Hora “Red” – O Renascer do Liverpool

Mais uma fantástica jornada da Barclays Premier League. No jogo mais “picante”, o Liverpool mostrou raça, força e sobretudo muita vontade para alcançar um resultado histórico (2×1) contra o campeão em título Man. United. Uma vitória que é muito mais que três preciosos pontos, é sobretudo o primeiro voo no topo da Liga Inglesa de Benitez e seus pares desde que o espanhol assumiu as rédeas da equipa no Verão de 2004. Um feito que foi alcançado sem Steven Gerrard e Fernando Torres no onze inicial e que mostra como a equipa tem a cabeça num único objectivo – ganhar uma Premier que lhe foge há 18 anos.

É oficial e reconhecido por todos como o seu único objectivo. Não há nada mais urgente para o Liverpool do que ganhar a Premier League nesta temporada. A verdade é que a ansiedade dos fãs só pode ser saciada com a conquista da Liga interna e não com qualquer outro troféu ou taça internacional. Com a hegemonia em palmarés do clube a ser colocada em questão pelo rival Manchester United – que arrecadou dez títulos desde que a liga ganhou o nome e formato de Premier – a verdade é que o clube da terra dos Beatles parece ter recuperado a nível internacional o prestígio que teve entre os anos 70 e 80, mas no seu país há muito não é favorito. Assim sendo, os “reds” investiram cerca de 275 milhões de euros nos últimos cinco anos em quase meia centena de futebolistas com um duplo objectivo:

Recuperar o prestígio e o respeito interno com a conquista da Premier League, e reacender a chama Europeia que o clube ocupou entre 1975 e 1986, o ano em que a tragédia provocada pelos seus adeptos em Heysel, na final da Taça da Europa frente à Juventus, os afastou das competições internacionais. Se no que respeita à Europa o Liverpool tem vindo a dar cartas – com a conquista da Champions League em 2005 da Champions face ao AC Milan e a final perdida com os italianos em 2007 – internamente o clube afastava-se dos títulos, isto numa altura em que Benitez parecia ter um plantel feito e pensado à sua imagem, a juntar ao rendimento de Fernando Torres, a contratação mais cara da história do clube. Mas nem a erupção de “Kid” valeu ao clube, que parecia destinado à quarta posição sem nunca dar a sensação de incomodar verdadeiramente o trono da Liga.

Segurança defensiva acima de tudo. Este é seguramente um dos motes que Benitez usa para moldar uma equipa a seu gosto, com por exemplo a contratação de Deggen (Dortmund), Dossena e ainda o pagamento da claúsula de rescisão de 23 milhões por Javier Mascherano. Contudo, Rafa Benitez tem sido veementemente criticado pela sua obsessiva fixação em elementos defensivos, e as carências têm sido apontadas: um companheiro de alta qualidade para o ataque lado a lado com Torres – que Benitez pensa ter encontrado em Robbie Keane, ex-Tottenham – e um médio que possa fazer de Gerrard quando o capitão se encontra indisponível – Gareth Berry era o desejado. O que é facto é que, independentemente de novos valores, o clube está mais empenhado que nunca e “armas” parecem não faltar, sendo no entanto fundamental atentar em três pontos-chave:

  1. Qualidade de Reina – O guardião que Mourinho escolheu para a sua equipa ideal, foi três vezes aclamado como “luva dourada” da Premier e na época passada conseguiu deixar as redes invioladas por 17 jogos, quase um em cada dois. Para uma equipa que privilegia a solidez defensiva manter o excelente trabalho de Reina e a média de 0,7 golos em casa e 0,8 fora torna-se fulcral.
  2. Vida para além de Torres – O “Kid” foi o rei dos golos na sua estreia com 24 tentos, algo que quer ultrapassar este ano. A equipa não pode ser tão dependente de sí, visto que só Gerrard com 11 golos consegue acompanhar a classe de Fernandito. O resto dos avançados ficou bem bem longe deste números: Kuyt 3 golos, Babel 4, Crouch 5 e Voronin 5.
  3. Equilibrio entre os jogos caseiros e fora -Uma média de 1.3 golos fora de casa são números algo pobres para uma equipa que aspira o título.  Em Anfield, os “reds” perdem muitos pontos, o que parece mentira mas que é a mais pura das verdades. No ano passado não conseguiram ganhar a nenhum dos seus rivais directos e chegou a escorregar perante clubes de outro nível.

Com o pensamento em vermelho, é assim que o clube mais laureado em Inglaterra (18 Ligas) encara esta época. Como overview da realidade deste lendário clube, basta frisar que é o clube com mais Taças da Liga dos Campeões no seu museu, cinco! Joga no lendário Anfield Road (46000 espectadores) onde o hino oficioso do clube “You’ll never walk alone” se faz entoar a cada partida antes de se moverem para o novo estádio (Stanley Park com 61000 espectadores) em 2011. Com proprietários norte-americanos (Tom Hicks e George Gillet) teve (apenas!) 18 treinadores em toda a sua história, sendo Bill Shankly (1959-74) e Bob Paisley (1974-83) os mais lendários. Ian ,com uns incríveis 346 golos, é o maior goleador do clube que tem em Ian Callaghan o futebolista com mais jogos de vermelho (857).

Se “El Niño” cumprir a promessa de ultrapassar os 24 golos marcados na temporada transacta, Reina e Gerrard mantiverem a qualidade de sempre e os restantes jogadores se aplicarem ao máximo, faltará apenas que o clube comece a senda de vitórias para alcançar seguramente um dia histórico para a cidade. O Liverpool está a um passo de mostrar aos seus rivais directos que a hora “red” está muito próxima!





1 Comentário

  1. Marsv diz:

    Excelente artigo do meu outro clube do coração. Acho que este ano reforçaram-se muito bem mas mesmo assim parece que falta algo ali na defesa. Com o Chelsea muito forte este ano e agora com o retorno do C.Ronaldo nos Devils, vai ser difícil e muito disputada a conquista do tão ansiado título de campeão inglês por parte dos Reds, esperemos…

Deixe o seu comentário

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes

2007-2009 © Jogo de Área - Todos os direitos reservados
Design by rfzamith.com