Robinho – Polêmica no Brasil

Depois de uma conturbada negociação, em que era cobiçado pelo poderoso Chelsea e seu festejado treinador Luiz Felipe Scolari, ele chegou a Manchester vindo do Real Madrid, após o bicampeonato espanhol que marcou a recuperação da hegemonia nacional do clube mais vencedor do planeta. Pelo City, mesmo sendo derrotado em sua estréia pelo mesmo time londrino que queria a sua contratação, já marcou seis gols em dez jogos do badalado campeonato inglês, sendo três na última partida em seus domínios contra o Stoke City.

Pela seleção brasileira, este mesmo jogador é o artilheiro da equipe sob o comando do técnico Dunga, com doze gols. Na última competição oficial, a Copa América 2007, foi campeão como destaque e artilheiro de um time desfalcado de craques como Kaká e Ronaldinho Gaúcho, vencendo a arquirival Argentina completa, invicta e motivada por inquestionáveis 3 a 0. Além disso, conquistou dois títulos nacionais em seu país pelo Santos, que não era campeão há dezoito anos, idade da jovem revelação na primeira conquista, como o grande destaque, apresentando um futebol vistoso e de rara habilidade.

Um atleta de 24 anos com tantos feitos em apenas seis temporadas de carreira profissional, deveria ser uma unanimidade em seu país, certo?

Não exatamente… No Brasil, Robinho é alvo de enorme polêmica. Se muitos consideram o atacante um craque pronto, dos mais talentosos surgidos na história do futebol pentacampeão do mundo, outros tantos acreditam que o ex-santista não passa de um jogador individualista e pouco objetivo, que se destaca apenas em partidas fáceis e virou um simples produto da mídia pelo seu exibicionismo. Ao afirmar com frequência que pretende ser o melhor do mundo e prometer trinta gols na primeira temporada na Inglaterra ainda em seu início, o jogador fomenta ainda mais a discussão acerca do seu potencial.

Vamos então à questão central: Enfim, Robinho é craque ou uma eterna promessa?

Para este que escreve, o atual queridinho da cidade industrial inglesa é, sim, um craque. Mas não o que habita na mente do próprio jogador. Talvez pela própria expectativa criada pelos fãs de um menino que desequilibrou na conquista do Campeonato Brasileiro de 2002, com uma lendária sequência de “pedaladas” que ocasionou o pênalti do primeiro gol, convertido pelo próprio atacante na vitória sobre o Corinthians por 3 a 2 na decisão, muitos imaginaram que surgia ali um fenômeno como Romário ou Ronaldo e os mais exagerados chegaram a compará-lo com Pelé, até por terem atuado pelo mesmo clube. Todas essas previsões megalomaníacas certamente influenciaram na maneira de que Robinho passou a ver seu próprio futebol. O jogador também queimou etapas ao chegar ao time profissional tão cedo. As conclusões, embora tenham melhorado, ainda podem progredir. Seu jogo também pode ser mais vertical sem perder a beleza e a inventividade.

O grande problema é que o craque parece ter convicção de que não tem mais o que aprender e progredir, e que ser o número um do mundo é apenas questão de tempo e sequência de jogos, que foi negada em Madrid pelos treinadores exatamente pela sua irregularidade. Mas ele não percebeu e bateu o pé até deixar o clube merengue. Era o momento?

Que Robinho possa encarar os elogios com serenidade e as dificuldades que encontrará em um clube emergente como um desafio para se agigantar e, com humildade, transformar seu enorme potencial em mais conquistas e tornar realidade o sonho de chegar ao topo do planeta bola como seu maior craque.





2 Comentários

  1. Gustavo Devesas diz:

    Parece-me interessante como no Brasil o que acontece com Robinho é, de certa forma, o pão nosso de cada dia aqui em Portugal no que toca a “prodígios” canarinhos importados precocemente para o futebol europeu. Pessoalmente acho que Robinho começou a sua carreira Europeia “ao contrário”, isto é, chegou logo para jogar no clube mais mediático do Velho Continente, o Real Madrid. Parece-me óbvio que as coisas não funcionassem logo, sobretudo porque houve muita adaptação a ser feita, quer ao estilo de jogo que aqui se pratica, como ao próprio estilo de vida de um “milionário” na Europa.
    A contratação de Robinho, foi uma autêntica novela, lembro-me que chegou a convocar uma entrevista colectiva para dizer que queria ir para o Chelsea, mas acertou na última noite tudo com o City, momentos antes da janela de contratações europeia ser fechada. Pareceu-me muito pouco profissional a forma como saiu de Espanha onde foi alvo de duras críticas do presidente do Real Madrid, que insinuou que o 10 é movido apenas pelo dinheiro.

    Sinceramente, e mesmo com 6 golos nos 6 primeiros jogos, parece-me que o City ofereceu um dos melhores negócios de sempre ao Real, que por uma vez conseguiu lucrar com um jogador… algo raro! Os 42 milhões de euros e os 6 milhões de euros anuais durante quatro temporadas, colocaram Robinho novamente na ordem do dia sendo (segundo a imprensa Inglesa) o jogador brasileiro mais bem pago de sempre em Inglaterra. Vamos esperar para ver!

  2. lucas scussel diz:

    Como o mundo da voltas hein?! na época deste Post o Robinho tava sobrando, era só alegria. Já agora, setembro de 2009, é reserva no City, que por sinal contratou TRÊS atacantes, sinal de que não confiam muito no seu potencial. Na seleção faz tempo que não faz uma partida convincente, jogando apenas com o nome. Ta sendo bastante constestado, numa seleção que está ganhando tudo. Enfim.. existiu dois Robinho. Um na época do Santos e outro após o Santos. Nunca mais será o mesmo.

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