Portugal – Embirração Nórdica?

A tradição, positiva ou nem tanto, sempre teve um forte impacto mental nas várias equipas portuguesas de futebol que ao longo dos anos nos representaram. Como povo latino, de sangue quente, deixamo-nos facilmente levar pelas emoções, e tanto somos capazes de ultrapassar o que parece inalcançável, como somos batidos quando nada o parece prever.

Neste contexto, o Grupo 1 na qualificação para o Mundial 2010 trouxe-nos uma curiosidade: a presença de duas equipas escandinavas a fazer frente a Portugal, num total de 4 partidas. E o saldo é, para já, negativo. Naquela que era a primeira partida a doer, Portugal recebia a Dinamarca em Alvalade, sendo também um importante dia para o retornado Carlos Queirós. Em bom tom nacional, os pupilos lusos fizeram um bom primeiro tempo, criaram diversas ocasiões de golo, mas em suma não as concretizaram em número suficiente. Jogando confortavelmente ao sabor de um 1×0, não foi preciso mais do que um bom sprint final para que os Dinamarqueses levassem os 3 pontos para casa. Normalmente teria sido apenas 1, mas o factor sorte também faz parte do futebol (para quem o procura), e o drama estendeu-se à perda de 3 pontos, criando desta forma um complicado confronto directo perante a turma de Morten Olsen.

O que me parece curioso, por vezes até bizarro, é a forma como o pássaro parece sempre estar bem mais das mãos Portuguesas que dos seus adversários. Futebol rendilhado, pressão alta, uma posse de bola que resulta em fortes percentagens de domínio em terreno adversário, e claro, inúmeras situações de golo. Porque será que a bola não entra? Não, não será inteiramente pela falta de um verdadeiro ponta de lança. É, essencialmente, pelo factor (des)concentração, pelo conforto da boa exibição e essencialmente pelo acreditar de que mais cedo ou mais tarde os golos acabarão por surgir. Afinal de contas, a equipa está a jogar bem e merece vencer. Falso! O futebol faz-se de vitórias, e se a bola não entra pouco importa agarrarmo-nos a vitórias morais.

Na dupla jornada que agora de avizinha, Portugal irá deslocar-se ao Estádio Rasunda, em Solna, para defrontar uma turma de enorme história em termos de selecções. A Suécia do séc. XXI ainda não revelou o fulgor de outros tempos, mas comparando-a com a vizinha Dinamarca vemos uma selecção cujo poder histórico lhe concede uma maior dose de favoritismo, especialmente jogando em casa. Previsivelmente, os Suecos irão apresentar-se num arrojado 3-5-2, o mesmo esquema utilizado frente à Hungria na sua última partida. Uma equipa bem longe do kick and rush de outros tempos, na qual o esquerdino Källström é o pivot ofensivo, distribuindo e pautando o jogo. O vetereno Larsson, ausente por lesão, é ainda um habitual titular no seu habitual estilo de falso avançado-esquerdo, mas mantendo inacto o seu faro pelas balizas contrárias. Contudo, o grande nome desta equipa é o de Ibrahimovic, a estrela que mais brilha de azul e amarelo. O futebol da turma escandinava é francamente tecnicista, e jogado na velocidade e constante troca de bola entre os vários elementos. Geralmente, Lars Lagerbäck povoa o meio-campo tentando ganhar poderio em termos de posse de bola, para posteriormente construir em regime de passe curto e rápidas desmarcações.

Só um Portugal de enorme empenho levará de vencida esta difícil equipa, que apoiada pelo seu público quererá continuar um percurso imaculado rumo ao Mundial de África do Sul. Com o regressado Ronaldo previsivelmente no onze titular, será Portugal um escravo do rendimento do seu filho mais pródigo?





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