Sporting CP – «Fábrica de Campeões»
Época 2008-2009. São 32 as equipas presentes em mais uma edição da milionária competição europeia de clubes – a UEFA Champions League. Num lote onde são diversas as equipas de top internacional, num particular há uma equipa portuguesa a saltar aos olhos de qualquer espectador mais atento: o Sporting, e a sua “cantera” dourada. Apenas 3 equipas batem o clube leonino neste particular, e arrisco-me a dizer que em nenhuma delas os jovens da casa têm tanta preponderância como no clube português – Patrício, Caneira, Migule Veloso, João Moutinho e Yannick Djaló são habituais titulares, Adrien e Pereirinha estão numa segunda linha a um pequeno passo de saltar para o 11 titular. Notável.
Se o caso do Aalborg BK não surpreende (conta com 14 atletas formados no clube) pelo baixo potencial do seu futebol, o que dizer dos colossos Barcelona e Manchester United, com 10 e 9 atletas respectivamente? É impressionante a forma como as duas equipas mantêm um patamar competitivo elevadíssimo apesar da constante aposta nos seus jovens valores. Na quinta posição deste ranking encontram-se 2 clubes de leste, o Dinamo de Kiev e o estreante Bate Borisov, equipas que apesar de tudo já revelam estar a “ceder” ao charme do mercado internacional. Numa plataforma oposta, temos clubes com tradição como o Real Madrid, Lyon, Marselha e Ajax, actualmente furos abaixo daquilo que era o baluarte da sua estrutura de futebol profissional.
Actualmente, a harmonia entre as aquisições e a aposta na formação é um jogo cada vez mais complicado de praticar. Os milhões falam mais alto, e a indústria reveste-se de pressão na altura de conseguir os resultados – inicialmente desportivos, mas que rapidamente se transformam em financeiros. E é neste contexto que deve ser inserido o Sporting, cujo esforço na formação já vemos com naturalidade, mas que na realidade é quase sobre-humano. Inserido num mercado mais competitivo – como o inglês, ou o italiano – não tenhamos dúvidas de que o Sporting estaria hoje no top europeu, apenas e só pela capacidade que teria em segurar valores que actualmente vê bater as asas com enorme facilidade. Veja-se, como casos mais badalados, as saídas de Figo, Paulo Sousa, Futre, Simão, Quaresma, Cristiano Ronaldo e Nani mais recentemente. Um case-study do futebol mundial, e que coloca o Sporting lado a lado com o Porto na rota dos milhões, apesar do carácter distinto do seu futebol profissional (o Sporting privilegiando a formação, o Porto com a capacidade para inflacionar os seus activos).
Caberá ao Sporting séc. XXI ganhar autonomia para rivalizar com os mais fortes, não apenas numa óptica de negociação, mas também na capacidade para segurar as suas pérolas por um maior período de tempo. O Ajax terá sido em tempos a maior história de sucesso na formação de que o futebol tem memória, numa Academia que alicerçou a rentabilização financeira com os resultados desportivos – na década de 70 com «laranja mecânica», e nos anos 90 com Van Gaal, altura em que arrecadou a Taça UEFA, a Liga dos Campeões, e consequentemente a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental. Casos de extremo sucesso que o Sporting poderá replicar (veja-se a temporada de 2004/05, onde a previsível conquista da Taça UEFA poderia ter levado o Sporting a outras conquistas de maior relevo) e onde essencialmente será necessário encontrar “cabeças” brilhantes, com outro tipo de rasgo, em oposição à actual postura conservadora e pouco dinâmica da actual da direcção – embora a sua presença seja sempre essencial, ressalve-se.
Um Sporting de grandes perspectivas, e que pelos seus rivais é actualmente visto com orgulho e com prazer. A presença dos leões no panorama nacional é vital nos dias que correm, pelo seu estatuto de maior formador a nível nacional, e certamente os seus adeptos desesperarão pela hora em que o clube, como um só, salte para a ribalta com uma conquista dourada de outro gabarito. Merecidamente.



