Stephen Sunday e Juan Mata – Ouro de Valência
Mais uma vez atentos aos jovens que despontam nos quatro cantos do Mundo, é por terras de nuestros hermanos que o Jogo de Área acaba de descobrir as duas novas coqueluches espanholas do Valência. Stephen “Sunny” Sunday e Juan António Mata são o futuro de que se fala e não foi com espanto quando a televisão nacional Espanhola apresentou ambos em Maio de 2006 e as suas caras ainda eram desconhecidas, mas até quando irão assim ficar?
Se é verdade que hoje em dia em Espanha os dias não são tão cor de rosa como em anos transactos e as tentativas de reacender o rasto de grandes clubes nem sempre sabem respeitar o próprio estilo de cada equipa, é exactamente disso que sofre um Valência que é actualmente órfão do seu passado. Os tempos de loucura no campeonato vizinho estão a abrandar, sobretudo se verificarmos que na época passada o mercado de transferências movimentou mais de 400 milhões de euros. Ora, com o campeonato Inglês apostado em investimentos megalómanos, os espanhóis parecem ter visto que “matéria-prima” é coisa que realmente não lhes falta. O sucesso da conquista do Euro 2008 teve assim o condão de despertar os espanhóis para uma nova era, uma era em que o que é nacional é bom, sendo que para esta temporada o mercado se ficou pelos 200 milhões de euros. É neste contexto que surgem as duas novas promessas da cantera vizinha, verdadeiras apostas internas:
Mata, o novo parceiro de David Villa
Juan António Mata é considerado por muito olheiros como o novo Raúl Gonzalez. Com uma formação feita no Real Oviedo, aos 15 anos foi contratado pelo Real Madrid mas acabou por representar apenas a equipa de formação que milita na 2ª Divisão B. Contudo, rapidamente deu nas vistas e no início da temporada passada foi “resgatado” pelo Valência, conhecendo a sua primeira internacionalização nos sub-19 de Espanha, onde foi o grande herói com grande distinção de marcar 4 golos em 5 jogos levando a Espanha à conquista do Europeu Sub -19 de 2006. Hoje em dia, com 20 anos, é presença assídua nos sub-21 e dor de cabeça para muitos defesas contrários tal é a sua mobilidade e rapidez nos seus pés, capacidade de jogar em qualquer posição do ataque, enfrentando olhos nos olhos mesmo a mais terrível marcação. Mata é um avançado que pode actuar como médio esquerdo e que encanta com a sua capacidade técnica, drible, criatividade, qualidade de passe, capacidade para efectuar lançamentos em profundidade com precisão e também técnica de remate a curta e a média distância.
Stephen Sunday – Coração de Guerreiro
Real Madrid, Real Betis, Deportivo de La Corunha, SCC Napoli e Liverpool são apenas alguns dos grandiosos clubes que estiveram atraídos pelo médio criativo do momento em Espanha, enquanto este ainda brilhava com as cores do Club Polideportivo Ejido da Segunda Divisão. Mas a história de Stephen Sunday, mais conhecido por Sunny, começou muito antes. Nascido na Nigéria, foi ainda ali que jogou em Lagos no FC Ebedei and Jegede Babes. O sonho de jogar futebol, mas sobretudo de ajudar a família, levou-o a emigrar aos 16 anos para tentar a sua sorte. Foi literalmente abandonado em França por um grupo de supostos agentes, e perdido rumou a Espanha. Jogou num anónimo Mundialito de Emigrantes, em 2005 e impressionou de tal forma que lhe foi dado um contrato de 5 anos no clubes espanhol Poli Ejido da II Divisão, cujo presidente teve de se tornar seu pai adoptivo para permitir que Sunny permanecesse em Espanha. Seguiram-se brilhantes exibições onde cativou tudo e todos com o seu jogo e, aos 18 anos, foi convocado para a selecção Sub-19 de… Espanha, algo que prontamente aceitou, pois afinal, e como referiu, “foi Espanha que me deu uma vida e uma carreira quando não tinha rigorosamente nada, e sobretudo quando para os treinadores Nigerianos nunca fui considerado suficientemente bom. Foi-me dado o amor de Espanha!”.
É um médio de boa estampa e resistência física (1,80m e 67kg) com grande capacidade para acelerar a velocidade do jogo e para cobrir todo o meio campo, um verdadeiro box-to-box moderno. Não tem problemas em abordar com garra os adversários e sai com classe e dintinção a distribuir jogo. Um super talento que levou a BBC a fazer um grande artigo ainda antes da sua transferência para o Valência, entrevista em que relata que o Real Madrid chegou a oferecer 400.000€ mais um jogo amigável pelos seus serviços, algo que foi prontamente recusado pelo Poli Ejido, que mais tarde veria o jogador a sair para o Valência por uns “justos” 3,5 milhões de euros. A roda viva dos media não terminaria por aqui, quando em Maio de 2006 ainda sob o “tecto” do Poli Ejido, foi capa da reputada revista espanhola Don Balon, que o considerou o novo Claude Makelele. No mesmo ano viu a TVE a exibir um documentário com uma hora de duração, sobre a sua incrível história de vida.
Estes jovens são o futuro seguro do Valência, que irá certamente ver por muito bem entregue o seu “investimento” em jovens pérolas que garantem não só o sucesso do clube mas também da própria selecção Espanhola, “encharcando” seguramente os relvados da La Liga com astúcia e finesse.
Pormenores de Sunny e Mata




O Valência tem grandes alas e este Mata é mais um. Continuam fortíssimos na formação e produzem muitos jogadores de enorme qualidade. Este avançado é outro… Ele, Diego Capel, David Silva… Tão jovens e já a um nível tão alto.
E o Sunny é o típico médio que me “enche as medidas”. É muito parecido com um jogador norueguês, o Tettey, quer fisicamente, quer em termos de corpo, postura, toque de bola, posição. Gosto de médios que passam certo, que têm qualidade técnica sem serem excessivamente vistosos. E este género de jogador alto, seco, fininho, de bons pés e jogo simples deixam-me maravilhado.
Vamos lá ver o que dá o Valência deste ano. Fazer pior que a época passada será difícil, de facto…
Sem dúvida Paulo, no entanto, como referi de forma muito breve no artigo, este Valência está orfão de uma aposta desmedida em treinadores com mentalidades distintas: Cúper, Ranieri, Quique Flores, Koeman e agora Unai Emery. O Mestalla quase foi abaixo com o 10º lugar do ano passado e o clube investiu bastante em reorganizar as ideias para a nova Liga.
Tenho a ideia que este Valência tem neste ano, o derradeiro ano para “rentabilizar” David Villa, que é seguramente o avançado mais mediático após a era “Kempes”. Lembro-me apesar de ler e ver vários documentários sobre Kempes e todo o seu sucesso internacional no clube Che e também na selecção Argentina onde liderou a equipa na vitória do Mundial de 78, onde foi também melhor marcador. Foi o “pichichi” na Liga Espanhola em 76/77 com 24 golos e 77/78 com 28 e foi o jogador-chave na conquista da Copa del Rey de 79 e na Taça das Taças de 80.
Sinceramente, parece-me que Villa conseguiu igualar o carisma deste argentino mas será muito difícil segura-lo por muito mais tempo.
O Mata é seguramente um jogador útil a qualquer equipa, não é o avançado estilo tanque, enorme e pouco móvel, mas sim o contrário de tudo isso que em conjunto com a polivalência de Sunny, prometem dar muito que falar para os lados de Valência. Penso mesmo que o nosso Manuel Fernandes tem claramente o lugar no plantel em risco, tal é a concorrência feroz nesse sector e sobretudo os pés deste nigeriano com coração vermelho e amarelo.
Essa do Manuel Fernandes já é outra discussão…
O melhor jogador a sair das escolas do Benfica nos últimos 10 anos, quase. O que parece é que, se não se puser a pau, não irá longe. Se perder o lugar (que ainda não tem, portanto não o “perderia” pois nunca o conquistou de forma consistente) não será só pela grande qualidade dos outros médios (e o Valência ainda teve a “coragem” de emprestar o Banega…), mas porque ele também não quer fazer muito mais…
Mas isto são palavras de benfiquista triste. Sou um grande admirador das qualidades do M. Fernandes. Mas é daqueles jogadores sobre os quais se diz: “Falta o resto”…
O Manuel Fernandes é seguramente um dos maiores “pré-flops” das novas gerações portuguesas. A forma como rapidamente chegou à titularidade no Benfica e sobretudo a forma como bailou entre clubes estrangeiros com péssimos comportamentos e a deixar uma imagem completamente distorcida daquela que mostrou quando se estreou pelo Benfica e vinha para os treinos de metro e de ipod no bolso. É seguramente o exemplo do futebolista português que se deixa impressionar facilmente quando a fama chega depressa… ao contrário por exemplo dos dois exemplos que ainda há uns dias fiz questão de abordar num artigo: Pedro Mendes e Danny, verdadeiros exemplos de portugueses que tiveram de trabalhar no duro para chegar a altos voos.
Espero muito sinceramente que o Manuel Fernandes coloque a cabeça bem fria e que não seja mais um Hugo Leal ou mesmo um Daní.
Sem tirar nem pôr.
“Pré-flop” é mesmo o termo correcto.
Assino por baixo sobre as vossas declarações acerca do Manuel Fernandes. Julgo que era preferivel ele ter ficado mais algum tempo no Benfica do que ter saído do modo como saiu e estar na situação que está. Julgo que tem muita qualidade mas falta qualquer coisa.
Quanto ao Valencia, a continuar assim é um exemplo para muitos. Julgo que o caminho para o sucesso está mesmo na formação, tem muito menos riscos que o comprar barato para vender mais caro( tactica normalmente usado pelo FCP) e os resultados podem ser muito melhores. Quando é que em Portugal começamos a ver isso como rotina? Tirando o Sporting e outros jogadores juniores que são lançados la de muito de vez em quando noutras equipas, a formação não produz realmente resultados, preferindo-se comprar brasileiros, muitas vezes de qualidade duvidosa ou outros jogadores estrangeiros. Há que mudar essa mentalidade no futebol nacional, senão no longo prazo podemos estar a por em risco a qualidade da nossa selecção e mesmo do nosso futebol.