliás, poucos minutos antes Raúl Meireles tinha tido nos pés uma enorme chance brilhantemente travada pelo mesmo guardião. O Porto era uma equipa insuperável, e o máximo que a equipa da casa conseguiu neste primeiro tempo foi um punhado de cruzamentos e tabelinhas de perigo intermédio, algo que a fortificada linha defensiva azul foi capaz de segurar sem dificuldade. Pelo contrário, Emre, Alex e companhia não conseguiam trocar a bola por mais do que 2, 3 vezes consecutivas, pois logo aparecia um elemento portista em cima do acontecimento – neste particular Fernando foi simplesmente soberbo, com alguns lances plenos de categoria. Estávamos na Turquia, certamente num dos mais temidos estádios da Europa, mas a realidade é que o segundo golo de Lisandro, aos 28′, pouco surpreendeu – imperial o argentino, a não vacilar nos momentos cruciais. Este Porto personalizado era uma equipa extremamente eficiente, e o lance de Tomás Costa aos 34 – com a bola a embater caprichosamente no poste esquerdo, depois de passar por cima de Demiral – foi indiscutivelmente o lance que separou uma equipa derrotada de uma equipa com ainda uma réstia de esperança. O Porto chegava ao intervalo com um brilhante 0×2, e um número ainda mais pesado não escadalizaria.

O segundo tempo revelou que, na realidade, um 0×2 não era suficiente para derrubar a muralha otamana. “Quem não marca sofre”, outro ditado que poderá ser devidamente aplicado no confronto de hoje. Hulk falhou isolado o terceiro golo portista; Kazim Kazim reduziu para 1×2 com um remate pleno de felicidade. O que se temia acabava mesmo por suceder. Um vendaval ofensivo do Fenerbahçe à baliza de Hélton, e um conjunto de lances que trouxeram algum sobressalto à equipa. Algo que poderia facilmente ter sido evitado, mas que na realidade permitiu atestar como este Porto está bem e recomenda-se, até ao nível das opções de banco. Guarin, Marino e Pelé entraram todos eles para mostrar serviço, contribuindo para uma prestação colectivamente excepcional.

Poucos esperariam uma evolução tão imediata na equipa, mas a realidade é que tudo correu de feição no jogo de hoje, desde a forma da equipa, à prestação individual de cada atleta, ao esquema táctico montado por Jesualdo Ferreira. Do mesmo modo que a sorte/azar não servem de desculpa na hora da derrota, também hoje a sorte não é o argumento a defender. Foram diversos factores de jogo que o Porto ultrapassou com classe, e só isso lhe permite voltar ao norte de Portugal com mais 3 pontos, e uma saborosa passagem à fase final da competição.





1 Comentário

  1. PedroBM diz:

    Rui,

    Talvez eu seja um constante pessimista, mas nao achei que tivessemos jogado tanto como isso…

    1- O facto de os turcos perderem bolas no meio campo defensivo nao teve a ver com pressao dos nossos jogadores, a maior parte das vezes era um jogador sozinho que se decidia a chutar a bola para os pes dum portista

    2- os nossos dois golos foram uns falhancos ridiculos da defesa deles

    3- O Pedro Emanuel parecia um manequim numa montra e acho que teria dificuldade em travar uma tartaruga. Nao fosse o Rodriguez na realidade jogar a defesa esquerdo e teria sido um desastre.

    Mostramos coisas boas:

    Em termos defensivos, com garra, entreajuda e estabilidade emocional, mas em termos ofensivos muito pouco e estavamos a jogar contra uma equipa atacante que sabe pouco de defender

    Continuo a dizer… Mariano a defesa direito, especialmente quando ha lesoes… ele a defender nao tem problemas e tem garra suficiente, o grande problema dele e que se atrapalha com a bola…

    Ha em geral uma melhoria, mas acho que vamos continuar a ter problemas contra equipas defensivas ou se tivermos o azar de sofrer o primeiro golo numa partida.

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